Fotografo: CPB
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“Que viram em tua casa?”

Lição 12
15 a 21 de junho
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Sl 1–9
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes Daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9).
 
LEITURAS DA SEMANA: Is 38; 39; 58:6, 7, 10, 12; 1Co 7:12-15; 1Pe 3:1, 2; Hb 6:12; 13:7; 3Jo 11
 
Talvez tenhamos chegado a um estágio em que, graças ao Senhor, nossa vida esteja indo bem: família, trabalho, saúde e finanças. Ou talvez não. Possivelmente, seu lar esteja em aflição ou em crise. Seja como for, quando alguém visita seu lar, como os emissários da Babilônia visitaram o rei Ezequias, qual resposta poderia ser dada à pergunta que o profeta Isaías posteriormente fez ao rei: “Que viram em tua casa? (Is 39:4).
 
O que as pessoas e os anjos celestiais veem em nossa casa? Qual influência permeia nosso lar? É possível “sentir” o perfume da oração? Existe gentileza, generosidade, amor, ou tensão, ira, ressentimento, amargura e discórdia? Algum visitante vai embora com a sensação de que Jesus está ali?
 
É importante que façamos essas perguntas a nós mesmos a respeito do tipo de lar que promovemos. Nesta semana, examinaremos algumas questões que contribuem para uma vida familiar maravilhosa, apesar das inevitáveis tensões e lutas que os lares enfrentam atualmente.

Domingo, 16 de junho
Ano Bíblico: Sl 10–17
Aprendendo com o erro de um rei
 
1. Leia o relato sobre a cura de Ezequias e a visita dos embaixadores da Babilônia. Que princípios dessa história podemos aplicar à nossa família? 2Cr 32:25, 31; Is 38; 39
 
As Escrituras mostram que os mensageiros foram atraídos pela recuperação miraculosa do rei Ezequias. No entanto, Ezequias parece ter se calado sobre sua experiência de cura. Ele não enfatizou as coisas que teriam aberto o coração desses curiosos embaixadores ao conhecimento do verdadeiro Deus. É impressionante o contraste entre sua gratidão por ter sido curado no capítulo 38 e seu silêncio a respeito da cura no capítulo 39.
 
“Deus o desamparou, para prová-lo”. Essa visita de Estado era uma ocasião muito importante; entretanto, não há registro de que Ezequias buscou, em oração, orientação especial a respeito dela da parte dos profetas nem dos sacerdotes. Deus também não interveio. Sozinho, longe dos olhos do público e sem consultar conselheiros espirituais, Ezequias aparentemente deixou que a obra de Deus em sua vida e na vida de sua nação desaparecesse de sua mente. Possivelmente, a intenção do historiador em 2 Crônicas 32:31 tenha sido mostrar como a bênção de Deus pode facilmente passar despercebida e não ser devidamente valorizada, e como os que recebem Sua misericórdia tendem a se tornarem autossuficientes.
 
2. Abaixo estão algumas lições sobre fidelidade na vida familiar a partir da experiência de Ezequias. Em sua opinião, existem outras? Quais?
 
Toda visita a um lar cristão é uma oportunidade para que as pessoas encontrem ali seguidores de Cristo. Provavelmente, poucos visitantes iniciarão conversas sobre coisas espirituais. Os cristãos devem encontrar maneiras sensíveis e apropriadas de compartilhar as boas-novas.
 
Os cristãos não são chamados a ostentar sua prosperidade material nem realizações, embora possam reconhecê-las como bênçãos de Deus. Eles são chamados a “anunciar as grandezas Daquele que os chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9, NVI), ou a usar a experiência de Ezequias como um símbolo para declarar que eles estavam à beira da morte, mas Cristo os curou; estavam mortos no pecado, mas Cristo os ressuscitou e os fez sentar nos lugares celestiais (Ef 2:4-6).

Segunda-feira, 17 de junho
Ano Bíblico: Sl 18–22
Família em primeiro lugar
 
 
As pessoas do nosso lar são o primeiro alvo natural dos nossos esforços evangelísticos. Não há campo missionário mais importante.
 
