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Várzea Grande(MT), Sábado, 28 de Maio de 2022 - 16:48
24/01/2022 as 08:24:51 | Por CPB |
Jesus, o Doador do descanso
“Portanto, resta um repouso sabático para o povo de Deus”
Fotografo: CPB
Jesus, o Doador do descanso

Lição 5
22 a 28 de janeiro
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Êx 16, 17
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Portanto, resta um repouso sabático para o povo de Deus” (Hb 4:9).
 
LEITURAS DA SEMANA: Gn 15:13-21; Hb 3:12-19; 4:6-11; 4:1, 3, 5, 10; Dt 5:12-15; Hb 4:8-11
 
Os capítulos 1 e 2 de Hebreus enfatizam a entronização de Jesus como Governante e Libertador do povo de Deus. Os capítulos 3 e 4 apresentam- No como Aquele que nos dará descanso. Essa progressão faz sentido ao lembrarmos que a aliança davídica afirmava que Deus daria ao Rei prometido e a Seu povo “descanso” de seus inimigos (2Sm 7:10, 11). Esse descanso está disponível para nós visto que Jesus está sentado à direita de Deus.
 
Hebreus descreve o descanso tanto como um descanso que pertence a Deus quanto como um descanso sabático (Hb 4:1-11). Deus tornou Seu descanso disponível a Adão e Eva. O primeiro sábado foi a experiência da perfeição com Aquele que a tornou possível. Deus também promete um descanso sabático, pois a verdadeira observância do sábado incorpora a promessa divina de trazer de volta essa perfeição.
 
Quando guardamos o sábado, recordamos que Deus fez uma provisão perfeita para nós quando criou o mundo e quando o redimiu na cruz. A verdadeira observância do sábado, entretanto, é mais do que um ato de lembrança; é um antegozo, neste mundo imperfeito, do futuro que Deus prometeu.

Domingo, 23 de janeiro
Ano Bíblico: Êx 18-20
A terra como um lugar de descanso
 
1. Leia Gênesis 15:13-21. O que Deus prometeu a Abraão?
 
Quando Deus libertou Israel da escravidão no Egito, Seu propósito era levar a nação para a terra de Canaã, onde poderia descansar (Êx 33:14; Js 1:13). A terra de Canaã era a herança que o Senhor havia prometido ao patriarca Abraão, por ter obedecido à voz de Deus e deixado seu país (Gn 11:31–12:4).
 
O propósito divino ao dar a terra a Israel não era simplesmente que o povo a possuísse. Deus queria trazer os filhos de Israel para Si mesmo (Êx 19:4), pois desejava que vivessem em uma terra onde pudessem ter um relacionamento íntimo com Ele, sem nenhum obstáculo, e fossem testemunhas para o mundo do verdadeiro Deus e do que Ele oferecia ao Seu povo. Como o sábado da criação, a terra de Canaã tornava possível um relacionamento íntimo com o Redentor e permitia que desfrutassem de Sua bondade.
 
Em Deuteronômio 12:1-14, o Senhor disse aos israelitas que eles entrariam no descanso, não apenas quando entrassem na terra, mas quando a tivessem purificado da idolatria. Depois disso, o Senhor mostraria a eles, os escolhidos, um lugar onde habitaria entre eles.
 
2. Leia Êxodo 20:8-11 e Deuteronômio 5:12-15. Quais são as duas coisas que o descanso sabático celebra, e como se relacionam?
 
Deus conectou o sábado da criação com a libertação do Egito. O Senhor instruiu Israel a observar o sábado como memorial da criação e de sua redenção do Egito. A criação e a redenção estão ambas consagradas no mandamento do sábado. Assim como não nos criamos, não podemos nos redimir. É uma obra que só Deus pode fazer e, no descanso, reconhecemos nossa dependência Dele, não apenas para a existência, mas para a salvação. A guarda do sábado é uma expressão poderosa de salvação somente pela fé na graça amorosa de Deus.

Segunda-feira, 24 de janeiro
Ano Bíblico: Êx 21-23
Por causa da incredulidade
 
3. Por que Israel não entrou no descanso prometido? Hb 3:12-19
 
O triste fato é que os que foram libertos do Egito não puderam entrar no descanso prometido. Quando Israel chegou a Cades-Barneia, na fronteira da terra prometida, ele não teve a fé de que precisava. Os capítulos 13 e 14 de Números explicam que os espias israelitas “falaram mal da terra que haviam espiado” (Nm 13:32). Afirmaram que a terra era boa, mas avisaram que os habitantes eram fortes, as cidades fortificadas, e que não poderiam conquistá-la.
 
Josué e Calebe concordaram com a declaração de que a terra era boa e não contestaram o fato de que seu povo era forte e as cidades fortificadas, mas afirmaram que Deus estava com eles e os levaria para a terra (Nm 14:7-9). No entanto, aqueles que viram Deus destruir o Egito por meio de pragas (Êx 7–12), aniquilar o exército do faraó no Mar Vermelho (Êx 14), fornecer pão do Céu (Êx 16) e água da rocha (Êx 17), e também manifestar Sua contínua presença e orientação através da nuvem (Êx 40:36-38), deixaram de confiar. É uma trágica ironia que a geração que havia visto tais demonstrações poderosas do poder divino tenha se tornado símbolo de falta de fé (Ne 9:15-17; Sl 106:24-26; 1Co 10:5-10).
 
