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Várzea Grande(MT), Sábado, 25 de Setembro de 2021 - 01:11
10/07/2021 as 20:25:32 | Por CPB | 547
As raízes da inquietação
“Onde há inveja e rivalidade, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins”
Fotografo: CPB
As raízes da inquietação

Lição 3
10 a 16 de julho
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Pv 1-3
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Onde há inveja e rivalidade, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3:16).
 
LEITURAS DA SEMANA: Mt 10:34-39; Lc 12:13-21; Fp 2:5-8; Lc 22:14-30; Mt 23:1-13
O álamo tremedor é uma bela árvore, podendo atingir cerca de 15 a 30 metros de altura. Ele floresce em climas frios, com verões frescos. Sua madeira é utilizada em móveis e na fabricação de fósforos e papel. Cervídeos e outros animais geralmente se alimentam de álamos tremedores jovens durante invernos rigorosos, pois a casca dessa árvore contém muitos nutrientes. O álamo tremedor precisa de muito sol e cresce durante todo otempo – mesmo no inverno, o que o torna uma importante fonte de alimento para diferentes animais nessa estação.
 
No entanto, o álamo tremedor é mais famoso por ter um dos maiores sistemas de raízes do mundo vegetal. Suas raízes se espalham por rebentos subterrâneos e formam uma colônia que pode se espalhar de forma relativamente rápida, cobrindo grandes áreas. Um álamo tremedor pode viver até 150 anos, mas o organismo maior abaixo do solo pode viver por milhares de anos.
 
Nesta semana, estudaremos as raízes da inquietação. Muitas coisas nos impedem de encontrar descanso em Jesus. Algumas são óbvias e não requerem muita atenção. Outras são menos evidentes e, como acontece com o enorme organismo do álamo tremedor, invisível sob o solo, nem sempre temos consciência das atitudes e ações que nos separam do Salvador.

Domingo, 11 de julho
Ano Bíblico: Pv 4-7
Jesus traz divisão
 
Pouquíssimas pessoas gostam de conflitos. Ansiamos por harmonia e paz. Até ministramos seminários sobre pacificação e resolução de conflitos em nossas igrejas e instituições.
 
1. Jesus disse que não veio trazer paz, mas espada. O que isso significa, considerando que Jesus é o “Príncipe da Paz” (Is 9:6)? Mt 10:34-39
 
A declaração de Jesus em Mateus 10:34-39 é chocante. O Salvador, que veio como um Bebê indefeso, não na condição de rei, e que pregava amor ao próximo e aos inimigos, disse a Seus seguidores que Ele traria divisão e conflitos. Seus discípulos e Seu público podem ter se perguntado, como nós também fazemos: “Como assim?”
 
Mateus 10:35-39 de fato trata de obediência e lealdade. Ao citar Miqueias 7:6, Jesus desafiou Seu público a fazer escolhas para a eternidade. O filho devia amar e honrar seus pais. Essa era uma exigência da lei que Moisés tinha recebido no monte. Era parte do modo de operação exigido por Deus. Contudo, se esse amor superasse o compromisso do ouvinte com Jesus, seria necessária uma decisão difícil. Um pai e uma mãe deviam amar e cuidar de seus filhos. No entanto, se esse amor superasse o compromisso dos pais com Jesus, também exigiria uma decisão difícil. Jesus nos lembra de que as coisas mais importantes devem vir primeiro.
 
Cristo expressou essa escolha ao formular três frases, e em cada uma utilizou o termo “digno”. A dignidade não se fundamenta em elevados padrões morais nem mesmo em vencer o pecado. A dignidade ou merecimento tem por base nosso relacionamento com Jesus. Somos dignos quando O escolhemos acima de todas as coisas – inclusive mãe, pai ou filhos. Escolhemos o sofrimento da cruz e seguimos Jesus.
 
“Não tenho maior desejo do que ver nossa juventude imbuída do espírito da religião pura que a levará a tomar a cruz e seguir a Cristo. Prossigam, jovens discípulos de Jesus, controlados pelo princípio, envolvidos nas vestes de pureza e de justiça. Seu Salvador os conduzirá à posição mais bem preparada aos seus talentos e onde possam servir melhor” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 87).
 
