Fotografo: CPB
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Por que a interpretação é necessária?

Lição 6
02 a 08 de maio
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: 1Cr 4-6
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que Se torna galardoador dos que O buscam” (Hb 11:6).
 
LEITURAS DA SEMANA: Lc 24:36-45; 1Co 12:10; 14:26; At 17:16-32; Jo 12:42, 43
 
Ler a Bíblia também significa interpretá-la. Mas como fazemos isso? Quais princípios utilizamos? Como lidamos com os diferentes tipos de escrita encontrados ali? Por exemplo, como saber se uma passagem que estamos lendo é uma parábola, um sonho profético-simbólico ou uma narrativa histórica? A definição de uma questão tão importante do contexto das Escrituras envolve, em si, um ato de interpretação.
 
Às vezes, algumas pessoas usam a Bíblia como um oráculo divino: simplesmente abrindo-a aleatoriamente para procurar um verso bíblico que elas esperam que lhes conceda orientação. Mas, relacionar aleatoriamente as passagens da Bíblia à medida que as encontramos pode levar a conclusões muito estranhas e equivocadas.
 
Por exemplo, quando um marido abandonou a esposa por causa de outra mulher, a esposa obteve grande segurança ao encontrar o seguinte texto: “Porei inimizade entre ti e a mulher” (Gn 3:15). Com base nesse verso, ela ficou convencida de que o caso de seu marido com a amante não duraria!
 
Qualquer texto sem contexto se torna rapidamente um pretexto para nossos próprios interesses e ideias. Portanto, há uma grande necessidade de não apenas lermos a Bíblia, mas de interpretá-la corretamente.

Domingo, 03 de maio
Ano Bíblico: 1Cr 7-9
Pressuposições
 
1. Leia Lucas 24:36-45. Embora os discípulos estivessem familiarizados com as Escrituras, o que os impediu de enxergar o verdadeiro significado da Palavra, mesmo quando os eventos preditos nela haviam acontecido diante deles? Assinale a alternativa correta:
 
A.( ) Falta de acesso direto ao texto e o fato de que eram iletrados.
 
B.( ) As pressuposições promovidas pelos líderes religiosos da época.
 
Ninguém chega ao texto das Escrituras com a mente vazia. Todo leitor e estudante da Bíblia chega a ela com uma história específica e experiência que inevitavelmente impactam o processo de interpretação. Até mesmo os discípulos tinham suas ideias particulares de quem era o Messias e o que Ele devia fazer, com base nas expectativas daquele tempo. Suas fortes convicções impediram uma compreensão mais clara do texto bíblico, o que explica por que tantas vezes eles compreenderam de maneira equivocada Jesus e os eventos que envolviam Sua vida, morte e ressurreição.
 
Todos temos uma série de crenças acerca deste mundo, da realidade suprema ou de Deus que pressupomos ou aceitamos, mesmo involuntariamente ou inconscientemente, quando interpretamos a Bíblia. Ninguém se aproxima do texto bíblico com a mente vazia. Se, por exemplo, a cosmovisão de uma pessoa categoricamente exclui qualquer intervenção sobrenatural de Deus, essa pessoa não lerá nem entenderá as Escrituras como um relato verdadeiro e confiável do que Deus fez na História, mas a irá interpretar de maneira muito diferente de alguém que aceita a realidade sobrenatural.
 
Os intérpretes da Bíblia não podem se despojar completamente de seu passado, de suas experiências, ideias, noções e opiniões preconcebidas. A neutralidade total, ou a objetividade absoluta, não pode ser alcançada. O estudo da Bíblia e a reflexão teológica sempre ocorrem no contexto de pressuposições acerca da natureza do mundo e da natureza de Deus.
 
Mas a boa notícia é que o Espírito Santo pode esclarecer e corrigir nossas perspectivas e pressuposições limitadas ao lermos as palavras das Escrituras com mente aberta e coração sincero. A Bíblia repetidamente confirma que pessoas com origens muito diferentes foram capazes de entender a Palavra de Deus e que o Espírito Santo nos guia “a toda a verdade” (Jo 16:13).

