Fotografo: CPB
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A criação: Gênesis como fundamento (parte 2)

Lição 9
23 a 29 de maio
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Ed 4-6
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das Suas mãos” (Sl 19:1)
 
LEITURAS DA SEMANA: Jó 26:7-10; Gn 1; 2; 5; 11; 1Cr 1:18-27; Mt 19:4, 5; Jo 1:1-3
Muitos pensadores importantes foram inspirados pelas Escrituras a investigar o mundo criado por Deus. Como resultado, nasceu a ciência moderna. Johannes Kepler, Isaac Newton, John Ray, Robert Boyle e outros grandes cientistas acreditavam que seu trabalho revelava ainda mais sobre a criação das mãos de Deus.
 
Contudo, após a Revolução Francesa, a ciência do século 19 passou de uma cosmovisão teísta para uma cosmovisão fundamentada no naturalismo e no materialismo, frequentemente sem nenhum espaço para o sobrenatural. Essas ideias filosóficas foram popularizadas por Charles Darwin, em seu livro A Origem das Espécies (1859). Desde essa época, a ciência tem se distanciado cada vez mais de seu fundamento bíblico, resultando em uma reinterpretação radical da história do Gênesis.
 
Será que a Bíblia ensina uma visão antiquada e não científica da cosmologia? O relato bíblico simplesmente teria sido obtido das nações pagãs vizinhas? A Bíblia foi condicionada culturalmente por seu tempo e lugar, ou sua natureza inspirada nos eleva a uma visão das origens que é completa em sua estrutura divina?
 
Esses são alguns assuntos que estudaremos na lição desta semana.

Domingo, 24 de maio
Ano Bíblico: Ed 7-10
Uma Terra plana?
 
É comum a crença de que muitos no mundo antigo pensavam que a Terra fosse plana. No entanto, a maioria das pessoas, por várias razões, entendia que a Terra era redonda. Mesmo assim, ainda hoje, alguns alegam que a Bíblia ensina que a Terra é plana.
 
1. Leia Apocalipse 7:1; 20:7, 8. Qual é o contexto desses versos? Eles ensinam o conceito de uma Terra plana?
 
João, o autor desses textos, escreveu uma profecia do fim dos tempos, descrevendo os quatro anjos do Céu “em pé nos quatro cantos da Terra, conservando seguros os quatro ventos” (Ap 7:1). Ele repetiu a palavra “quatro” três vezes para ligar os anjos aos quatro pontos cardeais.
 
Em suma, ele apenas usou linguagem figurada, como fazemos hoje quando dizemos, por exemplo, que “o Sol está se pondo” ou que o vento “veio do oriente”. Insistir em uma interpretação literal de textos proféticos quando o contexto indica uma ideia figurativa de norte, sul, leste e oeste, é tirar essas passagens do contexto e fazê-las ensinar algo que não ensinam. Afinal, quando Jesus disse: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mt 15:19), Ele não estava falando sobre fisiologia, nem do coração humano literal. Jesus usou uma figura de linguagem para defender um argumento moral.
 
2. O que Jó 26:7-10 e Isaías 40:21, 22 ensinam sobre a natureza da Terra? Assinale a alternativa correta:
 
A.( ) A Terra é quadrada e plana.
 
B.( ) A Terra está suspensa no espaço e é redonda.
 
Em Jó 26:7, a Terra foi descrita como estando suspensa no espaço: “Ele estende o norte sobre o vazio e faz pairar a Terra sobre o nada.” A Terra é “um círculo” ou esfera (Jó 26:10). Isaías 40:22 declara: “Ele é o que está assentado sobre a redondeza da Terra, cujos moradores são como gafanhotos; é Ele quem estende os céus como cortina.”

 

Segunda-feira, 25 de maio
Ano Bíblico: Ne 1-4
A criação na literatura antiga
 
rqueólogos descobriram textos do Egito antigo e do Oriente Próximo que contêm histórias primitivas da criação e do Dilúvio. Por isso, alguns indagaram se o relato de Gênesis foi obtido dessas culturas ou se ele dependeu delas. Mas será que é isso mesmo?
 
