Fotografo: Divulgação
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Graduando em comunicação social pela UFMT

 
 
 
Imagine uma eleição para prefeito ou governador com mais de cem candidatos realizada em turno único na qual será eleito os mais votados, na prática é assim que será a eleição de deputados estaduais e federais em 2018, caso a proposta do distritão seja aprovada. É claro que dessa forma os políticos mais conhecidos têm maiores chances de se elegerem. Essa é a aposta, se elegerem com mais facilidade, dos deputados federais ao propor o distritão na reforma política em curso na Câmara Federal.
 
Sempre fui defensor de uma reforma política que venha aperfeiçoar o sistema que temos hoje. Acho que o sistema proporcional, por mais falhas que tem ainda é a melhor forma de representaros muitos segmentos que compõem a nossa sociedade. O voto distrital proporcionaria uma melhora, pois no sistema distrital puro, que é adotado em países como Reino Unido e Canadá, o estado é dividido em pequenos distritos, e cada um deles elege um representante. Os partidos lançam um candidato por distrito e somente o vencedor da eleição conquista a cadeira, esse modelo também reduziria, de forma significativa, o custo da eleição. 
 
O voto distrital, penso eu, é uma forma legítima de representatividade plural da sociedade, porém o distritão, proposto nesta reforma política, é, por excelência, o inimigo de todo e qualquer candidato que venha da sociedade. Ele privilegia apenas políticos profissionais que controlam currais eleitorais ou celebridades, únicos capazes de angariar sozinhos um grande número de votos.Com esse sistema a eleição se torna uma disputa de popularidade, e não de representatividade. Nenhum outro profissional oriundo da sociedade terá chance nesse sistema.
 
Mesmo o modelo distrital misto, defendido historicamente pelo PSDB e que recentemente ganhou apoio do PT, é menos danoso que o distritão. Nesse modelo, distrital misto, metade da Casa é eleita pelo voto distrital - em que vence o candidato mais votado em cada região - e a outra metade é escolhida proporcionalmente pelo voto no partido, esse modelo é usado em alguns países Europeu. O distritão privilegia um governo de manipuladores, afastando ainda mais o Estado da sociedade.
 
Neste modelo, caso aprovado, o estado de Mato Grosso será um distrito com direito a oito cadeiras na Câmara Federal, sendo eleitos, assim, os oitos mais votados. Caso esse modelo estivesse valendo na eleição de 2014 o resultado não seria muito diferente do que foi, porém, o Deputado Valtenir estaria de fora e em sua vaga entraria o Procurador Mauro. Em suma o discurso de que haverá renovação na Câmara Federal com o novo modelo não passa de uma falácia, pois a pequena mudança que poderia ter ocorrido aqui em Mato Grosso se reflete nos demais estados conforme comprovou o pesquisador Márcio Carlomagno, da UFPR, simulando como teria ficado a Câmara dos Deputados caso o distritão tivesse valido nas eleições de 2014, em vez do proporcional, apenas 45 cadeiras de 513 (ou 8,77%) seriam ocupadas hoje por outros deputados federais, que não os que entraram pelo atual sistema proporcional.
  
Vale lembrar que esse modelo não é usado em nenhuma democracia consolidada ele atualmente vigora apenas no Afeganistão, na Jordânia e em alguns pequenos países insulares o que reforça a ideia de que este modelo apenas privilegia um governo de manipuladores e que afasta ainda mais o Estado da sociedade.