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O objetivo da Verizon é unir a AOL aos serviços de conteúdo e publicidade do Yahoo

 
NOVA YORK - A Verizon confirmou nesta segunda-feira a compra do Yahoo por US$ 4,83 bilhões em dinheiro. O negócio marca a segunda vez em dois anos que a Verizon abocanha uma ex-estrela da web, ampliando seu alcance no mundo digital, já que, no ano passado, o maior provedor de internet dos EUA comprou a AOL por US$ 4,4 bilhões.
 
 
O objetivo da Verizon é unir a AOL aos serviços de conteúdo e publicidade do Yahoo e, desta forma, criar um terceiro gigante no mercado de internet, capaz de desafiar Google e Facebook. As principais atividades do Yahoo incluem os famosos serviços on-line como Yahoo News e Yahoo Mail.
 
 
O diretor-executivo da Verizon, Lowell McAdam, já afirmou em um comunicado que as atividades do Yahoo se integrarão na mesma divisão que as da AOL, adquirida no ano passado, com o objetivo de criar “um grupo internacional de meios de comunicação de primeira ordem e ajudar a acelerar nossas receitas por publicidade on-line”.
 
 
 
A transação encerra cinco meses de especulação sobre o destino do Yahoo, após iniciar um processo de revisão estratégica e análise de alternativas. O acordo vai agregar a pioneira icônica da internet e seus milhões de usuários diários ao portfólio de ativos de mídia da Verizon, além de provavelmente acabar com a tumultuada gestão da diretora executiva Marissa Mayer, que se dispôs — sem sucesso — a recuperar a empresa como companhia independente diante de duras críticas de acionistas contra sua administração.
 
 
Com o negócio, fechado no fim de semana, a Verizon passa a deter dois gigantes dos primórdios da internet, AOL e Yahoo, que acabaram sendo superados por Google e Facebook. A conclusão da compra deve ocorrer no primeiro trimestre de 2017.
 
 
A compra, no entanto, gera riscos para a Verizon, que é uma das maiores empresas de telecomunicações dos EUA, mas tem pouca experiência na área de conteúdo digital. A diretoria do Yahoo, liderada por Marissa Meyer, passou quatro longos anos tentando criar uma estratégia viável para a empresa, mas não conseguiu.
 
 
“O Yahoo é uma empresa que mudou o mundo, e vamos continuar a fazer isso por meio da combinação com Verizon e AOL”, afirmou Marissa em nota.
 
 
Já a Verizon afirmou estar otimista com as possibilidades abertas com a compra do Yahoo.
 
 
“Há apenas um ano, nós adquirimos a AOL para melhorar nossa estratégia de fornecimento de conexão multitelas para nossos consumidores, criadores e anunciantes”, afirmou em nota McAdam, diretor-presidente da Verizon. “A aquisição do Yahoo vai deixar a Verizon em uma posição altamente competitiva como uma empresa líder globalmente em mídia móvel, e ajudará a acelerar a receita com publicidade digital.”
 
 
22 ANOS DE INDEPENDÊNCIA
 
A venda do Yahoo encerra 22 anos de história da empresa como um ente independente. Fundada em um trailer em 1994 por duas estudantes de Stanford, foi a porta de entrada para uma geração de usuários da internet, mas não conseguiu acompanhar o ritmo da Google na busca por tecnologia e acabou perdendo as revoluções das mídias sociais e da comunicação móvel.
 
 
Após a concretização do negócio, os acionistas do Yahoo continuarão detendo ações do que restar da empresa, que será essencialmente um fundo de investimento com duas holdings: uma fatia de 15%, que vale cerca de US$ 32 bilhões em valores atuais dos papéis, na empresa chinesa de comércio eletrônico Alibaba, e 35,5%, que valem cerca de US$ 8,7 bilhões, do Yahoo Japan.
 
 
O negócio com a Verizon também não inclui patentes de dinheiro do Yahoo assim com outros direitos de propriedade intelectual não essenciais, que a empresa tenta vender separadamente.