Fotografo: CPB
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A lei de Deus é essencial à nossa compreensão dos eventos finais

 
 
 
Sábado à tarde
 
Ano Bíblico: 1Cr 13–16
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo” (Dn 7:25).
 
LEITURAS DA SEMANA: Rm 8:1; 7:1-25; Jo 20:19-23; At 20:6, 7; Dn 7:23-25; Ap 13:1-17
 
A lei de Deus é essencial à nossa compreensão dos eventos finais; mais especificamente, o quarto mandamento, que fala da guarda do sétimo dia, o sábado. Embora saibamos que a salvação ocorre unicamente pela fé e que a obediência à lei, inclusive ao mandamento do sábado, jamais pode trazer salvação, também entendemos que, nos últimos dias, a obediência à lei de Deus, inclusive o sábado, será um sinal exterior, uma marca de onde se encontra nossa verdadeira lealdade.
 
Essa distinção se tornará especialmente óbvia em meio aos eventos culminantes do tempo do fim, retratados em Apocalipse 13 e 14, quando um conglomerado poderoso de forças religiosas e políticas se unirá para impor uma falsa forma de adoração aos habitantes do mundo. Tudo isso contrasta com Apocalipse 14:7, em que o povo de Deus é chamado a adorar “Aquele que fez o Céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas”; isto é, adorar unicamente o Criador.
 
Nesta semana, examinaremos a lei de Deus, especialmente o mandamento do sábado. Abordaremos questões que envolvem a tentativa de mudança dessa lei e o que isso significa para nós, a quem o fim em breve virá.
 

 
Domingo, 06 de maio
A promessa
 
Ano Bíblico: 1Cr 17–20
 
Uma das promessas mais maravilhosas da Bíblia se encontra em Romanos 8:1: “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” (ARC). Essas palavras são como uma espécie de arremate, uma conclusão da linha de raciocínio antecedente. Somente se estudarmos o que Paulo falou antes desse verso, podemos entender melhor a esperança e a promessa encontradas nele.
 

1. Leia Romanos 7:15 a 25. Qual é a essência das palavras de Paulo nesses versos, tornando tão encorajadora sua declaração em Romanos 8:1?

 

Nessa passagem, Paulo estava falando especificamente de si mesmo como cristão? Embora exista um grande debate entre os cristãos sobre essa questão, uma coisa é clara: ele certamente estava falando da realidade do pecado. Todos, até mesmo os cristãos, podem se identificar de alguma forma com a luta a que Paulo se referiu nesses versos. Quem já não sentiu a atração da carne e do “pecado que habita” em nós, levando-nos a fazer o que não devemos fazer, ou a deixar de fazer o que devemos fazer? Para Paulo, o problema não é a lei, mas a nossa carne.

 
Quem já não se viu desejando fazer o que é certo, mas acabou fazendo o que é errado? Mesmo que Paulo não estivesse falando da inevitabilidade do pecado na vida de um cristão nascido de novo, ele certamente estava argumentando, de maneira muito convincente, que enfrentamos uma luta constante quando buscamos obedecer a Deus.
 
Então, ele declarou as famosas palavras: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7:24). Sua resposta se encontra em Jesus e na grande promessa de que “nenhuma condenação” há para aquele que está em Cristo Jesus e que, pela graça, anda segundo o Espíri­­­­­to. Certamente, temos lutas e enfrentamos tentações. O pecado é real. Mas, pela fé em Jesus, aqueles que creem não são mais condenados pela lei; na verdade, eles a obedecem. Portanto, andam no Espírito e não “segundo a carne” (Rm 7:25).
 

 

Segunda-feira, 07 de maio
A lei e o pecado
 
Ano Bíblico: 1Cr 21–24
 
No estudo de ontem, examinamos a passagem que fala sobre a realidade universal do pecado (Rm 7:15-25). Contudo, nos versos anteriores, Paulo destacou a lei, que mostra como o pecado é predominante e mortal.
 
2. De acordo com Romanos 7:1 a 14, qual é a relação entre a lei e o pecado? O que esses versos também declaram sobre a impossibilidade de salvação pela lei?
 
 
 
Dois pontos cruciais surgem nesse ensinamento de Paulo. Em primeiro lugar, a lei não é o problema. Ela é santa, justa e boa (Rm 7:12). O problema é o pecado, que leva à morte. Outro ponto é que a lei não tem poder para nos salvar do pecado nem da morte. A lei aponta esse problema. No máximo, ela o torna ainda mais aparente, mas nada oferece para resolvê-lo.
 
