Fotografo: Cruzeiro do Vale
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Em nove anos, mais de 485 mil indenizações por mortes no trânsito foram pagas em todo o Brasil

Para marcar o Dia do Trânsito, celebrado nesta quarta-feira, dia 25 de setembro, um levantamento mostra que acidentes no Brasil causam mais mortes do que uma guerra civil. 
 
Em nove anos, mais de 485 mil indenizações por mortes no trânsito foram pagas em todo o Brasil, segundo levantamento feito pela Seguradora Líder, administradora do Seguro DPVAT.
 
O número é maior do que o de vítimas da guerra da Síria, que deixou mais de 360 mil mortes desde 2011, quando foi iniciada. 
 
No acumulativo de 2009 a 2018, o Sudeste é a região de maior destaque no levantamento dos dados, com 181.356 indenizações pagas. Logo atrás vem o Nordeste, com 131.560 e a região Sul, com 84.803.
 
São Paulo é isoladamente o estado com a maior quantidade de indenizações pagas por morte, com 84.883 de 2009 a 2018. Minas Gerais (51.482), Paraná (37.212), Rio de Janeiro (34.334) e Bahia (29.881) fecham a lista dos cinco estados de maior ocorrência de mortes no trânsito.
 
Apesar do cenário preocupante, a pesquisa mostra que, na comparação de 2009 a 2018, o Brasil teve queda de 28% no número de indenizações pagas por morte, além de manter uma tendência anual de redução na quantidade de mortes.
 
“Medidas que intensificam a fiscalização, como a Lei Seca, e campanhas de conscientização da população, como o Maio Amarelo e a Semana Nacional de Trânsito, são grandes aliadas nestes resultados. Mas o cenário continua mostrando a importância de investir em prevenção e educação na formação de condutores, e reforço na fiscalização em todos os estados do Brasil”, diz Arthur Froes, superintendente de Operações da Seguradora Líder.
 
Para Eduardo Bivatti, especialista em educação no trânsito, a tendência de queda não se deve unicamente a políticas governamentais, mas também tem relação com o momento que atravessa o país economicamente, marcado por um cenário de recessão.
 
“Nos últimos quatro anos o Brasil passou por uma recessão econômica violentíssima, com alto desemprego, além de que a venda de combustível, de automóveis, caminhões, vendas no comércio, tudo parou.  Então a exposição ao risco de colisões ou atropelamento também diminuiu, porque a pessoa não tem dinheiro para sair de casa. Não dá para dizer que foi só um sucesso das políticas de governo”, explica.
 
No entanto, Biavatti reforça que, ao mesmo tempo, o aparato de fiscalização, em todas as cidades, se tornou muito mais estratégico e tem influência nesse cenário de queda no número de mortes e acidentes no trânsito.
 
“Em São Paulo, por exemplo. Hoje, a GCM (Guarda Civil Municipal) pode aplicar multa, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a Polícia Militar e a PRF (Polícia Rodoviária Federal) também. Ou seja, qualquer agente da lei pode autuar um condutor, de modo que o número de ‘olhos’ para as infrações se multiplicou muito. Basta ver as multas por causa do uso do celular, que passaram de mil para 500 mil”, ressalta.
 
“E, além do mais, passou a se fazer uma coisa que o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) previa, mas ninguém fazia, por várias questões burocráticas, que é processar os condutores que atingirem 20 pontos na habilitação. A multa não é a maior penalidade do código, como todo mundo pensa. A maior penalidade é a suspensão do direito de dirigir. Porque a habilitação é um documento provisório, você não nasce com direito à habilitação, pelo contrário, quem quer ter a CNH tem que se candidatar, fazer uma prova, etc”, comenta Biavatti.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas