Fotografo: Maurício Barbant
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Mil e duzentas mulheres de Cuiabá e VG serão beneficiadas com os cursos oferecidos por meio do projeto “Mulheres em Ação”

 
Mil e duzentas mulheres de Cuiabá e Várzea Grande serão beneficiadas com os cursos oferecidos por meio do projeto “Mulheres em Ação”, lançado nesta quarta-feira (19.10) pela Assembleia Legislativa, e passarão a contar com uma nova fonte de renda para auxiliar no orçamento familiar. 
 
Diferentemente de outras iniciativas, que apenas prestam serviços assistencialistas, o “Mulheres em Ação” oferece a mulheres chefes de família, vítimas de violência ou que se encontram em situação de vulnerabilidade social e econômica, a oportunidade de aprender uma profissão, contribuindo para a conquista da independência financeira e aumento da autoestima.
 
“Este é o projeto de maior impacto social desenvolvido pela Assembleia, pois proporcionará diversos benefícios às mulheres atendidas, indo muito além da questão econômica. Esperamos que o aprendizado de uma nova profissão possa melhorar a vida de todas elas”, declarou o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf (PSDB), durante solenidade de lançamento do projeto.
 
O projeto “Mulheres em Ação” é desenvolvido pela Assembleia Legislativa, por meio da Sala da Mulher e da Escola do Legislativo, e também conta com o apoio das Prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande e do Instituto Cuiabano de Educação (ICE). 
 
Os cursos ofertados são: embelezamento, bordado, artesanato e reciclagem. As aulas teóricas e práticas serão ministradas para 59 turmas, no período de 24 de outubro a 5 de dezembro, nas unidades dos Centros de Referência e Assistência Social (CRAS) de Cuiabá e Várzea Grande.
 
“Além de fiscalizar e propor leis, a Assembleia também tem a obrigação de colaborar com a sociedade. E é exatamente isso o que estamos fazendo com esse projeto. Para facilitar a presença nos cursos, eles serão realizados nos bairros onde as mulheres residem”, frisou Guilherme Maluf.
 
A Assembleia Legislativa também vai proporcionar às mulheres a oportunidade de comercializar os produtos confeccionados. Após o encerramento dos cursos, elas receberão kits para dar continuidade às atividades e poderão vender suas produções em feiras de empreendedorismo organizadas pela Casa de Leis.
 
“Estou certo de que esse será apenas o primeiro passo. Futuramente, elas poderão formar uma cooperativa ou associação e buscar linhas de crédito para ampliar os seus negócios”, acrescentou o deputado.
 
A presidente de honra da Sala da Mulher, Maria Teresa Maluf, destacou a inclusão social como um dos principais benefícios gerados pelo projeto. 
 
“Esse era um sonho antigo da presidência, que está se tornando realidade hoje. Grande parte das mulheres que participarão dos cursos é chefe de família e tem dificuldade de se inserir no mercado de trabalho. Agora, elas terão novas oportunidades”, disse.
 
As inscrições para a primeira etapa já foram concluídas, mas outras edições podem ser promovidas, caso haja interesse da população.
 
Realidade 
 
Conforme “Atlas da Violência 2016”, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica aplicada (IPEA) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FPSP), Mato Grosso ocupa a 5ª colocação no ranking de mortes violentas de mulheres. 
 
A realidade é confirmada pelo juiz da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Jamilson Haddad Campos. Segundo ele, somente em Cuiabá há atualmente mais de 15 mil processos desse tipo em tramitação.
 
“Parabenizo a Assembleia Legislativa pela realização desse projeto que eu considero imprescindível para as mulheres que são vítimas de violência. Enquanto juiz da vara de violência doméstica, eu vejo como elas têm dificuldade de superar a dependência econômica e emocional que possuem com seus parceiros e essa é uma excelente alternativa para a conquista de liberdade e autonomia”, afirmou.
 
Esperança
 
Com 23 anos e três filhos para sustentar, Franciene Jesus Barbosa, moradora do bairro Pedra 90, em Cuiabá, está em busca de trabalho e acredita que o projeto lhe garantirá uma fonte de renda. “Vou fazer o curso de bordados em chinelo e pretendo vendê-los para conseguir ajudar com as contas da casa”, contou.
 
Moradora do bairro Jardim Glória, em Várzea Grande, Maria Leonice Coutinho da Silva vê no projeto uma chance de oferecer melhores condições de vida aos seus 4 filhos. “Hoje eu faço uns bicos como diarista, mas depois que eu fizer o curso, poderei confeccionar os produtos em casa mesmo. Assim, cuido dos meus filhos e trabalho, ao mesmo tempo”, explicou.