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Várzea Grande(MT), Sexta-Feira, 22 de Outubro de 2021 - 03:08
25/09/2021 as 23:14:01 | Por CPB | 358
Prefácio de Deuteronômio
Quem não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor (1Jo 4:8).
Fotografo: CPB
Prefácio de Deuteronômio

Lição 1
25 de setembro a 01 de outubro
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Naum
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Quem não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1Jo 4:8).
 
LEITURAS DA SEMANA: Is 14:12-14; Ez 28:12-17; Gn 3:1-7; 12:1-3; At 7:20-36; Êx 19:4-8
 
O livro de Deuteronômio não surgiu num vácuo. Como tudo na vida, a obra surgiu num contexto que desempenha papel importante na compreensão do significado e do propósito do livro.
 
Muitos eventos anteriores explicam as circunstâncias, não somente do livro, mas do mundo e do ambiente que criou seu cenário. Assim como seria difícil entender a função do limpador de para-brisa sem a imagem de um carro, não seria fácil entender Deuteronômio, em especial à luz do tema da verdade presente, fora do contexto no qual a obra surgiu.
 
Alguém leu Guerra e Paz do russo Leo Tolstoy, com cerca de 1.500 páginas, em apenas três dias. Quando lhe perguntaram do que tratava o livro, o leitor respondeu: “É sobre a Rússia”.
 
Nosso nível de compreensão de Deuteronômio também seria superficial se buscássemos abranger os milhares de anos de história existente antes dele em apenas uma semana de estudo. Mas, ao focalizar os pontos altos, é possível ver o contexto necessário para melhor compreensão dessa obra, que tanto tem a ver com a “verdade presente”.

Domingo, 26 de setembro
Ano Bíblico: Habacuque
Amar para ser amado
 
Em 1 João 4:8 está escrito: “Deus é amor”. Por mais simples que sejam essas três palavras (quatro em grego), a ideia por trás delas é tão profunda, que mal podemos compreender suas implicações. Elas não dizem que Deus ama, nem que Deus revela amor, ou que o Senhor é uma manifestação do amor, mas que Ele é amor, como se o amor fosse a essência da identidade divina. Como seres humanos caídos, não somos capazes de entender totalmente o que a expressão “Deus é amor” significa.
 
Contudo, entendemos o suficiente para saber que é uma notícia muito boa. Se, em vez de “Deus é amor”, fosse “Deus é ódio”, “Deus é vingativo” ou “Deus é indiferente”, poderia ser algo preocupante.
 
A verdade de que “Deus é amor” nos ajuda a entender melhor a ideia de que o governo divino reflete esse amor em toda a Sua criação. O amor permeia o cosmos, talvez até mais do que a gravidade. Deus nos ama; e devemos retribuir esse amor (ver Dt 6:5; Mc 12:30).
 
O amor, porém, deve ser doado. Deus não pode forçá-lo. Portanto, quando criou seres inteligentes e racionais no Céu e na Terra com a capacidade de amar, sempre existiu o risco de que eles não Lhe correspondessem. Alguns não o fizeram e, como resultado, teve origem o que conhecemos como o grande conflito.
 
1. Por que os textos a seguir só têm sentido no contexto da liberdade e do risco que envolve o amor? Is 14:12-14; Ez 28:12-17; Ap 12:7
 
Ezequiel 28:15 mostra que, embora o anjo Lúcifer fosse um ser perfeito, criado pelo Deus perfeito, encontrou-se iniquidade nele. Criado com a capacidade de amar, ele tinha verdadeira liberdade moral e, apesar de tudo o que havia recebido (ele “se cobria de todas as pedras preciosas”), o anjo rebelde queria mais. Uma coisa levou a outra até que houve “guerra no Céu”.
 
Há lugares em que se pode comprar cães-robôs, que obedecem aos comandos, nunca sujam o tapete, nem roem os móveis. Porém, você teria um relacionamento significativo com esse “cachorro”? Como sua resposta ajuda a entender por que Deus criou seres que pudessem amá-Lo em resposta ao Seu amor?

Segunda-feira, 27 de setembro
Ano Bíblico: Sofonias
A queda e o dilúvio
 
Os estudantes costumam ouvir a história de uma maçã que caiu na cabeça de Isaac Newton, que assim descobriu a lei da gravidade. Se isso de fato aconteceu, não importa; a questão é que a grande percepção de Newton (ele não descobriu a gravidade; qualquer um que já tivesse caído sabia sobre esse fenômeno) foi entender que a mesma força que derrubou a maçã (gravidade) também mantém a lua em órbita ao redor da Terra, a Terra em órbita ao redor do Sol e assim por diante.
 