Veja estes trechos da Epopeia de Atra-asis: “Quando os deuses, em vez de homens/Fizeram a obra, suportaram as cargas, /A carga dos deuses foi grande demais, /A obra foi muito difícil, a dificuldade grande demais/ [...]. ‘Que a deusa do ventre gere descendência, /E o homem leve a carga dos deuses!” [...]. Geshtu-e, um deus que tinha inteligência, /eles mataram em sua assembleia. /Nintu misturou barro /Com sua carne e sangue” (Stephanie Dalley, Myths from Mesopotamia: Creation, the Flood, Gilgamesh and Others [Nova York: Oxford University Press, 1989], p. 9, 14, 15).
 
3. Quais são as diferenças entre Gênesis 1 e 2:1-4 com a Epopeia de Atra-Hasis?
 
Embora existam semelhanças entre as histórias (por exemplo, os primeiros humanos foram feitos de argila), as diferenças são mais definidas.
 
(1) Em Atra-Hasis, o homem trabalha para os deuses para que estes descansem. Em Gênesis, Deus cria a Terra e tudo o que nela há para os seres humanos, o ápice da criação, e descansa com eles. Em Gênesis, o ser humano é colocado no jardim e convidado à comunhão com Deus e ao cuidado da criação, um conceito ausente em Atra-asis.
 
(2) Em Atra-asis, um deus menor foi morto, e seu sangue foi misturado com argila para formar sete machos e sete fêmeas. Em Gênesis, primeiramente Adão foi formado de maneira íntima por Deus, que lhe deu o fôlego de vida, e a mulher foi feita posteriormente para ser sua auxiliadora. Deus não criou Adão e Eva a partir do sangue de um deus morto.
 
(3) Não há sinal de conflito nem de violência no relato de Gênesis, como encontramos na história de Atra-asis.
 
O relato bíblico é sublime ao descrever o Onipotente, que concede à humanidade propósito digno em um mundo perfeito. Essa diferença fez com que os estudiosos concluíssem que esses relatos são diferentes.

Terça-feira, 26 de maio
Ano Bíblico: Ne 5-8
Gênesis versus paganismo
 
Longe de depender de antigos mitos pagãos da criação, o livro de Gênesis foi escrito de um modo que refuta esses mitos, fazendo com que Deus, como Criador, distancie-Se deles.
 
4. Leia Gênesis 1:14-19. Como foram descritas as entidades que aparecem no quarto dia e quais são as suas funções?
 
 
Os termos “Sol” e “Lua” foram certamente evitados no relato porque seus nomes em hebraico eram os nomes (ou estavam intimamente relacionados aos nomes) dos deuses do Sol e da Lua do antigo Oriente Próximo e do Egito. O uso dos termos “luzeiro maior” e “luzeiro menor” mostra que eles foram criados para funções específicas, “para sinais, para estações, para dias e anos” e para “alumiar a Terra” (Gn 1:14, 15). Ou seja, o texto mostra muito claramente que o Sol e a Lua não eram deuses, mas objetos criados com funções naturais específicas, da maneira como os entendemos hoje.
 
5. Leia Gênesis 2:7, 18-24. Como Deus Se envolveu profundamente na criação de Adão e Eva? Assinale a alternativa correta:
 
A.( ) Suas palavras formaram o homem e a mulher.
 
B.( ) Suas mãos criaram, do barro, o homem, e do homem, a mulher.
 
Os antigos mitos do antigo Oriente Próximo descrevem unanimemente a criação do homem como algo que não estava nos planos originais, resultante de uma tentativa de aliviar os deuses do trabalho pesado. Essa noção mítica é contrariada pela ideia bíblica de que o homem deve governar o mundo como vice-regente de Deus. Nada na criação do ser humano foi um pensamento posterior. Ao contrário, o texto aponta para a humanidade como o clímax do relato da criação, mostrando ainda mais claramente quanto os relatos pagão e bíblico são diferentes.
 