Deus promete a Seus filhos dons além do alcance humano. É por isso que se baseiam na graça e são acessíveis apenas por meio da fé. Hebreus 4:2 explica que a promessa que Israel recebeu “não lhes trouxe proveito, porque não foram unidos por meio da fé com aqueles que a ouviram.”
 
Israel peregrinou até a fronteira da terra prometida como um povo. Quando confrontado com relatos contraditórios, se identificou com os incrédulos. A fé, ou a falta dela, é contagiosa. Por isso Hebreus admoesta seus leitores: “animem uns aos outros” (Hb 3:13), “cuidemos também de nos animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras” (Hb 10:24), e “que ninguém fique afastado da graça de Deus” (Hb 12:15).
 
Continuamos a viajar para a terra prometida como um povo e temos responsabilidade para com os que viajam conosco.

Terça-feira, 25 de janeiro
Ano Bíblico: Êx 24-27
Hoje, se ouvirem a Sua voz
 
4. Qual é o convite de Deus para nós em Hebreus 4:6-11?
 
Embora a geração do deserto não tenha entrado no descanso por sua falta de fé, isso não impediu Deus de trabalhar em favor de Seu povo. Ele permaneceu fiel (2Tm 2:13). Paulo repetiu várias vezes que a promessa divina permanece (Hb 4:1, 6, 9). Ele usou os verbos gregos kataleip? e apoleip?, o que significa que a promessa foi “deixada para trás” ou ignorada pelo povo. O fato de que o convite para entrar no descanso tenha sido repetido na época de Davi (Hb 4:6, 7, referindo-se ao Sl 95) implicava que a promessa não havia sido reivindicada e que ainda estava disponível. Na verdade, sugere que o descanso está disponível desde a criação (Hb 4:3, 4).
 
Deus, entretanto, nos convida “hoje” a entrar em Seu descanso. “Hoje” é um conceito repleto de significado. Quando Moisés renovou a aliança de Israel com Deus na fronteira da terra prometida, enfatizou a importância do “hoje” (Dt 5:3; compare com 4:8; 6:6; 11:2). “Hoje” foi um momento de reflexão em que ele convidou o povo a reconhecer que Deus tinha sido fiel (Dt 11:2-7). “Hoje” também foi o momento de decidir ser fiel ao Senhor (Dt 5:1-3). Essa decisão não pode ser adiada.
 
Da mesma forma, “hoje” é para nós um momento de decisão, de oportunidade, mas também de perigo, como sempre foi para o povo de Deus.
 
No livro de Hebreus, o conceito do “hoje” denota o tempo do cumprimento das promessas divinas. Deus inaugurou esse momento com o decreto: “Hoje Eu gerei Você” (Hb 1:5), que estabeleceu Jesus como Governante em cumprimento de Suas promessas (2Sm 7:8-16). Assim, a entronização de Jesus inaugurou uma nova era de bênçãos e oportunidades para nós. Jesus derrotou os inimigos (Hb 2:14-16) e inaugurou uma nova aliança (Hb 8–10). Podemos nos aproximar “ousadamente” da presença divina (Hb 4:14-16; 10:19-23) e nos regozijar diante do Senhor com sacrifícios espirituais de ação de graças e louvor (Hb 12:28; 13:10-16). O apelo feito “hoje” nos convida a reconhecer que Deus é fiel e nos dá todas as razões para aceitar Seu convite imediatamente, sem tardar.

 

Quarta-feira, 26 de janeiro
Ano Bíblico: Êx 28, 29
Entrando em Seu descanso
 
5. Leia Hebreus 3:11 e 4:1, 3, 5, 10. Como Deus caracteriza o descanso no qual nos convida a entrar?
 
Deus não nos convida simplesmente para descansar. Somos convidados a entrar em Seu descanso. Na Bíblia, “descanso” pode denotar paz na terra de Canaã (Dt 3:20), ou o templo em que a arca da aliança descansava (2Cr 6:41), ou o sábado em que Deus e os israelitas “descansam” de seu trabalho (Êx 20:11). Porém, nas passagens acima o Senhor os convida a entrar em Seu descanso.
 
6. Leia Hebreus 4:9-11, 16. O que somos chamados a fazer?
 
O descanso sabático celebra o fato de Deus ter terminado ou completado a obra da criação (Gn 2:1-3; Êx 20:8-11) ou redenção (Dt 5:12-15). Da mesma forma, a entronização de Jesus no templo celestial celebra o fato de que Ele terminou de oferecer o sacrifício perfeito para nossa salvação (Hb 10:12-14).
 
Observe, Deus descansa somente quando garante nosso bem-estar. Na criação, Deus descansou quando terminou a criação do mundo. Depois, descansou no templo somente depois que a conquista da terra que Ele havia prometido a Abraão foi completada por meio das vitórias de Davi, e Israel habitava seguro (1Rs 4:21-25; compare com Êx 15:18-21; Dt 11:24; 2Sm 8:1-14). Deus construiu uma casa para Si só depois que Israel e o rei tinham uma casa.
 
O descanso final que Deus nos promete é o novo mundo que criará para nós depois que o grande conflito finalmente terminar. Hebreus se refere a ele como “a cidade [...] da qual Deus é o Arquiteto e Construtor” (Hb 11:10) e como uma pátria celestial (Hb 11:14-16). Esse descanso é a restauração do domínio, glória e honra que Deus originalmente concedeu aos seres humanos na criação (Hb 2:5-8; 12:28). É o Seu descanso. Não é simplesmente uma terra perfeita em que teremos paz, mas um novo céu e uma nova terra onde o trono de Deus estará. Ali teremos o nosso almejado descanso sabático.

