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Várzea Grande(MT), Sexta-Feira, 24 de Setembro de 2021 - 23:41
22/05/2021 as 18:10:23 | Por CPB | 350
O sinal da aliança
“Os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua de geração em geração”
Fotografo: CPB
O sinal da aliança

Lição 9
22 a 28 de maio
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Ed 1-3
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua de geração em geração” (Êx 31:16).
LEITURAS DA SEMANA: Gn 2:2, 3; Êx 20:11; Êx 16; Hb 4:1-4; Êx 31:12-17; Dt 5:14
 
O sábado é como um prego martelado que, com regularidade constante, nos faz voltar cada semana ao fundamento de tudo o que somos ou podemos ser. Estamos sempre tão ocupados, correndo atrás de nossos afazeres, ganhando e gastando dinheiro, correndo para lá e para cá, indo a todos os lugares. Mas então chega o sábado, que nos conduz novamente ao nosso fundamento, o ponto de partida de tudo, pois o que tem significado para nós existe unicamente porque Deus o criou e a nós também.
 
Com incessante regularidade e sem exceções, o sábado surge silenciosamente no horizonte e em cada fresta e fissura da nossa vida. Ele nos lembra de que tudo pertence ao Criador, Aquele que nos colocou aqui, o Deus que “no princípio” criou os Céus e a Terra, um ato que continua sendo o fundamento de toda a fé cristã e do qual o sábado é o sinal irrefutável e insubstituível.
 
Nesta semana, examinaremos esse sinal no contexto da aliança do Sinai.
 
Resumo da semana: Qual é a origem do sábado? Quais evidências provam que o sábado existia antes do Sinai? O que torna o sábado um sinal da aliança tão apropriado?

Domingo, 23 de maio
Ano Bíblico: Ed 4-6
Origens
 
Muitas vezes ouvimos a expressão o “antigo sábado judaico”. No entanto, as Escrituras deixam claro que o sábado existia muito antes do povo judeu. Sua origem está na semana da criação.
 
1. Leia Gênesis 2:2, 3 e Êxodo 20:11. Quando claramente o sábado foi estabelecido? 
 
A. ( ) No Sinai, quando Deus deu os Dez Mandamentos aos judeus.
 
B. ( ) Na semana da criação.
 
Embora Gênesis 2:2, 3 não identifique o “sétimo dia” como o sábado (essa identificação aparece pela primeira vez em Êxodo 16:26, 29), ele é claramente indicado no verso: “E, havendo Deus terminado no sétimo dia a Sua obra, que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que tinha feito” (Gn 2:2). A palavra “descansou” (no hebraico, shabat) está relacionada ao substantivo "sábado" (shabbat). “A palavra ‘sábado’ não é empregada [em Gênesis 2:2, 3], mas é certo que o autor pretendia afirmar que Deus abençoou e santificou o sétimo dia como sábado” (G. F. Waterman, The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible. Grand Rapids, MI: Zondervan, 1975, v. 5, p. 183). Evidentemente, Gênesis 2:2, 3 ensina a origem e instituição divina do sábado como dia de bênção para toda a humanidade.
 
Leia Marcos 2:27. Jesus declarou que o sábado foi feito por causa do “homem”, o que sugere toda a humanidade, em oposição a apenas os judeus.
 
2. Por que o próprio Deus descansou no sétimo dia? Ele precisava disso? A que outro propósito Seu descanso poderia ter servido? 
 
Embora alguns comentaristas tenham sugerido que Deus precisasse de descanso físico após a criação, o propósito de Seu descanso foi dar um exemplo. O ser humano também deve trabalhar seis dias e descansar no sábado, o sétimo dia. O teólogo Karl Barth sugeriu que o descanso de Deus no final da criação fizesse parte da “aliança de graça”, na qual a humanidade foi convidada “a descansar com Ele [...] para participar do descanso [de Deus]” (Church Dogmatics, v. 3, parte 1. Edimburgo, Escócia: T&T Clark Ltd., 1958, p. 98).
 
Após a criação, o ser humano foi chamado ao descanso na comunhão com o Criador. O sábado é o ponto alto semanal na vida com Cristo.

Segunda-feira, 24 de maio
Ano Bíblico:
O sábado antes do Sinai
 
“Ele respondeu: – Isto é o que disse o Senhor: ‘Amanhã é repouso, o santo sábado dedicado ao Senhor. O que vocês quiserem assar no forno, assem, e o que quiserem cozinhar em água, cozinhem; e tudo o que sobrar separem, guardando para a manhã seguinte’” (Êx 16:23).
 
