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Paralisação causa reflexos no abastecimento de produtos essenciais como alimentos, combustíveis e medicamentos

Redução no preço do óleo diesel. Essa é a principal reivindicação do movimento grevista de caminhoneiros que ‘trava’ o país há cinco dias. Aliada à outras exigências como a diminuição do valor do pedágio para caminhões e a criação de uma política de preços mínimos para o frete, elas estabelecem alguns dos pontos da pauta oficial de solicitações apresentada pelas lideranças da categoria.

Porém a suposta inclusão de itens mais radicais - como os que pedem a renúncia dos presidentes do Executivo, Câmara e Senado Federal – caso o governo não atenda as solicitações iniciais até o próximo dia 29 está citada em um texto de autoria desconhecida que circula na internet e está sendo amplamente compartilhado. O documento também afirma que haverá bloqueio total das estradas federais, portos e aeroportos se o prazo não for cumprido.

Sem acordo

Apesar do acordo firmado na noite de ontem entre o governo e representantes dos caminhoneiros, que deveria pôr fim à greve, houve a manutenção dos protestos, o que levou Michel Temer a anunciar na manhã de hoje o uso das forças federais de segurança para a completa liberação das estradas.

“Nós não vamos permitir que a população fique sem gêneros de primeira necessidade. Não vamos permitir que consumidores fiquem sem produtos. Não vamos permitir que hospitais fiquem sem insumos para salvar vidas. Não vamos permitir também que crianças sejam prejudicadas pelo fechamento de escolas. Como não vamos permitir que produtores tenham seu trabalho ainda mais afetado”, afirmou Temer.

Ainda segundo o presidente uma “minoria radical” de caminhoneiros insiste no não cumprimento do acordo, e que agora “o governo terá a coragem de exercer sua autoridade em defesa do povo brasileiro”.

A voz das estradas

A reportagem da Rede SBC Brasil conversou com Wallace Camargo, caminhoneiro que aderiu à greve e desde o início da paralisação está no município de Caçapava, no estado de São Paulo.

SBC Brasil: Segundo o governo 12 reivindicações da categoria foram atendidas. O que ficou acordado na noite de ontem chegou às estradas?

Wallace Camargo: Sim, chegou até nós, mas quem representa a maioria dos autônomos não pode subir na reunião com o governo, e todos na mesma hora entenderam que não era o momento de retornar as atividades, pois o governo só quer ganhar tempo e assim depois seríamos prejudicados com novos reajustes. Aqui a maioria não quer retornar as atividades enquanto o governo não ceder.

SBC Brasil: Em um pronunciamento feito hoje Temer disse que há uma "minoria radical" de caminhoneiros que insiste na greve. Você observa alguma divisão de opiniões entre possíveis caminhoneiros que querem continuar com a paralisação e outros que querem pôr fim a ela? 

Wallace Camargo: A classe é muito unida aqui. Todos estão colaborando em algo. Caminhões de produtos perecíveis liberaram carnes, frutas, legumes e verduras para a alimentação, e como eu disse anteriormente, aqui é consenso que se a categoria der essa ‘trégua’ para o governo, toda essa paralisação será em vão.

SBC Brasil: De que lado você está?

Wallace Camargo: Estou sempre ao lado do trabalhador, e estava rolando um boato de que essa greve era locaute, que estava sendo patrocinada. Não é a realidade. Aqui a ajuda é entre nós e a população da cidade de Caçapava, que está ajudando bastante e também nos fornecendo café bolo, marmitas, sopa... não há nenhum tipo de ajuda de empresários ou patronato.

SBC Brasil: Como os caminhoneiros reagiram ao anúncio do uso de forças federais de segurança - o que inclui o Exército, Marinha, Aeronáutica e Polícia Rodoviária Federal - para liberação das estradas?

Wallace Camargo: A notícia chegou sim até nós, mas aqui no nosso bloqueio os caminhões não estão na rodovia, não estamos impedindo o direito de ir e vir de ninguém. Todos os caminhões estão dentro do posto ou em cima do canteiro lateral. Eles não podem vir e nos obrigar a trabalhar e retomar as atividades enquanto não houver melhora nos preços.