Segunda-feira, 04 de maio
Ano Bíblico: 1Cr 10-12
Tradução e interpretação
 
A Bíblia foi escrita em línguas muito antigas: o Antigo Testamento foi escrito, em sua maior parte, em hebraico, com algumas passagens em aramaico, enquanto o Novo Testamento foi escrito em grego koiné. A maioria da população mundial hoje não fala nem lê essas línguas antigas. Por isso, a Bíblia precisou ser traduzida para diferentes idiomas modernos.
 
Mas toda tradução sempre envolve algum tipo de interpretação. Algumas palavras em um idioma não têm um equivalente exato em outro. A arte e a habilidade de cuidadosamente traduzir e interpretar textos é chamada de “hermenêutica”.
 
2. Leia 1 Coríntios 12:10; 14:26; João 1:41; 9:7; Atos 9:36; Lucas 24:27. Em todas essas passagens, vemos a ideia de interpretação e tradução. Em Lucas 24:27, até Jesus teve que explicar o significado das Escrituras aos discípulos. O que isso revela sobre a importância da interpretação?
 
A palavra grega hermeneuo, da qual temos a palavra “hermenêutica” (interpretação bíblica), é derivada do deus grego Hermes, que era considerado emissário e mensageiro dos deuses e, como tal, responsável, entre outras coisas, pela tradução de mensagens divinas para o povo.
 
O ponto essencial em relação à hermenêutica é que, a menos que compreendamos as línguas originais, nosso único acesso aos textos é por meio de traduções. Felizmente, muitas traduções fazem um bom trabalho ao transmitir o significado essencial. Não precisamos conhecer a língua original para compreender verdades cruciais reveladas nas Escrituras, ainda que esse conhecimento linguístico seja benéfico. No entanto, mesmo com uma boa tradução, uma interpretação adequada dos textos também é importante, como vimos em Lucas 24:27. Esse é o principal propósito da hermenêutica: transmitir com precisão o significado dos textos e nos ajudar a aplicar corretamente o ensino do texto à nossa vida. O texto de Lucas, mencionado anteriormente, mostra que Jesus fez isso com Seus seguidores. Imagine ter o próprio Jesus interpretando passagens bíblicas para você!

Terça-feira, 05 de maio
Ano Bíblico: 1Cr 13-16
A Bíblia e a cultura
 
3. De acordo com Atos 17:16-32, Paulo tentou apresentar a mensagem do evangelho em um novo contexto: a filosofia da cultura grega. Como contextos culturais diversos influenciam a maneira de avaliar a importância de ideias diferentes?
 
O conhecimento da cultura do Oriente Próximo é útil para compreender algumas passagens bíblicas. “Por exemplo, a cultura hebraica atribui a um indivíduo a responsabilidade por atos que ele não cometeu, mas permitiu que ocorressem. Por essa razão, os escritores da Bíblia comumente creditavam a Deus como tendo executado ativamente o que no pensamento ocidental Ele permite ou não evita que aconteça. Um exemplo disso é o endurecimento do coração de Faraó” (Métodos de Estudo da Bíblia, seção 4).
 
A cultura também levanta algumas questões hermenêuticas importantes. A Bíblia é condicionada culturalmente e, portanto, relacionada apenas a essa cultura naquilo que ela declara? Ou a mensagem divina concedida em uma cultura específica transcende essa cultura específica e fala a todo ser humano? O que acontece se nossa experiência cultural se torna o fundamento e a prova decisiva para nossa interpretação das Escrituras?
 
Em Atos 17:26, o apóstolo Paulo apresentou uma perspectiva interessante sobre a realidade que muitas vezes é negligenciada quando lemos esse texto. Ele declarou que Deus fez todos nós a partir de um só. Embora sejamos culturalmente muito diferentes, de acordo com a Bíblia, há um elo comum que une todas as pessoas, apesar de suas diferenças culturais, e isso porque Deus é o Criador de toda a humanidade. Nossa pecaminosidade e necessidade de salvação não se limitam a uma cultura. Todos precisamos da salvação oferecida a nós pela morte e ressurreição de Jesus Cristo.
 
Embora Deus tenha falado a gerações específicas, Ele cuidou para que as futuras gerações que leriam a Palavra de Deus entendessem que essas verdades vão além das circunstâncias locais e limitadas em que os textos da Bíblia foram escritos.
 
