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Várzea Grande(DF), Domingo, 29 de Novembro de 2020 - 17:00
19/11/2020 as 12:39:10 | Por CPB | 164
Educação e redenção
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”
Fotografo: CPB
Educação e redenção

Lição 8
14 a 20 de novembro
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: At 24-26
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3:16).
 
LEITURAS DA SEMANA: Gn 1:26, 27; Is 11:1-9; 2Tm 3:14-17; 1Rs 4:29-34; Jo 14:17; 1Co 2:1-16
 
A Bíblia conta uma longa história a respeito de Deus e de Seu povo. Às vezes, ela é vista como uma história de amor que deu errado, pelo menos temporariamente. Ou pode ser vista como a história de um Pai e de Seus filhos rebeldes que, por fim, acabam mudando de atitude.
 
Contudo, para os objetivos do estudo desta semana, descobriremos na história bíblica outro tema, a saber, o de um mestre e seus alunos. Eles continuavam sendo reprovados nas provas, mas o Mestre pacientemente lhes explicava as lições repetidamente, até que, finalmente, alguns as assimilavam.
 
A história bíblica não é diferente das nossas histórias humanas que conhecemos tão bem – com uma exceção. A história de Deus e Seu povo tem a garantia de um final feliz, a certeza de que seu objetivo será alcançado. A graça divina para com Seu povo assegura esse resultado. A responsabilidade humana nesse relacionamento tem sido muitas vezes mal compreendida e até temida por muitos que a julgam penosa. Mas, na verdade, a história bíblica é essencialmente um convite para conhecer a Deus e compreender Sua vontade. De fato, aprender a conhecer a Deus é a nossa principal resposta à Sua graça. Não é possível merecer essa graça, mas podemos conhecê-la, e o que é a educação cristã em sua essência, senão a educação que ensina sobre essa graça?

Domingo, 15 de novembro
Ano Bíblico: At 27, 28
À imagem de Deus
 
1. De acordo com Gênesis 1:26, 27; 5:1, 3, como Deus criou originalmente a humanidade e o que aconteceu com ela após o pecado?
 
A expressão “à imagem de Deus” tem fascinado os intérpretes da Bíblia há séculos. O que é essa imagem na qual os primeiros humanos foram criados? Por exemplo, será que isso significa que Deus Se olhou no espelho e formou Sua nova criatura a fim de que se parecesse com Ele mesmo? Ou significa que, de todas as outras formas de vida, o ser humano é a forma que mais se parece com Deus? Ou ainda se refere a uma similaridade e compatibilidade espiritual e intelectual entre o Criador e Sua criação humana? As Escrituras não dão uma explicação precisa acerca dessa expressão, embora os estudiosos tenham derivado das Escrituras muitas interpretações possíveis. Contudo, podemos ver que, depois do pecado, essa imagem foi alterada, razão pela qual Ellen G. White escreveu que o objetivo da educação é restaurar no homem a imagem de seu Criador (Educação, p. 14-16).
 
Como a educação pode alcançar um objetivo tão extraordinário?
 
Primeiramente, precisamos lembrar que Deus nos criou para ter um relacionamento com Ele, da mesma forma que os pais fazem com seus filhos. Ele nos criou à Sua imagem, assim como os pais humanos têm filhos à imagem deles (Gn 5:1), para que pudesse nos educar como filhos Seus, pertencentes à Sua família; Ele pode Se comunicar e formar um relacionamento duradouro conosco. A imagem de Deus, portanto, é mais uma “imagem mental” que permite que dois seres, um divino e outro humano, tenham um encontro de mentes. É exatamente isso que ocorre na educação, primeiramente em casa entre pais e filhos e depois na escola quando os professores também assumem a obra educacional. Evidentemente, Deus planejou esse processo de educação tão conhecido por nós quando, ao nos distinguir de muitas outras formas de vida, criou-nos à Sua própria imagem – Ele o fez para que pudesse nos ensinar e para que pudéssemos aprender com Ele, até que Sua imagem (Sua mente) fosse refletida na nossa.

Segunda-feira, 16 de novembro
Ano Bíblico: Rm 1-4
Jesus como Professor
 
A Bíblia usa muitos termos para descrever Jesus. Ele é o Filho de Deus, Messias, Filho do Homem, Salvador, Redentor, Senhor, Cordeiro de Deus, entre outros nomes. Mas, para os que O conheceram melhor durante Seus mais de três anos de ministério público na Judeia e na Galileia, Ele era um Professor. Eles o chamavam de “Mestre” ou “Rabi”. Ambos significam “professor”.
 
