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Várzea Grande(MT), Sábado, 28 de Maio de 2022 - 17:49
28/02/2022 as 09:21:46 | Por CPB |
O caminho através do véu
Quando os discípulos voltaram do Monte das Oliveiras, depois que Jesus ascendeu ao Céu, sentiram-se triunfantes e alegres
Fotografo: CPB
O caminho através do véu

Lição 10
26 de fevereiro a 04 de março
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Dt 4-7
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Cristo não entrou em santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro santuário, porém no próprio Céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus” (Hb 9:24).
 
LEITURAS DA SEMANA: Hb 9:24; Êx 19:3, 4; Hb 12:18-21; Lv 16:1, 2; Hb 10:19-22; Cl 3:1
 
Quando os discípulos voltaram do Monte das Oliveiras, depois que Jesus ascendeu ao Céu, sentiram-se triunfantes e alegres. Seu Mestre e Amigo havia ascendido a uma posição de poder sobre o mundo e os havia convidado a se aproximarem de Deus em Seu nome com a confiança absoluta de que suas orações seriam atendidas (Jo 14:13, 14). Embora continuassem no mundo, atacados pelas forças do mal, sua esperança era forte. Eles sabiam que Jesus havia ascendido para preparar-lhes um lugar (Jo 14:1-3) e que era o Precursor de sua salvação, pois havia aberto um caminho para a pátria celestial por meio de Seu sangue.
 
A ascensão de Jesus ao Céu é central para a teologia de Hebreus. Ela marca o início do governo de Cristo e de Seu ministério sumo sacerdotal em nosso favor. Finalmente, e mais importante, Sua ascensão marca a inauguração da nova aliança, que provê os meios pelos quais podemos nos aproximar de Deus com ousadia mediante a fé, privilégio obtido por meio dos méritos de Cristo e de Sua justiça.

Domingo, 27 de fevereiro
Ano Bíblico: Dt 8-10
Jesus diante do Pai
 
1. Leia Hebreus 9:24. De acordo com essa passagem, qual foi o propósito da ascensão de Jesus ao Céu?
 
Deus instruiu Israel que os homens fossem três vezes ao ano a Jerusalém para “comparecer diante do Senhor” com uma oferta: na festa da Páscoa (festa dos pães sem fermento), na Festa das Semanas (Pentecostes) e na Festa dos Tabernáculos (Êx 23:14-17; Dt 16:16). A Páscoa celebrava a libertação de Israel do Egito. O Pentecostes celebrava a colheita da cevada e, na época do NT, estava associada à promulgação da lei no Sinai. A Festa dos Tabernáculos celebrava o cuidado de Deus com Israel durante a peregrinação no deserto.
 
Hebreus 9:24 descreve a ascensão de Jesus à presença do Pai. Ele chegou ao santuário celestial, “o verdadeiro”, para “comparecer” diante de Deus com um sacrifício superior (Hb 9:23, 24): Seu próprio sangue.
 
Jesus celebrou as festas com incrível precisão. Ele morreu no dia da preparação da Páscoa na hora nona, momento em que os cordeiros pascais eram sacrificados (Jo 19:14; Mt 27:45-50). Ressuscitou no terceiro dia e subiu ao Céu para receber a confirmação de que Seu sacrifício havia sido aceito (Jo 20:17; 1Co 15:20), quando o sacerdote deveria mover o feixe de cevada madura como as primícias da colheita (Lv 23:10-12). Então, Ele ascendeu 40 dias depois para sentar-Se à direita de Deus e inaugurar a nova aliança no dia de Pentecostes (At 1; 2).
 
