Fotografo: CPB
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Lidando com más decisões

Lição 12
14 a 20 de dezembro
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Hb 7-9
 
VERSO PARA MEMORIZAR: Esdras “disse: Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a Ti a face, meu Deus, porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa cresceu até aos céus” (Ed 9:6).
 
LEITURAS DA SEMANA: Ne 13:23-25; Dt 7:3, 4; 2Co 6:14; Ed 9; 10; 1Co 7:10-17
 
Nas comunidades judaicas o casamento com não israelitas havia se tornado o padrão. Esdras e Neemias estavam muito preocupados com isso, pois desejavam levar a nação a um profundo relacionamento com Deus. Eles estavam cientes da influência negativa que os incrédulos ou adoradores de ídolos poderiam ter sobre o povo, uma vez que tinham observado os terríveis efeitos dessa prática ao longo da história. As religiões cananitas se espalharam por todo o Israel até que Baal e Astarote passaram a ser adorados em todos os lugares altos. Além disso, a influência dos cônjuges pagãos nas famílias israelitas era prejudicial. Balaão aconselhou os moabitas a enviarem suas mulheres aos israelitas, certo de que os israelitas se afastariam de Deus ao se apaixonarem por essas mulheres. Nesse aspecto, a percepção do falso profeta estava certa. Os cônjuges não apenas influenciam um ao outro, mas interferem na fé de seus filhos.
 
O que Esdras e Neemias fizeram com a situação dos casamentos mistos de Israel? Eles ignoraram o assunto ou lutaram contra o problema? Nesta semana, examinaremos como os dois líderes abordaram essa questão.

Domingo, 15 de dezembro
Ano Bíblico: Hb 10, 11
A reação de Neemias
 
1. Leia Neemias 13:23-25. O que ocorreu e como explicar a reação do servo de Deus diante do problema?
 
Como os filhos não falavam aramaico (a língua usada durante o exílio) nem o hebraico, eles não conseguiam entender os ensinamentos das Escrituras. Esse era um problema real, pois o conhecimento da revelação de Deus podia ser distorcido ou até mesmo desaparecer. Os escribas e sacerdotes explicavam a Torá principalmente em aramaico, a fim de tornar a pregação clara para o povo. No entanto, uma vez que as mães eram de Amom, Asdode e Moabe, e geralmente eram as principais cuidadoras dos filhos, não é de surpreender que os filhos não falassem também a língua dos pais. A língua que falamos influencia a maneira como formamos nossos conceitos, pois usamos o vocabulário dessa cultura. A perda da língua bíblica significava a perda da identidade. Por isso, Neemias julgava impensável que as famílias perdessem o contato com a Palavra de Deus e, consequentemente, sua conexão com o Deus vivo, o Senhor dos hebreus.
 
Estudiosos da Bíblia destacam que as ações de Neemias provavelmente humilhassem publicamente o povo como parte dos castigos prescritos naquele tempo. Quando é dito que ele os repreendeu e os amaldiçoou, não devemos pensar que o servo de Deus usou linguagem suja ou ofensiva, mas que ele proferiu as maldições descritas em Deuteronômio 28 sobre aqueles que quebraram a aliança. Muito possivelmente Neemias escolheu as palavras da Bíblia para levá-los à compreensão de suas ações erradas e das consequências de suas más escolhas.
 
Além disso, quando o texto diz que Neemias espancou alguns deles e lhes arrancou os cabelos (Ne 13:25), em vez de vê-lo indignado e reagindo com fúria, devemos observar que uma surra era uma punição pública prevista. Essa conduta foi aplicada apenas a alguns deles, ou seja, aos líderes que causaram ou promoveram a conduta errada. Essas ações deveriam servir como métodos de humilhação pública. Neemias desejava assegurar que as pessoas entendessem a gravidade de suas escolhas e as consequências delas.

