Fotografo: Marcius Ariel/CBN Ribeirão
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Quatro homens foram presos por suspeita de sequestrar empresário em Ribeirão Preto

Suspeito de chefiar o sequestro de um empresário em Ribeirão Preto (SP), Francisco Souza Araújo Filho, de 35 anos, disse que não tinha a intenção de matar a vítima e depois de alguns dias passou a suspeitar que a Polícia Civil estivesse investigando o caso, porque a família se recusava a negociar o resgate.
 
Araújo Filho e mais três foram presos nesta quarta-feira (19), depois que os agentes invadiram o cativeiro em uma chácara em Jardinópolis (SP). O empresário, de 74 anos, foi libertado e socorrido, porque é diabético e faz uso de medicamentos controlados, mas passa bem.
 
“A família começou a ganhar tempo. Eles ofereceram R$ 50 mil e a gente não aceitou. Para a gente, não interessava esse valor. [O prazo] era até sexta-feira, se não pagassem, a gente soltava”, afirmou. “Nem eu entendo, a polícia é muito inteligente, admiro”, completou.
 
Ainda segundo Araújo Filho, ele próprio ficou cerca de 20 dias reunindo informações sobre a vítima, dona de uma revendedora de veículos em Ribeirão, e depois entrou em contato com os demais integrantes da quadrilha para colocar o sequestro em prática.
 
“O cara é dono da empresa, achei que tinha dinheiro”, disse. “Ficamos em dois lugares, porque o dono do sítio precisava do sítio, estava alugado. A gente alugou por três dias, entregamos e fomos para outro. Entregamos de novo e voltamos para o primeiro cativeiro”, explicou.
 
Os suspeitos foram descobertos pela Polícia Civil, a partir de uma foto postada em uma rede social na internet: um dos investigados estava com o mesmo moletom usado quando esteve no comércio da vítima, semanas antes do sequestro.
 
Câmeras de segurança da revendedora de carros gravaram três dos quatro homens no local, dizendo-se interessados em comprar um veículo. Um deles, ainda de acordo com a polícia, até preencheu um cadastro, informando números de CPF, RG e celular verdadeiros.
 
Além de Araújo Filho, também foram presos Jonathan Francisco de Carvalho, de 31 anos, Alexandre Jesus Santos, de 20, e Wanderson Almeida Gonçalves, de 30. Na delegacia, este último contou que foi procurado pelo chefe da quadrilha.
 
“O cara conversou e a gente caiu”, afirmou Gonçalves, que também negou a intenção de matar a vítima. “Eu não deixava, estava cuidando dele, ninguém relava a mão nele, ninguém. Eu queria devolver ele há dias. Isso tudo é uma conversa”, completou.
 
O grupo será autuado por extorsão mediante sequestro e promover, constituir, financiar ou integrar organização criminosa. Ainda na delegacia, Santos também contou que aceitou participar do sequestro porque precisava do dinheiro.
 
“Dinheiro, dinheiro, não sei o que deu na cabeça, dinheiro. A gente faz uns negócios aí, sem comentários”, disse.
 
No local utilizado como cativeiro foram apreendidos um carro, uma arma falsa, um cartão bancário, três máquinas de cartão, um par de algemas, seis celulares e R$ 3.388 em dinheiro. O caso segue sob a responsabilidade da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
 
Um vídeo divulgado pela Polícia Civil mostra o momento em que o empresário, de 74 anos, é libertado do cativeiro, na manhã desta quarta-feira, após seis dias sequestrado em Jardinópolis. Quatro homens foram presos por suspeita de agir no crime.
 
As imagens mostram os agentes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e da Divisão Antissequestro do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) invadindo a chácara com armas em punho.
 
Os policiais surpreendem um dos suspeitos dormindo em um colchão na sala. O homem é imobilizado. A vítima é localizada no banheiro de um dos quartos. “Tudo certinho, tudo certinho, o senhor está salvo, o senhor está salvo”, diz um dos policiais ao empresário.