Às vezes somos forçados a carregar a cruz que não escolhemos e, outras vezes, voluntariamente carregamos a cruz. Qual é o segredo para carregar a cruz fielmente?

Segunda-feira, 12 de julho
Ano Bíblico: Pv 8-11
Egoísmo
 
Como no caso do álamo tremedor e de seu sistema subterrâneo mais amplo, o egoísmo é parte do sistema subterrâneo chamado “pecado”, que nos impede de encontrar o descanso em Jesus. De todas as expressões do pecado em nossa vida, o egoísmo parece ser a mais fácil de se manifestar, não é mesmo? Para a maioria das pessoas, o egoísmo é tão natural quanto respirar.
 
2. Leia Lucas 12:13-21. Identifique o problema destacado na parábola. Planejar o futuro é egoísmo e desprezo pelo reino de Deus? Caso não seja, contra o que Jesus advertiu?
 
A parábola do rico insensato aparece somente em Lucas e foi contada em resposta a uma pergunta anônima do público. Questionado a respeito de uma herança, Jesus rejeitou o papel de árbitro entre dois irmãos. Em vez disso, Ele apontou o problema fundamental maior, o egoísmo. Cristo foi fundo na questão a fim de mostrar a raiz das nossas ações individuais.
 
3. Pense nas expressões de egoísmo em sua vida. Como o egoísmo afeta nosso relacionamento com Deus, com nosso cônjuge e família, com a igreja, vizinhos e colegas de trabalho? Qual é o segredo encontrado em Filipenses 2:5-8?
 
Ao se concentrar apenas em suas próprias necessidades e ambições, o homem rico da parábola de Jesus se esqueceu de levar em consideração as realidades celestiais invisíveis. Ser maior, melhor e ter mais não refletem os princípios fundamentais do reino de Deus. Paulo nos apresentou um vislumbre do que motivou Jesus ao decidir Se tornar nosso Substituto.
 
O texto de Filipenses 2:5-8 descreve o modelo de altruísmo, humildade e amor. Se o amor a Deus e aos outros não impulsionar e guiar nossas escolhas e prioridades, continuaremos construindo mais celeiros para nós aqui e colocando menos tesouros no Céu (Mt 6:20).
 
Por que é tão fácil se deixar levar pelo desejo de riqueza e bens materiais? Embora necessitemos de certa quantia de dinheiro para sobreviver, por que parece que não importa quanto temos, sempre queremos mais?

 

 
Terça-feira, 13 de julho
Ano Bíblico: Pv 12-15
Ambição
 
Estudar a última semana do ministério de Jesus antes de Sua morte é uma fonte de inspiração. Vemos ali que a inquietação e a ambição levam as pessoas a fazer e dizer coisas imprudentes.
 
4. Leia Lucas 22:14-30. O que Jesus sentiu ao ouvir os discípulos discutindo naquela solene refeição sobre quem deveria ser considerado o maior (Lc 22:24)? Por que os discípulos perderam o foco daquela ocasião e se concentraram na grandeza humana?
 
Raramente discutimos sobre quem é o melhor na igreja, família ou local de trabalho. Podemos até pensar muito sobre isso, mas quem, de fato, fala abertamente sobre esse assunto?
 
Aquela não havia sido a primeira vez que essa questão tinha sido levantada na comunidade de seguidores de Jesus. Mateus 18:1 relata que os discípulos trouxeram essa pergunta a Jesus e a formularam de maneira mais abstrata: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” A resposta de Cristo envolveu uma lição prática. Depois de chamar uma criança, Ele a colocou no centro do grupo. As pessoas arregalaram os olhos e levantaram as sobrancelhas. A ação de Jesus exigia uma explicação, e em Mateus 18:3 o Mestre também ofereceu esta explicação: “Em verdade lhes digo: se vocês não se converterem e não se tornarem como crianças, de maneira nenhuma entrarão no Reino dos Céus”.
 