Quinta-feira, 27 de janeiro
Ano Bíblico: Êx 30, 31
Uma antecipação da nova criação
 
7. Compare Êxodo 20:8-11; Deuteronômio 5:12-15 e Hebreus 4:8-11. Que diferenças encontramos quanto ao significado do descanso sabático?
 
Êxodo e Deuteronômio nos convidam a olhar o passado e descansar no sábado para celebrar as obras da criação e da redenção. Hebreus 4: 9-11, no entanto, nos convida a olhar para o futuro. Diz-nos que Deus preparou um descanso sabático vindouro e sugere uma nova dimensão para a guarda do sábado. O descanso sabático celebra não apenas as vitórias de Deus no passado, mas também as promessas divinas para o futuro.
 
A dimensão futura da observância do sábado sempre existiu, mas muitas vezes foi negligenciada. Após a queda, passou a ser a promessa de que Deus um dia restauraria a criação à sua glória original por meio do Messias. Deus nos ordenou que celebrássemos Seus atos de redenção por meio da observância do sábado, pois esse dia aponta para a culminação da redenção em uma nova criação. A observância do sétimo dia é uma antecipação do céu neste mundo imperfeito.
 
Isso sempre foi claro na tradição judaica. “Life of Adam and Eve”, The Old Testament Pseudepigrapha, de James H. Charlesworth, obra escrita entre 100 a.C. e 200 d.C., p. 18, diz: “O sétimo dia é um sinal da ressurreição, o descanso da era vindoura”. Outra fonte diz que a era vindoura é “o dia que é descanso sabático para a eternidade” (Jacob Neusner, The Mishnah, a New Translation [Yale University Press, 1988], p. 873). Othiot of Rabbi Akiba, uma fonte posterior, diz: “Israel disse perante o Santo, ‘Bendito seja Ele, Mestre do Mundo, se observarmos os mandamentos, que recompensa teremos?’ Ele lhe disse: ‘O mundo vindouro’. Disse-Lhe: ‘Mostra-nos como ele é’. Ele lhes mostrou o sábado’” (Theodore Friedman, “The Sabbath Anticipation of Redemption” [Judaism: A Quarterly Journal, v. 16], p. 443, 444).
 
O sábado é celebração, alegria e ação de graças. Ao observá-lo, demonstramos que cremos nas promessas de Deus, que aceitamos o dom da graça. O sábado é a fé vibrante. Quanto às ações, a observância do sábado provavelmente seja a expressão mais completa da convicção de que somos salvos pela graça por meio da fé Nele.

Sexta-feira, 28 de janeiro
Ano Bíblico: Êx 32, 33
Estudo adicional
 
É significativo que Paulo, em Hebreus, tenha usado o descanso sabático, e não o domingo, como símbolo da salvação pela graça. O uso do descanso sabático dessa forma implica que os crentes valorizavam e observavam o sábado. Contudo, a partir do segundo século d.C., encontramos evidências de uma mudança decisiva na igreja. A observância do sábado deixou de ser considerada um símbolo de salvação e passou a ser símbolo de fidelidade ao judaísmo e à antiga aliança, que deveria ser evitado. Guardar o sábado tornou-se o equivalente a “judaizar”. Inácio de Antioquia (por volta de 110 d.C.) observou: “Aqueles que viviam de acordo com a antiga ordem encontraram uma nova esperança. Eles não mais observam o sábado, mas o dia do Senhor – o dia em que nossa vida foi ressuscitada com Cristo e por Sua morte” (Jacques B. Doukhan, Israel and the Church: Two Voices for the Same God [Hendrickson Publishers, 2002], p. 42). Marcião ordenou que seus seguidores jejuassem no sábado como sinal de rejeição aos judeus e ao seu Deus, e Vitorino não queria dar a impressão de que “observava o sábado dos judeus” (Israel and the Church, p. 41-45). Foi a perda da compreensão da observância do sábado como um símbolo da salvação pela graça que levou ao seu desaparecimento na igreja cristã.
 
“A vida em Cristo é uma vida de descanso. Pode não haver êxtase de sentimentos, mas deve existir uma confiança constante e tranquila. Sua esperança não está em si mesmo, mas em Cristo. [...]” (Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 70, 71).
 
Perguntas para consideração
 
1. Qual é a relação entre a observância do sábado e a justificação pela fé?
 
2. Qual é a diferença entre a verdadeira observância do sábado e a observância legalista? Como observar o sábado da maneira correta?
 
Respostas e atividades da semana: 1. Prometeu que daria a terra à sua descendência. 2. A criação e a redenção. Deus nos criou e nos redimiu. 3. Porque não creu no poder de Deus para entregar a terra nas suas mãos, apesar de ter testemunhado maravilhas da parte de Deus e ter visto Seu cuidado e amor. 4. Deus nos convida a entrar no Seu descanso, ou seja, confiar Nele. 5. Esse descanso é chamado de “Seu descanso”, o descanso que Deus oferece quando confiamos no sacrifício de Cristo para nos salvar. 6. Entrar no descanso que encontramos no trono da graça por meio da fé e da oração. 7. Êxodo e Deuteronômio enfatizam a criação e a redenção, enquanto Hebreus enfatiza a promessa divina para o futuro: a culminação da redenção em uma nova criação.
 
