Fotografo: CPB
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Vivendo pela Palavra de Deus

Lição 13
20 a 26 de junho
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Sl 36-39
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Tornai-vos, pois, praticantes da Palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1:22).
 
LEITURAS DA SEMANA: Fp 2:12-16; Lc 4:4, 8, 10-12; Sl 37:7; 46:10; 62:1, 2, 5; Cl 3:16
 
O melhor método de estudo da Bíblia será inútil se não estivermos determinados a viver de acordo com o que aprendemos das Escrituras. O que é verdadeiro para a educação em geral também é correto no que diz respeito especificamente ao estudo da Bíblia: aprendemos melhor não apenas lendo ou ouvindo, mas praticando o que sabemos. Essa obediência abre um tesouro pleno das bênçãos divinas, que de outra maneira não receberíamos, e nos conduz numa forma empolgante e transformadora de ampliar nossa compreensão e conhecimento. Se não estivermos dispostos a cumprir a Palavra de Deus nem a praticar o que estudamos, não nos desenvolveremos. E nosso testemunho será enfraquecido porque nossa vida não está em harmonia com nossas palavras.
 
Crescemos em graça e sabedoria por meio de exemplos inspiradores que nos ilustram o que significa viver pela Palavra de Deus. Não há exemplo melhor nem força motivacional mais poderosa do que Jesus Cristo. Ele nos deu um padrão a seguir. Ele viveu em plena harmonia com a vontade de Deus.
 
Nesta semana, examinaremos o que significa viver pela Palavra do Senhor e sob sua autoridade divina.

Domingo, 21 de junho
Ano Bíblico: Sl 40-45
A Palavra viva de Deus e o Espírito Santo
 
É muito importante estudar a Palavra de Deus com atenção e com o método apropriado. Porém, igualmente importante, talvez até mais, é colocarmos em prática o que aprendemos. O objetivo supremo de nosso estudo da Bíblia não é adquirir um conhecimento superior, por mais maravilhoso que isso seja. Não se trata do nosso domínio profundo da Palavra de Deus, mas do controle da Palavra de Deus sobre nós, mudando nossa vida e nossa maneira de pensar. Isso é o que realmente importa. Estar disposto a viver a verdade aprendida significa estar disposto a se submeter a essa verdade bíblica. Essa escolha às vezes envolve uma luta intensa, pois estamos travando uma batalha a respeito de quem terá a supremacia em nosso pensamento e em nossa vida. E, no fim, há apenas dois lados para escolher.
 
1. Leia Filipenses 2:12-16. Como devemos viver? Assinale a alternativa correta:
 
A. ( ) De modo irrepreensível, obedecendo e preservando a Palavra de Deus.
B. ( ) De acordo com nossas convicções e gostos pessoais.
 
Evidentemente, Deus atua em nós, mas Ele o faz mediante o Espírito Santo, o único que nos dá a sabedoria para compreender as Sagradas Escrituras. Além disso, como seres humanos pecaminosos, muitas vezes nos opomos à verdade de Deus e, se deixados por nossa conta, não obedeceríamos à Palavra do Senhor (Rm 1:25; Ef 4:17, 18). Sem o Espírito Santo, não há afeição pela mensagem de Deus. Não há esperança, confiança nem amor em resposta à verdade. Por meio do Espírito Santo, Deus realmente “efetua em [nós] tanto o querer como o realizar” (Fp 2:13).
 
O Espírito Santo é um professor que deseja nos conduzir a uma compreensão mais profunda das Escrituras e a uma alegre apreciação da Palavra de Deus. Ele traz as verdades da Palavra à nossa atenção e nos dá novas percepções sobre elas, para que nossa vida seja caracterizada pela fidelidade e obediência amorosa à vontade de Deus. “Ninguém é capaz de explicar as Escrituras sem o auxílio do Espírito Santo. Mas quando tomamos a Palavra de Deus com o coração humilde e dócil, os anjos de Deus estarão ao nosso lado para impressionar-nos com as evidências da verdade” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 411). Assim, as coisas espirituais são interpretadas espiritualmente (1Co 2:13, 14) e somos capazes de obedecer alegremente às Escrituras “todas as manhãs” (Is 50:4, 5).