A conversão é fundamental para encontrarmos o descanso em Cristo. Precisamos de ajuda externa. De repente, percebemos que não podemos depender de nós mesmos, mas precisamos confiar em Jesus. Vivenciamos uma transformação de nossos valores e ambições. Jesus disse: “Confiem em Mim e dependam de Mim como esta criança. A verdadeira grandeza é abrir mão de seus direitos e abraçar os valores do reino.”
 
Os discípulos ainda não tinham aprendido essa lição quando Jesus realizou a última ceia. Suas disputas e rivalidades arruinaram um momento de comunhão que jamais se repetiria.
 
Isso aconteceu depois que os discípulos estiveram com Jesus durante anos, ministrando com Ele e aprendendo aos Seus pés. Que triste exemplo de como o coração humano é corrupto! Contudo, no aspecto positivo, pense na graça do Senhor. Apesar dessa discussão patética, Jesus não desistiu deles.
 
Olhar para a cruz é o remédio contra o desejo de exaltação própria, do qual somos vítimas?

Quarta-feira, 14 de julho
Ano Bíblico: Pv 16-19
Hipocrisia
 
Um hipócrita é um fingidor, que deseja parecer ser alguém que não é. O termo é usado sete vezes em Mateus 23 no discurso em que Jesus humilhou os escribas e fariseus, a principal liderança religiosa judaica (Mt 23:13, 14, 15, 23, 25, 27, 29). Nos evangelhos, Jesus ofereceu graça e perdão aos adúlteros, cobradores de impostos, prostitutas e assassinos, mas Ele demonstrou pouca compaixão pelos hipócritas (Mt 6:2, 5, 16; Mt 7:5; Mt 15:7-9; Mt 22:18).
 
5. Quais são as quatro características principais de um hipócrita? Mt 23:1-13
 
Jesus associou quatro características aos escribas e fariseus. No âmbito do judaísmo do 1o século d.C., os fariseus representavam os conservadores religiosos. Eles estavam interessados na lei escrita e oral e enfatizavam a pureza ritual. No outro âmbito estavam os saduceus, um grupo de líderes, em sua maioria ricos, frequentemente associados à elite da classe sacerdotal. Eles eram muito helenizados (falavam grego e estavam familiarizados com a filosofia grega) e não acreditavam no juízo nem na ressurreição. Poderíamos descrevê-los como liberais. Ambos os grupos eram culpados de hipocrisia.
 
De acordo com Jesus, somos hipócritas quando não fazemos o que dizemos, quando tornamos a religião mais difícil para os outros sem aplicar os mesmos padrões a nós mesmos, quando queremos que outros aplaudam nosso fervor religioso e quando exigimos honra e reconhecimento que pertencem apenas ao Pai celestial.
 
Jesus proferiu palavras severas e diretas, mas Seu envolvimento com aqueles que Ele chamou de hipócritas foi cheio de amor e preocupação.
 
“Jesus olhou demoradamente para o templo e, depois, para os ouvintes. No rosto do Filho de Deus, estava estampada a misericórdia divina. Com uma voz agitada por profunda angústia de coração e amargas lágrimas, Ele exclamou: ‘Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis Eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!’” (Mt 23:37; Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 620).
 
É preciso ser líder religioso para ser culpado da hipocrisia que Jesus tão veementemente condenou nesse texto? Vemos hipocrisia em nós mesmos? Como podemos nos livrar dela?

Quinta-feira, 15 de julho
Ano Bíblico: Pv 20-24
Eliminando a inquietação
 
6. Leia João 14:1-6. Em meio à nossa inquietação, o que fazer para que nosso coração tenha descanso? Como vencer a divisão, egoísmo, ambição, hipocrisia e achar paz?
 