O propósito da peregrinação até Jerusalém era apresentar-se diante da “face de Deus” (Sl 42:2). Isso significava experimentar o favor divino (Sl 17:15). Da mesma forma, a expressão hebraica “buscar a face de Deus” significava pedir auxílio divino (2Cr 7:14; Sl 27:8; 105:4). Em Hebreus esse é o sentido da ascensão de Jesus. Ele ascendeu a Deus com o sacrifício perfeito e como nosso Precursor (Hb 6:19, 20) tornou real a promessa para os crentes que peregrinam “procurando uma pátria”, desejando “uma pátria superior” e ansiosos “pela cidade [...] da qual Deus é o Arquiteto e Construtor” (Hb 11:10, 13-16).

Segunda-feira, 28 de fevereiro
Ano Bíblico: Dt 11-13
Convite divino
 
2. Como foi a experiência de Israel no Monte Sinai? Hb 12:18-21
 
Quando Deus chamou Israel do Egito, Seu plano era criar um relacionamento pessoal e íntimo com o povo. Ele disse: “Vocês viram o que fiz aos egípcios e como levei vocês sobre asas de águia e os trouxe para perto de Mim” (Êx 19:4).
 
Por meio de Moisés, Deus deu as instruções necessárias para preparar o povo para se encontrar com Ele. O povo precisava se consagrar primeiro (Êx 19:10-15). Aqueles que subissem sem preparo morreriam. A instrução divina foi: “Quando soar longamente a trombeta” no terceiro dia, então “subirão o monte” (Êx 19:13). Ele queria que tivessem a experiência que Moisés e os líderes do povo teriam quando subissem o monte e vissem Deus e comessem e bebessem em Sua presença (Êx 24:9-11). O povo mais tarde reconheceu que tinha visto a glória de Deus e que era possível Deus falar “com as pessoas e [elas permanecerem] vivas” (Dt 5:24). Mas, quando chegou o momento, faltou fé. Moisés explicou anos depois: “Vocês ficaram com medo do fogo e não subiram o monte” (Dt 5:5). O povo pediu a Moisés que fosse seu intermediário (Dt 5:25-27, compare com Êx 20:18-21).
 
A manifestação da santidade divina no Monte Sinai teve como propósito ensinar o temor ou o respeito a Deus e também levar o povo a conhecer Sua misericórdia e fidelidade (Êx 34:4-8). O “temor do Senhor” conduz à vida, sabedoria e honra (Dt 4:10; compare com Sl 111:10; Pv 1:7; 9:10; 10:27). Contudo, enquanto Deus queria que Israel fosse até Ele, o povo ficou com medo. A descrição em Hebreus dos eventos no Sinai é acompanhada da falta de fé e apostasia do povo com o bezerro de ouro, e como temia encontrar-se com Deus por causa de seu pecado (Dt 9:19). A reação do povo não foi o plano de Deus, mas o resultado da falta de fé.
 
3. Por que o povo teve medo de se encontrar com Deus?
 
A. ( ) Porque o povo sabia que Deus iria destruí-los.
 
B. ( ) Porque lhes faltou fé.

Terça-feira, 01 de março
Ano Bíblico: Dt 14-17
A necessidade de um véu
 
Os véus têm função dupla. O termo que Hebreus usa para véu (katepetasma) pode se referir à cortina do átrio (Êx 38:18), à entrada da área externa do santuário (Êx 36:37), ou ao véu que separava o lugar santo do santo dos santos (Êx 26:31-35). Esses véus eram limites que apenas algumas pessoas podiam cruzar.
 
4. Leia Levítico 16:1, 2 e 10:1-3. Que advertência há nessas passagens?
 
O véu era uma proteção para os sacerdotes enquanto ministravam diante de um Deus santo. Depois do pecado do bezerro de ouro, Deus disse a Moisés que não os acompanharia até a terra prometida para que não os consumisse, pois eram um “povo teimoso” (Êx 33:3). Assim, Moisés mudou a tenda do encontro para longe do arraial (Êx 33:7). No entanto, depois que Moisés intercedeu, Deus concordou em ir no meio deles (Êx 33:12-20), mas estabeleceu várias medidas para proteger o povo.
 
