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Várzea Grande(DF), Segunda-Feira, 10 de Maio de 2021 - 05:23
15/02/2021 as 10:34:30 | Por CPB | 334
Consolem o Meu povo
“Ó Sião, você que anuncia boas-novas, suba a um alto monte! Ó Jerusalém, você que anuncia boas-novas, levante a sua voz fortemente!
Fotografo: CPB
Consolem o Meu povo

Lição 8
13 a 19 de fevereiro
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Nm 7, 8
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Ó Sião, você que anuncia boas-novas, suba a um alto monte! Ó Jerusalém, você que anuncia boas-novas, levante a sua voz fortemente! Levante-a, não tenha medo. Diga às cidades de Judá: ‘Eis aí está o seu Deus!’” (Is 40:9).
 
LEITURAS DA SEMANA: Is 40
 
A Segunda Guerra Mundial terminou em 1945, enquanto um soldado japonês chamado Shoichi Yokoi estava escondido em uma floresta na ilha de Guam. Folhetos que caíam dos aviões americanos anunciavam a paz, mas Yokoi pensou que aquilo fosse uma armadilha. Sendo patriota e leal ao imperador, ele tinha prometido nunca se render. Por não ter contato com a civilização, ele sobrevivia daquilo que encontrava na floresta, uma vida escassa e difícil.
 
Em 1972, vinte e sete anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, caçadores se depararam com Yokoi enquanto ele pescava, e só então ele soube que a mensagem de paz era verdadeira. Enquanto o restante de seu povo desfrutava de paz havia décadas, Yokoi vinha suportando privações e estresse por muitos anos (Roy Gane, Altar Call; Diadem, 1999, p. 304).
 
Muitos séculos antes, por meio do profeta Isaías, Deus anunciou que o tempo de tensão e sofrimento de Seu povo havia realmente terminado: “‘Consolem, consolem o Meu povo’, diz o Deus de vocês. ‘Falem ao coração de Jerusalém e anunciem que o tempo da sua escravidão já acabou, que a sua iniquidade está perdoada e que ela já recebeu em dobro das mãos do Senhor por todos os seus pecados’” (Is 40:1, 2).
 
Nesta semana, examinaremos o que isso significa.

Domingo, 14 de fevereiro
Ano Bíblico: Nm 9-11
Consolo para o futuro (Is 40:1, 2)
 
1. Em Isaías 40:1, 2, Deus consolou Seu povo. O tempo do castigo dele finalmente havia terminado. Qual castigo foi esse?
 
A.(  ) Muito possivelmente, o exílio babilônico.
B.(  ) O exílio no Egito.
 
Existem muitas respostas para essa pergunta. Houve o castigo infligido pela Assíria, o cetro da ira de Deus (Is 10), do qual o Senhor livrou Judá ao destruir o exército de Senaqueribe em 701 a.C. (Is 37). Houve também o castigo infligido por Babilônia, que posteriormente levaria bens e pessoas de Judá em virtude de Ezequias ter mostrado sua riqueza aos mensageiros de Merodaque-Baladã (Is 39). E houve o castigo infligido por uma das outras nações contra as quais Isaías escreveu mensagens de advertência (Is 14–23).
 
Entretanto, embora a “Assíria” e os “assírios” sejam mencionados 43 vezes de Isaías 7:17 a 38:6, essa nação aparece uma única vez no restante do livro, em Isaías 52:4, onde há uma referência à opressão do Egito e depois dos assírios. Na última parte do livro, é mencionada a libertação do povo do exílio de Babilônia (Is 43:14; 47:1; 48:14, 20), e seria Ciro, o persa que conquistou Babilônia em 539 a.C., que deveria libertar os exilados de Judá (Is 44:28; 45:1; 45:13).
 
Isaías 1–39 enfatiza os eventos que levaram à libertação do povo da mão dos assírios em 701 a.C., mas no início do capítulo 40, o livro avança um século e meio para o fim de Babilônia, em 539 a.C., e para o retorno dos judeus pouco tempo depois disso.
 