Segunda-feira, 22 de junho
Ano Bíblico: Sl 46-50
Aprendendo de Jesus
 
Não há exemplo melhor e mais inspirador a seguir do que Jesus. Ele estava familiarizado com as Escrituras e disposto a obedecer à Palavra escrita de Deus e a cumpri-la.
 
2. Leia Lucas 4:4, 8, 10-12. Como Jesus usou as Escrituras para combater as tentações de Satanás? Por que as Escrituras devem ser centrais à nossa fé, especialmente em tempos de tentação?
 
Jesus conhecia bem as Escrituras. Ele estava tão intimamente familiarizado com a Palavra de Deus que poderia citá-la de memória. Essa intimidade com a Palavra escrita era resultado de precioso tempo de qualidade com o Senhor no estudo das Escrituras.
 
Se Ele não conhecesse as palavras exatas das Escrituras e o contexto em que elas aparecem, poderia facilmente ter sido enganado pelo diabo, que citou as Escrituras e as usou para seus propósitos enganadores. Portanto, apenas ser capaz de citar a Bíblia, como o diabo fez, não é suficiente. Além de um texto específico, é preciso saber o que outras passagens das Escrituras têm a dizer sobre um assunto e conhecer seu significado correto. Somente essa familiaridade com a Palavra do Senhor nos ajudará, como ocorreu com Jesus, a não ser enganados pelo adversário de Deus, mas resistir aos ataques de Satanás. Por diversas vezes, vemos Jesus abrindo a mente de Seus seguidores para que compreendessem as Escrituras, dirigindo a atenção deles ao que “está escrito” (Lc 24:45, 46; Mt 11:10; Jo 6:45; etc.). Ele compreendia que os que liam as Escrituras podiam chegar a um entendimento correto de seu significado: “Que está escrito na Lei? Como interpretas?” (Lc 10:26). Para Jesus, o que está escrito na Palavra de Deus é a norma pela qual devemos viver.
 
Em João 7:38, Jesus, o Verbo de Deus encarnado, encaminhou Seus seguidores às palavras das Escrituras. Unicamente por meio da Bíblia sabemos que Jesus é o Messias prometido. As Escrituras testificam Dele (Jo 5:39). O próprio Jesus estava disposto a cumprir a Bíblia, a Palavra escrita de Deus. Se Ele estava disposto a fazer isso, nós deveríamos fazer algo diferente?

Terça-feira, 23 de junho
Ano Bíblico: Sl 51-55
Jesus versus as Escrituras?
 
3. Que mensagem poderosa Jesus nos apresentou em João 5:45-47 sobre Sua relação com a Bíblia? Assinale a alternativa correta:
 
A.( ) É impossível harmonizar o Messias com as Escrituras.
B.( ) Jesus e os escritos de Moisés estão intimamente relacionados.
 
Algumas pessoas afirmam que, ao falar, Jesus colocava Suas palavras em claro contraste com as palavras das Escrituras, como as encontramos no Antigo Testamento. Essas pessoas declaram que as palavras de Cristo estão até mesmo acima das palavras da Bíblia.
 
No Novo Testamento, Jesus disse: “Ouvistes que foi dito [...] Eu, porém, vos digo...” (Mt 5:43, 44; compare com Mt 5:21, 22, 27, 28, 33, 34, 38, 39). Quando disse essas famosas palavras no Sermão da Montanha, Ele não tentou abandonar nem abolir o Antigo Testamento, como alguns afirmam. Em vez disso, Ele respondeu a várias interpretações das Escrituras e às tradições orais usadas por alguns estudiosos de Sua época para justificar comportamentos em relação a outras pessoas, como odiar os inimigos (Mt 5:43), entre outras coisas que Deus não tolerava nem nunca ordenou.
 
Jesus não aboliu o Antigo Testamento nem diminuiu sua autoridade em nenhum grau. O oposto é verdadeiro. O Antigo Testamento, de fato, prova quem Ele é. Cristo intensificou o significado das declarações das Escrituras, mostrando-nos as intenções originais de Deus.
 
