Fotografo: Toru Hanai/Reuters
...
Com 2min 54s no relógio, Rafaela colocou Dorjsuren para baixo

 
O Brasil conquistou seu primeiro ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. E veio com Rafaela Silva. Na decisão da categoria até 57kg, ela encarou a mongol Sumiya Dorjsuren, melhor judoca do ranking, e venceu com um wazari. Mais do que a vitória, o resultado é uma redenção para Rafaela, que passou por um momento complicado na Olímpiada de Londres. Por conta de um golpe ilegal, ela foi desclassificada nas oitavas de final.
 
 
Como se esperava, ambas fizeram um duelo muito duro, que resultou em um shido para cada uma logo no começo. Com 2min54s no relógio, Rafaela colocou Dorjsuren para baixo. Demorou quase 30 segundos para a arbitragem confirmar o wazari e dar a liderança para Rafaela. Não demorou muito para o contragolpe da brasileira levantar o ginásio. Parecia que mais um wazari tinha entrado e a luta chegado ao fim, mas a mongol conseguiu se defender bem na queda.
 
Empurrada pela torcida, Rafaela não deu espaços para as investidas de Dorjsuren, conseguindo manter bastante distância e se segurando com muita habilidade quando atacada pela atleta da Mongólia.
 
Semifinal contra Caprioriu
 
Antes da medalha, Rafaela passou por fortes emoções. Contra Caprioriu, na semifinal, a luta começou tensa e "travada", com ambas recebendo um shido ainda no primeiro minuto. Rafaela adotou uma postura mais agressiva a partir de então e passou a incomodar a romena. Nos últimos 60 segundos, por pouco a brasileira não conectou dois golpes, mas encontrou boa defesa da oponente.
 
Então, a vaga para a final foi para o Golden Score. Com 40 segundos, a arbitragem assinalou um wazari para Rafaela, mas voltou em seguida e tirou o ponto. Visivelmente desconfortável, Caprioriu apostou em esperar por contra-ataques. Em um deles, por pouco não encaixou um yuko.
 
 
Judô finalmente consegue uma medalha
 
Desta forma, Rafaela acaba com a sina do judô brasileiro nesses Jogos Olímpicos, já que antes dela, outros cinco representantes do país tinham subido ao tatame, mas sem conseguir sequer uma medalha – Sarah Menezes, Felipe Kitadai, Érika Miranda, Charles Chibana e Alex Pombo já encerraram suas participações.
 
Mais do que isso, ela derruba uma adversária incômoda em sua carreira. Antes do Rio, enfrentou Dorjsuren cinco vezes e com somente uma vitória. Porém, os dois triunfos que conseguiu sobre a atleta da Mongólia aconteceram justamente em finais – em 2015, no Grand Prix da Alemanha.
 
 
Redenção depois de Londres
 
A medalha de ouro é uma redenção para Rafaela Silva. Na Olímpiada de Londres, em 2012, ela caiu nas oitavas de final para a Hedvig Karakas, da Hungria, por conta de um golpe ilegal. A brasileira aplicou um wazari com uma catada na perna da oponente. A arbitragem chegou a dar o ponto para Rafaela, mas retirou após revisão do vídeo e foi desqualificada.
 
Desolada, ela desabou no tatame e ficou por lá muito tempo. Quase uma hora depois, conseguiu se recuperar e lamentar a chance de medalha que desperdiçou.