Segunda-feira, 16 de dezembro
Ano Bíblico: Hb 12, 13
A repreensão de Neemias
 
2. De acordo com Neemias 13:26, 27, em que medida a história bíblica é importante para nos informar sobre os perigos de nos desviarmos do caminho certo? Assinale a alternativa correta:
 
A. (  ) Ela nos revela os erros do passado e nos adverte para não repeti-los.
 
B. (  ) A história bíblica apenas servia de lição para o povo do passado.
 
As escolhas de Salomão o levaram mais fundo no pecado. Ele causou sua própria ruína ao desobedecer ao mandamento de Deus para os reis de Israel: “Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie” (Dt 17:17). Salomão é usado como exemplo negativo: ele não apenas teve mais de uma esposa, mas significativamente, como Neemias destacou, escolheu mulheres que não adoravam a Deus.
 
3. Por que Neemias estava certo em reprovar a nação por causa dos casamentos com pagãos? Gn 6:1-4; 24:3, 4; 28:1, 2; Dt 7:3, 4; 2Co 6:14
 
A ordem para não contrair casamento misto não tinha relação com nacionalismo, mas com idolatria. Diversas pessoas na Bíblia se casaram com não israelitas. Moisés se casou com Zípora, midianita; Boaz se casou com Rute, moabita. Mas o problema do casamento misto, de acordo com essas instruções, dizia respeito à união com alguém que professasse uma fé diferente ou que não tivesse nenhuma fé. O problema é que o povo no tempo de Esdras e Neemias escolheu se casar infiéis. Richard M. Davidson, em Flame of Yahweh [Chama de Yahweh] (Peabody, Mass: Hendrickson Publishers, 2007), afirma: “O plano edênico para o casamento [...] exigia uma integralidade complementar de dois parceiros na fé espiritual, bem como outros valores importantes” (p. 316). As esposas pagãs não renunciaram à idolatria. Consequentemente, talvez Neemias tenha ficado mais entristecido do que indignado com as escolhas do povo, já que para ele isso demonstrava uma falta de compromisso com Deus.
 
A Bíblia traz fórmulas para práticas que nos manterão firmados em Deus e que foram planejadas para maximizar nossa felicidade. Da mesma forma, o princípio do jugo igual no casamento deve melhorar a nossa vida e encorajar mutuamente a devoção a Deus.

Terça-feira, 17 de dezembro
Ano Bíblico: Tiago
Esdras reage
 
4. Leia Esdras 9. Como o servo de Deus reagiu ao ouvir a respeito dos casamentos mistos entre os israelitas? Esdras 9:1 e 2 afirma que eles “não se separaram”. A palavra “separação” ou “diferença” é usada nos seguintes textos: Lv 10:10; 11:47; Êx 26:33; Gn 1:4, 6, 7, 14, 18. O que o uso dessa palavra revela sobre o problema de um cristão se casar com um incrédulo?
 
O povo confrontou Esdras com o problema dos casamentos mistos. A terminologia que eles usaram ao listar as nações envolvidas em abominações demonstrava seu conhecimento da Torá, já que a lista foi tirada diretamente dos relatos bíblicos. Curiosamente, os líderes civis levaram a notícia a Esdras, pois até mesmo os líderes espirituais da nação, sacerdotes e levitas, eram culpados dessa transgressão.
 
“Em seu estudo das causas que levaram ao cativeiro babilônico, Esdras havia verificado que a apostasia de Israel se devia em grande parte a sua mistura com nações pagãs. Ele notara que, se eles tivessem obedecido à ordem de Jeová de se conservarem separados das nações que os cercavam, teriam sido poupados de muitas experiências tristes e humilhantes. Agora ao compreender que não obstante as lições do passado, homens preeminentes ousavam transgredir as leis dadas como salvaguarda contra a apostasia, seu coração se afligiu. Ele se lembrou da bondade de Deus em outra vez dar a Seu povo permanência em sua terra nativa, e se sentiu presa de justa indignação e aborrecido com a ingratidão deles” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 620).
 