Usar a autoridade de Jesus para desqualificar a Bíblia ou denegrir partes da Palavra como se não fossem inspiradas talvez seja uma das mais sutis, e ainda mais perigosas, críticas às Escrituras, visto que ela é feita exatamente no nome de Jesus. Cristo reconheceu a grande autoridade das Escrituras, que, em Seus dias, consistiam apenas no Antigo Testamento. Que outras evidências necessitamos de como também devemos considerar o Antigo Testamento?
 
Longe de enfraquecer a autoridade das Escrituras, Jesus constantemente as defendeu como um guia confiável e fidedigno. Ele afirmou claramente no mesmo Sermão da Montanha: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5:17). Em seguida, Ele disse que todo “aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos Céus” (Mt 5:19).

Quarta-feira, 24 de junho
Ano Bíblico: Sl 56-61
Horas tranquilas com a Palavra de Deus
 
A vida tende a ser agitada e repleta de tensão e estresse. É preciso trabalhar duramente para garantir a sobrevivência e colocar comida na mesa. Outras vezes, mesmo quando as nossas necessidades básicas são supridas, vivemos no corre-corre porque queremos cada vez mais. Desejamos as coisas que julgamos que nos farão felizes e satisfeitos. Mas, como Salomão nos adverte no livro de Eclesiastes, isso nem sempre acontece.
 
Seja qual for a razão, podemos estar muito ocupados e, portanto, é muito fácil, em meio à agitação, não dar lugar a Deus. Não é que não creiamos, mas apenas não passamos tempo de qualidade lendo, orando e ­aproximando-nos do Senhor, em cuja mão está nossa vida (Dn 5:23). Podemos estar muito distraídos com outras coisas para passar um tempo de qualidade com Deus. Todos precisamos de momentos em que deliberadamente desaceleramos para encontrar nosso Salvador, Jesus. Como o Espírito Santo pode falar conosco se não paramos para ouvi-Lo? A hora especial tranquila com Deus, na leitura de Sua Palavra e na comunicação da oração, é a fonte da nossa vida espiritual.
 
4. Leia o Salmo 37:7; 46:10; 62:1, 2, 5. O que esses textos nos ensinam sobre as horas tranquilas com Deus? Por que elas são tão importantes?
 
Se amamos alguém, certamente gostamos de passar tempo a sós com essa pessoa amada. Devemos escolher um lugar em que possamos ler e refletir sobre a Palavra de Deus sem interrupções. Em nossa vida frenética, isso só terá sucesso se reservarmos deliberadamente um tempo específico para esse encontro. Muitas vezes, o começo do dia é melhor para esses minutos de quietude e reflexão. Esses momentos, antes do início da jornada de trabalho, podem se tornar uma bênção para todo o restante do dia, pois os pensamentos valiosos que recebemos nos acompanharão por muitas horas. Mas sejamos criativos para encontrar o tempo de qualidade que é necessário para estarmos com Deus, sem interrupção.
 
Permanecer conectados com o Deus vivo da Bíblia por meio da oração impacta nossa vida como nada mais pode fazer. Por fim, isso contribui para que nos tornemos mais semelhantes a Jesus.

Quinta-feira, 25 de junho
Ano Bíblico: Sl 62-67
Memória e canção
 
“Guardo no coração as Tuas palavras, para não pecar contra Ti” (Sl 119:11).
 
Memorizar as Escrituras traz bênçãos multiplicadas. Quando guardamos preciosas passagens da Palavra de Deus em nossa mente, podemos reviver o que foi memorizado e aplicá-lo em circunstâncias novas e variáveis. Dessa maneira, a Bíblia impacta diretamente nosso pensamento e nossas decisões e influencia nossos valores e comportamento. Memorizar as Escrituras traz a Bíblia à vida em nossa experiência diária. Além disso, nos ajuda a adorar a Deus e a ter uma vida fiel de acordo com a Palavra.
 