Por exemplo, Israel acampava em uma ordem estrita que formava um quadrado vazio no meio onde o tabernáculo era montado. Além disso, os levitas acampavam ao redor a fim de proteger o santuário e sua mobília da invasão de estranhos (Nm 1:51; 3:10). Eles eram, de fato, uma espécie de véu humano que protegia o povo de Israel: “Mas os levitas acamparão ao redor do tabernáculo do testemunho, para que não haja ira sobre a congregação dos filhos de Israel. Os levitas assumirão a tarefa de cuidar do tabernáculo do testemunho” (Nm 1:53).
 
Jesus, como nosso Sacerdote, também foi nosso véu. Por meio de Sua encarnação, Deus armou Seu tabernáculo entre nós e pudemos contemplar Sua glória (Jo 1:14-18). Ele tornou possível que um Deus santo vivesse entre um povo imperfeito.

Quarta-feira, 02 de março
Ano Bíblico: Dt 18-20
O novo e vivo caminho através do véu
 
5. Leia Hebreus 10:19-22. Que convite há nessa passagem?
 
O livro de Hebreus argumenta que Jesus entrou no santuário celestial e nos convida a seguir Sua liderança. Essa ideia concorda com a concepção antes apresentada de que Jesus é o “Precursor” dos crentes (Hb 2:10; 6:19, 20; 12:2). O “caminho novo e vivo” é a nova aliança que Jesus inaugurou com Seu sacrifício e ascensão. A expressão “novo e vivo” contrasta com a descrição da antiga aliança, como algo “antiquado e envelhecido” (Hb 8:13). É a nova aliança, aquela que providenciou o perdão dos pecados e colocou a lei em nosso coração, que possibilita nos aproximarmos de Deus com confiança, não por nosso mérito, mas apenas pelo que Jesus fez por nós, cumprindo todas as obrigações da aliança.
 
Hebreus indica que a inauguração da antiga aliança envolveu a inauguração do santuário e a consagração dos sacerdotes (Hb 9:18-21; compare com Êx 40; Lv 8; 9). Seu propósito era criar um relacionamento íntimo entre Deus e Seu povo (Êx 19:4-6). Quando Israel aceitou esse relacionamento, Deus imediatamente ordenou que um santuário fosse construído para que Ele pudesse viver entre eles. A inauguração do santuário e a presença de Deus entre Seu povo consumou a aliança.
 
Essa lógica serve para a nova aliança. Ela também implica a inauguração do ministério sacerdotal de Jesus em nosso favor (Hb 5:1-10; 7:1–8:13).
 
A ascensão de Jesus inaugurou uma nova era para o povo de Deus. Zacarias 3 menciona que Satanás estava na presença de Deus para acusar Seu povo, o qual era representado pelo sumo sacerdote Josué. Esse acusador é o mesmo que levantou questões sobre a lealdade de Jó (Jó 1; 2). Com o sacrifício de Jesus, Satanás foi expulso do Céu (Ap 12:7-12; compare com Jo 12:31; 16:11). Cristo é quem intercede por nós e, por meio do Seu sacrifício e Sua fidelidade, clama pela nossa salvação!

Quinta-feira, 03 de março
Ano Bíblico: Dt 21-23
Eles verão o Seu rosto
 
6. Leia Hebreus 12:22-24. Em que sentido chegamos à Jerusalém celestial na presença de Deus?
 
Argumenta-se que os crentes “chegaram” ao Monte Sião, a Jerusalém celestial, por meio da fé. Nesse sentido, sua experiência antecipa o futuro. Assim, a Jerusalém celestial pertence ao reino das “coisas que se esperam” e “não se veem”, mas que nos são asseguradas mediante a fé (Hb 11:1).
 