Examine Êxodo 16, a história do maná concedido a Israel no deserto, antes do Sinai. Observe o que esse relato revela:
 
1. Apenas uma porção regular de maná podia ser usada a cada dia, mas no sexto dia uma porção dobrada devia ser colhida.
 
2. O maná não era dado no sábado.
 
3. A porção extra necessária para o sábado era guardada sem estragar do sexto para o sétimo dia, enquanto o maná não se conservava nos outros dias.
 
3. O que essa história revela sobre a santidade do sábado antes da promulgação da lei no Sinai? Êxodo 16:23-28
 
“Na verdade, o fato de que o sábado era considerado o sétimo dia, a declaração de que o Senhor havia dado o sábado aos israelitas, e o registro de que o povo, por ordem de Deus, havia descansado no sétimo dia – tudo apontava inequivocamente para a instituição original do sábado [na criação]” (G. F. Waterman, The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible, v. 5, p. 184).
 
Há muito mais sobre o sábado em Êxodo 16 do que se vê à primeira vista. Esse trecho nos ensina:
 
1. Qual é o dia de preparação para o sábado.
 
2. Qual dia da semana é o sábado.
 
3. De onde veio o sábado.
 
4. Que tipo de dia deveria ser o sábado.
 
5. Seria o sábado um dia de jejum?
 
6. O sábado como prova de lealdade a Deus.

 

Terça-feira, 25 de maio
Ano Bíblico:
Sinal da aliança
 
“Os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua de geração em geração. Entre Mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, o Senhor fez os céus e a terra e, no sétimo dia, descansou e tomou alento” (Êx 31:16, 17).
 
O sábado é designado como um “sinal” em quatro ocasiões nas Escrituras (Êx 31:13, 17; Ez 20:12, 20). Um “sinal” não é um “símbolo”, no sentido de algo que simboliza, representa ou lembra naturalmente outra coisa qualquer, em virtude de ambas compartilharem qualidades semelhantes (por exemplo, o símbolo de um punho geralmente denota “poder” ou “força”). Na Bíblia, o sábado como um “sinal” funciona como uma marca, objeto ou condição exterior cuja intenção é transmitir uma mensagem especial.
 
Nada no próprio sinal o ligava particularmente à aliança. O sábado era um sinal da aliança entre Deus e o povo “de geração em geração” (Êx 31:13), apenas porque Deus disse que era.
 
4. Por que o Senhor usou o sábado como sinal da aliança? Por que o sábado é um símbolo tão apropriado do relacionamento salvífico com Deus? Considerando que um aspecto crucial da aliança é que somos salvos pela graça e que as obras não nos salvam, por que o sábado é um símbolo tão adequado desse relacionamento? Gn 2:3; Hb 4:1-4
 
O que impressiona no conceito do sábado como sinal da aliança da graça é que, por séculos, os judeus entenderam esse dia como o sinal da redenção messiânica. Eles viam no sábado uma prévia da salvação no Messias. Visto que entendemos que a redenção vem somente da graça, e que a aliança é da graça, a relação entre o sábado, a redenção e a aliança se torna clara (Dt 5:13-15). Portanto, ao contrário da opinião comum, o sábado é um sinal da graça salvífica de Deus; não é um sinal de salvação pelas obras.

 

Quarta-feira, 26 de maio
Ano Bíblico: Ne 5-8
Sinal de santificação
 
“Certamente vocês guardarão os Meus sábados, pois é sinal entre Mim e vocês de geração em geração, para que vocês saibam que Eu sou o Senhor, que os santifica” (Êx 31:13).
 
Êxodo 31:12-17 é um texto excepcionalmente rico a respeito do sábado, e vem logo após as orientações do Senhor para a construção do santuário e o estabelecimento de seus rituais (Êx 25:1–31:11).
 
O conceito do sábado como um “sinal” visível, exterior e eterno entre Deus e Seu povo é expresso dessa maneira pela primeira vez. O texto contém alguns conceitos impressionantes que merecem nosso estudo. Duas novas ideias são reunidas nesse texto:
 
1. O sábado como sinal de conhecimento;
 
2. O sábado como sinal de santificação;
 
Considere o aspecto do sinal relacionado ao conhecimento. A compreensão hebraica de conhecimento inclui aspectos intelectuais, relacionais e emocionais. “Conhecer” não significava simplesmente saber um fato, especialmente quando uma pessoa estivesse envolvida. “Conhecer” também significava ter um relacionamento significativo com a pessoa conhecida. Assim, conhecer o Senhor significava estar no relacionamento certo com Ele – servi-Lo (1Cr 28:9), temê-Lo (Is 11:2), crer Nele (Is 43:10), confiar Nele, buscá-Lo (Sl 9:10) e invocar Seu nome (Jr 10:25).
 