Memorizar as Escrituras, palavra por palavra, é uma tremenda salvaguarda contra enganos e falsas interpretações. Memorizar a Bíblia nos habilita a citá-la, mesmo quando não a temos à disposição. Isso pode se tornar um tremendo poder para o bem em situações em que surgem tentações ou quando nos deparamos com desafios adversos. Relembrar as promessas de Deus e fixar nossa mente em Sua Palavra, e não em nossos problemas, eleva nossos pensamentos a Deus, que tem mil maneiras de ajudar quando não vemos nenhuma.
 
5. Leia Efésios 5:19 e Colossenses 3:16. De que maneira cantar a Palavra de Deus firma e fortalece as Escrituras em nossa mente?
 
Cantar as palavras da Bíblia também pode ser uma forma poderosa de memorizar o texto das Escrituras. No cântico, as palavras da Bíblia são mais facilmente lembradas. Combinar as palavras das Escrituras com belas melodias faz com que elas fiquem ancoradas em nossos pensamentos com maior firmeza e será um meio eficaz de dissipar nossa ansiedade. As passagens bíblicas relacionadas às melodias simples, mas harmoniosas, podem ser facilmente cantadas e memorizadas por crianças e adultos. As Escrituras foram a inspiração para numerosos e mundialmente famosos oratórios, sinfonias e outras músicas que moldaram e influenciaram a cultura cristã ao longo dos séculos. Composições que elevam nossa mente e direcionam nossos pensamentos a Deus e à Sua Palavra são uma maravilhosa bênção e influência positiva em nossa vida.
 
“A música faz parte da adoração a Deus nas cortes do Céu, e em nossos cânticos de louvor devemos tentar nos aproximar o máximo possível da harmonia do coro celestial” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 594).

Sexta-feira, 26 de junho
Ano Bíblico: Sl 68-71
Estudo adicional
 
Texto de Ellen G. White: Caminho a Cristo, p. 93-104 (“O Privilégio de Falar com Deus”).
 
“O olho natural nunca pode contemplar a beleza e atração de Cristo. Somente a iluminação interior do Espírito Santo, revelando à pessoa seu verdadeiro desamparo e desesperada condição, sem a misericórdia e perdão de Cristo – o todo-suficiente portador de nossos pecados – pode capacitar o homem a discernir Sua infinita misericórdia, Seu imensurável amor, benevolência e glória” (Ellen G. White, Olhando Para o Alto, p. 155).
 
“Partes das Escrituras, até mesmo capítulos inteiros, podem ser memorizadas, a fim de ser repetidas quando Satanás vier com suas tentações [...]. Ao levar a mente a demorar-se em coisas terrestres e sensuais, Satanás é mais eficazmente resistido com um ‘Está escrito’” (The Advent Review and Sabbath Herald [“Revista Adventista e Arauto do Sábado”], 8 de abril de 1884).
 
Perguntas para consideração
 
1. Como a realidade da livre escolha influência nossas decisões relativas à fé e à obediência? Embora muitas áreas da vida estejam fora do nosso controle, as coisas essenciais (que pertencem à vida eterna) estão sob nosso domínio e liberdade de escolha. O que temos feito com o livre-
arbítrio que Deus nos deu? Quais têm sido nossas escolhas espirituais?
 
2. Pense na função que o sábado pode e deve desempenhar ao nos conceder a oportunidade de passar horas tranquilas com Deus. A guarda do sábado ajuda a evitar que o trabalho e as coisas da vida nos impeçam de passar o tempo necessário com o Senhor? Como aproveitar mais o sábado como a bênção espiritual que ele deve ser?
 
3. Qual tem sido sua experiência a sós com Deus em oração e estudo? Como essa prática espiritual afeta sua fé? Na classe, se você se sentir à vontade, fale sobre seus momentos pessoais de leitura e oração e o que você ganhou com eles. Como os outros podem se beneficiar do que você aprendeu?
 
4. Quais textos favoritos você memorizou? Por que você gosta tanto deles? Em que sentido memorizá-los foi uma bênção para você?
 