A palavra “separado” é usada para designar entidades contrastantes. Na verdade, denota opostos completos. Por essa declaração, o povo admitiu ter compreensão e conhecimento prévios do mandamento de Deus de se manterem longe das falsas religiões. Eles entendiam que ninguém poderia se casar com um cônjuge cujas crenças diferentes não tivessem impacto sobre o casamento ou a maneira de criar os filhos. Eles perceberam a gravidade do problema.

Quarta-feira, 18 de dezembro
Ano Bíblico: 1 Pedro
Esdras age
 
5. Leia Esdras 10. Como os líderes lidaram com o problema do casamento misto? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
 
A. (  ) Mandaram suas esposas e filhos embora.
 
B. (  ) Forçaram as esposas e os filhos a se converterem a Deus.
 
A assembleia decidiu mandar embora as esposas estrangeiras. Surpreendentemente, mesmo os que se encontravam nessa situação concordaram com o plano, exceto quatro homens (Ed 10:15). Os judeus prometeram mandar embora os cônjuges. Passaram-se três meses para que tudo fosse cumprido. No fim, 113 judeus dispensaram as esposas (Ed 10:18-43). O último verso (Ed 10:44) afirma que alguns desses casamentos mistos já haviam gerado filhos. Mandar embora mães que tinham filhos não parece racional nem correto. No entanto, devemos lembrar que esse foi um momento único, no qual Deus estava recomeçando Sua história com a nação judaica e, em certo sentido, eles estavam firmando um pacto com Ele. Seguir totalmente a Deus exige medidas radicais.
 
As palavras usadas em Esdras 10:11, 19 para “separar” (badal) e “despedir” (yatza) não são usadas em nenhuma outra parte das Escrituras para a questão do divórcio. Esdras conhecia a terminologia usada regularmente para o divórcio, mas ele optou por não usá-la. Por isso, é evidente que o escriba não considerou aqueles casamentos válidos depois que descobriu que eles transgrediam o mandamento da Torá. Em outras palavras, os casamentos foram anulados porque eram contrários à Lei divina e, portanto, inválidos. No entanto, não recebemos informações sobre o que aconteceu com as esposas e os filhos e o impacto dessa ação sobre a comunidade. De acordo com o costume da época, os ex-maridos teriam cuidado da transferência de suas ex-esposas e de seus filhos. As esposas normalmente teriam voltado para a casa de seus pais.
 
Com o tempo, entretanto, alguns judeus começaram a se casar com mulheres incrédulas, e talvez alguns tenham buscado as esposas que tinham ido embora. A natureza passageira da solução pode ser atribuída à natureza humana e ao ciclo de altos e baixos do compromisso com Deus. Mesmo os que se consideram cristãos fortes têm de admitir que passam por períodos de menor dedicação a Deus quando sua caminhada com Ele é deficiente. Infelizmente, muitas vezes enfrentamos dificuldade em colocar Deus no primeiro lugar da nossa vida.

Quinta-feira, 19 de dezembro
Ano Bíblico: 2 Pedro
O casamento hoje
 
Diante do problema dos casamentos mistos, a postura de Esdras e Neemias mostra que Deus leva o casamento a sério, e nós devemos considerá-lo com seriedade também. Em espírito de oração, precisamos considerar um possível cônjuge e incluir o Senhor na tomada de decisão. Devemos decidir ser fiéis aos princípios divinos que nos protegem de tristezas e dificuldades.
 
6. Como Paulo lidava com o problema do cristão que tinha um cônjuge incrédulo? Leia 1 Coríntios 7:10-17. Como devemos abordar o jugo desigual?
 
 
Como não há na Bíblia uma ordem elaborada sobre o que fazer com os casamentos inter-religiosos, é imprudente e contrário à intenção do texto e de seus princípios insistir na ideia de que se separar do cônjuge incrédulo é a abordagem correta e que, com base no relato de Esdras, a separação deve ser recomendada. A situação em Esdras e Neemias foi um evento único e estava de acordo com a vontade do Senhor (Ed 10:11), pois o futuro e a adoração de toda a comunidade estavam em risco. Eles estavam perdendo sua identidade como adoradores do Deus vivo.
 