Assim, Gênesis apresenta um corretivo contra os mitos antigos. Moisés usou certos termos e ideias incompatíveis com os conceitos pagãos, simplesmente expressando a compreensão bíblica da realidade e da função e propósito de Deus na criação.

Quarta-feira, 27 de maio
Ano Bíblico: Ne 9-11
A criação e o tempo
 
6. Leia Gênesis 5 e 11. Como a Bíblia traça a história da humanidade de Adão a Noé e de Noé até Abraão?
 
Há um elemento que torna essas genealogias singulares na Bíblia: elas contêm o elemento do tempo, fazendo com que alguns estudiosos as chamem corretamente de “cronogenealogias”. Elas contêm um mecanismo de interligação de informações de descendência juntamente com períodos de tempo, de maneira que “quando a primeira pessoa tinha vivido uma quantidade determinada de anos, ela gerou a segunda pessoa. E a primeira pessoa, depois que gerou a segunda, viveu por mais certa quantidade de anos e gerou outros filhos e filhas”. Gênesis 5 acrescenta a frase padrão: “Todos os dias da primeira pessoa foram tantos anos”. Esse sistema interligado teria impedido a exclusão de certas gerações ou o acréscimo de outras. Gênesis 5 e 11 contêm uma linha contínua de descendência, como é confirmado por 1 Crônicas 1:18-27, em que não há acréscimo nem ausência de gerações. Dessa maneira, a Bíblia se interpreta.
 
Por quase 2.000 anos, especialistas judeus e cristãos têm interpretado que esses textos representam a história e uma forma precisa de determinar a data do Dilúvio e a idade da Terra, pelo menos a partir dos sete dias da criação, conforme descritos em Gênesis 1 e 2.
 
Nas últimas décadas, tem havido tentativas de reinterpretar Gênesis 5 e 11 para acomodar períodos mais longos, o que é sugerido na maneira em que alguns dados arqueológicos e históricos são interpretados por seres humanos falíveis. Apesar disso, podemos comprovar a confiabilidade do registro bíblico.
 
Se quisermos entender o conceito divino de tempo e seu progresso ao longo da História, devemos reconhecer que esses dois capítulos são “tanto históricos quanto teológicos, ligando Adão ao restante da humanidade e Deus ao homem no domínio dos limites do espaço e do tempo. Gênesis 5 e 11:10-26 apresentam a estrutura de tempo e a cadeia humana que liga o povo de Deus ao homem que Ele criou como o clímax do evento da criação de seis dias deste planeta” (Gerhard F. Hasel, “The Meaning of the Chronogenealogies of Genesis 5 e 11”, Origins 7/2 [1980], p. 69).

Quinta-feira, 28 de maio
Ano Bíblico: Ne 12, 13
A criação nas Escrituras
 
7. Leia as seguintes passagens das Escrituras e descreva como cada um desses autores se referiu aos capítulos 1 a 11 de Gênesis:
 
Mt 19:4, 5: ____________________________________
 
Mc 10:6-9: _____________________________________
 
Lc 11:50, 51: ____________________________________
 
Jo 1:1-3: _______________________________________
 
At 14:15: _______________________________________
 
Rm 1:20: _______________________________________
 
2Co 4:6: ______________________________________
 
Ef 3:9: ________________________________________
 
1Tm 2:12-15: ____________________________________
 
Tg 3:9: ________________________________________
 
1Pe 3:20: ______________________________________
 
Jd 11, 14: ______________________________________
 
Ap 2:7; 3:14; 22:2, 3: _______________________________
 
Jesus e todos os escritores do Novo Testamento se referiram a Gênesis 1 a 11 como história fidedigna. Em Mateus 19:4, Jesus Se referiu aos escritos de Moisés e à criação do homem e da mulher. Paulo usou repetidamente o relato da criação para fundamentar os argumentos teológicos que ele defendeu em suas epístolas. Ele declarou aos sábios de Atenas:
“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Ele Senhor do Céu e da Terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas” (At 17:24). Assim, os escritores do Novo Testamento desenvolveram suas mensagens com base na natureza fundamental do Gênesis para mostrar ao leitor moderno a importância dos seus eventos literais.
 