Resumo da Lição 5
Jesus, o Doador do descanso
TEXTOS-CHAVES: Gn 15:13-21; Hb 3:12-19; 4:6-11; 4:1, 3, 5, 10; Dt 5:1-3; Hb 4:8-11
 
ESBOÇO
 
Temas da lição
 
A aliança davídica prometia descanso ao Rei entronizado e a Seu povo. A progressão lógica de Hebreus concorda com essa ideia. Em Hebreus 1 e 2, vemos a preeminência de Cristo como Soberano e Libertador de Seu povo. Hebreus 3 e 4 mostra a superioridade de Cristo em relação a Moisés e Josué como o divino Líder que provê descanso. O descanso sabático no AT é retratado em duas versões dos Dez Mandamentos (Êx 20; Dt 5). O primeiro texto enfatiza a criação, o último, a redenção. Em Hebreus 3 e 4, Paulo usou a geração do Êxodo (não seus filhos) como um exemplo de descrença e desobediência (Hb 3:19) para mostrar a consequência prejudicial de não poder entrar na terra do descanso, Canaã. Voltando-se para sua audiência, Paulo a exortou com uma citação do Salmo 95: “Hoje, se ouvirem a Sua voz, não endureçam o coração” (Hb 4:7), mas entrem no Seu repouso (Hb 4:9). O que é esse repouso (do grego, sabbatismos) do qual Paulo falou? Por que o apóstolo incentivou os hebreus a participarem dele? São essas as questões que abordaremos a seguir.
 
COMENTÁRIO
 
A observância do sábado permanece
 
Comecemos definindo o “repouso” de Hebreus 4:9. De acordo com o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, a palavra traduzida como “repouso” em Hebreus 4:9 vem do grego sabbatismos, que significa “descanso”, “cessação” [de atividade anterior]; que mais tarde passa a significar “observar o sábado”, do verbo sabbatiz?, “descansar”, “fazer cessar”, “guardar o sábado”.
 
“Sabbatiz? é usado sete vezes na LXX [a Septuaginta, a tradução grega dos judeus do AT], uma vez para o sábado literal do sétimo dia (Êx 16:30), uma vez para outros sábados (Lv 23:32) e cinco vezes para o descanso da terra no ano sabático (Lv 26:34, 35; 2Cr 36:21) [...] Assim, a ideia fundamental expressa por sabbatiz?, na LXX, é a de descansar ou cessar o trabalho ou outra atividade. A partir disso, conclui-se que o uso das palavras gregas e hebraicas relacionadas implica que o substantivo sabbatismos pode denotar tanto o descanso literal do sábado como simplesmente “descanso” ou “cessação” em sentido geral. Assim, um estudo linguístico da palavra sabbatismos em Hebreus 4:9 não deixa claro se o autor tinha em mente o descanso do sábado semanal ou se indicava simplesmente “descanso” ou “cessação” em sentido geral. O contexto, porém, pode elucidar a questão.
 
“O autor de Hebreus parece usar katapausis [“cessação do trabalho”; ver em Hebreus 3:11] e sabbatismos mais ou menos como sinônimos:
 
“1. Pelo fato de que Josué não pôde levar o Israel espiritual ao ‘descanso’ (katapausis, v. 8), resta um sabbatismos (v. 9) para os cristãos. O que resta deve ser o mesmo que havia no início. “
 
2. Nos versos 1 e 6, o que resta para o povo de Deus no tempo do NT é um katapausis; no v. 9, é dito que resta um sabbatismos. Assim, dizer que o que resta para “o povo de Deus” é o sábado semanal implicaria que Josué não conseguiu levar Israel ao sábado semanal. “
 
3. O fato de, na LXX, a Bíblia comum da igreja do NT, katapau? (Gn 2:2, 3; Êx 20:11) e sabbatiz? (Êx 16:30; Lv 23:32) serem usados intercambiavelmente para o sábado do sétimo dia tende a negar a ideia de que o autor de Hebreus tivesse a intenção de fazer uma distinção entre essas palavras em Hebreus 3 e 4.
 
“Os judeus do tempo de Paulo, sendo cristãos ou não, eram criteriosos na observância do quarto mandamento. Portanto, escrevendo aos judeus, o autor de Hebreus não considerou necessário provar-lhes que a guarda do sábado “permanece”. Se o objetivo do argumento, iniciado em Hebreus 3:7, fosse provar que a guarda do sábado permanecia para o povo de Deus, o autor não estaria sendo lógico em seu raciocínio. Não haveria nenhuma vantagem em um esforço tão grande para convencer os judeus a fazer algo que eles já estavam fazendo: observar o sábado do sétimo dia. Além disso, no contexto apostólico, o sábado do sétimo dia era observado por todos os cristãos, judeus e gentios, e qualquer argumento para provar a validade do sábado naquele contexto do cristianismo seria desnecessário.
 
“Deve-se observar ainda que a seção que compreende os capítulos 3 e 4 de Hebreus é aberta com um convite: ‘Considerem atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus’ (Hb 3:1), e termina com um apelo fervoroso: ‘Acheguemo-nos [...] confiadamente’ diante Dele, a fim de ‘recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna’ (Hb 4:16). Assim, uma argumentação prolongada a fim de provar a obrigação de observar o sábado, para quem já guardava o sábado, não teria uma relação direta com o tema dominante de Hebreus 3 e 4: o ministério de Cristo como o grande Sumo Sacerdote no santuário celestial.
 