2. O tema do retorno do exílio babilônico está relacionado a alguma coisa anterior em Isaías?
 
Isaías 39 serve como transição para os capítulos seguintes, prevendo um cativeiro babilônico, pelo menos para alguns descendentes de Ezequias (Is 39:6, 7). Além disso, os oráculos de Isaías 13, 14 e 21 profetizavam a queda de Babilônia e a liberdade que isso traria ao povo de Deus: “Porque o Senhor Se compadecerá de Jacó e voltará a escolher Israel, estabelecendo-os na sua própria terra. [...] no dia em que Deus vier a dar-lhe descanso do sofrimento, das angústias e da dura servidão que lhe foi imposta, você proferirá esta sátira contra o rei da Babilônia” (Is 14:1-4). Observe a relação com Isaías 40:1, 2, em que Deus prometeu ao Seu povo um fim para seu sofrimento.

Segunda-feira, 15 de fevereiro
Ano Bíblico: Nm 12-14
Presença, Palavra e preparação do caminho (Is 40:3-8)
 
3. Como o povo de Deus recebeu consolo? Is 40:1-8
 
Um arauto anônimo anunciou que Deus estava vindo para revelar Sua glória (Is 40:3-5). Outra voz proclamou que, embora o homem fosse transitório como a erva, a “Palavra do nosso Deus permanece para sempre” (Is 40:8).
 
Após o exílio, o povo de Deus recuperou o que recebera no Sinai e que depois acabou rejeitando durante toda a sua apostasia, pela qual foi castigado, isto é, a presença de Deus e a Sua Palavra, elementos fundamentais da aliança de Deus com Israel, consagrados em Seu santuário (Êx 25:8, 16). Por terem transgredido a Sua Palavra, Deus abandonadora Seu templo (Ez 9–11), mas Ele estava voltando. Sua presença e Sua Palavra trazem conforto, libertação e esperança.
 
4. Qual preparação era necessária para a vinda do Senhor? Is 40:3-5
 
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Não era apropriado que um rei fosse sacudido ao ser transportado por uma estrada irregular. Sua vinda era precedida por uma preparação do caminho. Quanto mais o Rei dos reis! Sua vinda, aparentemente do leste, onde Ele estivera no exílio com Seu povo como um santuário para eles (Ez 11:16), exigiria uma reorganização do terreno. A construção literal de uma estrada nivelada através das colinas acidentadas a leste de Jerusalém seria algo difícil, mesmo com dinamite e escavadeiras. Só Deus poderia realizar a obra; Ele aplanaria “os caminhos ásperos” (Is 42:16). Mas o Senhor não precisava de estrada literal, pois possui carruagem de querubins transportada pelo ar (Ez 1; 9–11).
 
O Novo Testamento aplica a profecia de Isaías à obra realizada por João Batista (Mt 3:3). Sua mensagem era: “Arrependam-se, porque está próximo o Reino dos Céus” (Mt 3:2), e o batismo que ele realizou foi “de arrependimento para remissão de pecados” (Mc 1:4). Portanto, a preparação era o arrependimento e afastamento do pecado para receber o consolo do perdão e da presença de Deus.
 
Jeremias 31:31-34 proclamou a mesma mensagem espiritual com bastante antecedência para que os exilados de Judá entendessem a natureza espiritual da obra de preparação do caminho para Deus. O Senhor prometeu um novo começo aos que estivessem dispostos: uma “nova aliança” em que Ele colocaria Sua lei no coração deles. Ele prometeu ser o Deus deles. Eles conheceriam o Seu caráter, pois Ele os tinha perdoado.

 

Terça-feira, 16 de fevereiro
Ano Bíblico: Nm 15, 16
A origem do evangelismo (Is 40:9-11)
 
5. Qual acontecimento é descrito em Isaías 40:9-11? Assinale a alternativa correta:
 
A.(  ) A primeira vinda de Cristo.
B.(  ) A destruição dos ímpios.
 
Posteriormente, em Isaías, surge um arauto masculino anunciando boas-novas para Jerusalém (Is 41:27; 52:7). Porém, em Isaías 40:9, o arauto que proclama, de um monte alto, “Eis aí está o seu Deus!”, é feminino, um fato mostrado no hebraico.
 
No Salmo 68, Davi louvou a Deus porque Ele “faz com que o solitário more em família; liberta os cativos e lhe dá prosperidade” (Sl 68:6). Embora aqui essas palavras se apliquem ao êxodo da escravidão egípcia, Isaías usou as mesmas ideias com referência à proclamação de um segundo “êxodo”: o retorno do cativeiro babilônico.
 