A vitória sobre a inquietação sempre começa com Jesus. Ele é o caminho, a verdade e a vida. Ele conhece a direção certa quando vagamos sem rumo pelo deserto deste mundo saturado pelos meios de comunicação; como Legislador divino, Ele é a verdade personificada, e Seu Espírito nos guiará em toda a verdade (Jo 16:13). Quando estamos magoados, cansados, esgotados, enfermos e desanimados, Ele é a vida – e não uma vida qualquer. Ele nos prometeu vida em abundância (Jo 10:10). Isso inclui o eterno lar e a vida eterna, mas também envolve uma vida diferente aqui. O Criador pode doar agora em abundância e de maneira ilimitada.
 
“Que o coração de vocês não fique angustiado”. Essas palavras são um convite a viver na expectativa. Quando nos sentimos tristes, Ele pode nos levantar. Ao lutarmos contra o pecado, Ele é Aquele que não apenas começou, mas concluirá Sua boa obra em nós (Fp 1:6).
 
Ainda que as coisas fiquem ruins aqui, temos a promessa de Jesus. Ele está preparando um “lugar” para nós. Nesse lugar a dor, inquietação e sofrimento serão banidos para sempre. Essa é a esperança que recebemos em Cristo Jesus, e ela é oferecida a todos nós, independentemente de quem sejamos, da nossa origem e do nosso pecado.
 
O segredo, porém, é buscar Deus em nossa fraqueza, em nossa dor, em nosso quebrantamento e em nosso estado decaído, sabendo que Ele nos aceita apesar dessas coisas. É disso que se trata a graça. Por isso, devemos crer que a recebemos, se a buscarmos com fé.
 
7. Leia Jeremias 3:22. O que Deus nos pede que façamos, e o que Ele fará em resposta por nós? Assinale a alternativa correta:
 
A. ( ) Ele pede que o povo volte, e promete curá-lo de suas rebeliões.
 
B. ( ) Ele pede que o povo fique em Canaã e promete lhe dar a vitória.
 
“Voltarei e os receberei para Mim mesmo, para que, onde Eu estou, vocês estejam também” (Jo 14:3). Por que as promessas da segunda vinda de Cristo e da ressurreição são tão preciosas, especialmente quando pensamos nos nossos queridos que dormem o sono da morte na sepultura?

Sexta-feira, 16 de julho
Ano Bíblico: Pv 25-27
Estudo adicional
 
“Na vida que se centraliza no eu não pode haver crescimento nem frutificação. Se vocês aceitaram a Cristo como Salvador pessoal, devem se esquecer de si mesmos e procurar auxiliar a outros. Falem do amor de Cristo, contem de Sua bondade. Cumpram todo dever que se lhes apresenta. Levem sobre o coração o peso da salvação das pessoas, e tentem salvar os perdidos por todos os meios possíveis. Recebendo o Espírito de Cristo – o espírito do amor abnegado e do sacrifício por outrem – vocês crescerão e produzirão fruto. As graças do Espírito amadurecerão em seu caráter. Sua fé aumentará; suas convicções se aprofundarão, seu amor será mais perfeito. Mais e mais vocês refletirão a semelhança de Cristo em tudo que é puro, nobre e amável” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 67, 68).
 
Ao lidarmos com problemas entre membros da igreja “tem-se alongado por horas a conversação entre as partes envolvidas, e não somente seu tempo tem sido perdido, mas os servos de Deus são retidos para ouvi-los, quando o coração de ambas as partes não está subjugado pela graça. Se o orgulho e o egoísmo fossem postos de lado, cinco minutos bastariam para remover a maioria das dificuldades” (Ellen G. White, Primeiros Escritos, p. 119).
 
Perguntas para consideração
 
1. Como vencer o egoísmo? Qual é a nossa responsabilidade mútua para que isso ocorra?
 
2. Podemos esperar grandes coisas de Deus sem ser consumidos pela ambição egoísta?
 
3. Muitos disfarçam a ambição, a hipocrisia, o egoísmo e a inveja. Como as raízes do álamo tremedor, essas características se escondem sob a superfície. De que modo ocorre a transformação do caráter guiada pelo Espírito? Podemos vencer a raiz da inquietação e encontrar o descanso em Jesus?
 
4. Que proveito a primeira vinda de Cristo teria trazido se não tivéssemos a esperança da Sua segunda vinda, visto que os mortos ressuscitarão somente no dia da volta de Jesus?
 