Respostas e atividades da semana: 1. A. 2. Jesus lutou contra as tentações do diabo no deserto por meio da Palavra de Deus, o “Assim diz o Senhor”. Ele costumava dizer: “Está escrito.” Sem as Escrituras, nossa fé é enfraquecida. 3. B. 4. Deus nos convida a nos aquietarmos e não nos preocuparmos com os ímpios nem com os problemas da vida. 5. Por meio de hinos, salmos e canções memorizamos as Palavras do Senhor e nossa fé é fortalecida.
 
Resumo da Lição 13
Vivendo pela Palavra de Deus
Lidando com passagens bíblicas difíceis
 
Textos-chave: 2Pd 3:15, 16; 2Tm 2:15; 1Tm 4:16; 1Cr 29:17; Pv 2:7; Tg 4:6; Gl 6:9
 
Esboço
 
Em algum momento, todo estudante da Bíblia encontra algumas passagens das Escrituras que são difíceis de entender. Essa dificuldade não deve nos surpreender. Qualquer um que se depare com outra cultura e visão de mundo sabe que, inevitavelmente, haverá coisas que não serão compreendidas de imediato, pois não são familiares. O mesmo se dá no caso da cosmovisão das Escrituras. Se entendêssemos tudo que está na Bíblia, não haveria necessidade de se obter mais compreensão e haveria menos incentivo para crescer no conhecimento espiritual. Nossa maneira de abordar passagens difíceis não apenas revela muito sobre nossa atitude em relação às Escrituras, mas mostra se temos seriedade na busca de respostas. A quantidade de tempo e energia mental que investimos para lidar com as dificuldades, tentando encontrar soluções fiéis às Escrituras revela quanto elas são importantes para nós e quanto é importante encontrar as respostas. Passagens difíceis não apenas nos desafiam, mas também oferecem uma oportunidade única de nos aprofundarmos no conhecimento e pesquisarmos mais detidamente as Escrituras, para que possamos entender ainda mais os escritores da Bíblia e a mensagem de Deus. Não precisamos ter medo de encontrar passagens que não entendemos. Em vez disso, devemos ser gratos até mesmo pelas passagens desafiadoras e difíceis da Bíblia, pois oferecem uma oportunidade de crescer em nosso entendimento. A presença de algumas atitudes importantes tornarão essas dificuldades uma bênção para nós, enquanto sua ausência farão desses desafios uma maldição.
 
COMENTÁRIO
 
Possíveis razões para dificuldades e aparentes contradições
 
Muitos estudiosos que não acreditam na inspiração divina das Escrituras supõem que elas são contraditórias e cheias de erros, pois, em sua opinião, ser humano significa ser falível e imperfeito. Embora seja verdade que os seres humanos são falhos e nem sempre são verdadeiros, também é fato que mesmo pessoas imperfeitas são totalmente capazes de discernir e falar a verdade. Se até seres falíveis são capazes de comunicar a verdade fielmente, quanto mais devemos esperar que Deus, que não pode mentir (Hb 6:18), foi capaz de impedir que os escritores da Bíblia se enganassem no que escreveram.
 
Quando abordam a Palavra divina com dúvida, alguns aceitam sua veracidade somente se houver indubitável evidência e prova. Em vez de conceder às Escrituras o benefício da dúvida quando não têm todas as informações disponíveis, muitos estudiosos críticos aceitam essas passagens como confiáveis e verdadeiras apenas onde a razão humana demonstra sua veracidade ou onde evidências externas revelam claramente que as Escrituras estão em harmonia com descobertas arqueológicas ou científicas. Quando esses critérios externos são a norma final para o que é aceitável, e as Escrituras às vezes não os cumprem, esses intérpretes acreditam que encontraram contradições.
 
Ao lidar com as afirmações bíblicas, precisamos nos lembrar de que os escritores da Bíblia costumavam usar linguagem comum e cotidiana, e um estilo não técnico. Por exemplo, ao falarem do nascer do Sol (Nm 2:3; Js 19:12) e do pôr do Sol (Dt 11:30; Dn 6:14) não usaram a linguagem científica. Eles simplesmente descreviam as coisas do modo como as viam acontecer. Além disso, não se deve confundir uma convenção social com uma afirmação científica. A necessidade de precisão técnica varia de acordo com a situação em que uma declaração é feita. Portanto, imprecisão não é o mesmo que inverdade.
 