Enquanto isso, o Novo Testamento aplica Isaías 40:3-5 a João Batista, que preparou o caminho para Cristo, o Verbo eterno que Se tornou a presença do Senhor encarnada entre Seu povo (Jo 1:14).
 
Ainda antes de João, outros haviam falado sobre as boas-novas de Sua vinda. Entre os primeiros, estavam os idosos Simeão e Ana, que conheceram o menino Jesus quando Ele foi dedicado no templo (Lc 2:25-38). Como os arautos de Isaías, eles eram masculino e feminino. Simeão aguardava ansiosamente o consolo/conforto de Israel na forma do Messias (v. 25, 26).
 
À luz da profecia de Isaías, não parece coincidência que Ana, uma profetisa, tivesse sido a primeira a anunciar publicamente ao povo de Jerusalém, no monte alto do templo, que o Senhor havia chegado: “E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” (Lc 2:38). Esse foi o início do evangelismo cristão como o conhecemos: a proclamação do evangelho, as boas-novas de que Jesus Cristo veio para trazer a salvação. Posteriormente, Cristo confiou a outra mulher, Maria Madalena, a primeira notícia de Sua ressurreição triunfante (Jo 20:17, 18), que garantia que Sua missão evangélica no planeta Terra havia sido cumprida. A carne é como a erva, mas a Palavra divina que Se tornou carne é eterna (veja Is 40:6-8)! 

Quarta-feira, 17 de fevereiro
Ano Bíblico: Nm 17-19
Criador misericordioso (Is 40:12-31)
 
6. Como Isaías 40 desenvolve os temas da misericórdia e poder de Deus?
 
Ao longo desse capítulo, a misericórdia e o poder de Deus se entrelaçam e até se misturam, pois ambos são necessários para que Deus salve Seu povo. Ele deseja salvá-lo porque é misericordioso; Ele é capaz de salvá-lo porque é poderoso. Observe abaixo o encadeamento desses atributos de Deus:
 
Misericórdia (Is 40:1-5): consolo, a vinda do Senhor para libertar.
Poder (Is 40:3-8): glória, permanência em oposição à fraqueza humana.
Misericórdia (Is 40:9-11): boas-novas de libertação, Pastor do Seu povo.
Poder (Is 40:12-26): Criador incomparável.
Misericórdia (Is 40:27-31): como Criador, Ele dá poder aos fracos.
 
Após ter apresentado o poder de Deus em termos de Sua glória e permanência (Is 40:3-8), Isaías detalhou Seu poder e sabedoria superior, que fazem com que a Terra e seus habitantes pareçam insignificantes (Is 40:12-17). Nessa passagem, o estilo de Isaías, com perguntas retóricas e analogias vívidas referentes à Terra e suas partes, parece a resposta de Deus a Jó (Jó 38–41).
 
7. Qual foi a resposta para a pergunta retórica de Isaías: “Com quem vocês querem comparar Deus?” (Is 40:18)?
 
Para Isaías, assim como para Jó, a resposta era evidente: ninguém. Deus é incomparável. Mas o profeta se referiu à resposta sugerida pelas ações de muitos povos antigos, a de que Deus era como um ídolo (Is 40:19, 20).
 
Isaías refutou essa noção. Já parecia tolice utilizar um ídolo à semelhança de Deus, mas, para ter certeza de que as pessoas entenderiam o argumento, ele detalhou a singularidade do Senhor e introduziu o argumento irrefutável de que Ele era o santo Criador (Is 40:21-26).
 
8. Como o verso 27 revela a atitude das pessoas a quem a mensagem de Isaías foi dirigida? Em que aspecto somos culpados de ter a mesma atitude?
 
 
O objetivo da mensagem divina era consolar Israel! Como Jó, o sofrimento do povo o tinha deixado confuso e desanimado quanto ao Seu caráter.

Quinta-feira, 18 de fevereiro
Ano Bíblico: Nm 20, 21
O problema da idolatria (Is 40:19, 20)
 
A idolatria destrói um relacionamento íntimo e singular com Deus ao substituí-Lo por outra coisa (Êx 20:4, 5; Is 42: 8). Portanto, os profetas se referiram à idolatria como “adultério” espiritual (Jr 3:6-9; Ez 16:15-19).
 