Também chegamos ao Monte Sião, na própria presença de Deus, por meio de nosso Representante Jesus (Ef 2:5, 6; Cl 3:1). A ascensão de Jesus não é uma questão de fé, mas de fato. É essa dimensão histórica da ascensão de Jesus que oferece peso à exortação aos hebreus para se apegar à confissão da esperança (Hb 4:14; 10:23). Paulo disse: “Tendo, pois, Jesus, [...] grande Sumo Sacerdote que adentrou os Céus [...] aproximemo-nos [...] com confiança” (Hb 4:14, 16).
 
Assim, já chegamos à presença de Deus por meio de nosso Representante e, portanto, devemos atuar em conformidade com esse fato. Por meio Dele, provamos “o dom celestial”, provamos “a boa Palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro” (Hb 6:4, 5). A realidade da ascensão e do ministério de Jesus no santuário celestial é a “âncora da alma, segura e firme” (Hb 6:19), a garantia de que as promessas têm substância e são confiáveis (Hb 7:22). Para nós, a fé tem uma âncora histórica.
 
O propósito divino se cumprirá não apenas em Jesus, mas também em nós. Dissemos que a ascensão cumpriu a tipologia das primeiras duas peregrinações anuais de Israel, Páscoa e Pentecostes. De acordo com Hebreus e o livro do Apocalipse, a última peregrinação, a Festa dos Tabernáculos, ainda não se cumpriu. Vamos festejar com Jesus, quando estivermos na “cidade [...] da qual Deus é o Arquiteto e Construtor”, na pátria celestial (Hb 11:10; 13-16). Não construiremos tabernáculos; o tabernáculo de Deus descerá do Céu e viveremos com Ele para sempre (Ap 7:15-17; 21:1-4; 22:1-5; Nm 6:24-26).

Sexta-feira, 04 de março
Ano Bíblico: Dt 24, 25
Estudo adicional
 
 
“Para Seus seguidores, a ascensão de Cristo ao Céu foi um sinal de que estavam para receber a bênção prometida. Deviam esperar por ela antes de iniciarem a obra que lhes fora ordenada. Ao atravessar os portais do Céu, Jesus foi entronizado em meio à adoração dos anjos. Assim que essa cerimônia foi concluída, o Espírito Santo desceu em abundantes torrentes sobre os discípulos, e Cristo foi, de fato, glorificado com aquela glória que tinha com o Pai desde toda a eternidade. O derramamento do Espírito no Pentecostes foi um anúncio do Céu de que a investidura do Redentor havia sido concluída. De acordo com Sua promessa, Jesus enviou do Céu o Espírito Santo sobre Seus seguidores, em sinal de que Ele, como Sacerdote e Rei, havia recebido todo o poder no Céu e na Terra, tornando-Se o Ungido que governaria Seu povo. [...]
 
“Podiam falar do nome de Jesus com segurança, pois Ele era seu Amigo e Irmão mais velho. Em íntima comunhão com Cristo, assentaram-se com Ele ‘nos lugares celestiais’ (Ef 2:6). Revestiam suas ideias com linguagem convincente quando testificavam Dele” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 38, 39, 46).
 
Perguntas para consideração
 
1. “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando irei e me apresentarei diante da face de Deus?” (Sl 42:2). Como ter sede de entrar na presença de Deus? Se não nos alegrarmos na presença de Deus enquanto O adoramos e vamos a Ele com fé, quando nos alegraremos? Quais são os fatores que levam à alegria em Deus?
 
2. Em um livro que zomba da fé, alguém criou um robô que crê por nós. Embora isso seja uma farsa, como devemos ter o cuidado de não fazer o que Israel fez no deserto, ou seja, pedir intermediários entre nós e Deus? Alguns podem pensar que as orações de outros em seu favor tenham mais peso diante de Deus do que suas próprias orações. Por que devemos evitar essa armadilha espiritual? Por que, com base nos méritos de Cristo, podemos nos aproximar de Deus sem a necessidade de intermediários?
 