“O descanso de que se fala aqui é o descanso da graça” (Ellen G. White, Material Suplementar sobre Hb 4:9; cf. GC 253). Trata-se do “verdadeiro repouso da fé” (MDC [O Maior Discurso de Cristo], p. 1).
 
“Os cristãos entram no ‘descanso’ de Deus quando ‘consideram’ Jesus (Hb 3:1), ouvem Sua voz (Hb 3:7, 15; 4:7), exercem fé Nele (Hb 4:2, 3), abandonam os próprios esforços para obter a salvação (v. 10), conservam ‘firmes a confissão’ (v. 14) e se aproximam do trono da graça a fim de ‘receber misericórdia e achar graça para socorro em ocasião oportuna’ (v. 16). Aqueles que entram nessa experiência devem tomar cuidado com o ‘perverso coração de incredulidade’ (Hb 3:12), evitando endurecer o coração (Hb 3:8, 15; 4:7). Devem se esforçar para entrar no ‘descanso’ de Deus” (Hb 4:11; Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 454, 455, “Repouso” em Hebreus 4:9).
 
Ellen G. White abordou o tema do repouso tratado em Hebreus 4:9 em um resumo da vida do grande reformador inglês João Wesley: “Em tempo de grandes trevas espirituais, George Whitefield e os irmãos Wesley apareceram como portadores da luz de Deus. Sob o domínio da igreja estabelecida, o povo da Inglaterra havia caído em tal declínio religioso que dificilmente se poderia diferenciar do paganismo. A religião natural era o estudo favorito do clero e incluía a maior parte de sua teologia. As classes mais elevadas zombavam da religiosidade e se orgulhavam de estar acima do que diziam ser fanatismo religioso. As classes inferiores eram totalmente ignorantes e entregues ao vício, enquanto a igreja já não tinha coragem nem fé para apoiar a causa esmorecida da verdade.
 
“A grande doutrina da justificação pela fé, tão claramente ensinada por Lutero, foi quase completamente perdida de vista e substituída pelo princípio católico de confiar nas boas obras para a salvação. Whitefield e os Wesley, que eram membros da igreja estabelecida, buscavam sinceramente o favor de Deus e haviam sido ensinados que isso deveria ser conseguido mediante uma vida virtuosa e pela observância das ordenanças da religião. [...]
 
“Wesley e seus companheiros chegaram a ver que a verdadeira religião está no coração e que a lei de Deus envolve tanto os pensamentos quanto as palavras e ações. Convictos da necessidade de pureza de coração, assim como da correção da conduta exterior, buscaram com zelo levar uma nova vida. Com oração e diligentes esforços, empenhavamse para dominar os males do coração natural. Levavam uma vida de renúncia, caridade e auto-humilhação, observando com grande rigor e exatidão todas as medidas que acreditavam poder ajudá-los a conseguir o que mais desejavam: uma santidade que pudesse garantir o favor de Deus. Contudo, não alcançaram o objetivo que procuravam. Foram inúteis seus esforços para se libertarem da condenação do pecado ou para neutralizar seu poder. Essa foi a mesma luta que Lutero havia experimentado em sua cela no convento em Erfurt. A mesma questão lhe havia torturado a alma – ‘Como pode o homem ser justo para com Deus?’ (Jó 9:2). [...]
 
“Ao voltar para a Inglaterra, Wesley, sob a instrução de um pregador morávio, chegou a um entendimento mais claro da fé bíblica. Ficou convencido de que deveria renunciar toda confiança em suas próprias obras para a salvação e que devia confiar completamente no “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29). Em uma reunião da Sociedade Morávia de Londres, foi lida uma declaração de Lutero, descrevendo a mudança que o Espírito de Deus realiza no coração do crente. Ao ouvi-la, acendeu-se a fé na alma de Wesley. [...] ‘Senti que confiava em Cristo, somente em Cristo, para a salvação; e foime concedida a certeza de que Ele havia tirado meus pecados, sim, os meus, e me salvado da lei do pecado e da morte’.
 
“Durante longos anos de exaustivos esforços, de rigorosa renúncia, censura e humilhação próprias, Wesley havia se mantido firme em seu único propósito de buscar a Deus. Por fim, ele O encontrou; e descobriu que a graça que tinha se esforçado tanto para alcançar, por meio de orações e jejuns, obras de caridade e abnegação, era um dom que poderia ser adquirido ‘sem dinheiro e sem preço’” (Is 55:1; O Grande Conflito, p. 253-256).
 
APLICAÇÃO PARA A VIDA
 
Perguntas para reflexão
 
1. Como a história de João Wesley ilustra a diferença entre repousar exclusivamente nos méritos de Cristo e a futilidade de confiar em nossas próprias obras para a salvação?
 
2. De acordo com Hebreus 4:9, qual é o repouso que ainda resta para os cristãos?
 
3. Ellen G. White declarou que o repouso de que Paulo falou em Hebreus 4:9 é o descanso da graça. Como podemos desfrutar esse descanso?
 
Anjos entre nós
 
Lusio e a esposa, Yelri, nunca imaginavam que seriam vítimas de apedrejamento por proclamar o breve retorno de Jesus a um grupo de pessoas não alcançadas no Timor Leste. Eles também não esperavam que veriam anjos.
 