No povoado hebreu de Elefantina, no Egito (na época de Esdras e Neemias), os líderes permitiram casamentos mistos e logo desenvolveram uma religião mista com Yahweh e sua consorte pagã, a falsa deusa Anate. Além disso, a linhagem messiânica estava em perigo. No entanto, o evento do tempo de Esdras não deve ser tomado como uma prescrição para o rompimento de casamentos e famílias sempre que um cristão estiver casado com um incrédulo. Em vez disso, o relato demonstra o alto valor que Deus dá a um casamento contraído sob jugo igual. Satanás se alegra quando alguém se casa com uma pessoa que não incentiva a devoção a Deus porque ele sabe que se ambos os cônjuges tiverem a mesma convicção terão mais força para cumprir a missão do que se apenas um for fiel.
 
Embora a Bíblia desaconselhe casamentos sob jugo desigual (2Co 6:14), há também passagens com ampla graça para os que fizeram escolhas diferentes. O Senhor dá poder aos que estão casados com incrédulos a fim de que sejam fiéis a Deus e ao cônjuge. Ele não nos abandona quando fazemos escolhas contrárias à Sua vontade e nos concede ajuda se a buscamos. Isso não significa que devamos fazer o que quisermos esperando que Deus nos abençoe, mas indica que, quando nos achegamos a Ele com uma necessidade, em atitude humilde, Ele sempre nos ouve. Sem a graça divina, não haveria esperança para nenhum de nós, pois somos todos pecadores.

Sexta-feira, 20 de dezembro
Ano Bíblico: 1 João
Estudo adicional
 
Texto de Ellen G. White: Profetas e Reis, p. 669-678 (“Reforma”).
 
“Diligência numa atividade apontada por Deus é uma parte importante da verdadeira religião. Os homens deviam apoderar-se das circunstâncias como sendo instrumentos de Deus com que executar a Sua vontade. Ação pronta e decisiva no tempo certo alcançará gloriosos triunfos, ao passo que demora e negligência resultam em fracasso e desonra para Deus. Se os líderes na causa da verdade não mostram zelo, se são indiferentes, sem objetivos, a igreja será descuidada, indolente e amante dos prazeres; mas se são cheios de santo propósito para servir a Deus e a Ele somente, o povo será unido, esperançoso, cheio de ânimo.
 
“A Bíblia se sobressai em contrastes vivos e evidentes. O pecado e a santidade são postos lado a lado, para que, considerando-os, possamos fugir de um e aceitar o outro. As páginas que descrevem o ódio, a falsidade e a traição de Sambalá e Tobias narram também a nobreza, devoção e altruísmo de Esdras e Neemias. Somos deixados livres para escolher a quem queremos imitar. Os terríveis resultados da transgressão das leis de Deus são postos em contraste com as bênçãos da obediência. Nós mesmos devemos decidir se queremos sofrer as consequências de um ou desfrutar o prêmio do outro” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 676).
 
Perguntas para discussão
 
1. Aparentemente os judeus que não se dedicavam a Deus escolheram esposas pagãs. Por essa razão, Esdras não deixou que eles simplesmente seguissem os seus próprios planos, mas tentou reprová-los e corrigi-los. Será que eles foram transformados? Ao mudarem seu comportamento, eles modificaram seu interior? Temos provas de que muitos deles não mudaram? Levando em conta os erros deles, é importante a mudança do coração?
 
2. Como ajudar os que lutam com os problemas resultantes de casamentos imprudentes?
 
3. Embora os princípios sejam eternos e absolutos, as culturas variam. Por que devemos considerar essas diferenças quando aplicamos os princípios divinos às situações da vida?
 