Leia, por exemplo, Romanos 5. Paulo fez uma ligação direta entre Adão e Jesus (veja Rm 5:12, 14-19) por mais de seis vezes. Isto é, ele admitiu a existência literal de um Adão histórico, um conceito que se torna fatalmente comprometida quando um modelo evolutivo das origens substitui uma leitura literal dos textos.

Sexta-feira, 29 de maio
Ano Bíblico: Et 1-4
Estudo adicional
 
Leia, de Gerald A. Klingbeil, The Genesis Creation Account and Its Reverberations in the Old Testament (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2015).
 
“A Bíblia é a mais vasta e mais instrutiva história que os homens possuem. Ela veio pura da fonte da verdade eterna, e a mão divina preservou sua pureza através dos séculos [...]. Somente aí podemos encontrar a história da humanidade, não contaminada pelo preconceito ou o orgulho humano” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 25).
 
“Foi-me mostrado que, sem a história bíblica, a geologia não pode provar nada. As relíquias encontradas na Terra de fato evidenciam um estado de coisas que diferem em muitos aspectos do presente. Mas o tempo de sua existência, e por quanto tempo essas coisas estiveram na terra, só devem ser entendidas pela história bíblica. Pode ser inocente conjecturar além da história bíblica se nossas suposições não contradizem os fatos encontrados nas Sagradas Escrituras. Mas, quando os homens deixam a Palavra de Deus em relação à história da criação e buscam explicar as obras criativas de Deus com base em princípios naturais, estão em um oceano ilimitado de incertezas. Deus nunca revelou aos mortais como exatamente realizou a obra da criação em seis dias literais. Suas obras criativas são tão incompreensíveis quanto Sua existência” (Ellen G. White, Spiritual Gifts [“Dons Espirituais”], livro 3, p. 93).
 
Perguntas para consideração
 
1. Se explicações científicas sobre a realidade são controversas, por que as pessoas aceitam teorias acerca de eventos que supostamente ocorreram há bilhões de anos?
 
2. A ciência supõe que não se pode usar meios sobrenaturais para explicar eventos naturais. Por exemplo, não poderíamos explicar uma fome alegando que uma bruxa lançou uma maldição na terra. No entanto, se excluímos o sobrenatural como causa da criação, por que qualquer outro modelo que elaborarmos estará inevitavelmente errado?
 
Respostas e atividades da semana: 1. Uma profecia simbólica. Não há quatro cantos literais no mundo. A Terra não é plana nem quadrada. 2. B. 3. Comente com a classe. 4. Como “luzeiros”, um maior e outro menor, com a função de fazer separação entre o dia e a noite. 5. B. 6. Por meio de genealogias e cronologias. 7. Há referências à criação do homem e da mulher; é mencionado o sangue de Abel, que foi derramado; João sugeriu que Jesus participou da criação; Deus aparece como Aquele que fez o Céu, a Terra, o mar e tudo quanto há neles; Paulo enfatizou que as coisas criadas manifestam os atributos divinos e que o Senhor fez resplandecer a luz das trevas; o apóstolo apresentou Jesus como Criador e confirmou que Adão foi criado primeiro do que Eva; Tiago afirmou que fomos feitos à semelhança de Deus; Pedro fez referência ao Dilúvio; Judas falou sobre o caminho de Caim, a transgressão escolhida por ele; João mencionou o paraíso de Deus e a árvore da vida, bem como Aquele que é o princípio da criação, o Cordeiro.