Os pioneiros da Missão Global foram enviados às montanhas para alcançar os falantes do idioma fataluco, uma das 30 línguas faladas por 1,3 milhão de pessoas no país. O casal tinha uma vantagem: fataluco era o idioma da mãe de Lusio. Sem saber por onde começar, diariamente, o casal caminhava para orar em favor das pessoas nos quatro vilarejos do distrito. Depois de algum tempo, decidiram oferecer aulas de matemática e inglês após as aulas da escola, em sua casa.
 
As aulas de reforço subiram em popularidade, com uma média de 12 crianças para 57 em semanas. A cada tarde, as atividades eram abertas com uma aula bíblica e oração. Passados dois meses, as crianças começaram a dizer a seus amigos que Jesus estava voltando, e a perguntar se desejavam ir para o Céu. Várias crianças queriam fazer parte da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Lusio e Yelri se sentiam esperançosos.
 
Mas, no terceiro mês, as coisas mudaram. As crianças que não participavam das aulas começaram a perturbar os trabalhos ameaçando e interrogando os alunos. Em pouco tempo, somente quatro a seis crianças participavam das aulas vespertinas. Finalmente, o proprietário que alugou a casa disse a Lusio e Yelri que deveriam sair. O casal se mudou para uma casa menor onde não tinha espaço para lecionar para as crianças.
 
Posteriormente, ele organizou uma série evangelística em um dos quatro vilarejos após vários moradores expressarem desejo pelo batismo. No fim das reuniões, quase todos os habitantes estavam presentes. Lusio e Yelri se sentiram esperançosos. Mas, então Lusio foi interrompido por uma mulher quando foi ao poço encher os três recipientes de água para a semana. “Não distribua seus folhetos para meu povo nem tente convertê-los”, disse ela. “O que você quer dizer?”, Lusio perguntou. “Eu lhe conheço e os seus motivos. Não se meta comigo. Você está tentando converter meu povo a ir à sua igreja oferecendo dinheiro”, foi a resposta. Era uma falsa acusação. Nenhum dinheiro foi oferecido.
 
De repente, a professora deu um tapa em Lusio. Seu filho adulto, que estava por perto, deu um soco no missionário. Então, a mãe e o filho pegaram pedras e as atiraram no pioneiro da Missão Global. Nenhuma das pedras lhe acertou. Enquanto uma multidão se reunia, alguém ameaçou atirar em Lusio e correu para casa a fim de pegar um rifle. Aldeões amáveis o protegeram enquanto ele fugia da aldeia.
 
Dois meses mais tarde, um líder adventista chegou para dirigir uma série evangelística em outra das quatro aldeias. A multidão crescia diariamente, e Lusio e Yelri se sentiam esperançosos.
 
Mas uma noite, vários homens começaram a atirar pedras na tenda de reunião. Uma pedra atingiu a cabeça de uma enfermeira voluntária, fazendo com que o sangue escorresse pelo rosto. Naquela noite, a reunião foi suspensa. Mais pedras voadoras aguardavam as pessoas quando saíam em um caminhão alugado pela igreja para a subida da montanha até suas casas. Os moradores ficaram com medo. De repente, apareceram sete homens altos com roupas brilhantes. Os desconhecidos foram vistos apenas por três jovens espantados, que os viram sair do local, ficando cada vez menores até desaparecerem pela montanha. Não foram atiradas mais pedras.
 
Após ouvir sobre os sete homens brilhantes, os moradores não tiveram dúvidas que Deus enviara os anjos para proteger Seu povo. “O anjo do Senhor é sentinela ao redor daqueles que o temem, e os livra” (Salmos 34:7). No sábado seguinte, 13 jovens entregaram a vida a Jesus e foram batizados. Entre eles estavam dois jovens que haviam visto os anjos. A despeito dos desafios extraordinários, Lusio e Yelri permanecem esperançosos. Eles sabem que Deus os protege.
 
Há seis anos, as ofertas ajudaram a construir a primeira e única escola adventista na capital do Timor-Leste, Dili. Parte da oferta deste trimestre ajudará a construir um residencial para que as crianças dos vilarejos distantes das montanhas como Kodo possam estudar. Desde já, muito agradecemos pelas ofertas.
 
 
 
Informações adicionais
 
• A foto mostra os três jovens que viram os anjos acompanhados de Raymond House, o presidente da igreja adventista em Timor-Leste.
 
• Informe que os pioneiros da Missão Global são pessoas leigas que trabalham pelo menos uma vez ao ano para estabelecer uma igreja em uma região não penetrada dentro de sua própria cultura. Eles têm a vantagem de conhecer a cultura, falar o idioma, misturando-se com as pessoas locais. Mais de 2.500 pioneiros globais trabalham no mundo. Desde 1990, eles fundaram mais de onze mil novas igrejas adventistas.
 
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• Para outras notícias do Informativo Mundial das Missões e informações da Divisão do Pacífico Norte-Asiático, acesse: bit.ly/ssd-2022.
 
 
 
 
 
Esta história ilustra os seguintes componentes do plano estratégico do “I Will Go” [Eu irei] da Igreja Adventista: objetivo de crescimento espiritual nº 5 – “discipular indivíduos e família na vida espiritual”. A construção da escola ajudará a concluir o objetivo missionário número 4 – “fortalecer as instituições adventistas na defesa da liberdade, saúde integral e esperança através de Jesus, restaurando pessoas à imagem de Deus.” Saiba mais sobre o plano estratégico em IWillGo2020.org.
 