 
 
Respostas e atividades da semana: 1. Os filhos dos israelitas estavam perdendo o contato com suas línguas, o hebraico e o aramaico. Consequentemente, perdiam a ligação com as Escrituras. A reação veemente de Neemias fazia parte de um conjunto de punições públicas aplicáveis a quem quebrava a aliança. 2. A. 3. Porque havia uma orientação divina contra essa prática. 4. Esdras rasgou suas vestes e seu manto, arrancou seus cabelos e a barba e se assentou atônito. O uso dessa palavra sempre implica fazer diferença entre santo e profano. No casamento não é diferente, pois não é bom misturar pessoas separadas por Deus com pessoas profanas. 5. V; F. 6. O matrimônio deve ser em jugo igual; mas se ocorreu um casamento desigual, não deve haver separação do cônjuge incrédulo, pois ele pode ser santificado pela presença do cônjuge fiel.
 

 

Resumo da Lição 12
Lidando com más decisões
ESBOÇO
 
TEXTO-CHAVE: Neemias 13:22
 
FOCO DO ESTUDO: Neemias 13:1-22
 
O capítulo 13 de Neemias começa com uma rápida referência à proibição estabelecida pela lei de Moisés quanto à participação dos amonitas e moabitas na congregação de Israel em festivais e assembleias solenes. Neemias afirmou que quando o povo ouviu a lei sobre não se misturar com os idólatras (Dt 23:3), “apartaram de Israel todo elemento misto” (Ne 13:3). Tal era o poder da lei sobre a mente e o coração do povo.
 
O capítulo passa então a descrever as reformas que Neemias instituiu antes de retornar à Babilônia. O rei Artaxerxes o chamou de volta à Pérsia, mas depois lhe deu permissão para viajar novamente a Israel. Depois de um tempo de ausência, o servo de Deus retornou a Jerusalém. Talvez ele tenha ouvido alguns rumores sobre a situação sombria em Israel desde sua partida e a respeito dos líderes corruptos que haviam assumido o poder. Com certeza, depois que Neemias chegou a Jerusalém, ele descobriu que Eliasibe, o sumo sacerdote, havia permitido que Tobias, o amonita, residisse em uma câmara do templo. A primeira reforma do homem de Deus foi expulsar Tobias e restaurar a câmara ao seu propósito original de abrigar ofertas de cereais e incenso. A segunda reforma dizia respeito aos levitas e aos cantores que não haviam recebido os dízimos e ofertas que lhes eram devidos. Talvez o povo estivesse desanimado com a má administração do templo e, consequentemente, não estivesse devolvendo seus dízimos e ofertas. Neemias restaurou o sistema do dízimo e nomeou líderes sobre certos aspectos do templo, de modo que o sumo sacerdote corrupto não tivesse controle sobre essas áreas. Por fim, o governador restaurou a devida guarda do sábado. Ele fechou os portões da cidade no sábado para cessar as transações comerciais e depois ameaçou aqueles que ainda estavam comprando e vendendo fora dos muros de Jerusalém. Seu zelo pela observância adequada do sábado é um exemplo até hoje.
 
COMENTÁRIO
 
Dízimo
 
Um dos aspectos extremamente importante para Neemias foi sistema dos dízimos. Ele restaurou essa prática em Israel porque o templo e seus serviços não podiam funcionar adequadamente sem ela. Por que Neemias deu tanta importância ao retorno do dízimo?
 
Quando os dízimos e ofertas são mencionados, muitas vezes nos concentramos na recompensa que receberemos, com base em Malaquias 3:10. Nessa passagem, Deus diz aos israelitas para “prová-lo” no dízimo, porque se eles o entregarem ao Senhor, serão abençoados. Ele afirma pessoalmente: “Provai-Me nisto... se Eu não vos abrir as janelas do Céu e não derramar sobre vós bênção sem medida” (Ml 3:10). Por isso, encorajamos outros a devolver a Deus para que recebam a bênção que Ele prometeu.
 