Pode ser que algumas discrepâncias tenham ocorrido devido a pequenas variações e erros causados por copistas e tradutores da Bíblia. A maioria desses erros de transmissão são mudanças não intencionais, em que copistas confundiram letras semelhantes ou, ao copiar um texto, eles acidentalmente “pularam para outra palavra ou linha com a mesma palavra ou letra. Essa tendência é agravada quando não há espaços entre vocábulos ou sinais de pontuação, o que certamente foi o caso dos textos gregos e também pode ter acontecido no hebraico” (Paul D. Wegner, A Student’s Guide to Textual Criticism of the Bible [Guia do Estudante de Crítica Textual da Bíblia. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2006, p. 46). Às vezes, ocorre uma inversão na ordem de duas letras ou palavras. Por exemplo, em João 1:42, o nome “João” [I?annou], como é encontrado em vários manuscritos, é lido “Jonas” [I?na] em alguns outros manuscritos (ver Wegner, A Student’s Guide to Textual Criticism of the Bible, p. 48, para esse e outros exemplos). Tais problemas não devem nos perturbar. Antes de mais nada, os manuscritos bíblicos são de longe os mais confiáveis e mais bem preservados do mundo antigo. Nenhuma outra literatura é transmitida em tantos manuscritos e copiada tão meticulosamente em relação à composição original quanto os manuscritos bíblicos. Segundo, essas pequenas alterações podem ser corrigidas à luz de outras evidências disponíveis. Elas não afetam nenhuma doutrina ou ensino importante da Bíblia. Embora os copistas e tradutores em geral tenham sido extremamente cuidadosos em seus trabalhos, eles não foram inspirados como os autores bíblicos originais. Ellen G. White estava ciente de que “pode ter havido algum erro nos copistas ou da parte dos tradutores”. Mas, para ela, “todos os erros não causarão dificuldade a uma alma, nem farão tropeçar os pés de alguém que não fabrique dificuldades da mais simples verdade revelada” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 16).
 
Lide com as dificuldades de forma honesta e cuidadosa
 
Deus Se agrada da honestidade (1Cr 29:17). Se buscarmos honestamente a verdade, a encontraremos. A honestidade vencerá a longo prazo. Lidar honestamente com as dificuldades significa que não as negamos nem distorcemos as evidências, mas lidamos com elas de maneira imparcial. É muito melhor admitir honestamente que não temos uma resposta satisfatória para uma dificuldade do que distorcer as evidências para torná-las mais ajustáveis à nossa opinião. Respostas superficiais não resistirão ao teste do escrutínio e lançarão uma sombra sobre nossa credibilidade. Uma mentira piedosa é talvez a mais destrutiva de todas, porque lança uma sombra de dúvida sobre o caráter de Deus e Sua Palavra e põe em cheque até a nossa própria integridade. Se ignorarmos a honestidade na busca por respostas, mataremos nossa consciência e colocaremos em risco nossa vida espiritual. Por fim, estaremos em perigo de não valorizar a verdade, a ponto, talvez, de até sermos incapazes de distinguir a verdade da falsidade. Mas a honestidade traz consigo uma bênção: estabelece confiança com as próprias pessoas a quem queremos conquistar pela verdade da Bíblia. A honestidade é a base de todo relacionamento pessoal saudável. A honestidade deve ser associada ao cuidado. Ela espera e não se apressa em tirar conclusões precipitadas, com base em informações limitadas. A honestidade fará tudo que for necessário para avaliar cuidadosamente as evidências disponíveis.
 
Pense em exemplos de respostas desonestas sobre a Bíblia e o impacto negativo (a longo prazo) que elas tiveram sobre os outros. Você pode citar alguma situação em que respostas honestas a perguntas bíblicas tiveram um impacto positivo (a longo prazo) sobre quem as ouviu?
 