Respostas e atividades da semana: 1. Cristo separa as pessoas que não O priorizam das que O consideram prioridade. 2. A passagem foi uma resposta a uma queixa sobre disputa de herança entre irmãos. O planejamento para o futuro é necessário, mas isso não pode visar apenas ao benefício pessoal. 3. O egoísmo destrói. O segredo é fazer como Cristo, que Se humilhou. 4. O coração deles era ganancioso. Eles ainda não tinham entendido a real dimensão do reino de Cristo. 5. Não vivem o que pregam; adicionam fardos para as outras pessoas carregarem, mas eles mesmos não os levam; desejam ser reconhecidos publicamente e receber o louvor que deve ser oferecido somente a Deus. 6. Crer em Jesus. Ele é o segredo da vitória em tudo. 7. A.

Resumo da Lição 3
As raízes da inquietação
ESBOÇO
 
Certo pastor contou a história fascinante de uma visita a um antigo forte indígena americano na parte noroeste de Nova York. Era uma área remota, mas o forte ainda estava bem preservado. Essa área foi povoada por índios americanos durante séculos. Todos os anos, milhares de turistas visitavam o forte. O pastor perguntou ao guia se algum dos visitantes já havia encontrado pontas de flechas indígenas. O guia sorriu e respondeu: “Sim, no portão da frente do forte, bem onde você está”. O pastor imaginou como isso poderia ser possível. Dezenas de pessoas caminhavam por ali diariamente! Por que não encontravam uma ponta de flecha? O guia então explicou que as pontas de flechas estavam logo abaixo da superfície, e a melhor época para encontrá-las era logo após o inverno, durante o degelo da primavera. Elas estavam lá o tempo todo. Nas condições certas, apareciam.
 
Na lição desta semana, “As raízes da inquietação”, estudaremos atitudes que muitas vezes estão escondidas da vista, mas se revelam de vez em quando. Atitudes como orgulho, egoísmo, ambição doentia e hipocrisia muitas vezes caracterizam a vida dos cristãos e mancham nosso testemunho. O apóstolo Paulo nos diz para vigiarmos diligentemente: “Cuidem para que ninguém fique afastado da graça de Deus, e que nenhuma raiz de amargura, brotando, cause perturbação, e, por meio dela, muitos sejam contaminados” (Hb 12:15). As raízes do mal permanecem em todo coração e, se não tratadas, produzem brotos, que então produzem frutos ruins. Nesta semana, examinaremos cuidadosamente algumas dessas raízes e estudaremos maneiras de reconhecê-las para que, então, pela graça de Deus, sejam arrancadas de nossa vida.
 
COMENTÁRIO
 
Um olhar superficial às declarações de Jesus em Mateus 10:34-39 pode causar confusão. Se Jesus é o Príncipe da Paz, por que disse que não veio para trazer paz a esta Terra, mas espada? (Mt 10:34). Por que indicou que “os inimigos de uma pessoa serão os da sua própria casa”? (Mt 10:36). E por que Ele diz: “‘Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que a Mim não é digno de Mim” (Mt 10:37)? Existem três questões principais aqui. Jesus queria que Seus seguidores reconhecessem o custo do discipulado. Quando uma pessoa aceita a Cristo e se compromete a segui-Lo, o diabo fica irado. Não devemos nos surpreender quando há oposição ao evangelho. Declaramos guerra a Satanás e estamos travando uma batalha contra todas as forças do inferno. Jesus está mostrando nessas passagens que a paz, a verdadeira paz, vem de segui-Lo no meio da batalha. Os pontos centrais são lealdade e fidelidade. Embora Jesus nos convide a respeitar nossa família, temos uma lealdade maior. A paz inunda nosso coração quando colocamos Cristo em primeiro lugar e temos a certeza de Sua presença.
 