Isso foi importante porque, durante milênios, muitos acreditavam que as leis que governavam os céus fossem diferentes das que governavam a Terra. Newton mostrou que isso estava errado. E, embora sua contribuição tenha sido na área da lei natural, o mesmo princípio se aplica à lei moral. A mesma liberdade, inerente ao amor, que levou à queda de Lúcifer no Céu levou à queda da humanidade na Terra.
 
2. Leia Gênesis 2:16, 17 e 3:1-7. Como esses versos sobre seres perfeitos, em um ambiente perfeito, criado pelo Deus perfeito, também revelam a poderosa verdade sobre a liberdade inerente ao amor?
 
Após a queda, as coisas foram de mal a pior, até o ponto em que o Senhor concluiu sobre as pessoas “que todo desígnio do coração delas era continuamente mau” (Gn 6:5). E, se seus pensamentos eram ruins, suas ações também eram, até que o Senhor destruiu o mundo inteiro com um dilúvio, dando à humanidade uma chance de recomeçar, numa espécie de segunda criação. No entanto, como mostra a história da torre de Babel (Gn 11:1-9), a humanidade ainda parecia decidida a desafiar Deus. “Quando a torre estava parcialmente pronta, parte dela foi ocupada como habitação de seus construtores, e outros compartimentos, esplendidamente aparelhados e ornamentados, eram dedicados aos seus ídolos. O povo se alegrava com seu êxito e louvava os deuses de prata e ouro, colocando-se em oposição ao Governador do Céu e da Terra” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 119). Além de confundir sua linguagem, Deus espalhou a humanidade caída pela face da Terra.
 
Considere seus pensamentos ao longo do dia. O que eles dizem sobre o estado do seu coração?

Terça-feira, 28 de setembro
Ano Bíblico: Ageu
O chamado de Abraão
 
Abrão (mais tarde chamado Abraão) aparece pela primeira vez na genealogia de Gênesis 11, logo após a menção da dispersão de Babel.
 
3. Leia Gênesis 12:1-3. Olhando para a cruz, a morte de Jesus e a pregação do evangelho, como entendemos o que Deus prometeu fazer por meio de Abraão?
 
Muitos séculos depois, o apóstolo Paulo, ao tentar lidar com a heresia dos gálatas, apontou para Abraão, mostrando que o chamado de Deus ao patriarca foi uma expressão inicial do que sempre foi a intenção de Deus: o evangelho ao mundo. “Saibam, portanto, que os que têm fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria os gentios pela fé, preanunciou o evangelho a Abraão, dizendo: ‘Em você serão abençoados todos os povos’. De modo que os que têm fé são abençoados com o crente Abraão” (Gl 3:7-9).
 
O chamado de Abraão foi expresso pela primeira vez em Gênesis 12; a maior parte do restante desse livro é a história de seus descendentes, uma geração disfuncional após a outra, criando famílias conflituosas, e ainda, por meio delas, a promessa foi cumprida, atingindo um ponto crucial com o chamado de Moisés.
 
4. Leia Atos 7:20-36, a descrição do mártir Estêvão sobre Moisés e o êxodo. Como tal descrição se relaciona com a promessa de Deus a Abraão?
 
Neste mundo impregnado de ignorância, erro e escassez de conhecimento da verdade (as coisas não mudaram muito em mais de três mil anos, não é?), o Senhor chamou Seu povo, a semente de Abraão, do Egito. Por meio dele, procurou não apenas preservar o conhecimento da verdade, isto é, o conhecimento Dele, Yahweh, e do plano da salvação, mas também difundir esse conhecimento para o restante do mundo.
 
Como nós, adventistas do sétimo dia, nos vemos em relação ao restante do mundo? Que paralelos há entre nós e o antigo Israel? Que responsabilidade isso coloca sobre cada um de nós de forma individual?

Quarta-feira, 29 de setembro
Ano Bíblico: Zc 1-4
A aliança no Sinai
 
O êxodo e tudo o que o envolveu, desde o sangue no batente da porta até o drama no Mar Vermelho, impressionaram os sobreviventes. (E os que morreram, desde os primogênitos no Egito até os soldados no fundo do mar, Deus os julgará com justiça.) Como disse o Senhor: “Vocês viram o que fiz aos egípcios e como levei vocês sobre asas de águia e os trouxe para perto de Mim” (Êx 19:4).
 