Somente um leitor superficial poderia usar esses versos para argumentar que a lei, os Dez Mandamentos, foi anulada, ignorando tantos outros textos que mostram que a lei ainda é válida hoje. Esse é o oposto do argumento de Paulo. Nada do que o apóstolo escreveu nessa passagem faria sentido se a lei fosse anulada. Seu argumento funciona sob o pressuposto de que a lei ainda é válida, pois ela aponta a realidade do pecado e a resultante necessidade do evangelho. “Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Rm 7:7).
 
3. Leia com atenção Romanos 7:13. O que Paulo disse não apenas sobre a lei? Por que ela ainda é necessária? Assinale a alternativa correta:
 
A.(  ) A lei é boa. Sem ela não saberíamos o que é o pecado.
 
B.(  ) A lei é má, pois revela o pecado, que é mau.
 
A lei não produz morte, mas o pecado gera a morte. A lei mostra quanto o pecado é mortal. A lei é boa, na medida em que aponta o pecado. Porém, ela simplesmente não tem resposta para ele. Somente o evangelho tem. O argumento de Paulo é que, como cristãos salvos em Cristo, precisamos servir em “novidade de espírito” (Rm 7:6); isto é, em um relacionamento de fé com Jesus, confiando em Seus méritos e em Sua justiça para a salvação.
 

 

Terça-feira, 08 de maio
Do sábado para o domingo?
 
Ano Bíblico: 1Cr 25–27
 
Como adventistas do sétimo dia, muitas vezes ouvimos irmãos de outras denominações argumentando que a lei foi abolida, ou que não estamos mais debaixo da lei, mas da graça. O que eles realmente querem dizer, no entanto, é que apenas o quarto mandamento foi abolido. Muitos, porém, não dizem nem isso. Eles declaram que o sétimo dia, o sábado, foi substituí­do pelo primeiro dia, o domingo, em homenagem à ressurreição de Jesus. Além do mais, eles creem que podem provar esse argumento por meio de textos bíblicos.
 
Abaixo estão alguns textos comuns do Novo Testamento usados por muitos cristãos para indicar que o sábado foi “mudado” do sétimo dia (no Antigo Testamento) para o primeiro dia (no Novo Testamento). À medida que os lemos, precisamos nos perguntar se eles realmente falam sobre uma mudança do dia, ou se estão apenas descrevendo eventos ocorridos naquele dia, não chegando a prescrever uma mudança.
 
4. Leia João 20:19 a 23. Por que os discípulos estavam reunidos naquela sala? Parece ter sido um culto de adoração em homenagem à ressurreição de Jesus, como alguns afirmam? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
 
A.(  ) Eles estavam celebrando a Páscoa e a vitória de Cristo.
 
B.(  ) Eles estavam reunidos numa casa com medo dos judeus.
 
5. Leia Atos 20:6 e 7 e Atos 2:46. Esses textos indicam que o sábado foi mudado para o domingo, o primeiro dia da semana? Assinale a alternativa correta:
 
A.(  ) Sim.
 
B. (    ) Não.
 
6. Leia 1 Coríntios 16:1 a 4. Além do fato de que os discípulos deviam armazenar as ofertas em casa no primeiro dia da semana, o que essa passagem ensina sobre alguma mudança do sábado para o domingo? Assinale a alternativa correta:
 
A.(  ) Nada.
 
B.(  ) O dia de adoração judaico passou a ser o domingo.
 
Essas passagens são a essência da “evidência” textual usada para promover a doutrina da substituição do sétimo dia, o sábado, pelo primeiro dia da semana. Com exceção de descrever algumas vezes em que, por várias razões, os cristãos se reuniram, nenhum texto indica que esses encontros fossem cultos de adoração, realizados no domingo como substituto do sétimo dia, o sábado. Esse argumento apenas atribui aos textos a interpretação defendida pela centenária tradição cristã da guarda do domingo. Ele acrescenta a esses versos algo que, para começar, nunca esteve ali.
 