A condescendência de Cristo
 
O apóstolo Paulo revela uma das descrições mais detalhadas da condescendência de Cristo em todas as Escrituras. Alguns teólogos chamam isso de “cascata do amor divino”. Em Filipenses 2:5-7, Paulo declara: “Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus, que, mesmo existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo. Pelo contrário, Ele Se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-Se semelhante aos seres humanos” (ênfase acrescentada). Observe o contraste entre essas duas expressões, a forma de Deus e a forma de um servo. A palavra grega para “forma” é morphe, que também pode ser traduzida como “a essência de” ou tendo a “natureza de”. Jesus era igual ao Pai na própria essência de Sua natureza. Cristo existe com o Pai desde a eternidade como coigual e coeterno. Ele “Se fez sem reputação” ou, traduzido literalmente, Ele Se esvaziou dos privilégios e prerrogativas como igual a Deus e Se tornou Homem. Ele não apenas Se tornou Homem, mas tornou-Se o mais humilde dos homens, um Servo. Não só Se tornou Servo, mas Se tornou um Servo humilde e obediente. Ele não apenas Se tornou um Homem que era um Servo humilde e obediente, mas morreu na cruz, a mais horrível de todas as mortes. Jesus, nosso Senhor eterno, nosso Criador todo-poderoso, Aquele que é servido por todos, tornou-Se o Servo de todos. A vida de Jesus ilustra claramente que uma vida de serviço abnegado é uma vida de descanso e alegria duradoura.
 
A vida de serviço amoroso e altruísta de Cristo contrasta diretamente com a questão dos dois irmãos, que levou Jesus a contar a parábola do rico avarento e a ensinar sobre confiança em Deus em relação às coisas materiais, conforme o relato de Lucas 12:13-31. Esses dois jovens egoístas estavam discutindo sobre a parte que deveriam receber da herança de seu pai. Eles vieram a Jesus e pediram-Lhe que mediasse seu desentendimento. Jesus recusou-Se a fazer isso, mostrando de forma nítida que a verdadeira paz e alegria vem de dar, não de obter. Somos de fato felizes quando nos preocupamos com a felicidade dos outros, não quando tentamos manipulá-los para que nos tornem felizes.
 
Ambição e orgulho e a essência do cristianismo
 
Durante a Última Ceia, em um dos momentos mais solenes da história da humanidade, os discípulos ainda discutiam sobre quem seria o maior no reino. Na véspera da traição e julgamento de Cristo, ainda acreditavam que Ele iria estabelecer um reino terrestre e, se assim fosse, queriam o primeiro lugar nesse reino. Essa não foi a primeira vez que houve rivalidade entre eles sobre quem seria o maior no reino. Há um relato em Mateus 20:20-28 que revela o cerne do real significado do cristianismo e descreve de forma poderosa a essência de ser um seguidor de Cristo.
 
Eis o contexto da história: Jesus estava a caminho de Jerusalém pela última vez. Ele tentou sem sucesso explicar aos discípulos que em breve seria rejeitado, julgado, acusado falsamente e crucificado. Por alguma razão, as pressuposições deles sobre o Messias os impediram de compreender a natureza de Sua missão. Eles filtravam as palavras de Jesus por meio das ideias equivocadas de grandeza terrestre que giravam em torno da mente deles. Suas ideias de preeminência em um novo reino e de grandeza mundana foram a base para o pedido da mãe de Tiago e João, encontrado em Mateus 20:20, 21. “Jesus lhe perguntou: ‘O que você quer?’ Ela respondeu: ‘Mande que, no Seu reino, estes meus dois filhos se assentem um à Sua direita e o outro à Sua esquerda’” (Mt 20:21).
 
Tiago e João, assim como Pedro, faziam parte do círculo íntimo de Cristo. Eles eram alguns de Seus compatriotas mais próximos. Não tinha o próprio Jesus dito pouco antes: “Em verdade lhes digo que, na regeneração, quando o Filho do Homem Se assentar no trono da Sua glória, vocês que Me seguiram também se assentarão em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel” (Mt 19:28)?
 