Portanto, para Jesus, a profissão de professor e a obra de ensino foram uma forma especialmente apropriada de desempenhar Seu ministério público. De certa maneira, Sua obra de redenção é semelhante à obra de ensino. Além disso, ela havia sido predita pelo profeta do evangelho.
 
2. O que Isaías 11:1-9 revela sobre a função de ensino de Jesus? Assinale a alternativa correta:
 
A.( ) Segundo o profeta, Jesus teria o Espírito de sabedoria e de conhecimento.
B.( ) Segundo o profeta, Jesus teria o Espírito de condenação.
 
Uma das profecias messiânicas mais surpreendentes das Escrituras se encontra em Isaías 11. Os versos 1-3 retratam o Messias vindouro em termos educacionais, Alguém que traria conhecimento, conselho, sabedoria e entendimento. A passagem conclui com esta promessa extraordinária: “Porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Is 11:9). Possivelmente, esses ensinamentos das Escrituras tenham inspirado Ellen G. White em seu livro sobre educação a observar que a obra de educação e a obra de redenção são uma (veja Educação, p. 30).
 
Leia João 3:1-3. Ao se dirigir a Jesus, Nicodemos O chamou de rabi e ainda identificou os dons de ensino de Jesus como provenientes de Deus por causa dos sinais que Cristo realizava, isto é, Seus milagres e ideias sobre o significado da vida. Jesus aceitou, se não o título que Nicodemos Lhe deu, certamente a origem de Seus dons de ensino, quando respondeu a Nicodemos que ele deveria nascer de novo para ver o reino de Deus (compreender o reino e entrar nele). Isso significa que a autoridade para ensinar aos outros, mesmo no caso de Jesus, veio de Deus.
 
O ensino é um dom de Deus e comissionado pelo Senhor. Esse dom foi adotado por Jesus e é reconhecido pelos que são ensinados como tendo autoridade divina.

Terça-feira, 17 de novembro
Ano Bíblico: Rm 5-7
Moisés e os profetas
 
3. De acordo com 2 Timóteo 3:14-17, qual é a função das Escrituras na educação cristã? Assinale a alternativa correta:
 
A.( ) Elas têm a função única de nos mostrar o nosso pecado.
B.( ) Servem para o ensino, repreensão, educação na justiça e nas boas obras.
 
A palavra para designar a primeira parte da Bíblia, a Torá, às vezes é traduzida como “a Lei”, em parte porque existem muitas leis nos livros que compõem a Torá. Mas, na realidade, Torá significa “ensino” ou “instrução”. Essa compreensão é muito diferente do que muitos pensam ser a essência da “lei” na Bíblia, a saber, regras e regulamentos que devemos seguir para permanecer na graça de Deus. Em vez disso, a Lei foi planejada como material de ensino que trata de como viver com sucesso e segurança no relacionamento de aliança que Deus pretendia ter conosco quando Ele nos criou no princípio.
 
Nas duas seções posteriores da Bíblia Hebraica, os profetas relatam como o povo de Deus dominou esse material educacional e viveu por ele (os primeiros profetas ou livros históricos), e o que eles deveriam ter aprendido com esse material educacional (os últimos profetas). A parte restante do Antigo Testamento (chamada de “escritos” em hebraico) está repleta de exemplos de professores e alunos bem-sucedidos e não tão bem-­sucedidos assim, juntamente com suas experiências educacionais. Alguns exemplos de sucesso educacional nesses livros seriam Ester, Rute, Daniel e Jó. Entre os fracassados estariam os quatro amigos de Jó. Evidentemente, o livro dos Salmos é um hinário, mas até mesmo ele tem pelo menos três salmos educacionais: Salmo 1, Salmo 37 e Salmo 73.
 
Os evangelhos estão repletos de materiais planejados para fins educacionais, especialmente nas parábolas de Jesus. Muitas cartas de Paulo começam com uma forte proclamação do evangelho, mas terminam com material educacional, lições práticas sobre a vida cotidiana para os cristãos. O livro do Apocalipse também está repleto de material didático. Por exemplo, a divulgação do futuro da igreja de Cristo está revelada em um livro que somente o Cordeiro de Deus – Jesus, o Mestre dos mestres – pode abrir (Ap 5:1-5).