Por que o Senhor operou esse resgate impressionante da nação? O próprio Moisés disse: “Já houve um deus que tentou ir tomar para Si um povo do meio de outro povo, com provas, com sinais, com milagres, com lutas, com mão poderosa, com braço estendido e com feitos espantosos, segundo tudo o que o Senhor, seu Deus, fez por vocês no Egito, como vocês viram com os seus próprios olhos?” (Dt 4:34).
 
5. Leia Êxodo 19:4-8. Por que o Senhor chamou Seu povo do Egito?
 
Deus chamou os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Com eles estabeleceu aliança, e eles seriam a divina “propriedade peculiar dentre todos os povos. Porque toda a terra é” Dele (Êx 19:5). Esse relacionamento foi fundamental para a aliança.
 
Contudo, essa ideia de uma “propriedade peculiar” (segullah) poderia ter sido (e foi) facilmente mal compreendida. Sua peculiaridade não vinha de algo santo e justo em si mesmos, mas da graça divina dada a eles e por causa das verdades maravilhosas que o Senhor lhes concedeu, as quais eles deveriam seguir e, como um “reino de sacerdotes”, espalhar pelo mundo.
 
Deus lhes transmitiu estipulações da aliança (a parte deles no acordo, por assim dizer) e os Dez Mandamentos (Êx 20). Assim, a aliança foi ratificada. Depois de aspergir com o sangue das ofertas um altar recém-construído, Moisés “pegou o livro da aliança e o leu para o povo” (Êx 24:7). O povo novamente declarou que obedeceria.
 
“Em primeiro lugar, Moisés anunciou ao povo todos os mandamentos conforme estavam na lei. Depois pegou o sangue [...] e borrifou o Livro da Lei e todo o povo, usando lã tingida de vermelho e hissopo. Então disse: “Este é o sangue que sela a aliança, que Deus mandou vocês obedecerem” (Hb 9:19, 20, NTLH). O que significa o sangue, e por que ele é tão importante ainda no presente?

Quinta-feira, 30 de setembro
Ano Bíblico: Zc 5-8
Apostasia e punição
 
“Tudo o que o Senhor falou faremos” (Êx 19:8; 24:3; 24:7). Embora, sem dúvida, era isso mesmo que o povo queria dizer, a história sagrada mostra que, infelizmente, suas ações, vez após vez, contradisseram suas palavras. Eram o povo escolhido, fizeram aliança com o Senhor, mas não cumpriram sua parte no acordo.
 
6. Qual foi o componente crucial para Israel em relação à aliança com Deus? Êx 19:4, 5
 
O chamado para obedecer a Deus, guardar Sua lei, não era legalismo naquele tempo tanto quanto não o é agora (ver Mt 7:24-27; Jo 14:15; Tg 2:20; Rm 6:11, 12), e ainda assim repetidamente os filhos de Israel falharam em cumprir sua parte. De fato, logo no início, mesmo com a visão do próprio Monte Sinai, eles caíram em apostasia total (ver Êx 32:1-6). Infelizmente, a infidelidade parecia ser mais a norma do que a exceção e, portanto, em vez de entrarem logo na terra prometida, vagaram pelo deserto por 40 anos.
 
7. Leia Números 14:28-35. Qual foi a punição imposta à nação por sua recusa em confiar no que o Senhor lhe disse que fizesse?
 
Muitas vezes a desobediência resulta não apenas de franca rebelião (embora isso aconteça), mas também de deixar de confiar no que Deus diz. O que tornou o pecado desses homens ainda mais hediondo para Israel foi o fato de que todos eles tinham testemunhado a ação divina: “Viram a Minha glória e os prodígios que fiz no Egito e no deserto, e mesmo assim Me puseram à prova já dez vezes e não obedeceram à Minha voz” (Nm 14:22). Apesar de tudo o que viram e experimentaram, ainda se recusavam a obedecer ao Senhor e a tomar a terra, apesar das promessas divinas de que teriam sucesso (Nm 13, 14).
 
Pense no que foi dito acima: que muitas vezes a desobediência vem da falta de confiança no que Deus nos diz. Por que isso acontece e como podemos, de fato, aprender a confiar mais em Deus?