Paralelamente, pense na álgebra, que foi inventada no século IX d.C., em Bagdá. Isso significaria, então, que as verdades e princípios desse ramo da matemática estão limitados apenas àquele tempo e lugar? Evidentemente que não!
 
O mesmo princípio se aplica às verdades da Palavra. Embora a Bíblia tenha sido escrita há muito tempo em culturas muito diferentes da nossa, suas verdades são tão relevantes para nós quanto para quem elas foram primeiramente endereçadas.

Quarta-feira, 06 de maio
Ano Bíblico: 1Cr 17-20
Nossa natureza pecaminosa e caída
 
4. Leia João 9:39-41; 12:42, 43. O que impediu que essas pessoas aceitassem a verdade da mensagem bíblica? Que advertência é apresentada nesses incidentes?
 
É fácil olhar com desprezo para os líderes que rejeitaram Jesus, apesar de evidências tão poderosas. No entanto, precisamos ter cuidado para não nutrir uma atitude semelhante no que diz respeito à Palavra de Cristo.
 
É evidente que o pecado mudou radicalmente e rompeu nosso relacionamento com Deus. O pecado afeta toda a nossa existência. Ele também afeta nossa capacidade de interpretar as Escrituras. Não apenas nossos processos de raciocínio são facilmente empregados para fins pecaminosos, mas nossa mente e pensamentos se corromperam pelo pecado e, portanto, fecharam-se à verdade de Deus. As seguintes características dessa corrupção podem ser detectadas em nosso pensamento: orgulho, engano próprio, dúvida, afastamento e desobediência.
 
Uma pessoa orgulhosa se exalta acima de Deus e de Sua Palavra. Isso ocorre porque o orgulho leva o intérprete a enfatizar excessivamente a razão humana como o árbitro final da verdade, mesmo as verdades encontradas na Bíblia. Essa atitude rebaixa a autoridade divina das Escrituras.
 
Algumas pessoas tendem a ouvir somente as ideias que lhe são atrativas, mesmo que elas estejam em contradição com a vontade revelada de Deus. O Senhor nos alertou sobre o perigo do engano próprio (Ap 3:17). O pecado também alimenta a dúvida, na qual vacilamos e somos inclinados a não acreditar na Palavra de Deus. Quando começamos a duvidar, a interpretação do texto bíblico jamais leva à certeza. Em vez disso, aquele que duvida rapidamente se eleva a uma posição em que julga o que é e o que não é aceitável na Bíblia, um terreno muito perigoso.
 
Em vez disso, devemos abordar a Bíblia com fé e submissão, e não com uma atitude de crítica e dúvida. O orgulho, o engano próprio e a dúvida levam a uma atitude de afastamento em relação a Deus e à Bíblia, que certamente levará à desobediência, isto é, à indisposição de obedecer à vontade revelada de Deus.
 
Você já lutou contra a convicção de algo que leu na Bíblia, isto é, ela mostrou claramente o que fazer, mas você queria fazer outra coisa? O que ocorreu e o que você aprendeu nesse caso?

Quinta-feira, 07 de maio
Ano Bíblico: 1Cr 21-24
Por que a interpretação é importante?
 
5. Leia Neemias 8:1-3, 8. Por que uma compreensão clara das Escrituras é tão importante para nós, não apenas como indivíduos, mas como igreja? Assinale a alternativa correta:
 
A.( ) Porque agiremos com segurança se compreendermos a Palavra do Senhor.
 
B.( ) Porque uma compreensão das Escrituras nos torna infalíveis.
 
O assunto mais importante da Bíblia é a salvação e a maneira pela qual somos salvos. Afinal, o que mais importa a longo prazo? Como o próprio Jesus perguntou, de que adianta ganhar tudo o que o mundo oferece e perder nossa alma? (Mt 16:26).
 
Mas saber o que a Bíblia ensina sobre a salvação depende muito da interpretação. Se abordamos e interpretamos a Bíblia de maneira equivocada, provavelmente chegaremos a conclusões falsas, não apenas no entendimento da salvação, mas em tudo o que a Bíblia ensina. Na verdade, mesmo nos dias dos apóstolos, o erro teológico já havia se infiltrado na igreja, evidentemente sustentado por falsas interpretações das Escrituras.
 