3.Leia João 1:40-42. Quais lições aprendemos sobre o dever de compartilhar a fé no lar? (Veja também Dt 6:6, 7; Rt 1:14-18). Assinale a alternativa correta:
 
A. (  ) Devemos evangelizar nossa família e cuidar dela.
 
B. (  ) O alvo são os vizinhos; a família não precisa ser evangelizada.
 
Testemunhando com entusiasmo. André fez mais que um simples relato; ele providenciou para seu irmão, Simão, um encontro com Jesus. Um relato entusiasmado sobre Cristo e a apresentação Dele como pessoa é uma fórmula muito simples para compartilhar o evangelho com parentes em nosso lar! Após a apresentação, André recuou. A partir daquele momento, Jesus e Pedro tiveram um relacionamento próprio.
 
Promovendo a fé dos filhos. Os filhos muitas vezes podem ser negligenciados como importantes destinatários dos nossos esforços evangelísticos. Os pais pressupõem erroneamente que os filhos simplesmente absorvam a espiritualidade familiar, mas isso não é algo automático. Embora as crianças e jovens aprendam com o exemplo, os mais jovens da família do Senhor também precisam de atenção individual e oportunidade de ser pessoalmente apresentados a Ele. Deuteronômio 6 insiste nesse ponto: deve ser dada atenção à mais eficaz educação religiosa. Os hábitos espirituais de culto pessoal e familiar devem ser encorajados no lar. Devemos dedicar tempo e fervorosos esforços em favor das crianças e jovens.
 
4. O que aprendemos com os esforços evangelísticos de Noemi? Rt 1:8-22
 
Rute viu Noemi em seus piores momentos: quando ela tentou despedir sua nora e quando, irritada e deprimida, lançou sobre Deus a responsabilidade por suas perdas (Rt 1:15, 20, 21). Nenhum testemunho mais eloquente que o de Rute pode ser dado a fim de mostrar que os jovens podem se encontrar e se comprometer com um Deus perfeito, mesmo quando apresentados a Ele por um pai ou mãe imperfeitos.

Terça-feira, 18 de junho
Ano Bíblico: Sl 23–30
A paz que vence
 
 
5. Qual é o conselho do Novo Testamento para os casamentos divididos pela religião? 1Co 7:12-15; 1Pe 3:1, 2
 
A bênção de ser um cônjuge cristão. Em 1 Coríntios, Paulo respondeu à inquietação dos convertidos. Eles desejavam saber se permanecer casado com um cônjuge incrédulo poderia ser ofensivo a Deus ou trazer contaminação para si e para seus filhos. Paulo disse que não. A condição sagrada do casamento e sua intimidade devem continuar após a conversão de um parceiro. A presença de um cristão “santifica” o cônjuge e os filhos do casal. A palavra “santifica” deve ser entendida no sentido de que o incrédulo entra em contato com as bênçãos da graça ao viver com um companheiro cristão.
 
Por mais doloroso que seja, o cônjuge descrente pode decidir abandonar o casamento. Embora as consequências sejam sérias, a palavra misericordiosa do nosso Deus, que sempre defende a liberdade de escolha do ser humano, é que, caso o descrente queira se separar, “que se separe”. O cristão, “em tais casos [...], não fica debaixo de servidão” (1Co 7:15, NVI).
 
Chamados para viver em paz. Evidentemente, a preferência da Palavra de Deus é que, apesar dos desafios de um lar espiritualmente dividido, seja encontrada uma forma pela qual a paz de Cristo reine ali. A esperança é manter o casamento intacto, evidenciar o triunfo do evangelho em meio às dificuldades e promover o conforto do cônjuge com quem o cristão é uma só carne, embora ele(a) seja incrédulo(a).
 
6. Quais são as limitações da responsabilidade de um cônjuge cristão para com o outro que é descrente?
 
Há maior probabilidade de levar o cônjuge não cristão para Cristo quando o cristão manifesta benignidade, fidelidade inabalável, serviço humilde e testemunho cativante. Em um casamento cristão, a submissão surge da reverência a Cristo (compare com Ef 5:21). Antes de se relacionar em submissão cristã com um incrédulo, o cristão deve se submeter e ser fiel primeiramente a Deus. A fidelidade às reivindicações de Deus não exige que o cônjuge cristão sofra abuso nas mãos de um parceiro violento.