Quarta-feira, 18 de novembro
Ano Bíblico: Rm 8-10
Homens e mulheres sábios
 
As palavras para designar escola, estudo e educação são claramente compreendidas em nossos dias, mas não são comuns na Bíblia. As palavras “sabedoria” e “sábio” são muito mais comuns nas Escrituras. Por exemplo, o Antigo Testamento faz menção a homens e mulheres sábios (2Sm 14:2; Pv 16:23).
 
4. O que 1 Reis 4:29-34 revela sobre a importância da sabedoria?
 
O rei Salomão foi apontado como um homem muito sábio, que falava sobre a vida animal e vegetal e proferia provérbios com grande sabedoria, ou seja, como homem da educação (1Rs 4:29-34). Os livros de Provérbios e Eclesiastes contêm muitos ensinamentos sábios sobre diversos assuntos, atribuídos a Salomão e a outros mestres sábios nos tempos antigos (Pv 1:1; 25:1; 30:1; 31:1).
 
De acordo com a Bíblia, a sabedoria é muito semelhante à nossa educação hoje. É algo que se aprende com os pais e professores, especialmente quando se é jovem (Ec 12:1), mas, na verdade, uma pessoa acumula sabedoria ao longo de toda a vida. Em segundo lugar, a sabedoria geralmente tem um aspecto prático; por exemplo, devemos aprender com as formigas que economizam no verão para ter o suficiente para o inverno (Pv 6:6-8).
 
No entanto, a sabedoria não é apenas prática; ela também tem um aspecto teórico, pois começa com a fé em Deus e segue certos princípios fundamentais (Pv 1:7). A sabedoria nos ajuda a viver com responsabilidade e para o benefício de outras pessoas, além de nos proteger da infelicidade. Por fim, assim como a educação hoje, a sabedoria não responde a todas as nossas perguntas, mas nos permite ficar satisfeitos com o que sabemos, enquanto continuamos a buscar o que ainda é desconhecido, e essa é uma boa atitude a partir da qual podemos aprender a conhecer a Deus e a confiar em Sua graça. De acordo com Jeremias 18:18, a função do mestre sábio é considerada no mesmo nível das funções de sacerdote e profeta. Os três transmitem mensagens de Deus ao Seu povo, na forma de instruções na Lei, conselhos educacionais e mensagens especiais.

Quinta-feira, 19 de novembro
Ano Bíblico: Rm 11-13
Educação na igreja primitiva
 
Um dos princípios extraordinários da educação nas Escrituras surge quando Jesus, o Mestre dos mestres, preparava-Se para deixar Seus alunos ou discípulos. Eles estavam com Cristo havia três anos e meio, aproximadamente o tempo que dedicamos ao ensino médio ou à educação superior. Ao término desses períodos, dependendo da pessoa, os alunos geralmente são considerados prontos para dar conta de sua própria vida.
 
Mas Jesus foi mais sábio e, portanto, providenciou a Seus seguidores uma educação contínua ou continuada, sob a tutela do Espírito Santo. Em outra parte, esse Professor ou Guia é apresentado como Consolador ou Advogado (em grego, paracletos), que seria dado aos seguidores de ­Jesus permanentemente (Jo 14:16, 17). Ele é identificado como o Espírito da verdade. Embora o Espírito Santo não seja identificado como educador, a obra do Espírito certamente é educacional, principalmente no que diz respeito à busca e à descoberta da verdade.
 
5. Leia 1 Coríntios 2:1-16. Segundo Paulo, o que é tão importante no contexto da educação?
 
Paulo lembrou à igreja de Corinto que, ao se encontrar com eles pela primeira vez, ele não havia falado de nada mais, senão de Jesus Cristo e de Sua crucificação (1Co 2:2) – nenhuma sabedoria engenhosa, mas apenas a proclamação do evangelho. Mas isso não foi o fim (1Co 2:6), pois, uma vez que esses novos cristãos se tornaram maduros, o apóstolo voltou para lhes ensinar a sabedoria, as coisas ocultadas por Deus desde a eternidade (1Co 2:7), até mesmo as profundezas de Deus (1Co 2:10). Tudo será estudado sob a orientação do Espírito de Deus unido à mente do aprendiz.
 
Esse estudo será muito profundo e tornará acessível um aprendizado muito grande àqueles que são guiados pelo Espírito. O capítulo termina com uma citação do profeta Isaías: “Quem guiou o Espírito do Senhor? Ou, como Seu conselheiro, O ensinou?” (Is 40:13). O profeta, ao falar a pessoas comuns de sua época, disse que ninguém poderia fazer isso. Mas Paulo ampliou essa percepção, concluindo: “Nós, porém, temos a mente de Cristo”, significando que os cristãos repletos do Espírito têm acesso até à mente de Deus e, portanto, a todo aprendizado e entendimento (1Co 2:10-13) necessários para conhecer o caminho da justiça.