Sexta-feira, 01 de outubro
Ano Bíblico: Zc 9-11
Estudo adicional
 
“O amor de Deus (devidamente compreendido) está no centro de um conflito cósmico”; “o compromisso divino com o amor oferece uma razão moralmente suficiente para o fato de Ele permitir o mal, com ramificações significativas para a compreensão da providência divina que opera dentro do que chamo de regras pactuais de engajamento” (John C. Peckham, Theodicy of Love: Cosmic Conflict and the Problem of Evil [Baker Academic, 2018], p. 4). Nessa obra, de autor adventista, publicada por uma editora não adventista, vemos a realidade do grande conflito.
 
“O decreto de que Israel não deveria entrar em Canaã antes que passassem 40 anos foi uma amarga decepção para Moisés e Arão, Calebe e Josué. No entanto, sem murmurar, aceitaram a decisão divina. Mas aqueles que reclamavam da maneira de Deus lidar com eles e que diziam que retornariam para o Egito choraram e lamentaram profundamente quando as bênçãos que desprezaram lhes foram tiradas. Haviam se queixado de coisas irreais, e agora Deus lhes deu um motivo real para chorar. Se tivessem se lamentado de seu pecado no momento em que ele lhes foi apontado, a sentença não teria sido pronunciada, mas eles ficaram tristes apenas pelo castigo que receberam. Sua tristeza não era uma demonstração de arrependimento sincero e não podia liberá-los do castigo” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 283).
 
Perguntas para consideração
 
1. Diante do sofrimento no mundo, valeu a pena Deus oferecer amor gratuito?
 
2. Se a obediência é central na Bíblia, o que é o legalismo? O que pode transformar a fidelidade à Palavra de Deus e aos Seus mandamentos na armadilha do legalismo?
 
3. Quais são os paralelos entre o antigo Israel e a Igreja Adventista do Sétimo Dia? Por que devemos nos preocupar com eles?
 
Respostas e atividades da semana: 1. O amor verdadeiro precisa ser livre. Cada um tem a escolha de amar ou não a Deus. Satanás fez a escolha dele. 2. Deus criou Adão e Eva perfeitos e livres para tomar suas decisões. 3. Todas as famílias da Terra receberiam a bênção da salvação por meio de Jesus Cristo, Descendente de Abraão. 4. Israel tinha o conhecimento do Deus verdadeiro e deveria difundi-lo para o mundo. 5. Para estabelecer com eles uma aliança de salvação e usá-los como sacerdotes para as outras nações. 6. Obediência a Deus. 7. Todos acima de 20 anos morreram no deserto, antes de entrar na terra prometida, salvo Calebe e Josué.

Resumo da Lição 1
Prefácio de Deuteronômio
TEXTOS-CHAVES: 1Jo 4:8; Dt 4:37; 6:5
 
FOCO DO ESTUDO: Is 14:12-14; Ez 28:12-17; Gn 3:1-7; 12:1-3; At 7:20-36; Êx 19:4-8; Dt 1:34
 
ESBOÇO
 
O livro de Deuteronômio é o quinto e último livro do Pentateuco e contém a mensagem de despedida de Moisés a Israel antes de entrar na terra prometida. O livro é marcado por um senso de urgência. Moisés estava prestes a morrer e deixar seu povo, e o propósito de suas últimas palavras era, portanto, relembrar aos filhos de Israel os ensinamentos mais importantes de Deus. O livro é uma exposição da fé israelita – o livro-texto para os líderes do povo a fim de mantê-los no caminho certo.
 
Temas da lição
 
• O Deus da história. Quando Moisés se dirigiu ao povo, ele relembrou os eventos históricos passados quando Deus os salvou da escravidão, os tirou do Egito e os conduziu em meio às adversidades do deserto.
 
• O Deus de amor. Porque Deus é amor, Ele alcança Seu povo e luta por ele. Em resposta, o povo aprende a amar o seu Deus. • A aliança de Deus. Essa relação recíproca entre Deus e Seu povo assume a forma de um acordo, uma aliança entre o Senhor e Israel.
 
• O povo de Deus. Israel é o povo da aliança. De forma alguma essa designação sugere que ele era superior aos outros povos. Essa aliança, iniciada com Abraão, implica a santidade de Israel e seu compromisso por meio do amor e do temor a Deus e da obediência aos Seus mandamentos.
 