 

Quarta-feira, 09 de maio
O sétimo dia no Novo Testamento
 
Ano Bíblico: 1Cr 28, 29
 
Como vimos ontem, os textos comumente usados para promover a ideia de que o domingo substituiu o sábado não afirmam isso. Na verdade, toda referência ao sétimo dia (sábado) no Novo Testamento revela que ele ainda estava sendo guardado como um dos Dez Mandamentos de Deus.
 
7. Leia Lucas 4:14 a 16; 23:55 e 56. O que essas passagens declaram sobre o sétimo dia, o sábado, antes e depois da morte de Cristo?
 
 
Observe que as mulheres que estiveram com Cristo “descansaram, segundo o mandamento” (Lc 23:56). Essa é uma referência ao quarto mandamento, escrito nas tábuas de pedra, no Sinai. Portanto, entre as coisas que essas mulheres aprenderam em sua experiência com Jesus, não há indícios de que Ele tenha lhes ensinado algo diferente, senão guardar os mandamentos de Deus, que incluem a guarda do sábado. Na verdade, Cristo disse a Seus discípulos: “Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos” (Jo 14:15). Seus mandamentos, os quais Ele mesmo havia guardado, incluíam a observância do sétimo dia. Se o sábado devia ser substituído pelo domingo, essas mulheres nada sabiam sobre isso.
 
8. Leia Atos 13:14, 42 a 44 e Atos 16:12 e 13. Quais evidências esses versos apresentam em favor da guarda do sábado? Quais provas eles trazem em defesa da observância do domingo?
 
Não encontramos nesses textos nenhuma evidência de mudança do dia de guarda, isto é, do sábado para o domingo. Em vez disso, eles mostram claramente a prática entre os cristãos primitivos de guardar o sábado.
 
O episódio de Atos 16:13 é especialmente interessante, pois ocorreu fora do contexto da sinagoga. Os cristãos se reuniram ao lado de um rio, onde alguns tinham o costume de orar. Eles fizeram isso no sábado, muitos anos depois da morte de Jesus. Nada nessas passagens indica uma mudança do dia de guarda para o domingo.
 

 

Quinta-feira, 10 de maio
A tentativa de mudança do sábado
Ano Bíblico: 2Cr 1–4
 
A lei de Deus, os Dez Mandamentos, ainda é válida (veja Tg 2:10-12), e essa lei inclui o sábado. Por que, então, tantos cristãos guardam o domingo se não há justificativa bíblica para isso?
 
Daniel 7 fala sobre a ascensão de quatro grandes impérios: Babilônia, Média-Pérsia, Grécia e Roma, sendo este o quarto e último império terrestre. Em Daniel 7:8, há uma descrição do poder de um chifre pequeno, que surgiria em um período posterior do Império Romano. Esse poder ainda faria parte do Império Romano, só que em uma fase posterior. O que mais poderia ser esse poder, senão o Papado, que surgiu diretamente de Roma e, até hoje, ainda faz parte dela? Thomas Hobbes escreveu no século 16: “Se considerarmos a origem desse poderoso domínio eclesiástico, perceberemos facilmente que o Papado nada mais é do que o fantasma do finado Império Romano, coroado sobre seu túmulo” (Thomas Hobbes, Leviathan [Leviatã]; Oxford: Oxford University Press, 1996, p. 463).
 
9. Leia Daniel 7:23 a 25. Quais são as origens da guarda do domingo?
 
O idioma original, o aramaico, revela no verso 25 que o poder do chifre pequeno “pretendia” mudar a lei. Qual poder terrestre pode realmente mudar a lei de Deus?
 
Embora a história não esclareça os detalhes exatos, sabemos que, sob o domínio de Roma papal, o sábado foi substituído pela tradição da guarda do domingo. Essa tradição foi tão firmemente enraizada que a Reforma Protestante a manteve viva, mesmo até o século 21. Hoje, a maioria dos protestantes ainda guarda o primeiro dia da semana, em vez de obedecer ao mandamento bíblico do sábado.
 
10. Leia Apocalipse 13:1 a 17 e compare com Daniel 7:1 a 8, 21, 24 e 25. Quais imagens semelhantes são usadas nesses textos? Como elas nos ajudam a entender os eventos finais?
 
Utilizando ilustrações diretamente de Daniel, inclusive sobre o último período de Roma papal, o livro do Apocalipse revela a perseguição que sobrevirá no tempo do fim aos que se recusarem a “adorar” de acordo com os ditames dos poderes vistos no livro do Apocalipse.