 Comentário da Lição da Escola Sabatina – 1º trimestre de 2022
 
Tema geral: Hebreus: mensagem para os últimos dias
 
Lição 5 – 22 a 28 de janeiro de 2022
 
Jesus, o Doador do descanso
 
Autor: Adriani Milli Rodrigues
 
Editoração: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
 
Revisora: Josiéli Nóbrega
 
Descanso é algo maior do que repouso físico. É muito difícil, se não impossível, descansar se a mente e as emoções não estão em paz. Você já tentou dormir quando as preocupações incessantemente trabalhavam na sua mente? Provavelmente, você tenha lidado com muita dificuldade para pegar no sono. Agora, pense na situação da audiência imediata da Epístola aos Hebreus. Como vimos na lição 1, eles enfrentavam forte oposição e perseguições. Como eles podiam descansar em meio a tantas tensões?
 
Para entender de maneira mais adequada o tema do descanso em Hebreus, que é discutido mais precisamente nos capítulos 3 e 4, precisamos colocar esses capítulos no contexto da progressão da mensagem de Hebreus. Como já vimos em lições anteriores, a Epístola aos Hebreus inicia com a afirmação de que Deus fala. Ele falou muitas vezes e de muitas formas por meio dos profetas e, nestes últimos dias, Ele nos falou pelo Filho (Hb 1:1, 2). Como também mencionamos em comentários de lições anteriores, a fala divina pelo Filho tem como foco os eventos redentivos que envolvem a vida e a obra do Filho encarnado. De acordo com o foco do capítulo 1, a soberania do Filho já se explica por Sua natureza divina e Sua atividade criadora e sustentadora (Hb 1:2, 3). Entretanto, considerando a história redentiva do Filho encarnado, Ele é entronizado como Rei celestial por ocasião de Sua ascensão (Hb 1:3, 4). Nesse contexto, as falas de Deus Pai, que citam passagens do Antigo Testamento acerca do Rei messiânico, retratam a entronização celestial do Filho encarnado. Após essa primeira exposição doutrinária acerca do Filho entronizado, Hebreus apresenta a primeira exortação pastoral em 2:1-4. Conforme indicamos anteriormente, a epístola intercala exposições doutrinárias sobre Cristo com aplicações práticas acerca da fidelidade da audiência. Nessa primeira exortação, é preciso se apegar “com mais firmeza às verdades ouvidas” (2:2). Essas verdades se referem à “grande salvação” proclamada pelo Senhor Jesus, confirmada pelos apóstolos que a ouviram e testificada ou legitimada pelo próprio Deus, que permeou o anúncio apostólico com “sinais, prodígios, vários milagres e a distribuição do Espírito Santo” (2:4).
 
Logo após essa primeira e breve exortação prática, Hebreus retoma a exposição doutrinária sobre o Filho, dando continuidade à temática do Seu reinado, que então é retratado à luz do domínio/reinado adâmico que Deus estabeleceu inicialmente na criação, de acordo com a citação de Salmo 8:4-6 em Hebreus 2:6-8. Em Cristo, temos um segundo Adão “coroado” (Hb 2:7, 9). Portanto, se no capítulo 1 a majestade real do Filho tem como pano de fundo o reinado messiânico davídico, no capítulo 2 essa majestade régia utiliza como moldura conceitual a figura adâmica, que deve reinar/dominar sobre toda a criação (2:8). Essa figura adâmica parece fundamental para a elaboração da ideia de que o Filho exaltado é o Filho encarnado, que Se identifica profundamente com a realidade humana, mais especificamente com o “sofrimento da morte” (2:9). Em realidade, Sua coroação gloriosa no Céu se justifica precisamente por causa de Sua morte (2:9), que poderosamente libertou uma humanidade escravizada pelo “pavor da morte” (2:15). Nesse sentido, ouvimos a fala do Filho encarnado, que por meio de citações do Antigo Testamento afirma não ter vergonha de nos chamar de irmãos (2:12, 13). É importante notar que a vida e a obra do Cristo encarnado, que em Seu ministério terrestre tem como elemento crucial a Sua morte, não apenas explica Sua exaltação celestial, mas também justifica Sua denominação como “misericordioso e fiel Sumo Sacerdote” (2:17). De fato, essa é a primeira referência explícita ao sacerdócio de Cristo na epístola.
 
