Fundada em 18 de setembro de 1728, Diamantino poderá receber um dos mais importantes reconhecimentos institucionais de sua história. O deputado estadual Júlio Campos apresentou projeto de lei propondo que o município seja declarado capital simbólica de Mato Grosso entre os dias 18 e 24 de setembro de 2028, período em que serão celebrados os 300 anos de fundação da cidade. A proposta também prevê que as comemorações do tricentenário sejam reconhecidas como Patrimônio Cultural, Histórico e Cívico de Interesse Estadual.

Segundo o parlamentar, a iniciativa busca valorizar a contribuição histórica de Diamantino para a formação política, econômica, social e cultural do Estado. Júlio Campos destacou que o reconhecimento segue o mesmo princípio aplicado a Vila Bela da Santíssima Trindade, que anualmente assume simbolicamente a condição de capital mato-grossense durante as celebrações de seu aniversário, em razão de sua relevância histórica para Mato Grosso.

O projeto nasceu de uma solicitação apresentada pela Câmara Municipal de Diamantino e reforça o protagonismo da cidade ao longo da construção do território estadual. Considerado um dos municípios mais antigos de Mato Grosso e do Centro-Oeste brasileiro, Diamantino teve papel decisivo durante o ciclo da mineração, na ocupação do interior do país e na consolidação das primeiras estruturas administrativas da então Capitania de Mato Grosso.

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A relevância histórica do município também está associada à passagem de importantes expedições científicas e exploratórias. Diamantino integrou a rota da linha telegráfica implantada pelo Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon e recebeu visitantes ilustres, como o Barão de Langsdorff, Francis de Castelnau, Bartolomeu Bossi e o ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt. Sua localização estratégica ainda a coloca sobre o divisor natural das bacias Amazônica e Platina, característica geográfica singular no país.

Além do patrimônio histórico preservado, a cidade vive um novo momento de valorização cultural. A administração municipal desenvolve um amplo processo de revitalização do Centro Histórico, com apoio técnico de especialistas da Fundação Getulio Vargas (FGV). O conjunto arquitetônico colonial, a Igreja Matriz da Imaculada Conceição, a Serra Calçada e antigos caminhos utilizados durante o período colonial fortalecem o potencial turístico e cultural do município.

Durante a mesma sessão legislativa, Júlio Campos também comentou os trabalhos da Comissão de Revisão Territorial dos Municípios e das Cidades da Assembleia Legislativa. O parlamentar informou a realização de visita técnica à região de Poxoréu e Primavera do Leste para analisar pedidos de redefinição dos limites territoriais utilizados no Estudo de Viabilidade Municipal. A eventual alteração dependerá de estudos técnicos e da realização de plebiscito entre os eleitores dos dois municípios nas eleições gerais de 2026.

Os indicadores reforçam a importância da preservação do patrimônio histórico brasileiro. Dados nacionais apontam que o Brasil possui 1.290 bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), distribuídos em todas as regiões do país. Em Mato Grosso, o Estado reúne mais de 30 bens tombados nas esferas federal e estadual, além de dezenas de áreas de interesse cultural protegidas por legislações municipais, demonstrando o avanço das políticas públicas voltadas à preservação da memória e da identidade regional.

FONTE/CRÉDITOS: Lucy Matos