9. Como Isaías caracterizou os ídolos (Is 41:29)? Por que essa descrição de um ídolo é tão precisa?
 
Os idólatras antigos acreditavam que adoravam poderosas divindades por meio de imagens ou símbolos dessas divindades. A adoração de um ídolo como representação de outro deus é uma transgressão do primeiro mandamento: “Não tenha outros deuses diante de Mim” (Êx 20:3). Mas se a intenção era que o ídolo representasse o Deus verdadeiro, como no caso do bezerro de ouro
(Êx 32:4, 5), o Senhor também rejeitava o ídolo como uma semelhança de Si mesmo, pois ninguém sabe retratá-Lo (Dt 4:15-19), e nada pode representar Sua glória e grandeza incomparáveis. Portanto, um ídolo em si funciona como outro deus, e adorá-lo é uma transgressão do primeiro e do segundo mandamentos.
 
O povo de Deus não precisava de ídolos, pois tinha com ele Sua verdadeira presença na Shekinah, no santuário. Adorar um ídolo era substituir e, portanto, negar a presença real do Deus verdadeiro.
 
10. Que tipo de idolatria enfrentamos hoje? A idolatria tem aparecido em formas mais sutis na igreja? Como?
 
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“Muitos que levam o nome de cristãos têm servido a outros deuses além do Senhor. Nosso Criador exige suprema devoção e primazia na lealdade. Qualquer coisa que tenha a tendência de diminuir nosso amor a Deus ou de interferir no serviço devido a Ele, torna-se dessa forma um ídolo” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 2, p. 1118).
 
Os escritos antigos mostram que a idolatria era sedutora, pois se tratava de materialismo. Usando modos de adoração com os quais as pessoas se identificavam, os idólatras honravam forças que, segundo sua crença, proporcionavam fertilidade e prosperidade. Era a religião de autoajuda. Parece familiar?
 
Pouco antes da volta do Senhor, tendo Seu caminho sido preparado pela obra de uma mensagem de reconciliação final de Elias (Ml 4), a escolha será a mesma dos dias de Isaías: adoraremos o Criador ou adoraremos outra coisa? (Ap 13; 14). No fim, sempre adoramos algo.

Sexta-feira, 19 de fevereiro
Ano Bíblico: Nm 22-24
Estudo adicional
 
Texto de Ellen G. White: Profetas e Reis, p. 311-321 (“O Deus de Israel”).
 
“Nos dias de Isaías, o entendimento espiritual da humanidade havia sido obscurecido por uma concepção errada a respeito de Deus. Durante muito tempo, Satanás havia procurado levar os seres humanos a ver seu Criador como o autor do pecado, do sofrimento e da morte. Aqueles que ele tinha conseguido enganar consideravam Deus como Alguém duro e exigente. Achavam que Ele estivesse sempre pronto para denunciar e condenar, e que não estivesse disposto a receber o pecador enquanto ainda existisse um motivo legal para não ajudá-lo. A lei de amor pela qual o Céu é regido havia sido falsamente apresentada pelo arquienganador como uma restrição imposta à felicidade dos seres humanos, um pesado jugo do qual deviam sentir-se alegres por se verem livres. Ele declarou que os preceitos dessa lei não podiam ser obedecidos, e que as penalidades da transgressão eram impostas arbitrariamente” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 311).
 
Perguntas para consideração
 
1. Resuma a mensagem de Isaías 40:12-31. Use imagens de descobertas científicas atuais que mostrem o incrível poder de Deus. Compartilhe seu resumo com a classe.
 
2. A eternidade da Palavra e a esperança da ressurreição anulam o medo da morte (Is 40:6-8; Jó 19:25-27; Dn 12:2; 1Co 15:51-57; 1Ts 4:13-18)?
 
3. Ao refletirmos em Isaías 40:12-31, como podemos ser curados do orgulho e arrogância?
 
Resumo: Por meio de Isaías, Deus trouxe consolo aos que sofriam. O tempo de angústia deles havia terminado, e Deus estava voltando para eles. Em vez de ficar desanimados e confusos, eles poderiam crer que Deus usaria Seu poder criador em favor deles.
 