COMENTÁRIO
 
Todo o Israel
 
Deuteronômio é endereçado a “todo o Israel” (Dt 1:1), expressão que se refere à totalidade do povo pouco antes de entrar na terra prometida (Dt 34:12; 27:9; Dt 31:1, 7). O apóstolo Paulo usa a mesma expressão em um sentido escatológico para se referir à totalidade dos salvos (incluindo judeus e gentios): “E, assim, todo o Israel será salvo” (Rm 11:26). Embora a expressão “todo o Israel”, na oração de Daniel, possa se referir ao povo exilado em Babilônia, sugerindo a esperança de restauração, é claro que há tem um escopo universalista, abrangendo “tanto os de perto como os de longe” (Dn 9:7).
 
Perguntas para discussão e reflexão: Por que o livro de Deuteronômio fala ao povo de Israel como uma corporação? Por que as mensagens desse livro são mais bem compreendidas quando todo o povo está reunido? Como o ditado “ninguém é uma ilha” se aplica à igreja atual?
 
Deuteronômio
 
A palavra “Deuteronômio”, o título do livro, deriva da tradução grega (a Septuaginta) de uma frase de Deuteronômio 17:18, “uma cópia desta lei”, que significa literalmente “uma segunda apresentação [isto é, uma repetição] desta lei”. A palavra hebraica para “lei” é Torá, que, em sentido jurídico, se refere a algo mais abrangente do que nossa palavra “lei”; significa “ensino”, no sentido geral do termo, e inclui todas as instruções divinas. A frase “uma cópia desta lei” descreve de fato o conteúdo do livro (Dt 28:61; 29:21, etc.), não apenas por ser a repetição da lei originalmente dada no Monte Sinai, mas porque é uma revisão dos ensinamentos divinos. É importante observar que o título hebraico do livro, Debarim, “palavras” ou “são estas as palavras” (Dt 1:1), refere-se às palavras proféticas de Moisés, “segundo tudo o que o Senhor lhe havia ordenado a respeito deles” (Dt 1:3). Esse título ecoa as últimas palavras do livro de Números: “São estes os mandamentos” (Nm 36:13; compare com Dt 1:6).
 
Pergunta para reflexão: Por que Moisés precisou repetir a Lei?
 
Quatro discursos
 
Moisés se dirigiu ao povo em quatro grandes discursos. Cada um deles começa com a mesma frase: “são estas as palavras” ou seu equivalente (Dt 1:1; 4:44; 29:1; 31:1). O primeiro discurso é um prólogo histórico (Dt 1–4) em que Moisés reconstituiu a viagem de Israel do Sinai a Canaã (Dt 1–3). O segundo é uma revisão da Lei (Dt 4:44–28:68). O terceiro é um apelo para guardar a aliança (Dt 29–30). E o quarto discurso é um apelo final para ler a Lei e lembrar dela, seguido do cântico de Moisés, sua bênção e despedida antes de morrer (Dt 31–34).
 
Aliança
 
Uma análise mais cuidadosa da estrutura do livro de Deuteronômio à luz da literatura do antigo Oriente Próximo revelou uma organização sofisticada, que segue o padrão dos antigos tratados de aliança entre o suserano e seu vassalo (egípcio e especialmente hitita, do segundo milênio a.C.) e que exibe as seguintes características:
 
• Prefácio (Dt 1:1-5)
 
• Prólogo histórico (Dt 1:6–4:49)
 
• Estipulações gerais (Dt 5–11) e específicas (Dt 12–26)
 
• Bênçãos e maldições (Dt 27–28)
 
• Lealdade à aliança e testemunhas (Dt 29–30)
 
Deus na história
 
Essa estrutura de aliança, que confirma a antiguidade do livro e sua autoria mosaica, sugere a intenção de enfatizar a aliança de Deus com Seu povo. Os eventos históricos, um lembrete das obras de salvação de Deus em favor de Seu povo, precedem e estabelecem o fundamento da aliança desde Abraão e do Egito até o presente. Esses eventos sugerem uma teologia bíblica da história que é essencialmente diferente das modernas concepções ocidentais de história. Para a Bíblia, a história não é o fluxo mecânico de eventos de causa e efeito; em vez disso, é o resultado da presença divina e de Suas ações contínuas. O Senhor faz a aliança por meio de sua ação na história. Ele é o primeiro a mover-Se e agir. E esses atos na história são a base da aliança. Deus fez a aliança com Seu povo (Dt 5:3) porque Ele é o Senhor que os tirou da terra do Egito (Dt 5:6). A palavra hebraica debarim, “palavras” (dabar é o singular de debarim), o título hebraico do livro de Deuteronômio, também significa “eventos” e se refere à história sagrada das obras divinas de salvação. O livro de Crônicas, que narra essa história no Antigo Testamento, é chamado em hebraico dibrey hayammim, que significa “as palavras dos dias”. As palavras de Deus também devem ser lidas por meio desses eventos históricos.
 