Não era lógico que Tiago e João pensassem que, se Jesus estava indo a Jerusalém para estabelecer Seu reino eterno, eles mais do que qualquer outra pessoa mereciam estar perto Dele em Seu trono? Foram eles os mais próximos durante todo o Seu ministério. Eles eram Seus confidentes, Seus seguidores mais chegados. Acreditavam que mereciam essa posição de honra e privilégio.
 
Os outros discípulos estavam obviamente angustiados com a tentativa de Tiago e João de abrir caminho para o primeiro lugar no reino. A resposta de Jesus tem validade permanente e fala ao coração do cristianismo autêntico. Após chamar os discípulos para junto de Si, Jesus disse: “Vocês sabem que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Mas entre vocês não será assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vocês, que se coloque a serviço dos outros; e quem quiser ser o primeiro entre vocês, que seja servo de vocês; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos” (Mt 20:25-28).
 
O princípio deste mundo é ter. O princípio do reino de Cristo é dar. O princípio deste mundo é a autopromoção. O princípio do reino de Cristo é abnegação. O princípio deste mundo é o foco em si mesmo. O princípio do reino de Cristo é o foco nos outros. Jesus sabia o que se passava na mente dos discípulos e tocou no cerne da vida cristã. No mundo, disse Jesus, é bem verdade que o grande homem é aquele que controla os demais; ele é o mestre, cuja ordem outros devem apressar-se a obedecer. Com apenas uma palavra, esse homem exige, e sua menor necessidade será suprida. Lá fora, no mundo, estava o governador romano com seus trajes e séquito, o potentado oriental com seus escravos, o rico comerciante com seus servos e o proprietário de terras com suas propriedades. O mundo os considerava grandes, mas, na avaliação de Cristo, só o serviço é o emblema de grandeza que não consiste em ordenar aos outros que façam coisas por nós, mas em fazer para os outros. Essa é a revolução cristã; aqui está a reversão completa dos padrões do mundo. Eis um novo conjunto de valores.
 
“Nos reinos do mundo, a posição indicava engrandecimento próprio. Acreditava-se que o povo existia para servir às classes dominantes. Influência, riqueza e educação estavam entre os muitos meios de controlar as massas em proveito dos líderes. As classes mais altas deviam pensar, decidir, desfrutar e dominar; as mais humildes deviam obedecer e servir. A religião, como tudo o mais, era uma questão de autoridade. Do povo, esperava-se que acreditasse e agisse segundo a direção de seus superiores. O direito do homem como homem – de pensar e agir por si mesmo – era totalmente ignorado.
 
“Cristo estava estabelecendo um reino sobre princípios diferentes. Chamava as pessoas não à autoridade, mas ao serviço; e os fortes, a sofrer as fraquezas dos fracos. Poder, posição, talento e educação colocavam aqueles que os possuíam sob maior dever de servir aos semelhantes” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 550).
 
APLICAÇÃO PARA A VIDA
 
Conforme contemplamos a vida de Jesus, nossa vida é transformada. Tornamo-nos como Aquele que mais admiramos. Somos transformados à Sua semelhança ao contemplarmos graça, misericórdia, compaixão e bondade em Sua Palavra. Sua vida de abnegação nos inspira a olhar além de nós mesmos para as necessidades dos outros. Alguém disse com razão: “Qualquer pessoa envolvida em si mesma é um pacote muito pequeno”. Para aprofundar a impressão desta lição, aqui está uma tarefa prática para esta semana:
 
• Encontre um lugar tranquilo para ficar sozinho e peça a Deus para ajudá-lo a ver uma necessidade específica de alguém próximo a você.
 
• Assim que o Espírito Santo impressionar você com essa necessidade, pergunte a Deus o que você pode fazer para atendê-la. Pode ser algo tão simples como convidar um vizinho idoso e solitário para jantar, ser babá para uma mãe que cuida sozinha do filho, consolar uma pessoa com diagnóstico de câncer, encorajar um jovem ou dar aulas particulares a uma criança.
 
• Tome a decisão positiva de doar seu tempo para abençoar alguém dentro de sua esfera de influência. Ao abençoar outra pessoa, você, por sua vez, será abençoado além da medida.
 




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