Contudo, a entrega de dízimos e ofertas não deve depender das bênçãos que recebemos. De fato, a entrega dos dízimos é chamada de “devolução” dos dízimos, porque tudo o que temos já é uma bênção de Deus, pois nos foi dado por Ele. Devolvemos ao Senhor porque Ele é nosso Criador e nós O reconhecemos como tal. Damos graças por aquilo que o Senhor fez: Ele nos criou, nos sustenta, cuida de nós, morreu por nós e continua a nos recriar. Vemos a atitude de gratidão em devolver os dízimos especialmente nas histórias de Abraão e Jacó.
 
Em Gênesis 14, lemos sobre uma batalha em Canaã. Quatro reis mesopotâmicos (reis de Sinar, Elasar, Elão e Goim) lutaram contra cinco reis de Canaã, especificamente das cidades de Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Bela. Os reis da Mesopotâmia venceram a batalha e apreenderam despojos e cativos. Visto que Ló morava naquela região, foi capturado. Quando Abrão percebeu que seu sobrinho havia sido levado, armou 318 de seus servos treinados e perseguiu o exército da Mesopotâmia. Seu pequeno contingente de guerreiros atacou os mesopotâmicos e os venceu. Deus deu a Abrão uma vitória incrível, e ele recuperou tudo o que havia sido tomado, incluindo Ló.
 
No caminho de volta, Abrão teve um encontro surpreendente com o rei de Salém, que também é chamado de “sacerdote do Deus Altíssimo”. Melquisedeque abençoou Abrão, e então Abrão deu a ele o dízimo de tudo (Gn 14:20). Em Hebreus 7:2, 4, Paulo especifica que Abrão deu um décimo do que tinha. Abrão devolveu um décimo a Deus porque o Senhor lhe tinha concedido uma vitória incrível. Ele foi surpreendido pelo admirável e poderoso Deus que foi com ele e lutou por ele. Seu coração estava cheio de gratidão e, por isso, devolveu o dízimo.
 
Jacó teve uma experiência semelhante quando seus pais o enviaram ao seu tio Labão a fim de que se casasse com uma mulher que seguisse a Deus, em vez de uma mulher cananeia, e também para protegê-lo de seu irmão Esaú, que tinha decidido matá-lo. Enquanto fugia para Harã, Jacó adormeceu e o Senhor lhe deu um sonho em que viu uma escada que chegava ao Céu e anjos subiam e desciam por ela, e “perto dele estava o Senhor” (Gn 28:13). Deus falou com ele e prometeu estar com ele e abençoá-lo. Quando Jacó acordou do sonho, exclamou: “Quão temível é este lugar! É a casa de Deus, a porta dos Céus” (Gn 28:17). Depois, Jacó fez um voto de que, se o Senhor realmente estivesse com ele, como afirmou no sonho, então, não somente Ele seria seu Deus, mas o patriarca daria ao Altíssimo um décimo de tudo o que recebesse do Senhor (Gn 28:20-22). Mais uma vez, vemos alguém que se surpreende com quem Deus é e com o que Ele faz, e depois, por gratidão, promete devolver o dízimo fielmente.
 
Portanto, é a partir de um coração cheio de gratidão que devolvemos o dízimo. Não fazemos isso porque receberemos uma bênção ao fazê-lo, mas porque Deus é fiel e admirável por cuidar de nós e providenciar para nós todos os dias. Neemias demonstrou por meio de suas ações que o dízimo é extremamente importante, não apenas para apoiar a obra de Deus, mas também para nos ajudar a reconhecer que tudo vem Dele. Nós damos porque o Senhor nos dá. Dessa forma, participamos do Seu ministério em favor da humanidade.
 
Sábado
 
O segundo aspecto que Neemias aborda nesse capítulo é o dia da adoração, o sábado. Os israelitas estavam fazendo transações comerciais com pessoas de regiões vizinhas no sábado, em vez de adorar ao Senhor (Lv 23:3). Neemias se opôs fortemente ao modo como o sábado estava sendo desconsiderado.
 
