Fundada aos 14 de abril de 2006 pelo Jornalista Eraldo de Freitas - E-mails: redacao@sbcbrasil.com.br

Cidadão Repórter

(65)9966-5664
Várzea Grande(MT), Segunda-Feira, 14 de Junho de 2021 - 06:26
07/06/2021 as 09:09:41 | Por Folhapress | 993
Acusado de assédio sexual, presidente da CBF é afastado
Funcionária da confederação protocolou denúncia contra dirigente às vésperas da Copa América
Fotografo: Reprodução
O presidente afastado da CBF, Rogério Caboclo

Rogério Caboclo não atendeu aos pedidos para se afastar e resistiu até o fim. Mas neste domingo (6), ele foi retirado da presidência da CBF por 30 dias. A decisão foi tomada pelo conselho de ética da entidade.
 
Ele terá esse tempo para se defender da acusação de assédio moral e sexual feito por uma cerimonialista da entidade.
 
Antônio Carlos Nunes de Lima, o coronel Nunes, assume a presidência por ser o vice mais velho (82 anos). Ele ocupou o cargo entre fevereiro de 2017 e abril de 2019, no período entre o banimento de Marco Polo Del Nero e a posse de Caboclo, eleito para ficar até 2023.
 
Em nota, a CBF confirma ter recebido a decisão.
 
"A CBF informa que recebeu na tarde deste domingo, 6, decisão da Comissão de Ética do Futebol Brasileiro suspendendo temporariamente (pelo prazo inicial de 30 dias) o Presidente Rogério Caboclo do exercício de suas funções. Seguindo o Estatuto da entidade, toma posse interinamente, por critério de idade, o vice-presidente Antônio Carlos Nunes de Lima. A decisão é sigilosa e o processo tramitará perante a referida Comissão, com a finalidade de apurar a denúncia apresentada", diz o texto.
 
A decisão ocorre após quase uma semana de tentativas e pedidos de diretores da confederação e presidentes de federações estaduais para que Caboclo se afastasse.
 
Como último argumento para convencê-lo lhe foi sugerido atender ao conselho do diretor de governança, André Megale, de se licenciar por tempo determinado para se defender das acusações de assédio sexual e moral.
 
Os argumentos apresentados a Caboclo, segundo soube a reportagem, era que a saída dele, mesmo que temporária, abafaria todos os problemas.
 
Faria sair do noticiário a denúncia de assédio, aplacaria o descontentamento dos jogadores da seleção e de Tite, garantiria a realização da Copa América sem sobressaltos e atenderia ao desejo manifestado por presidentes de outras confederações nacionais, da Conmebol e até de representantes da Fifa: tirá-lo da organização do torneio.
 
O cartola continuou a negar essa possibilidade por acreditar que, se saísse, a chance de não voltar seria grande. Ele confessou isso a um presidente de federação do Nordeste.
 
Um problema para Caboclo se tornou o isolamento. A não ser por alguns presidentes de federações estaduais do Nordeste, ele não contava mais com apoios políticos. Mais importante do que isso, seus diretores na CBF, quase todos os que o aconselharam a se afastar, já estavam cansados da instabilidade e das variações de humor do dirigente. Às vezes, se dirigia aos palavrões a eles.
 
O vácuo no poder da confederação será discutido nesta segunda-feira (7), para quando foi convocada uma reunião extraordinária dos oito vices da entidade. Dois deles disseram à reportagem que quase todos estarão presentes. Há dúvida a respeito da presença de Fernando Sarney, que está em quarentena por causa da Covid-19.
 
Alguns vices da CBF já foram sondados sobre a possibilidade de assumir o lugar do atual presidente na organização da Copa América. Por ter sido decidido às pressas que a sede seria o Brasil, não houve tempo para montar um comitê organizador. Tudo tem sido resolvido por Caboclo. Mas a polêmica de abrigar o torneio faz com que os demais cartolas mostrem resistência em herdar a atribuição.
 
Segundo pessoas ouvidas pela reportagem, o receio de Caboclo era que, sem o poder da presidência da CBF, ele voltasse ao ostracismo. O hoje homem mais poderoso do futebol brasileiro nunca foi uma liderança nem mesmo no seu clube do coração, o São Paulo. Subiu na Federação Paulista de Futebol e depois na CBF sob as bênçãos de Marco Polo Del Nero, banido do futebol pela Fifa, mas ainda consultado por Caboclo quanto à tomada de decisões na entidade, como mostraram áudios obtidos pela ESPN.
 
Na luta pela sua sobrevivência política, Caboclo manteve contatos constantes com dirigentes estaduais. No governo federal, ele encontrou o interlocutor que procurava, que o incentivou a resistir no cargo e até sugeriu a demissão de Tite do comando da seleção brasileira. Era uma possibilidade que alarmava a cartolagem, pela certeza de que os jogadores se recusariam a disputar a Copa América, o que poderia causar um dano à imagem da competição e da CBF.
 
Extracampo
 
A pressão contra o presidente Caboclo vinha também de fora de campo.
 
Neste domingo (6), a reportagem questionou os patrocinadores da confederação acerca das denúncias. O banco Itaú disse estar preocupado com as acusações e que acompanharia "de perto a apuração do caso".
 
A Gol se disse preocupada e que iria "acompanhar de perto as apurações e desdobramentos", enquanto a Mastercard pediu investigações profundas e rápidas sobre as "sérias alegações".
 
"Manifestamos nossa profunda preocupação com os relatos divulgados, pois reportam práticas que não toleramos. Seguimos atentos à apuração do caso e esperamos uma análise com a seriedade e rapidez que a situação requer, escreveu a Ambev.
 
A Vivo respondeu, ao colunista Rodrigo Mattos, do Uol, que "repudia qualquer ato de assédio ou discriminatório". Ao mesmo portal, a Nike afirmou que seguirá "acompanhando de perto à apuração do caso e qualquer investigação futura".
 
Ao TNT Sports, a Fiat disse que "não temos como nos manifestar no momento", e a Semp TLC declarou que não tolera este tipo de conduta e que "aguarda a apuração criteriosa dos fatos a fim de ponderar acerca das correspondentes implicações".
 
Cimed, Kin Analytics, 3 Corações, TechnoGym e Pague Menos não responderam até a publicação deste texto. A StasSports não foi encontrada para se manifestar.




Notícias Relacionadas





Entrar na Rede SBC Brasil