3. Hebreus trata da certeza da salvação. Porém, como devemos ter cuidado para não confundir presunção com certeza?
 
Respostas e atividades da semana: 1. Comparecer em nosso favor diante de Deus. 2. O povo de Israel temeu e pediu que Moisés fosse seu intermediário. 3. B. 4. Deus é santo e devemos temê-Lo. O santuário não podia ser profanado. 5. Que nos aproximemos de Deus com confiança nos méritos do sangue de Jesus. 6. Chegamos por meio da fé em Jesus.
 
Resumo da Lição 10
O caminho através do véu
 
TEXTOS-CHAVES: Hb 9:24; Êx 19:3, 4; Hb 12:18-21; Lv 16:1, 2; Hb 10:19-24; Cl 3:1
 
ESBOÇO
 
Temas da lição
 
Em Hebreus, a ascensão de Cristo marca o início de Seu governo e de Seu ministério sumo sacerdotal no Céu. Quando ascendeu ao Céu, compareceu à presença de Deus em nosso favor (Hb 9:24). Na época do AT, todo homem era obrigado a comparecer à presença divina três vezes por ano. As festas dos peregrinos eram a Páscoa, a Festa das Semanas e a Festa dos Tabernáculos (Êx 23:14-17). Seu propósito era contemplar a face de Deus (leia Sl 42:2).
 
Cristo compareceu à presença do Senhor no Céu em nosso favor. Em harmonia com as festas do AT, Jesus morreu na Páscoa. Após Sua ressurreição, Ele ascendeu primeiramente a Seu Pai no momento em que os sacerdotes moviam o feixe de cereais, e ascendeu novamente pela última vez após 40 dias para sentar-Se à direita de Deus. Visto que a inauguração de Cristo como nosso Sumo Sacerdote ocorreu no Céu, o Espírito Santo foi derramado durante o Pentecostes sobre Seus seguidores na Terra.
 
Quando Deus apareceu aos israelitas no Monte Sinai, eles temeram. Moisés se tornou seu intermediário. Por toda a história de Israel, os sacerdotes foram os mediadores, porém até mesmo eles eram proibidos de ir quando quisessem ao lugar santíssimo do tabernáculo. Os véus funcionavam como limites e proteção para os sacerdotes quando ministravam no santuário. Hebreus convida a nos aproximarmos do santuário através do véu, isto é, da carne de Cristo (Hb 10:20).
 
COMENTÁRIO
 
Os espíritos dos justos aperfeiçoados
 
Em Hebreus 12:22, 23, Paulo se dirigiu à sua audiência com estas palavras: “Vocês chegaram ao Monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a milhares de anjos. Vocês chegaram à assembleia festiva, a igreja dos primogênitos arrolados nos Céus. Vocês chegaram a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados.” A questão que buscaremos responder em relação a essa passagem é: Quem são os “espíritos dos justos aperfeiçoados”? Ou seja, que tipo de seres são eles?
 
Ao nos prepararmos para isso, observaremos o contexto de Hebreus 12:22, 23, que é Hebreus 11. Ali, Paulo ofereceu louvores em homenagem aos heróis da fé, seguidos de uma forte exortação no início de Hebreus 12 para que fixemos nosso olhar no “Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz, sem Se importar com a vergonha, e agora está sentado à direita do trono de Deus” (Hb 12:2). Logo a seguir, Hebreus 12 fala da disciplina na vida cristã. O fato de que os justos sofrem não é sinal de descontentamento da parte de Deus, mas da afeição divina. Por isso, Paulo afirmou: “O Senhor corrige a quem ama e castiga todo filho a quem aceita” (Hb 12:6).
 