Quarta-feira, 19 de junho
Ano Bíblico: Sl 31–35
A vida familiar deve ser compartilhada
 
 
7. Nos versos abaixo, investigue os usos da palavra “imitar”. O que eles revelam sobre o processo de se tornar cristão e crescer na fé? O que eles sugerem sobre a relação entre exemplo e testemunho? 1Co 4:16; Ef 5:1; 1Ts 1:6; Hb 6:12; 13:7; 3Jo 11
 
A ênfase do Novo Testamento na imitação reconhece a importância do exemplo no processo de aprendizagem. Temos a tendência de nos tornar semelhantes às pessoas ou às coisas que observamos. Esse princípio se aplica aos relacionamentos em geral, especialmente no lar, onde a imitação é comum. Os filhos imitam seus pais e irmãos; e os cônjuges imitam um ao outro. Esse conceito apresenta um indício importante de como casais e famílias podem testemunhar de Cristo a outras pessoas.
 
O poder da influência social. Testemunhamos do nosso lar quando damos oportunidade para que outros compartilhem da nossa experiência doméstica. Muitos simplesmente não têm um bom exemplo de relacionamentos familiares. Em nosso lar, eles podem ver como o espírito de Jesus faz a diferença. Ellen White escreveu: “A influência social é uma força maravilhosa. Se quisermos, podemos valer-nos dela para auxiliar as pessoas que nos rodeiam” (A Ciência do Bom Viver, p. 354).
 
Quando os casados convidam outros casais para uma refeição, relacionamento social ou estudo bíblico, ou quando participam juntos de um programa de desenvolvimento conjugal, os visitantes veem um modelo. A demonstração de reciprocidade, afirmação, comunicação, resolução de conflitos e adaptação de diferenças testemunham da vida familiar em Cristo.
 
8. No contexto dos modelos, com o que devemos sempre tomar cuidado? (Jr 17:9; Jo 2:25; Rm 3:23). Assinale a alternativa correta:
 
A. (  ) Com expectativas exageradas em relação aos nossos modelos.
 
B. (  ) Com os maus exemplos. O cristão não pode errar jamais.
 
Siga cristãos que seguem a Cristo. Todo exemplo humano é falho; o testemunho do lar cristão não é uma demonstração de perfeição absoluta. A noção de imitação do Novo Testamento é um chamado para que os indivíduos sigam cristãos que seguem a Cristo. A ideia é que as pessoas compreendam a fé cristã conforme a veem demonstrada na vida de outras pessoas tão humanas e falíveis quanto elas.

Quinta-feira, 20 de junho
Ano Bíblico: Sl 36–39
Centros de amabilidade contagiante
 
 
9. Compare as referências bíblicas sobre hospitalidade com incidentes reais na casa de diversas famílias da Bíblia listadas a seguir. (Is 58:6, 7, 10-12; Rm 12:13; 1Pe 4:9). Mencione os atributos da hospitalidade demonstrados:
 
Abraão e Sara (Gn 18:1–8): __________________________________________________________________________________________
 
Rebeca e sua família (Gn 24:15-20, 31-33): __________________________________________________________________________________________
 
Zaqueu (Lc 19:1-9): __________________________________________________________________________________________
 
Hospitalidade é atender às necessidades básicas de outra pessoa, tais como: descanso, alimentação e companhia. É uma expressão tangível do amor abnegado. Jesus atribuiu significado teológico à hospitalidade ao ensinar que alimentar os famintos e dar de beber aos sedentos eram atos de serviço feitos a Ele (Mt 25:34-40). A utilização do lar para o ministério pode variar de um simples convite aos vizinhos para uma refeição à hospitalidade radical de emprestar um quarto para uma vítima de abuso. Pode envolver simples cordialidade, uma oportunidade de oferecer oração a alguém ou a realização de estudos bíblicos. A verdadeira hospitalidade brota do coração daqueles que foram tocados pelo amor de Deus e desejam expressar seu amor em palavras e ações.
 