Perguntas para discussão e reflexão: Que lições sobre Deus podemos aprender do fato de que a mesma palavra hebraica dabar significa “palavra” e “história”?
 
O princípio do amor
 
O princípio fundamental da aliança de Deus com Seu povo é o amor. O verbo “amar” aparece muitas vezes no livro, não apenas para se referir ao amor de Deus por Seu povo (Dt 4:37; 7:8; 10:15; 23:5, etc.), mas também ao amor de Israel em resposta ao amor divino (Dt 6:5; 7:9; 10:12). No livro de Deuteronômio, o amor divino não é descrito apenas como uma emoção. O amor de Deus é intenso e infinito e se manifesta por meio de eventos que expressam a intensidade, a autenticidade e a natureza infinita desse amor. Por causa desse amor, que criou os céus e a Terra (Dt 10:14; 4:35, etc.), Deus também entrou na arena dos eventos humanos e salvou Seu povo (Dt 1:27-31; 4:20). Em resposta ao amor divino, Israel, o povo da aliança é exortado por Deus: “Portanto, ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e com toda a sua força” (Dt 6:5). O amor implica, então, que eles devem se lembrar de Deus (Dt 7:18; 9:7; 24:9, etc.), ouvi-Lo, esforçar-se para compreender e obedecer às Suas palavras (Dt 4:1; 6:4; 20:3, etc.), temê-Lo (Dt 4:10; 5:29; 17; 19; 31:12, etc.) e servi-Lo (Dt 6:13; 28:47, 48, etc.).
 
Perguntas para discussão e reflexão: Por que o amor é mais do que uma emoção passageira? Por que os mandamentos de Deus são “uma expressão do princípio do amor”? (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 607).
 
Apelo ao estudo
 
O livro de Deuteronômio é um apelo para se estudar e ensinar as palavras de Deus (Dt 6:7) e tem sido estimado nas comunidades judaica e cristã como um dos mais importantes de seus escritos sagrados. É o livro que contém o Shema Israel, “Escute, Israel” (Dt 6:4), que moldou a identidade religiosa judaica. É também um dos livros do AT mais presentes no NT, onde é citado 80 vezes. É um dos livros mais importantes da Bíblia, de relevância para o povo de Deus no fim dos tempos, quando estão prestes a entrar na terra prometida que o Senhor lhes preparou (Jo 14:2). “O livro de Deuteronômio deve ser estudado cuidadosamente pelos que vivem na Terra hoje” (Ellen G. White, Advent Review and Sabbath Herald, 31 de dezembro de 1903).
 
Perguntas para discussão e reflexão: Por que o estudo da Bíblia deve ser um componente importante da vida espiritual dos adventistas do sétimo dia? Encontre na Bíblia exemplos de pessoas que enfatizaram o valor do estudo como um dever religioso.
 
APLICAÇÃO PARA A VIDA
 
Não basta ouvir e estudar as palavras de Deus, temos que viver de acordo com o que ouvimos e entendemos. Quando criança, Jacques Doukhan ouviu de seu rabino uma lenda sobre um homem que encontrou um trompete milagroso no mercado. O vendedor se gabou de suas qualidades mágicas: “Este trompete”, disse ele, “tem um poder maravilhoso. Se você o tocar, o fogo será imediatamente dominado”. Assim que o homem chegou em casa, quis testar o poder do instrumento. Ele colocou fogo em sua casa e começou a tocar o trompete. Quanto mais tocava, mais o fogo crescia e queimava a casa. O homem ficou furioso com a pessoa que lhe vendeu o trompete e correu de volta ao mercado para reclamar. O vendedor explicou que a função do trompete não era apagar o fogo, mas alertar as pessoas que ao avistarem o fogo viriam apagá-lo.
 
Uma das diferenças mais importantes entre Deus e o ser humano é que, quando Deus fala, as coisas acontecem. Encontre exemplos na Bíblia que ilustram esse princípio. Em comparação, encontre na história, na vida política e em sua própria vida casos que ilustram as discrepâncias entre palavras e ações.
 




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