Fotografo: Reprodução / TV Globo
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Narrador de futebol Galvão Bueno

São Paulo, Brasil
 
Gabigol?
 
Fred?
 
Bruno Henrique?
 
Ganso?
 
Não, a estrela do Campeonato Carioca mais desmoralizado desde 1906, tem nome e sobrenome. 
 
E é uma mulher.
 
Eunice Bitencourt Haddad.
 
Ela é a juíza da 24ª Vara Cível do Rio de Janeiro.
 
Na semana passada, foi ela quem acatou a liminar impetrada pela Federação Carioca de Futebol. 
 
E obrigou a TV Globo a transmitir a semifinal da Taça Rio, entre Fluminense e Botafogo.
 
Mesmo com o anúncio da rescisão de contrato, pelo Flamengo haver transmitido seu jogo contra o Boavista, utilizando a Medida Provisória 948.
 
Nem na Ditadura Militar, uma emissora foi obrigada a mostrar uma partida de futebol no Brasil.
 
Mas hoje, a mesma juíza Eunice determinou que a liminar obtida pela Ferj não vale para a final da Taça Rio.
 
Não para o Fla-Flu de quarta-feira.
 
 
Pelo fato fundamental de o Flamengo não ter contrato com a Globo.
 
E a emissora anunciou, com rancor, que não transmitirá o jogo na próxima quarta-feira.
 
"A Globo reitera seu entendimento de que o contrato foi rescindido e reafirma que os clubes estão livres para ceder os direitos sobre seus jogos ou transmiti-los."
 
A partir daí, a Federação Carioca tem dois caminhos.
 
Tentar outro recurso legal para que a Globo se dobre e transmita a decisão da Taça Rio, que tem tudo para ser a final do Estadual, basta o superfavorito Flamengo vencer o combalido Fluminense.
 
Ou então liberar para o Fluminense transmitir o jogo no seu canal na Internet, já que é o mandante da partida.
 
Havendo ainda a possibilidade de uma negociação para o rival Flamengo também mostrar o jogo.
 
"A controvérsia instaurada diz respeito tão somente à rescisão contratual, por iniciativa das ora rés, em relação ao contrato firmado com a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro - FERJ. Não está em discussão a aplicação da Medida Provisória 984/2020 ao Campeonato Estadual.
 
"(...). De modo que a liminar não alcança as partidas com participação do Clube de Regatas do Flamengo, já que se limitou a tornar sem efeito a rescisão unilateral de contrato, em que tal clube não figurou como aderente", determinou a juíza Eunice.
 
Mas nessa caótica reta final do Campeonato Carioca, disputado em pleno auge da pandemia do coronavírus, tudo é possível.
 
A final de um torneio tão tradicional como o do Rio de Janeiro jamais foi desprezado pela emissora que comprou o direito de transmiti-lo.
 
Executivos globais juram.
 
Não é apenas para  2020.
 
O contrato está rescindido para 2021, 2022, 2023 e 2024.
 
Para desespero da Ferj.
 
O presidente da Federação, Rubens Lopes, já está em contato com o presidente do Fluminense, Mario Bittencourt, e do Flamengo, Rodolfo Landim, para decidirem juntos que caminho tomar.
 
A 48 horas da decisão.
 
Mais um vexame no 'país do futebol'...