Logo a seguir está uma dupla exortação à paz e à santidade: “Procurem viver em paz com todos e busquem a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14). Para reforçar a advertência, Paulo apresentou o exemplo de Esaú, descrito como alguém “impuro ou profano”, a própria antítese do exemplo de fé em Hebreus 11, que trocou seus direitos de herança como primogênito pela gratificação imediata de uma refeição (Hb 12:16). Finalmente, Paulo comparou a geração do Êxodo com seu próprio público. A primeira foi confrontada com uma teofania no Monte Sião. Paulo afirmou que Moisés, diante daquela cena, declarou: “Estou apavorado e trêmulo” (Hb 12:21). Em contraste, a audiência de Hebreus não foi até um monte sagrado, que não podia ser tocado fisicamente, mas à morada celestial de Deus, a “Jerusalém celestial” (Hb 12:22). Eles têm acesso a “Deus, o Juiz de todos”, à “igreja dos primogênitos arrolados nos Céus” “e aos espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12:23).
 
Quem são os “espíritos dos justos aperfeiçoados”? A maioria dos estudiosos do livro de Hebreus emprega literatura apocalíptica judaica para entender essa expressão (por exemplo, Jubileus 23:30, 31; 1 Enoque 22:9; 102:4; 103:3, 4; 2 Apocalipse de Baruque 30:2). Com base nisso, concluem que esses espíritos devam ser almas imateriais, desprovidas de corpo, que moram no Céu e desfrutam de uma eterna celebração do sábado. Tal conclusão deve ser contestada pelos dados apresentados no próprio livro de Hebreus. Para tanto, analisaremos o substantivo “espíritos”, o adjetivo “justo” e o verbo (particípio) “aperfeiçoado”.
 
O substantivo “espíritos” ou “espírito” tem três usos diferentes na carta aos hebreus. Primeiro, “espíritos” é usado para designar anjos que são espíritos ministradores (Hb 1:7, 14). Em segundo lugar, “espírito” designa o Espírito Santo que dá dons, fala sobre a nova aliança e dá testemunho dela (Hb 2:4; 3:7; 6:4; 9:8; 10:15). Algumas vezes, o Espírito Santo parece ser descrito como o “Espírito da graça” (Hb 10:29) ou o “Espírito eterno” (Hb 9:14). Terceiro, “espíritos” se refere a seres humanos vivos que estão sujeitos à atuação incisiva da Palavra divina viva (Hb 4:12). Da mesma forma, quando Paulo falou a respeito da disciplina de Deus sobre Seus filhos, ele disse: “Tínhamos os nossos pais humanos, que nos corrigiam, e nós os respeitávamos. Será que, então, não nos sujeitaremos muito mais ao Pai espiritual, para vivermos?” (Hb 12:9). Assim, podemos concluir que os “espíritos” na frase “espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12:23) não são anjos, nem o Espírito Santo, mas seres humanos que se aproximaram do Monte Sião, a cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial (Hb 12:22).
 
Em Hebreus, o adjetivo “justo” aparece apenas duas vezes fora da passagem sob investigação. Na primeira vez é usado no contexto de perseverança: “O Meu justo viverá pela fé” (Hb 10:38). Deus não tem prazer naqueles que recuam na dúvida ou na incredulidade. Na segunda vez, o adjetivo é usado no contexto da oferta de Abel de um sacrifício melhor do que o de Caim. Por causa desse sacrifício melhor, Abel recebeu o testemunho de que era “justo” (Hb 11:4). Ambos os casos se referem a pessoas quando estavam vivas, não mortas nem em um estado em que estivessem sem corpo. Assim, esses indivíduos não são descritos como almas imateriais. Portanto, podemos concluir que os “justos” são aquelas pessoas que vivem pela fé e a expressam pelos sacrifícios que fazem.
 
O termo “aperfeiçoado” aparece várias vezes em Hebreus, resultando em três diferentes usos. Primeiro, Cristo foi aperfeiçoado por meio de sofrimentos e Se tornou a Fonte da salvação eterna (Hb 2:10; 5:9; 7:28). Em segundo lugar, a lei não pode aperfeiçoar a consciência do adorador (Hb 7:19; 9:9; 10:1). Terceiro, os seres humanos são aperfeiçoados. Em Hebreus 10:14, Paulo declarou: “Com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados”, e em Hebreus 12:23, disse que os “espíritos dos justos” são aperfeiçoados. Assim, estes são Cristo e os seres humanos, não seres sem corpo em uma esfera metafísica.
 