Respostas e atividades da semana: 1. A. 2. Sim, está relacionado à profecia sobre a queda de Babilônia, em Isaías 13, 14 e 21. 3. O povo de Deus recebeu consolo ao saber que sua iniquidade havia sido perdoada e que o Senhor estava vindo como havia prometido, visto que Sua palavra permanece para sempre. 4. Era necessário preparar o caminho e endireitar a vereda para o Senhor por meio de uma reforma espiritual e pregação de arrependimento. 5. A. 6. Isaías 40 fala da grandeza e onipotência de Deus ao criar e manter o Universo. Isso demonstra que, além de poderoso, Ele também é misericordioso e compassivo. 7. Isaías, em sua argumentação, respondeu que Deus não pode ser comparado a ninguém, nem mesmo aos ídolos e imagens fundidos pelos artífices. 8. A atitude das pessoas foi a descrença, pois pensavam que seus direitos passavam despercebidos pelo Senhor. Por vezes, também sentimos que Deus Se esqueceu de nós. Porém, isso é um equívoco. 9. “Eis que todos são nada; as suas obras são coisa nenhuma; as suas imagens de fundição são vento e vácuo”. 10. Tudo aquilo que colocamos acima do Criador é considerado um ídolo. Os ídolos modernos podem ser diversos: dinheiro, poder, TV, internet, etc.
 
Resumo da Lição 8
Consolem o Meu povo
Foco do estudo: Isaías 40:1-3
 
Esboço
 
Todo o livro de Isaías está repleto de falas contrastantes sobre juízo e boas-novas da salvação. No entanto, a primeira parte do livro trata principalmente da mensagem do juízo divino em relação a Judá. A segunda parte contém a mensagem do consolo divino a Seu povo. Isaías 40, que vem logo após a primeira seção (Is 1–39), serve como uma introdução aos capítulos seguintes.
 
A mensagem do Senhor começa com um dos dizeres mais revigorantes e consoladores da Bíblia: “‘Consolem, consolem o Meu povo’, diz o Deus de vocês” (Is 40:1). Essa mensagem lembra o povo de Deus de Sua fidelidade à aliança.
 
O autor faz alusão à experiência israelita no deserto. Naquela época, nem o povo nem mesmo Moisés podiam ver a glória do Senhor, mas então “toda a humanidade a verá” (Is 40:5). Este estudo está dividido em três seções, intituladas: (1) Da destruição ao consolo, (2) Preparem o caminho e (3) A glória do Senhor revelou.
 
Comentário
 
Da destruição ao consolo
 
A mudança de ênfase nos temas destacados no livro de Isaías é bem conhecida.
 
A maioria dos comentários bíblicos menciona o contraste dos tópicos entre a primeira parte (Is 1–39) e a segunda parte (Is 40–66) do livro. Vários estudiosos usam esse ponto para defender uma autoria dupla. Contudo, observa-se que Isaías, como os demais profetas pré-exílicos, transmite uma mensagem na qual evidencia-se um aspecto duplo.
 
Por um lado, os profetas pré-exílicos são mensageiros do juízo, de modo que proclamam o fim da era das bênçãos e favores divinos. Mas também são arautos da salvação, e proclamam uma nova era de generosidade divina. Portanto, o discurso profético desses mensageiros é uma mistura de oráculos de juízos e salvação; e é isso que vemos no livro de Isaías.
 
Não há razão para não apoiar a teoria que coloca Isaías 40 no período pré-exílico, como uma promessa consoladora de uma restauração futura.
 
A seção anterior até Isaías 40 tem uma mensagem clara e distinta de juízo para Judá e as nações estrangeiras.
 
O Dia do Senhor virá. É iminente; o juízo está próximo. Não tardará muito e o melhor das nações, do povo e de seus recursos materiais serão repassados para outras mãos.
 
O livro anuncia claramente: “Meu povo será levado cativo por falta de entendimento” (Is 5:13). “Eis que virão dias em que tudo o que houver no seu palácio, isto é, tudo o que os seus pais ajuntaram até o dia de hoje, será levado para a Babilônia; não ficará coisa alguma, diz o Senhor” (Is 39:6).
 