Sexta-feira, 20 de novembro
Ano Bíblico: Rm 14-16
Estudo adicional
 
A grande comissão do evangelho (Mt 28:18-20) desencadeou um movimento religioso extraordinário. Alguns apóstolos ou missionários (as duas palavras significam a mesma coisa: “aqueles que são enviados”) foram por todo o mundo e reuniram estudantes, os transformaram em discípulos, os chamaram a crer em Jesus, os batizaram e passaram a ensinar-lhes todas as coisas que Jesus lhes havia ordenado. Podemos imaginar cristãos convertidos de todo o mundo, representando diferentes culturas e falando idiomas diferentes, saindo das águas do batismo para entrar em uma escola e começar sua educação. Isso não é surpreendente, pois eles ainda tinham muito a aprender.
 
Os cristãos estão sempre aprendendo não apenas por curiosidade intelectual e o desejo de dominar o conhecimento, mas pela consciência de que a vida e a fé permeiam todo o cotidiano. Há muito o que aprender. Por isso, as cartas do Novo Testamento contêm tanto a proclamação acerca de Jesus (às vezes chamada de kerygma) quanto a educação em tudo o que os cristãos devem aprender (às vezes chamada de didache). Um bom exemplo de proclamação é visto em 1 Coríntios 2:2, enquanto a educação começa em 1 Coríntios 4 e continua de maneira intermitente no restante da carta.
 
Os cristãos devem aprender sobre trabalho, descanso, questões sociais, relação com a comunidade, igreja e adoração, economia, filantropia, relação com as autoridades, aconselhamento, o sistema familiar, relação matrimonial e educação dos filhos, comida e sua preparação, vestuário e até sobre o envelhecimento e como se preparar para o fim da vida, tanto o fim da vida pessoal quanto o fim deste mundo de pecado. Ser cristão significa aprender sobre todas essas coisas e muito mais. A compreensão dessas coisas não vem naturalmente. Ela tem que ser aprendida.
 
Perguntas para consideração
 
1. Qual é a importância da obra educacional para a missão da igreja?
 
2. O que Ellen G. White quis dizer ao escrever que “o Céu é uma escola” (Educação, p. 301)?
 
3. Paulo falou que os governantes e a sabedoria “deste século” se reduziriam a nada (1Co 2:1-16). Se ele disse isso naquela época, o que dizer da “sabedoria” do nosso século?
 
Respostas e atividades da semana: 1. Ele a criou à Sua imagem e semelhança. Após o pecado, o homem e a mulher geraram filhos à semelhança deles. 2. A. 3. B. 4. A sabedoria é muito importante, pois serve para testemunharmos de Deus. Salomão era muito sábio acerca do mundo natural, vegetal, etc. Sua sabedoria fazia com que outros povos viessem até ele buscar a sabedoria de Deus. 5. É importante que busquemos a sabedoria de Deus e não a dos homens. Não devemos tentar impressionar os outros com palavras de sabedoria humana. Necessitamos da sabedoria do Altíssimo.
 
Resumo da Lição 8
Educação e redenção
ESBOÇO
 
A educação é um presente precioso que não deve ser subestimado. Como todo bom presente que recebemos, esse também é “lá do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg 1:17). Pode-se afirmar com segurança que Deus tem o coração de um professor. Professores gostam de compartilhar tudo o que sabem com seus alunos, e Jesus demonstrou que Ele e Seu Pai são assim: “Porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vos tenho dado a conhecer” (Jo 15:15). O que aconteceria se lêssemos a Bíblia através das lentes da relação aluno-professor? E se ouvíssemos nosso divino Mestre e nos perguntássemos o que Deus está tentando nos ensinar hoje com essa lição? Sair para passear pode ser uma oportunidade de aprender com o Mestre, recordando quantas vezes Ele usou a natureza como quadro de escrever. Em suma, devemos estabelecer e adotar o papel de aluno se quisermos apreciar plenamente o dom divino de educar.
 
Talvez parte da motivação divina de nos fazer à Sua imagem tenha sido que nossa semelhança com Ele facilitasse a comunicação de Seu amor e conhecimento para nós. A lição fala de um “encontro de mentes”, uma divina e outra humana, que permite que essa comunhão aconteça. Ser racional é uma das qualidades que nos distinguem do restante da criação. Até que ponto devemos confiar no raciocínio para entender o plano da redenção?
 