 


Sexta-feira, 11 de maio
Estudo adicional
Ano Bíblico: 2Cr 5–7
 
O mesmo dragão, Satanás, que guerreou contra Deus no Céu (Ap 12:7) guerreia contra o povo de Deus na Terra, os que “guardam os mandamentos de Deus” (Ap 12:17; 13:2, 4). Na verdade, o próprio Satanás também se torna objeto de adoração (Ap 13:4). Portanto, a guerra que o inimigo iniciou no Céu contra Deus, ele busca continuar na Terra. E o seu ataque à lei divina é fundamental à sua investida contra o Altíssimo.
 
“No quarto mandamento, Deus é revelado como Criador do Céu e da Terra, e por isso Se distingue de todos os falsos deuses. Foi para memória da obra da criação que o sétimo dia foi santificado como dia de repouso para o ser humano. Destinava-se a conservar o Deus vivo sempre diante da mente humana como a fonte de todo ser e objeto de reverência e culto. Satanás se esforça por desviar os homens de sua aliança com Deus e de prestarem obediência à Sua lei; dirige Seus esforços, portanto, especialmente contra o mandamento que aponta a Deus como o Criador” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 53, 54).
 
Adoramos o Senhor porque Ele é o Criador dos “céus e da Terra”, e o sábado é o sinal fundamental de Sua criação, que remonta à própria semana da criação (veja Gn 2:1- 3). Não é de admirar que, em seu ataque à autoridade de Deus, Satanás ataque o sinal principal e fundamental dessa autoridade: o sábado.
 
Nos últimos dias, o povo de Deus permanecerá firme e fiel em sua lealdade a Ele, uma lealdade manifestada na obediência aos Seus mandamentos – todos eles, incluindo aquele que especificamente revela o Senhor como Criador, o Único digno da nossa adoração.
 
Perguntas para discussão
 
1. Qual é o problema dos que falam sobre a realidade do pecado e, no entanto, argumentam que a lei de Deus foi abolida? Qual é a grande incoerência desse raciocínio?
 
2. Quais têm sido suas experiências com os que defendem o domingo em vez do sábado? Quais argumentos você usa? Eles são eficazes? Como pode refutar o argumento comum de que a guarda do sábado é uma tentativa de obter salvação pelas obras?
 
3. Ao conversarmos com outras pessoas sobre o sábado e nos prepararmos para os eventos finais, por que é importante deixar claro que as provações em relação à “marca da besta” ainda não aconteceram?
 
Resumo da Lição 6
A “mudança” da lei
A “mudança” da lei
 
TEXTO-CHAVE: Êxodo 20:8-11
 
Saber: Reconhecer a importância da lei divina e examinar o papel central do sábado na lei de Deus.
 
Sentir: Experimentar o amor de Deus representado na Sua lei e aprender a desfrutá-la.
 
Fazer: Encontrar formas de obedecer à lei de Deus sem cair no legalismo.
 
I. Saber: O sábado na lei
 
A. Por que Deus deu a lei?
B. Qual é o lugar do sábado no Decálogo?
C. Como a graça de Deus está relacionada à Sua lei?
 
II. Sentir: A Lei é amor
 
A. Por que devemos desfrutar a lei de Deus?
B. Por que amar a Deus é obedecer aos Seus mandamentos?
C. Por que o sábado é o mandamento que mais expressa o amor de Deus pela humanidade?
 
III. Fazer: A prática da graça
 
A. Por que o cristão deseja obedecer a Deus?
B. Por que devo começar a observar o sábado na hora certa?
C. Por que muitos judeus e cristãos preferiram morrer a desobedecer a Deus?
 
A lei de Deus é o elemento mais visível e concreto da religião bíblica e, ao mesmo tempo, é o aspecto mais controverso. Portanto, é na lei, e mais especificamente no sábado, que a fidelidade religiosa tem sido e será provada.
 
Ciclo do aprendizado
 
1  Motivação
 
Focalizando as Escrituras: Daniel 7:25; Apocalipse 14:9
 
Conceito-chave para o crescimento espiritual: A lei de Deus é para nossa vida espiritual o que o exercício físico é para nosso sangue. O sábado é para a lei o que o sangue é para o corpo. A lei é a única forma encontrada por Deus de tornar nossa religião real e viva.
 