Às vezes, as famílias reclamam que lhes faltam acomodações, estrutura, tempo e vigor para oferecer hospitalidade. Outros se sentem inadequados, sem habilidade e inseguros quanto a ir além do que é familiar para se associarem com os incrédulos. Alguns desejam evitar as complicações que surgem do envolvimento com os outros. Muitas famílias contemporâneas confundem hospitalidade com entretenimento.

Sexta-feira, 21 de junho
Ano Bíblico: Sl 40–45
Estudo adicional
 
 
Textos de Ellen G. White: O Lar Adventista, p. 35-39 (“Poderoso Testemunho Cristão”), p. 348-352 (“Atitude em Relação a um Companheiro Descrente”);  A Ciência do Bom Viver, p. 349-355 (“O Ministério do Lar”); Profetas e Reis, p. 340-348 (“Os Embaixadores de Babilônia” ).
 
O poder do lar no evangelismo. “Muito mais poderosa que qualquer sermão pregado é a influência de um verdadeiro lar no coração e na vida [...]
 
“Nossa esfera de influência poderá parecer limitada, nossas capacidades diminutas, escassas as oportunidades, nossos recursos reduzidos; no entanto, se soubermos aproveitar fielmente as oportunidades de nossos lares, maravilhosas serão nossas possibilidades” (Ellen G. White, A Ciência 
do Bom Viver, p. 352 e 355).
 
Perguntas para discussão
 
1. A influência de algum lar o ajudou a tomar uma decisão em favor de Cristo? O que lhe causou essa impressão?
 
2. De que maneira você pode ministrar a uma família com um cônjuge descrente?
 
3. Fale sobre algumas pressões no lar que atrapalham a fé. Faça uma lista dessas coisas; em seguida, anote as soluções possíveis.
 
4. A vida familiar é um meio de testemunhar a filhos, cônjuges descrentes, parentes e visitantes. Às vezes não conseguimos compartilhar a fé no lar de maneira tão completa quanto desejamos. Nem sempre ocorrem conversões de parentes e visitantes. Contudo, como membros imperfeitos da família, buscamos indicar o caminho a um Salvador perfeito. Mediante a hospitalidade expressa em nome do Salvador, trazemos para o reino da graça todos cuja vida tocamos. Pense na influência de seu lar nos que vêm visitá-lo. Como você pode torná-lo um melhor testemunho de fé para todos os que entram por suas portas?
 
Respostas e atividades da semana:
 
1. Comente com a classe.
 
2. Com a ajuda dos alunos, faça uma lista das lições.
 
3. A.
 
4. Mesmo um testemunho imperfeito tem valor para Deus. Por isso, Rute decidiu cuidar da sogra e servir ao Senhor.
 
5. Os cônjuges cristãos devem alcançar os cônjuges incrédulos pelo bom comportamento, que vale mais do que mil palavras.
 
6. Ainda que o cônjuge cristão promova a harmonia no lar, ele não deve forçar o incrédulo a participar de cultos no lar, respeitando seu livre-arbítrio.
 
7. Desejamos imitar Cristo. À medida que crescemos na fé, nos tornamos mais parecidos com Ele. Nesse sentido, podemos dizer aos outros que nos imitem como imitamos Cristo. As pessoas reconhecerão que O imitamos pelo nosso exemplo.
 
8. A.
 
9. Devemos repartir nosso pão com o faminto, cobrir o nu e cuidar dos órfãos e viúvas. Abraão e Sara, Rebeca e sua família, assim como Zaqueu deram exemplos de hospitalidade. Hospedaram o Senhor e Seus anjos; Rebeca deu água ao servo de Abraão e aos camelos. Zaqueu recebeu Jesus com alegria.
 
Resumo da Lição 12
“Que viram em tua casa?”
Todos nós já ouvimos falar do aparente “testemunho silencioso” que, como cristãos, devemos apenas exalar por onde quer que formos, e que deveria levar as pessoas a fazer fila para nos perguntar: “O que você tem de diferente? Eu quero um pouco disso!”. Então lhes falaríamos de Jesus, e as conversões logo se seguiriam. Sem dúvida, testemunhos confirmam que esse fenômeno acontece, mas na maior parte das vezes, se formos honestos, esse cenário é uma espécie de lenda urbana cristã que tem deixado muitos adventistas esperando durante anos por esses encontros. Enquanto isso, a culpa entra sorrateiramente quando alguém se pergunta por que seu “testemunho silencioso” não é tão alto a ponto de chamar a atenção.
 