COMENTÁRIO
 
Ilustração
 
Esta lição destaca a importância de ver Deus na posição de Mestre divino e nós como Seus alunos. A joia da coroa de Seus ensinamentos é o plano da redenção e restauração deste mundo perdido. Não devemos somente aprender esse plano, mas também compartilhá-lo com os outros. O problema é que está cada vez mais difícil comunicar as verdades do evangelho a uma cultura que não compartilha de alguns dos pressupostos subjacentes a uma cosmovisão cristã.
 
Por exemplo, um cristão pode querer testemunhar compartilhando um verso favorito da Bíblia com um amigo da faculdade, mas logo percebe que ele a vê como uma compilação de mitos com credibilidade zero. E agora? Quando o cristão não menciona a Bíblia, mas vai direto para a explicação de como Deus enviou Jesus para morrer por nossos pecados, ele é visto com desdém por causa da palavra “pecado”. “Pecado?”, o amigo sorri. “Pecado é um conceito ultrapassado da época em que a religião controlava a sociedade.” Nós fomos além da moralidade objetiva. Em outras palavras, o que pode ser pecado para você pode ser virtude em outra cultura. O cristão luta para não parecer incomodado e, em um esforço de última hora, diz que Jesus é o caminho, a verdade e a vida e que a salvação pode ser encontrada Nele, se a pessoa crer. O amigo dá um tapinha paternalista no 
 
ombro do cristão e observa que estudos pós-modernos mostram que o termo “verdade” é problemático e é um retrocesso para a era da modernidade. O amigo expressa satisfação pelo cristão ter encontrado um caminho que lhe traz paz, mas ele está em um caminho diferente. Eles se separam, e o cristão fica se perguntando por que toda essa experiência de testemunho não ocorreu como deveria.
 
Essa situação pareceu uma derrota; contudo, ao menos destaca outro problema: existem duas reações distintas que o cristão é encorajado a adotar. Uma é orar para que seu colega de faculdade veja a luz e exerça fé, apesar da carga de argumentos intelectuais que o obrigam a não ver. A segunda reação também seria orar, mas depois mergulhar na literatura acadêmica relevante de filosofia, teologia bíblica e sistemática, história, estudos de fé e ciência e outras disciplinas que o capacitariam para lidar efetivamente com as preocupações céticas do amigo. E então? Qual deve ser a conduta? Orar e deixá-lo em paz, ou aproveitar a democratização da informação e procurar instruir-se cada vez mais e continuar orando?
 
Comente com a classe: Faça a pergunta mencionada anteriormente para a classe da Escola Sabatina. É provável que receba respostas inflamadas de ambos os lados da questão. Uma passagem que inevitavelmente vem à mente é 1 Coríntios 2:1, 2, que diz: “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e Este crucificado”. A seção seguinte analisa mais de perto essa passagem.
 
Escrituras
 
À primeira vista, o que se conclui de 1 Coríntios 2:1, 2 é que a única estratégia na evangelização deve ser mencionar Jesus e Sua crucificação. Evitar argumentos associados à sabedoria e eloquência parece ser o ideal. Mas existem algumas bandeiras vermelhas a respeito dessa interpretação. Primeiro, isso vai contra muitos sermões em Atos nos quais se utilizam argumentos cuidadosos, evidências históricas e lógicas de maneira eficaz para convencer as pessoas da identidade de Jesus Cristo e de Sua ressurreição (por exemplo, Atos 2; Atos 7). De fato, na mesma epístola, Paulo usa essas ferramentas para apoiar de forma persuasiva a verdade da ressurreição (1Co 15). J. P. Moreland, um conhecido apologista cristão, oferece as seguintes interpretações alternativas e contextualizadas (J. P. Moreland, Love Your God With All Your Mind [Ame seu Deus com toda a sua mente]. Colorado Springs: Navpress, 1997, p. 58):
 
1. Há um uso falso e orgulhoso da razão que não é propício para a proclamação do evangelho. A própria razão e “a sabedoria do alto” não podem estar sob condenação, mas apenas seu abuso. É a arrogância (orgulho) que está em jogo, não o intelecto (mente). Deus escolheu coisas tolas (mora, em grego; 1Co 1:27), ofensivas ao orgulho humano, não ao raciocínio adequadamente empregado. Por exemplo, a ideia de Deus ser crucificado era tão ofensiva que a mente grega a teria julgado moralmente nojenta.
 