No entanto, o Senhor, o Deus incomparável, porá fim às provações do Seu povo. Considerando que chegará o tempo da libertação, Isaías escreveu esta mensagem de misericórdia usando o recurso do paralelismo (Is 40:1, 2):
 
A. “Consolem, consolem o Meu povo,
 
B. Diz o Deus de vocês.
 
A’. Falem ao coração de Jerusalém”.
 
A misericórdia divina se fará evidente mais uma vez porque o Senhor declara “que o tempo da sua escravidão já acabou, que a sua iniquidade está perdoada e que ela já recebeu em dobro das mãos do Senhor por todos os seus pecados” (Is 40:2). A maneira enfática em que o Senhor deseja que essa mensagem seja comunicada ao Seu público é notável. Parece que ela é urgente, pois o autor usa o verbo imperativo qir?û, que pode ser traduzido como “proclamar”, “chamar”, “bradar”, “gritar” (Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament [Léxico Hebraico e Aramaico do Antigo Testamento], v. 3, p. 1129). A expressão vai além da ideia do verbo mais genérico “falar”. A expressão “Meu povo” é um indicador do relacionamento de aliança entre Deus e Seu povo. Deus é fiel aos deveres de Sua aliança de liderar e perdoar Seu povo.
 
Preparem o caminho
 
Uma seção central em Isaías 40 é a dos versos 3 a 5. Existe uma espécie de inclusio (subdivisão de texto marcada por linguagem ou elemento semelhante em seu início e fim) na unidade. “Preparem o caminho do Senhor!” (Is 40:3) e “a glória do Senhor se manifestará” (Is 40:5).
 
“Preparem o caminho do Senhor”. O contexto é a restauração de Judá. Essa é a jornada de volta do exílio. Nesta frase é usada a linguagem dos movimentos das figuras da realeza. Parece que algumas regiões com suas montanhas e colinas seriam um terreno difícil para um monarca e sua comitiva; assim, a frase “no ermo façam uma estrada reta” significa guiar, nivelar e livrar-se de obstáculos, como quando se prepara para receber um visitante da realeza (R. Laird Harris, ed., Theological Wordbook of the Old Testament [Dicionário de Palavras Teológicas do Antigo Testamento]. Chicago: Moody Press, 1980, v. 1, p. 417).
 
O caminho de Babilônia a Jerusalém é uma estrada agreste, permeada por montanhas e terrenos acidentados. Os filhos de Deus passariam por esses caminhos; por isso, é feito o pedido: “Preparem o caminho do Senhor! No ermo façam uma estrada reta para o nosso Deus!” (Is 40:3). O mensageiro pede uma estrada reta pois Judá precisa retornar sem grandes contratempos.
 
A linguagem pragmática usada nessa parte é digna de nota, principalmente as palavras associadas ao “caminho”. Dessa maneira, o autor tenta vincular a grande manifestação divina com elementos de uso comum. Tais expressões enfatizam a presença de um Deus invisível, mas real, mostrando assim que a participação de Deus na história de Seu povo também será real.
 
A glória do Senhor revelada
 
Em Isaías 40:3-5, parece que o profeta faz alusão a algumas das experiências dos israelitas durante a jornada no deserto, em particular o episódio em que Moisés pede para ver a glória de Deus (Êxodo 33:18-23).
 
Os israelitas receberam a ordem de sair do monte Horebe e seguir em frente. Deus disse a Moisés: “Suba deste lugar, você e o povo que você tirou da terra do Egito” (Êx 33:1), mas o Senhor avisou: “Eu não irei no meio de vocês” (Êx 33:3).
 
Parece que Moisés se sentiu desconcertado e, por isso, pediu ao Senhor: “Se alcancei favor diante de Ti, peço que me faças saber neste momento o Teu caminho” (Êx 33:13). E no verso 18, Moisés acrescentou: “Peço que me mostres a Tua glória”.
 
Moisés associa k??ô? a uma aparição visível do Senhor. Assim, neste caso, a solicitação não será concedida. No entanto, Deus responde no verso 19: “Farei passar toda a Minha bondade diante de você e lhe proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem Eu tiver misericórdia e Me compadecerei de quem Eu Me compadecer”. No entanto, no verso seguinte, diz: “Você não poderá ver a Minha face, porque ninguém verá a Minha face e viverá” (Êx 33:20).
 