Lide com dificuldades humildemente
 
Humildade é o oposto de orgulho. O orgulho nos impede de apreciar as ideias e realizações dos outros. A pessoa que tem essa atitude não sente necessidade de aprender, porque pensa que já sabe tudo. Aquele que é humilde, por outro lado, reconhece que a verdade não é algo de sua autoria, mas é inspirada por Deus (ver 2Tm 3:16). As pessoas humildes têm disposição para aprender e não afirmam ter todas as respostas. Elas podem expandir seu conhecimento da Palavra de Deus de uma maneira que os arrogantes e orgulhosos são incapazes de fazer. Visto que o orgulho está tão profundamente arraigado em nós e a humildade vai contra a lógica de nossa cultura e sociedade, uma postura humilde é talvez a posição mais difícil de se assumir ao se estudar a Bíblia.
 
Você conhece alguém que tem um caráter intelectual genuinamente humilde? Quem é? O que mais o impressiona sobre a vida e a erudição dessa pessoa?
 
Reflita sobre a seguinte declaração de Ellen G. White sobre esse assunto: “Os que querem duvidar têm suficiente oportunidade para isso. Deus não Se propõe fazer desaparecer toda ocasião para a incredulidade. Apresenta evidências que precisam ser cuidadosamente investigadas, com espírito humilde e susceptível ao ensino; e todos devem julgar pela força dessas mesmas evidências” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 290)
 
Lide com as dificuldades com determinação e paciência
 
Algumas dificuldades desafiam respostas fáceis e rápidas, uma vez que exigem determinação e paciência. Durante séculos, os estudiosos ficaram intrigados com uma das discrepâncias mais desconcertantes das Escrituras: os números diferentes dos reinados dos reis hebreus no Antigo Testamento. A Bíblia apresenta muitas informações sobre esses reis, mas quando elas são reunidas, parecem contraditórias. Teria sido fácil para o estudioso adventista Edwin Thiele aceitar essa discrepância não resolvida, mas como ele acreditava na veracidade e confiabilidade das Escrituras, estava determinado a não desistir e, durante anos (!) estudou todas as evidências. Ao estudar com atenção os dados bíblicos e compará-los com fontes extrabíblicas, finalmente conseguiu mostrar que métodos diferentes foram usados para contar os anos dos reinados dos reis hebreus. Sua solução é coerente com o registro das Escrituras e os registros de outras nações do mundo antigo. Seu livro The Mysterious Numbers of the Hebrew Kings [Os Misteriosos Números dos Reis Hebreus] (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1983), tornou-se uma obra de referência, amplamente reconhecida nos círculos acadêmicos, muito além das fronteiras da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
 
Part 3: Aplicação para a vida
 
Muitos dos chamados erros não são resultado da revelação de Deus, mas das nossas interpretações erradas. Eles surgem não de alguma obscuridade da Bíblia, mas da cegueira e preconceito do intérprete. No entanto, existem algumas dificuldades bíblicas que desafiam soluções rápidas, visto que são difíceis de entender, mesmo para a pessoa mais honesta e determinada. Mas apenas porque não foi possível encontrar uma solução para um problema específico não significa que não exista nenhuma resposta. É bem provável que outros cuidadosos pesquisadores das Escrituras tenham lutado com a mesma dificuldade muito antes de mim, e provavelmente haja uma resposta, mesmo que eu não esteja ciente disso.
 
Mas também podemos agir como Daniel quando confrontado com passagens das Escrituras que ele não entendeu. O profeta orou intensamente (ver Dn 8:27 a 9:27). Quando nos ajoelhamos podemos obter uma perspectiva completamente nova sobre alguns problemas.
 
Em quais situações a oração fez diferença na sua vida ao lidar com perguntas difíceis? Compartilhe sua experiência.
 
Para obter mais princípios e exemplos específicos sobre como lidar com passagens difíceis, consulte Gerhard Pfandl (ed.), Interpreting Scripture: Bible Questions and Answers [Interpretando as Escrituras: Perguntas e Respostas da Bíblia], Biblical Research Institute Studies 2 [Estudos do Instituto de Pesquisa Bíblica 2] (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2010).