Fotografo: Gustavo Duarte
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Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo. Nos últimos dez anos, esse número cresceu 18,4%. Dentre os países da América Latina, o Brasil possui o maior número de pessoas em depressão, com 5,8% da população, ou seja, um total de 11,5 milhões de brasileiros.  De acordo com o órgão, os números tentem a ser ainda mais alarmantes devido às subnotifcações (pessoas que não procuram os serviços de saúde) - isso porque, em sua maioria, os sintomas da depressão raramente são perceptíveis às pessoas que os rodeiam.
 
Em Cuiabá, na busca de diminuir esse índice, membros da diretoria da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) iniciaram o ciclo de palestras ‘Falando das Emoções’. A iniciativa vem, desde o fim do mês passado, realizando acolhimentos e orientações humanizados aos servidores do Hospital Municipal São Benedito.
 
As ações, que estão sendo conduzidas pelo coordenador administrativo, Willian Dias vêm trabalhando abordagens sobre os sintomas e as principais formas de depressão e ansiedade, visando identificar a idealização e prevenir o suicídio. Segundo ele, entre todas as técnicas aplicáveis, o diálogo e a atenção ofertada à pessoa que está doente são considerados um dos melhores remédios.      "Precisamos estar com os olhos voltados para nossos pacientes, e ao mesmo tempo para os servidores que estão cada vez mais adoecidos. Quando a boca fala, o corpo sara. A prevenção acontece quando temos um olhar atento para os outros. Então, que saibamos acolher e ouvir, assim o nosso ambiente tornará cada vez mais humanizado”, explicou o coordenador.
 
Psicóloga há 26 anos, Larissa Slhessarenko que discorreu sobre a temática na última semana, confirmou que o ‘falar sobre o assunto’ é a saída para se curar das doenças citadas. “Falar sobre o assunto ajuda a pessoa a organizar melhor suas ideias e compreender o que pode estar acontecendo com ela ou com as pessoas ao seu lado. Esse encontro é uma pausa tão necessária, especialmente nos dias atuais, pois estamos vivendo tão acelerados. Precisamos ter esse tempo para olhar para nós e nos reencontrarmos. É um olhar para dentro de si e ressignificar. Ou seja, dar um novo sentido para sua vida. E o diálogo é o primeiro passo para esse novo começo”, enfatizou a profissional.
 
Para a recepcionista da unidade hospitalar, Mailla Cristina Damasio, o amparo demonstrou a preocupação e respeito da gestão com os servidores. “Nós cuidamos de outras pessoas, mas nem sempre conseguimos cuidar de nós. Nessa linha, esse amparo que mais uma vez foi ofertado pela gestão é essencial para acolhermos e sermos acolhidos de forma humanizada. Sempre lembrando que todo ser humano tem capacidade de crescer nas adversidades, basta que tenha condições para que encontre o caminho. Por isso, a escuta e o acolhimento são tão fundamentais na prevenção ao ato suicida”, ressaltou a servidora.