Neemias era o governador da terra e, por ser um homem muito piedoso, queria ter certeza de que as pessoas também seguiriam as instruções divinas. Ele sentiu que tinha que tomar algumas medidas rigorosas para que o povo entendesse que o sábado deveria ser santificado. Era para ser um dia de descanso no Senhor, no qual o povo reservava tempo para estar com a família e os amigos e, o mais importante, passar tempo com Deus. Ao fazer negócios no sábado, o povo estava perdendo as oportunidades de comunhão com o Criador e se privando da chance de mostrar amor e cuidado pelos outros.
 
Deus, o Criador, considerou o sábado extremamente importante, ou não o teria criado como um dia especial. Se tudo o que fosse necessário tivesse sido completado em seis dias, Deus não teria criado o sétimo dia. Mas Ele quis nos dar um dia especial como lembrete de que Ele é nosso Criador e que somos criados para estar em comunhão com Ele e viver em dependência Dele. Nesse dia de descanso dos negócios cotidianos, somos também revitalizados em nossa força e, o mais importante, respeitamos a maneira que Deus estabeleceu para celebrar a vida ao santificar esse dia. O sábado não é um dia como todos os outros, mas um dia santo. A palavra santo significa “separado para” um propósito especial e “separado para” atividades edificantes. Portanto, o que fazemos nesse dia deve ser diferente do que fazemos em todos os outros dias da semana. O próprio Jesus ficou na sepultura no dia de sábado e ressuscitou no domingo, guardando o sábado mesmo em Sua morte. Essa é a importância do sábado para Deus.
 
Em toda a Bíblia, Deus nos mostra que o dia do sábado é crucial, instruindo-nos a abandonar os negócios e atividades comuns e a celebrar o Senhor do sábado. Ele nos encoraja a reconhecer o sábado como “um deleite”, como “o santo dia do Senhor” e a honrá-lo, não seguindo nossos próprios caminhos, nem encontrando nossos próprios prazeres egoístas, nem falando nossas próprias palavras mundanas. Deus mais uma vez promete uma bênção (Is 58:13, 14). Da mesma forma que o Senhor promete nos abençoar quando devolvemos o dízimo, Ele também promete uma bênção quando vivemos o sábado em Seu caminho, sem nos concentrar em nossos próprios desejos, mas glorificando a Deus em tudo o que fazemos. Contudo, mais uma vez, assim como foi mencionado no tocante ao dízimo, não devemos guardar o dia santo a fim de obter bênçãos, mas porque é um dia que nos foi dado como um presente para nos concentrarmos na bondade do Senhor.
 
Aplicação para a vida
 
Dízimo
 
1. Qual é o princípio por trás do ato de devolver o dízimo? Por que Deus nos pede que entreguemos a Ele 10 por cento da nossa renda?
 
2. Mencione as lições que podemos aprender com o ato de devolver o dízimo.
 
Sábado
 
1. Por que a Bíblia não menciona especificamente o que devemos e não devemos fazer no sábado?
 
2. Veja as seguintes passagens práticas sobre como guardar o sábado: Êxodo 16:22-30, Êxodo 34:21, Êxodo 35:3, Isaías 56:2, Isaías 58:13 e Jeremias 17:21. Escreva a partir desses textos os princípios sobre como Deus quer que observemos o sábado como sagrado.
 
3. Veja as seguintes histórias na Bíblia sobre a guarda do sábado: Marcos 2:23-28, Marcos 3:1-6, Lucas 13:10-17 e João 5:1-12. Reflita sobre essas narrativas e responda às seguintes perguntas:
 
A. O que Jesus ensinou sobre o sábado que as pessoas e os líderes não entenderam?
 
B. Quais são os princípios sobre a guarda do sábado que aprendemos com essas histórias?