Para o professor: Muitos cristãos têm rejeitado a lei. Confundem a observância da lei com legalismo. No entanto, a lei não pode ser separada do evangelho. Por quê?
 
Discussão e atividade inicial: Muitos cristãos pensam que a lei do sábado pode se aplicar a qualquer dia. Acreditam que, visto que Deus é eterno, Ele não Se importa com um dia específico; ou argumentam que para eles o sábado ocorre todos os dias, pois devemos adorar a Deus todos os dias da semana.
 
Perguntas para discussão
 
1. Por que guardar o sábado em outro dia da semana, diferente daquele que foi prescrito pela lei de Deus – o “sétimo dia” – poderia afetar o conteúdo espiritual do sábado?
 
2. Quais lições espirituais do sábado se perderão se o observarmos num outro dia que não seja o sétimo?
 
2 Compreensão
 
Para o professor: Observamos os mandamentos de Deus somente porque pensamos que são sábios e racionais ou porque cremos que isso nos torna mais felizes? Contrário a todas essas motivações, o único argumento para se observar a lei é dado na própria lei: “Eu Sou o Senhor teu Deus” (Êx 20:2). Temos um relacionamento pessoal com o Deus da graça, que nos salvou e que nos ama, e a quem amamos em retribuição por Seu amor. É isso que explica por que devemos guardar esses mandamentos, pelo fato de que Ele é o “[nosso] Deus”. Mudar a lei mudaria o foco de Deus para nós mesmos. A mudança da lei por outra razão, uma razão humana, significaria substituir Deus por algo de nossa própria fabricação. A Bíblia chama essa manobra de idolatria (Is 40:19).
 
Comentário bíblico
 
I. A graça da lei
 
(Recapitule com a classe Gn 2:16; Sl 119:29.)
 
É impressionante que a primeira palavra de Deus para a humanidade (Adão e Eva) tenha sido uma ordenança: “O Senhor Deus lhe deu essa ordem” (Gn 2:16). O verbo ordenar envolve mais do que deveres morais ou observância de ritos, pois, como sabemos, Deus “ordenou” a criação do mundo (Sl 33:9; Is 45:12). Da mesma forma, a lei de Deus não é feita apenas de exigências, imperativos, coisas que devemos fazer ou proibições. Em vez disso, a lei é uma dádiva. O próprio Deus Se refere à lei como Sua dádiva aos seres humanos (Êx 24:12; Ne 9:13) para a própria felicidade e sabedoria deles (Sl 19:8; Dt 4:5, 6). Além disso, a lei divina é compreendida na Bíblia como a expressão da graça divina. Como canta o salmista: “Por Tua graça, ensina-me a Tua lei” (Sl 119:29, NVI).
 
Conforme sugere esse salmo, a graça não é incompatível com a lei. Na verdade, a graça se identifica com a lei. Um bom exemplo disso é o primeiro mandamento divino, que envolve uma dádiva: “de toda árvore [...] comerás livremente” (Gn 2:16). Mas também contém uma proibição, ou lei, que assegura vida, pois comer do fruto resultaria em morte. Portanto, como evidenciam as Escrituras, as leis divinas são uma dádiva de Deus para nós, uma expressão de Sua graça e de Seu amor pela humanidade.
 
Pense nisto: A lei é uma dádiva de Deus, uma expressão de Seu amor por nós. Por que, e como, devemos então obedecer à lei? De que forma o sábado é uma expressão do amor divino por nós? Por que o salmista e o próprio Paulo chamam a lei de Deus de “prazer” (Sl 119:92; Rm 7:22)? Por que o sábado é chamado “deleitoso” (Is 58:13)?
 
II. A mudança da lei
 
(Recapitule com a classe Dn 7:25.)
 
O texto bíblico da criação relata que foi Deus que determinou as estações (Gn 1:14, 17). Esse ato foi Sua prerrogativa como Criador do Universo.
 