Há uma instituição, no entanto, em que a eficácia do “testemunho silencioso” parece ter o maior potencial para atrair o mundo – essa instituição é a família cristã que rompeu completamente com o atual modelo de pais estressados e sobrecarregados de trabalho, com filhos negligenciados, indisciplinados e superestimulados. Ela se destacará como um painel luminoso à noite. Pais em harmonia um com o outro, filhos que obedecem alegremente, um espírito leve de felicidade e contentamento – tudo tornado possível graças aos princípios de Deus e à Sua presença – tem uma influência que é difícil de igualar.
 
Visto que as famílias são unidades relacionais, Cristo pode brilhar por meio delas de tal maneira que crie um testemunho singular. A lição reconhece esse potencial e defende a necessidade primordial de focalizar a família como o primeiro campo missionário. Ela analisa os conceitos de modelagem e imitação como métodos para influenciar outros dentro e fora da família. Finalmente, ela considera a hospitalidade como uma conexão influente entre a família cristã e o mundo.
 
Escritura
 
“E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a” (Gn 1:28).
 
O verso acima foi falado antes da queda. A ideia divina para a família foi apresentada no Éden. Quando participamos ativamente da vida familiar, estamos nos conectando com uma instituição edênica. A família ainda conserva os ecos da glória do Éden, prenúncio de um novo Éden mais glorioso do que o primeiro (Ap 21:1; 22:2). Visto que a família tem esse poder de nos ligar ao reino de Deus, as famílias piedosas podem ter uma atração inexplicável sobre os incrédulos, pois podem ser o único vislumbre do Céu que eles tenham visto.
 
“Criou Deus, pois, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1:27).
 
Juntos, o homem e a mulher, ligados em família, podem exibir as dimensões relacionais de Deus. Assim, torna-se imperativo que as famílias façam do seu lar uma prioridade. As famílias são portadoras da imagem de Deus. O potencial de refletir essa imagem os investe com um valor sagrado e incalculável. Não há programa da igreja nem responsabilidade externa que deva interferir no investimento pessoal necessário para manter uma família saudável e feliz. Quantos relatos precisam ser compartilhados de adultos que dedicaram todo o seu tempo ao trabalho da igreja apenas para perder os próprios filhos para o mundo, os quais testemunham que foram negligenciados?
 
Mas alguém pode responder que os sacrifícios familiares são necessários para o evangelismo e a salvação das pessoas. Para implodir essa ilusão para sempre, preste atenção no seguinte relato. Lee Venden conta de uma conversa que teve alguns anos atrás com um líder da igreja que era, na época, assistente do presidente da Divisão Norte-Americana dos Adventistas do Sétimo Dia (DNA).
 
“Estávamos conversando sobre um extenso levantamento da DNA realizado na América do Norte. Provavelmente a revelação mais surpreendente foi que se, desde a fundação da igreja, o ÚNICO crescimento no número de membros da DNA tivesse sido biológico, e se tivéssemos simplesmente retido 80% das pessoas, o número de membros da igreja na América do Norte na época dessa conversa teria ultrapassado 8 milhões” (extraído da correspondência de e-mail pessoal com Lee Venden). Considerando que o número de membros na DNA tenha sido de 1,24 milhão em 2017, essa estatística é surpreendente.
 
Resumindo, considerando que o amor é tanto uma definição essencial de Deus (1Jo 4:8) quanto um termo relacional, é compreensível a razão pela qual os seres humanos têm uma vantagem em revelar a imagem de Deus em seus relacionamentos. A família originou-se antes do pecado. Portanto, poderia servir como um microcosmo do antigo paraíso. Além disso, quando os propósitos de Deus se tornam uma prioridade na vida familiar, cada um pode ser uma influência na salvação de pessoas. O mundo pode entrar em contato com esses pequenos vislumbres do Céu na Terra por meio da hospitalidade.
 