6. Leia 2 Pedro 3:15, 16. Por que é importante uma leitura correta das Escrituras?
 
De fato, se somos um povo do “Livro”, que deseja viver unicamente pela Bíblia, e não temos outras fontes autoritativas como a tradição, os credos nem a autoridade de ensino da igreja para interpretar a Bíblia para nós, então a hermenêutica correta das Escrituras é muito importante, pois temos somente a Bíblia para nos dizer em que devemos crer e como devemos viver.
 
A interpretação das Escrituras é um assunto vital à saúde teológica e missiológica da igreja. Sem uma interpretação correta da Bíblia, não pode haver unidade na doutrina e no ensino e, portanto, nenhuma unidade na igreja e em nossa missão. Uma teologia precária e distorcida inevitavelmente leva a uma missão deficiente e distorcida. Afinal, se temos uma mensagem para dar ao mundo, mas estamos confusos sobre seu significado, com que eficiência poderemos apresentar essa mensagem àqueles que precisam ouvi-la?

 

Sexta-feira, 08 de maio
Ano Bíblico: 1Cr 25-27
Estudo adicional
 
Textos para leitura: Caminho a Cristo, p. 105-113 (“Expulse a Dúvida”); documento “Métodos de Estudo da Bíblia”, Seção 1: “Estudo Bíblico: Pressuposições, Princípios e Métodos”; Seção 2: “Pressuposições Originadas de Afirmações das Escrituras”; e Seção 3: “Princípios Para Abordar a Interpretação das Escrituras”. Acesse http://www.centrowhite.org.br/metodosde- estudo-da-biblia.
 
“No estudo da Palavra, deixe de lado as opiniões preconcebidas e as ideias herdadas e cultivadas. Você nunca alcançará a verdade se estudar as Escrituras para defender suas próprias ideias. Deixe-as de lado e, com o coração contrito, ouça o que o Senhor tem a lhe dizer. Quando a pessoa humilde que procura a verdade se assenta aos pés de Cristo e aprende Dele, a Palavra lhe dá entendimento. Àqueles que são sábios demais aos próprios olhos para estudar a Bíblia, Cristo diz: Vocês devem se tornar mansos e humildes de coração, se desejam ser sábios para a salvação. 
 
“Não leia a Palavra à luz de opiniões antigas; mas, com a mente livre de preconceitos, busque-a com cuidado e oração. Se, à medida que lê, você se sente convicto a respeito de algo, e nota que suas próprias opiniões não estão em harmonia com a Palavra, não tente adaptá-la a essas opiniões. Ajuste suas opiniões à Palavra. Não permita que suas crenças ou práticas anteriores dominem o entendimento. Deixe a mente receptiva às maravilhas da Lei. Descubra o que está escrito, e então firme os pés na Rocha eterna” (Ellen G. White, Mensagens aos Jovens, p. 260).
 
Perguntas para consideração
 
1. Nossa visão de mundo, educação e cultura impactam a interpretação das Escrituras? É importante identificar influências externas que trazemos à interpretação da Bíblia?
 
2. O pecado pode nos levar a interpretar de maneira equivocada a Palavra de Deus? O desejo de fazer algo condenado na Bíblia nos induz a interpretar as Escrituras de modo distorcido? Como o pecado filtra nossa maneira de interpretar a Bíblia?
 
3. Uma compreensão maior dos tempos e da cultura bíblica nos ajuda a entender mais algumas passagens das Escrituras? Dê alguns exemplos.
 
Respostas e atividades da semana: 1. B. 2. A interpretação é importante, pois sem ela não chegaríamos a nenhuma conclusão sobre um assunto ou temática. Embora não seja possível separar a interpretação dos aspectos pessoais, é imprescindível ter a mente aberta ao Espírito Santo, para que Ele nos conduza na leitura e interpretação. 3. A cultura e filosofia inevitavelmente moldam e influenciam nosso pensamento e nossa maneira de avaliar as coisas. Elas, porém, devem ser subordinadas à Palavra de Deus. 4. O orgulho e a glória dos homens impediu que pessoas que creram nas verdades da Bíblia e no Messias confessassem essas verdades. 5. A. 6. Porque uma interpretação equivocada pode nos levar à destruição.