O profeta Daniel afirmou essa mesma verdade da criação quando enfatizou que é Deus quem “muda o tempo e as estações” (Dn 2:21). Porém, Daniel na sua visão profética da história humana viu o surgimento de um poder, representado por um “chifre pequeno” com características humanas, que “[cuidaria] em mudar os tempos e a lei” (Dn 7:25). A referência a “tempos” em associação com a “lei” de Deus, aponta, na verdade, a um tempo específico, o sábado, pois o sábado é a única lei que tem a ver com tempo. Sendo assim, podemos supor a partir do texto que o poder do chifre pequeno tentaria mudar o sábado. A característica humana desse poder, que simboliza sua identidade religiosa e espiritual (compare com Dn 7:4, 13) e seu lugar na sequência dos reinos (depois de Roma pagã), sugere que ele seja a Igreja Católica Romana. A profecia de Daniel predisse a pretensão da igreja de assumir o lugar de Deus como Criador.
 
A Igreja Católica Romana fez exatamente o que a profecia predisse: substitui o sagrado sábado pelo domingo. A principal razão histórica que motivou os imperadores romanos, juntamente com as autoridades católicas, na direção da observância do domingo foi que essa mudança facilitaria a integração da maioria dos povos no Império Romano. Eles adoravam o sol e, por isso, observavam o domingo, o dia do sol. Essa concessão e estratégia “evangelística” ajudaram grandemente no êxito político da Igreja Católica Romana.
 
No entanto, a fim de justificar posteriormente essa mudança, os primeiros pais da igreja usaram o argumento teológico de que Jesus foi ressuscitado no domingo. Na verdade, essa defesa teológica expressa a antiga filosofia grega dualista que separava o mundo físico da criação do mundo espiritual.
 
Pense nisto: Por que o sábado é o mandamento mais vulnerável e o mais fácil de ser mudado? Quais são as concepções erradas reveladas nas razões teológicas e históricas para essa mudança?
 
Atividade: Discuta e refute o raciocínio enganoso por trás dos principais textos usados por muitos cristãos para apoiar a mudança da guarda do sábado para o domingo.
 
III. Sinal dos tempos
 
(Recapitule com a classe Ap 12:17; 14:9, 12.)
 
O livro do Apocalipse relata que, além da tentativa de mudança do sábado pelo “chifre pequeno”, o sábado servirá no fim dos tempos como um teste de fidelidade. Bem antes, no Antigo Testamento, esse dia foi dado como sinal entre Deus e Seu povo, um sinal visível de que Deus é quem os santifica (Êx 31:13; Ez 20:12). O lugar do sábado no centro do decálogo – que era o exato lugar do selo em antigos tratados de aliança – testifica de sua função.
 
O livro do Apocalipse usa o símbolo de fidelidade à lei de Deus do Antigo Testamento, um sinal na fronte e na mão (Dt 6:8), para descrever quem se une às hostes do inimigo de Deus e “adora a besta” (Ap 14:9). Esse símbolo sugere que a pessoa em questão se submeteu a uma lei falsa que substituiu a lei de Deus. Esse contraste entre a adoração à besta e a adoração ao Criador (Ap 14:7) sugere que é o sábado que está em jogo, pois a observância desse dia expressa a fé no Criador (Êx 20:11). De fato, o versículo a seguir explica que esse comentário se aplica aos “santos” que “guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Ap 14:12; compare com Ap 12:17).
 
Pense nisto: Se você perguntasse a um adventista do sétimo dia o que o sábado significa, ele poderia responder: “O sábado não é o domingo”. Embora essa resposta contenha um importante elemento da verdade, não é a verdade completa. Por quê?
 
3 Aplicação
 
Para o professor: Discuta as razões pelas quais os pais da igreja não quiseram guardar o sábado. Mostre a relação entre a origem do antissemitismo e a rejeição do sábado.
 
Perguntas para reflexão
 
1. Como devemos guardar o sábado para tornar esse dia verdadeiramente o sinal de Deus?
 
2. Discuta esta comparação feita por um rabino: “Vocês adventistas do sétimo dia guardam o sábado, ao passo que nós judeus o celebramos.”
 
4 Criatividade
 
Para o professor: Mostre aos membros da classe a natureza singular do mandamento do sábado em comparação com os demais mandamentos. Ajude a classe a entender por que faz sentido que esse mandamento (e não outro) seja o último teste de fé.
 
Atividades
 
1. Compartilhe com os membros da classe histórias de pessoas perseguidas por guardar o sábado.
 
2. Considere a seguinte pergunta paradoxal: Por que às vezes é mais difícil guardar o sábado em uma sociedade livre do que em uma opressora? Discuta.
 
Planejando atividades: O que sua classe pode fazer na próxima semana como resposta ao estudo da lição?