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Várzea Grande(MT), Terça-Feira, 18 de Maio de 2021 - 21:57
03/05/2021 as 10:43:25 | Por PJC | 334
Pedra 90 lidera índice de violência contra a mulher em Cuiabá
Maioria das vítimas tem idade entre 35 e 45 anos
Fotografo: PJC
Dez bairros de Cuiabá concentram 18,5 % das ocorrências de violência

Dez bairros de Cuiabá concentram 18,5 % das ocorrências de violência doméstica atendidas pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher da Capital (Dedm) durante o ano passado. Os dados estão reunidos no 4o Anuário Estatístico 2020 da unidade divulgado nesta última sexta-feira (30) pela Polícia Civil. O documento organizado pela delegacia especializada traz o perfil socioeconômico das vítimas atendidas, assim como dos agressores, com base nas informações coletadas pela equipe de atendimento.
 
Os bairros com maior número absoluto de registros são o Pedra 90, com 75 registros, seguido pelo Dom Aquino (45); Dr. Fábio e Tijucal (38); CPA 4 (37); Jardim Imperial; Santa Isabel; CPA 3; Centro Sul e Boa Esperança.
 
A delegada titular da DEDM Cuiabá, Jozirlethe Magalhães Criveletto explica que embora os dez bairros citados concentrem a maior parte das ocorrências, há registros de violência doméstica na maioria da cidade. “Isso não significa que não tenha havido ocorrências em outros bairros que não aparecem nas estatísticas. A violência doméstica está pulverizada e em todas as camadas sociais”, explica.
 
Perfil das vítimas
 
Em relação ao perfil das vítimas atendidas pela DEDM durante o ano passado, o anuário traz informações como declaração da cor, estado civil, faixa etária, escolaridade, profissão, se tem filhos e vínculo com o agressor.
 
A maioria das mulheres que busca o atendimento da DEDM está na faixa de idade entre 35 e 45 anos e se declara parda. O estado civil é solteira, o que representa aproximadamente 37% do total de vítimas atendidas. São mulheres jovens, que buscam auxílio para sair do ciclo da violência e muitas vezes necessitam de uma ocupação com rendimento financeiro para conseguir superar a situação violenta.
 
A Delegacia da Mulher não é apenas o lugar onde a mulher agredida, submetida a abusos e violência de todas as formas procura atendimento para a repressão ao crime sofrido. É o lugar onde elas buscam acolhimento e amparo para recomeçar. “A delegacia também procura trabalhar ações que possam auxiliar as vítimas nesse sentido, mas é fundamental que a rede de acolhimento, com todos os órgãos, funcione amplamente”, pontua a delegada.
 
A escolaridade declarada pelas mulheres atendidas pela delegacia é de ensino médio completo, concentrando 41,6% de registros. Já mulheres com ensino superior alcançou o percentual de 25,3% de registros. Somando os dois percentuais ao de vítimas que informaram ter o ensino superior incompleto, o total é de 67% das vítimas que possuem, no mínimo, o ensino médio enquanto apenas 1,8% das vítimas se declararam não alfabetizadas.
 
A titular da DEDM observa que mesmo que a maioria tenha uma capacitação mínima que pode buscar uma oportunidade de trabalho, há que se entender o que está por trás e impede essa mulher de buscar a independência financeira.
 
Em relação à ocupação, 8,2% das vítimas atendidas pela DEDM em 2020 não informou a profi­ssão na ocasião do registro e 11,4% das vítimas se declararam do lar. Um percentual de 5,6% se declarou autônoma e 19,6% definiram a ocupação em categorias secundárias.
 
“São muitas mulheres que necessitam de assistência para buscar uma reprogramação e recomeço de sua vida, sem depender economicamente do ex-parceiro. E muitas são submetidas a situações como: ‘meu marido não me deixa trabalhar. Quando eu era solteira, trabalhava’”, pontua Jozirlethe.
 
A mulher entra em um ciclo de violência que muitas vezes ela não percebe, pois não há a agressão física. Mas a agressão moral e psicológica está presente no dia a dia e a mulher também é colocada como a responsável pela educação dos filhos e cuidados com a casa.   “Até que ponto essa mulher deseja isso? Ela passa a acreditar que a vida dela é apenas aquilo, entra em um ciclo de abuso moral e psicológico, que a vítima muitas vezes não consegue enxergar como violência. E o companheiro a faz acreditar que a não precisa e nem deve trabalhar”, comenta a delegada.




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