O autor do Pentateuco nos mostra como o Senhor redirecionou a questão. Deus destacou Sua revelação em termos de atributos, e não em termos de aparência externa. É como se Deus quisesse destacar a abstração de Seu ser, porque o Senhor não pode ser visto em termos concretos.
 
Em uma análise cuidadosa dessa perícope do Pentateuco, podemos ver algumas conexões ou influência entre ela e o texto de Isaías, particularmente Isaías 40. O elemento comum em ambas as perícopes é a expressão hebraica k??ô? YHWH (“a glória do Senhor”). Os aspectos mais notáveis aqui são os contrastes entre os dois relatos que Isaías destaca.
 
Enquanto em Êxodo, o caminho é apresentado como uma estrada áspera, cheia de pedras, em Isaías, a estrada é pavimentada, nivelada e toda a humanidade é capaz de perceber a glória do Senhor (ver Is 40:3-5). Isaías 52 oferece um contexto semelhante em relação ao capítulo 40 e até a Êxodo 33.
 
Isaías 52:10 diz: “O Senhor desnudou o Seu santo braço à vista de todas as nações, e todos os confins da Terra verão a salvação do nosso Deus”.
 
A conexão entre as três passagens é evidente. O primeiro elemento em comum é o caminho ou a estrada, mesmo que sejam retratados de maneira diferente. Em Êxodo 33, é um caminho difícil. Isaías 40 nos mostra um caminho tranquilo, e os caminhos em Isaías 52 são montes. Outro elemento em Êxodo 33 é que o Senhor mostrou as costas; por outro lado, em Isaías a mão do Senhor e Seu braço santo aparecem. Em Êxodo, Moisés mal pode ver a glória do Senhor, mas, em Isaías 40, toda a humanidade pode vê-la. Em Isaías 52, todas as nações também a podem ver. Em Isaías 40, é a glória do Senhor que é mostrada, enquanto em Isaías 52 é a Sua salvação. Assim, Isaías 52 esclarece o que k??ô? YHWH significa em Isaías 40. A humanidade é capaz de reconhecer a glória do Senhor; é o ato poderoso do Senhor de trazer salvação a Judá.
 
Neste ponto do nosso estudo é útil observar que a expressão “a glória do Senhor” tem mais de uma aplicação na Bíblia. Em alguns casos, a glória do Senhor se refere ao próprio YHWH e à Sua majestade a qual nem os serafins podem contemplar, e à Sua santidade oculta. No entanto, em outros contextos, principalmente em Isaías, a glória do Senhor é equivalente às Suas ações, importância e peso (literalmente) em meio ao Seu povo. Assim, Isaías amplia a ideia da expressão k??ô? YHWH. Ele deixa claro que a ação divina (libertação ou salvação) é tão real como se Ele estivesse ali. Sua promessa de agir em favor de Seu povo deve ser entendida como realismo total.
 
Aplicação para a vida
 
1. Deus falou com Seu povo de muitas maneiras no passado e, no presente, continua a transmitir Sua mensagem de conforto e perdão aos Seus filhos.
 
• Quais promessas bíblicas o confortam mais?
 
• Por outro lado, uma parte importante da mensagem para a nação de Judá é a garantia de que “a sua iniquidade está perdoada” (Is 40:2).
 
• Por que é importante que as pessoas recebam o perdão de Deus? (Leia Mc 2:9: “O que é mais fácil? Dizer ao paralítico: ‘Os seus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levante-se, tome o seu leito e ande?’”; e 1 João 2:12: “Filhinhos, escrevo a vocês, porque os seus pecados são perdoados por causa do nome de Jesus”).
 
2. A frase “voz do que clama no deserto” (Is 40:3, ARA) foi interpretada no Evangelho de João (Jo 1:23) como uma referência ao anúncio de João Batista sobre a primeira vinda de Jesus. Ele fez isso pedindo às pessoas que se arrependessem e fossem batizadas na água como sinal de arrependimento. Como você está usando sua voz para proclamar as boas-novas?
 
3. Como a glória de Deus pode ser entendida à luz de João 1:14: “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai”.




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