Mas o que tudo isso tem a ver com a temática do descanso, que é o assunto desta lição? Não seriam todos esses comentários uma grande digressão para chegarmos à discussão do descanso em Hebreus 3 e 4? Em vez de digressão, o que temos nesses comentários sobre os capítulos 1 e 2 é o contexto estrutural para entendermos adequadamente a exortação pastoral que agora segue a exposição doutrinária sobre Cristo no capítulo 2. Ao enfatizar a figura de Cristo como Sumo Sacerdote fiel (2:17; 3:1, 2, 6), a exortação tem início com uma breve comparação da fidelidade sacerdotal de Jesus com a fidelidade de Moisés (3:2, 5), mas se contrasta com a rebelião do povo de Israel no deserto, conforme retratada em Salmo 95:7-11 (veja também Números 13–14) e citada em Hebreus 3:7-11. Se a ênfase inicial de Hebreus é que Deus fala (1:1), as falas do Pai no capítulo 1 utilizam citações do Antigo Testamento para retratar a exaltação celestial do Filho, as falas do Filho encarnado no capítulo 2 usam citações do Antigo Testamento para ressaltar Sua profunda identificação com os seres humanos e, então, a citação do Salmo 95, no capítulo 3, é introduzida como uma fala do Espírito Santo (3:7). Nessa fala, o Espírito adverte sobre o perigo de ignorar a voz divina: “Por isso, como diz o Espírito Santo: ‘Hoje, se ouvirem a Sua voz, não endureçam o coração’” (Hb 3:7, 8). No contexto de Hebreus, há o risco de incredulidade (3:19) e apostasia por parte dos que se tornaram “participantes de Cristo” (3:14). Se considerarmos que os ouvintes/leitores de Hebreus ouviram a voz do Pai acerca da exaltação do Filho (capítulo 1) e a voz do Filho acerca de Sua identificação com os seres humanos (capítulo 2), desanimar ou apostatar da fé cristã significa ignorar essas falas divinas, o que representa incredulidade e rebelião com relação à voz de Deus. Além disso, assim como no caso da voz divina para a geração israelita do deserto, a voz divina em Hebreus, que ressalta particularmente o cumprimento das promessas messiânicas acerca da encarnação de Cristo e de Sua exaltação celestial, aponta para o cumprimento final da promessa divina de descanso.
 
O significado do descanso
 
Em primeiro lugar, é interessante notar que, no sentido da experiência dos israelitas no Salmo 95, citada em Hebreus 3 e 4, o descanso significava a herança divina da terra após a travessia do Jordão. Essa era a promessa divina comunicada por Moisés (Dt 12:8-11) e que seria cumprida por Josué (Js 1:13, 15). Curiosamente, dada a proximidade dos nomes de Jesus e Josué nas línguas bíblicas, o nome Josué mencionado em Hebreus 4:8 no texto grego é exatamente o nome Jesus, o que ressalta ainda mais o fato de que Jesus traz um descanso mais pleno que não foi concretizado na obra de Josué. Com efeito, na promessa pronunciada por Moisés, essa dádiva de Deus significava não apenas o descanso dos inimigos como também a referência ao templo, o santuário em que o nome do Senhor habitaria (Dt 12:8-11).
 
Em segundo lugar, de maneira similar, essa promessa permeia a aliança davídica (2Sm 7:11, 13, 14), citada em Hebreus 1:5 (cf. 2Sm 7:14), tendo seu cumprimento em Jesus. Essa aliança em 2 Samuel também destaca o descanso dos inimigos e a casa/templo para habitação do nome de Deus. Portanto, é significativo observar as conexões estabelecidas entre Hebreus 1 e 2, acerca do trono davídico do Messias no capítulo 1, e a referência ao sacerdócio de Cristo, que se relaciona com a noção do templo/santuário (mais claramente elaborado em Hebreus 8–10). Todas essas ideias se conectam com a promessa final de descanso.
 
Contudo, além das conexões entre a experiência do povo de Israel no deserto e a aliança davídica, há uma outra conexão fundamental de Hebreus com o Antigo Testamento no desenvolvimento do tema do descanso, nesse caso no contexto da criação: o sábado, o sétimo dia (Hb 4:3, 4), o dia do descanso (Lv 23:3). Esse conceito de descanso desde a criação se encaixa muito bem com a noção de domínio adâmico, de Hebreus 2, que também era um ideal da criação, que se cumpre em Cristo.
 
À luz de todas essas ricas conexões, o descanso que Jesus oferece tem projeções para o passado, presente e futuro. Assim como no contexto do sábado da criação Deus descansou de Suas obras no sétimo dia (Hb 4:4, 10), podemos entrar hoje, pela fé, no “descanso de Deus” (Hb 4:10). Essa é uma experiência presente que temos em Cristo, especialmente a cada sábado. E essa experiência presente de descanso funciona como uma antecipação daquele que será o pleno descanso sabático que teremos por ocasião da segunda vinda de Cristo: “resta um repouso sabático para o povo de Deus” (Hb 4:9).
 
Em meio às nossas lutas e aflições, precisamos abraçar com fé a promessa futura do descanso de Deus, que já podemos experimentar no presente em Cristo, nosso Rei e Sacerdote, especialmente na nossa experiência de cada sábado. Portanto, podemos destacar duas ideias principais: (1) como a lição de sábado indica, nossa “observância do sábado […] é mais do que um ato de lembrança; é um antegozo, neste mundo imperfeito, do futuro que Deus prometeu”; (2) como a lição de quarta ensina, a promessa divina não é apenas de um descanso, mas de uma participação no Seu descanso. É apenas no contexto do reinado e sacerdócio de Cristo que podemos encontrar o real descanso, o descanso divino.
 
Conheça o autor dos comentários para a Lição deste trimestre: Adriani Milli Rodrigues é o coordenador da graduação em Teologia no Centro Universitário Adventista de São Paulo. Possui doutorado (Ph.D) em Teologia Sistemática na Andrews University (EUA) e mestrado em Ciências da Religião pela Umesp. Natural do Espírito Santo, ele trabalha no Unasp desde 2007. É casado com a professora Ellen e tem uma filha, a Sarah, de 7 anos.
 




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