Finalmente, a frase “igreja dos primogênitos” parece ser parte de um paralelismo, sinônimo da frase que se segue: “arrolados nos Céus” (Hb 12:23). A imagem de pessoas justas sendo inscritas nos livros celestiais é comum nas Escrituras (Êx 32:32; Sl 69:28; Dn 12:1; Lc 10:20; Ap 13:8; 17:8, compare com Fp 3:20). Moisés contendeu com Deus para que o Senhor perdoasse o pecado de Israel ou apagasse seu próprio nome do livro da vida. Consequentemente, os “espíritos dos justos aperfeiçoados” devem ser interpretados como seres humanos, em vez de almas incorpóreas de pessoas que morreram.
 
Em suma, a evidência textual aponta para o fato de que o substantivo “espíritos” é usado para anjos, para o Espírito Santo e para seres humanos. O adjetivo “justo” é usado para pessoas fiéis como Abel e o público de Hebreus. O termo “aperfeiçoado” é usado para descrever Jesus sendo aperfeiçoado, para se referir à incapacidade da lei para tornar qualquer coisa perfeita e em relação aos seres humanos que foram aperfeiçoados pelo sacrifício de Cristo. Assim, podemos concluir com segurança que os “espíritos dos justos aperfeiçoados” não são almas imateriais, desprovidas de forma corporal, que estão morando no Céu após sua permanência terrena e subsequente morte, e que depois desfrutam de uma celebração eterna do sábado. Em vez disso, os “espíritos dos justos aperfeiçoados” são seres humanos cujos nomes foram registrados no Céu. Os destinatários de Hebreus se aproximaram de Deus, de Jesus, o Mediador de uma nova aliança, da Jerusalém celestial, dos inúmeros anjos e desses seres humanos que foram aperfeiçoados pela fé e cujos nomes estão registrados no Céu. Essa passagem deve ser entendida como uma exortação aos crentes, semelhante à exortação do autor ao seu público quando disse: “Aproximemo-nos do trono da graça com confiança” (Hb 4:16).
 
APLICAÇÃO PARA A VIDA
 
Como adventistas do sétimo dia, temos muitas crenças em comum com outras denominações cristãs, como a oração, a justificação pela fé, a santificação, a divindade, o dízimo, etc. No entanto, existem cinco crenças que são distintas, embora nem todas sejam exclusivas do adventismo. São elas: (a) o santuário, (b) o sábado, (c) a segunda vinda de Cristo, (d) o estado dos mortos e (e) o Espírito de Profecia conforme expresso na vida e no ministério de Ellen G. White. Com exceção de nossa doutrina do santuário, que é exclusiva do adventismo, há denominações cristãs que compartilham nossas crenças quanto ao sábado, à segunda vinda, ao dom de profecia e ao estado dos mortos. Durante a lição desta semana, analisamos o estado dos mortos por meio da passagem de Hebreus 12:22, 23. Como adventistas do sétimo dia, nos diferenciamos de outros grupos cristãos, embora não exclusivamente, por acreditarmos que a alma não é imortal. Cremos que Deus criou Adão “do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2:7). Outras versões traduzem a frase “ser vivente” como “alma vivente”. Com a morte, o vivente deixa de existir. Por meio da influência da filosofia grega, a maioria dos cristãos ao longo da história tem acreditado que os humanos nascem imortais e que, quando alguém morre, seu espírito vai para o Céu, para viver com Deus, ou para o inferno, onde queimará eternamente.
 
1. Que perigos surgem quando sobrepomos nossas pressuposições ao texto bíblico, em vez de permitir que a Bíblia fale por si mesma?
 
2. Podemos de fato ser completamente objetivos e livres de pressuposições? Por quê?




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