Hospitalidade
 
O que é hospitalidade? Os dicionários dizem que é a recepção amigável de convidados ou desconhecidos. Providenciar alimento, lugar para descansar e amizade aos convidados é certamente uma virtude praticada em toda parte e não deve ser diferente nas populações cristãs. No entanto, como cristãos, há uma preocupação permanente com o aspecto espiritual das pessoas, bem como com suas necessidades físicas. Essa preocupação acrescentará aspectos diferentes ao significado e à prática da hospitalidade.
 
Primeiramente, surge a pergunta: “Quais convidados ou desconhecidos devem ter uma recepção amigável?” Essa pergunta soa como uma repetição da pergunta feita a Jesus: “Quem é o meu próximo?” (Lc 10:29). É importante fazer a ligação entre as duas, porque a resposta de Jesus na parábola do bom samaritano apresenta uma apropriada reviravolta na hospitalidade, embora ela seja difícil de engolir. A reviravolta é que Jesus virou a questão de cabeça para baixo. Ele preferiu transformar a pergunta de “Que tipo de pessoa você deve receber?” para “Que tipo de pessoa você será?” Associado com as linhas ministeriais e com esse ponto de partida apresentado por Jesus, a lição de quinta-feira desta semana diz: “Usar o lar para o ministério pode variar desde simplesmente convidar os vizinhos para uma refeição à hospitalidade radical de emprestar um quarto a uma vítima de abuso.”
 
Zaqueu é um caso em questão – um ladrão de colarinho branco que recebeu a inesperada honra de Jesus (o famoso Profeta e Rabi) chegando à sua casa para almoçar (Lc 19:5). E o que aconteceu em seguida? Transformação, restauração e “salvação” (Lc 19:8, 9) –
nenhum sermão, nenhum estudo bíblico, somente um gesto de hospitalidade. Observe que esse exemplo é uma espécie de hospitalidade reversa, porque Jesus Se convidou para ir à casa de Zaqueu; mas o princípio prevaleceu porque Jesus mostrou favor a um homem que era excluído pela sociedade.
 
Quando a hospitalidade se torna uma expressão da graça de Deus para com os excluídos, ela foi reconstruída a partir da prática cultural padrão (ou seja, “Não fazem os gentios também o mesmo?” [veja Mt 5:47]) para um momento com potencial de significado eterno. O título da lição desta semana pergunta: “O que viram em Tua casa?” Bem, as pessoas não verão nada, a menos que sejam convidadas. Mas se as convidarmos, o convite em si pode ser como o gracioso chamado de Deus para todos, independentemente de sua condição passada ou presente. E se eles veem dentro do lar um amor vibrante e celestial, compartilhado na família em nome de Cristo, isso pode ser o suficiente para criar neles um apetite insaciável por uma nova vida e um novo mundo.
 
APLICAÇÃO PARA A VIDA
 
Muitas sociedades parecem investir muito em educação, carreira, ascensão social, posição, riqueza e talvez até mesmo serviço comunitário. Cultivar famílias saudáveis raramente está no topo da lista de prioridades. Quase não se vê o sacrifício de qualquer uma das principais prioridades em favor de um tempo de melhor qualidade com a família. Esse estado deve ser evitado. A vida eterna dos filhos e cônjuges está em jogo, sem mencionar os membros da comunidade ao redor que estão assistindo e falando sobre a família em vista. Aqui estão algumas perguntas que podem iniciar a discussão para tornar a família uma prioridade em prol do reino de Deus (e da felicidade de todos).
 
1. No final da lição de quinta-feira, na lição 2, foi feita uma pergunta profunda: “Quantas pessoas, no final de sua vida, desejariam ter passado mais tempo no escritório e menos tempo com a família?” O que pode ser feito agora para evitar que essa circunstância se torne o infeliz testemunho (escritório contra a família) de seus anos de aposentado?
 
2. A hospitalidade radical pode envolver preocupações em relação à segurança da família. Que tipo de preparativos poderiam ser feitos em tal situação?
 
3. A hospitalidade pode ser expressa pela igreja local, bem como pelo lar. Como uma igreja pode se tornar conhecida em sua comunidade pela hospitalidade?