2. É possível também que Paulo tivesse em mente o emprego da retórica grega. Os oradores gregos se orgulhavam de poder defender persuasivamente qualquer lado de uma questão. A verdade se tornava secundária nesse contexto, e o prêmio ia para quem tivesse o discurso mais inteligente e polido. Paulo pode muito bem ter desejado se distanciar desses métodos.
 
3. Pode ser também que Paulo estivesse argumentando contra a insuficiência da razão pura somente para comunicar o evangelho. Não é possível começar com princípios de lógica e dedução e, de alguma forma, chegar a um Salvador divino crucificado e ressuscitado. Revelação, testemunho apostólico/profético, o poder atrativo do Espírito Santo e fé são componentes necessários em conjunto com a razão para passar da incredulidade ao compromisso com Cristo.
 
Há algumas coisas que Paulo diz que são difíceis de entender (2Pe 3:16). O contexto ajuda. Além disso, visto que é seguro supor que ele não é um hipócrita que não segue o próprio conselho, é sempre prudente observar como ele mesmo aplicou suas recomendações ao escrever e pregar. Portanto, quando o apóstolo escreveu: “Decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e Este crucificado” (1Co 2:2), mesmo uma rápida leitura de Romanos 1 a 12 nos ajuda a perceber que sua pregação de Cristo e Ele crucificado pode equivaler à elaboração de um tratado teológico denso, difícil, novo, profundo e brilhante que mantém os estudiosos ocupados há séculos.
 
A relação entre fé, razão, teologia acadêmica, estudo bíblico particular, o papel do Espírito Santo, evangelismo e educação adventista é bastante opaca para muitos cristãos. Muitos ficam confusos quanto a enviar os filhos para a educação adventista superior quando já têm a Bíblia, os escritos de Ellen G. White e o Espírito Santo à sua disposição. Por que não economizar milhares de reais e talvez fazer um curso de estudos bíblicos evangelísticos pelo correio? Essa pergunta nos leva de volta à nossa ilustração do jovem cristão tentando testemunhar a um amigo da faculdade, e quais são suas responsabilidades para com a instrução adequada, a fim de responder às perguntas do amigo. Se tudo o que o Céu espera do cristão é que ore e cite versos bíblicos, parece razoável que ele não necessite de mais estudos universitários nem de autoinstrução (nem todos podem pagar uma experiência universitária em primeira mão, mas podemos aprender com os escritos e recursos de quem pode). Talvez duas citações possam nos mover na direção certa, uma de Pedro e outra de C. S. Lewis: “Santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor” (1Pe 3:15, 16).
 
“Se o mundo todo fosse cristão, talvez não importasse se o mundo fosse instruído ou não. Mas a instrução existirá fora da igreja, existindo dentro dela ou não. A boa filosofia deve existir, se não por outra razão, porque a má filosofia precisa de respostas” (C. S. Lewis. https://www.goodreads.com/quotes/573332-if-all-the-world-were-Christian-it-might-not-matter).
 
Aplicação para a vida
 
1. Como as pessoas viam Jesus quando Ele esteve na Terra? Pesquise nos quatro evangelhos todas as vezes em que Ele foi chamado de “Redentor” e você não encontrará nada. Tente procurar também “Salvador” nesses mesmos evangelhos (três ocorrências, das quais uma foi dita por um anjo, outra por alguém antes que Ele nascesse e a outra pela 
 
mulher samaritana, em João 4:42). Procure “Rabi”, “Mestre” ou “Professor”, e pode-se perceber rapidamente como as pessoas viam Jesus. É claro que Ele era mais do que um mestre ou um professor. Sua obra de salvação está ligada ao ensino. Como esse ponto afeta a forma pela qual compartilhamos o evangelho e que tipo de instrução devemos adquirir?
 
2. Leia o Sermão da Montanha ou a carta de Paulo aos Romanos e observe que eles têm um lado teórico e um lado prático. Ao analisar sua vida agora, qual desses dois lados do desenvolvimento precisa de atenção? Você precisa fazer mais ou aprender mais? Se for o último caso, o que mais você acha que precisa aprender?
 
3. Além de salvar a alma para o reino dos Céus, também temos muitas ideias a ser restauradas ou corrigidas. Você acha possível aplicar o conceito de redenção à totalidade das ideias em nossa mente? Explique sua resposta.




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