5. Consulte cada um dos textos do parágrafo acima. De que maneira eles nos ajudam a entender o que significa “conhecer” o Senhor?
 
O sábado também é um sinal de santificação. Significa que o Senhor “santifica” Seu povo (compare com Lv 20:8; Dt 7:6).
 
O processo de santificação é obra do amor redentivo de Deus e revela salvação e redenção. Tanto a justiça (justificação) quanto a santificação são obras Dele: “Eu sou o Senhor, que os santifico” (Lv 20:8). Portanto, o sábado é um sinal que dá conhecimento de Deus como Santificador. “Dado ao mundo como sinal do Criador, o sábado é também o sinal de Deus como nosso Santificador” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 6, p. 350).

Quinta-feira, 27 de maio
Ano Bíblico:
Lembrando do sábado
 
“Lembre-se do dia de sábado, para o santificar” (Êx 20:8).
 
O sábado foi e é um sinal para que o homem se lembrasse. O uso da palavra “lembrar” pode servir para várias funções. Em primeiro lugar, lembrar-se de algo envolve olhar para trás, pensar no passado. Nesse caso, o sábado nos indica a criação feita por Deus, que culminou com a instituição do sábado como dia semanal de descanso e comunhão especial com o Senhor.
 
A ordem para que nos lembremos também tem implicações para o presente. Não devemos apenas nos “lembrar” do sábado (Êx 20:8); devemos “observá-lo” e “guardá-lo” (veja Dt 5:12). Portanto, o sábado tem implicações importantes para nós hoje.
 
Por fim, a lembrança do sábado também nos indica o futuro. A pessoa que se lembra de guardar o sábado tem um futuro promissor, rico e significativo com o Senhor do sábado. Essa pessoa permanece na relação de aliança, pois permanece no Criador. Novamente, quando entendemos que a aliança é um relacionamento entre Deus e a humanidade, o sábado, que fortalece esse relacionamento, ganha destaque específico.
 
De fato, ao lembrar-se da criação e de seu Criador, o povo de Deus também se lembra dos graciosos atos de salvação de Deus (veja Dt 5:14, em que o sábado é visto, nesse contexto, como sinal de libertação do Egito, um símbolo da salvação suprema encontrada em Deus). A criação e a recriação estão interligadas. A primeira torna possível a última. O sábado é um sinal que comunica que Deus é o Criador do mundo e o Criador da nossa salvação.
 
“Santificando Seu santo sábado, devemos mostrar que somos Seu povo. Sua Palavra declara que o sábado é um sinal distintivo do povo que observa os mandamentos [...]. Os que observam a lei de Deus serão um com Ele no grande conflito iniciado no Céu entre Satanás e Deus” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 160).
 
6. Observe novamente essa declaração de Ellen G. White. Por que o sábado nos distingue como o “povo que observa os mandamentos” mais do que, talvez, qualquer um dos outros mandamentos?

Sexta-feira, 28 de maio
Ano Bíblico: Ne 12, 13
Estudo adicional
 
Textos de Ellen G. White: Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 1.096; Testemunhos Para a Igreja, v. 6, p. 349-351 (“A observância do sábado”); Patriarcas e Profetas, p. 295-297 (“Do Mar Vermelho ao Sinai”).
 
Os Dez Mandamentos definem de maneira abrangente e fundamental as relações entre Deus e o ser humano e também entre o ser humano e seus semelhantes. No decálogo, o mandamento do sábado é central. Ele identifica o Senhor do sábado de modo especial e indica Sua esfera de autoridade e propriedade. Observe estes dois aspectos: (1) a identidade da Divindade: Yahweh (SENHOR), que é o Criador (Êx 20:11; 31:17) e que, portanto, ocupa lugar singular; (2) a esfera de Sua propriedade e autoridade – “os céus e a Terra, o mar e tudo o que neles há” (Êx 20:11; compare com Êx 31:17). Nesses dois aspectos, o mandamento do sábado tem as características típicas dos selos de documentos de tratados internacionais do antigo Oriente Próximo. Esses selos geralmente estão no centro de documentos de tratados e contêm (1) a identidade da divindade (geralmente um deus pagão) e (2) a esfera de propriedade e autoridade (geralmente uma área geográfica limitada).
 
“A santificação do Espírito assinala a diferença entre os que têm o selo de Deus e os que guardam um dia de repouso espúrio. Quando vier a prova, será mostrado claramente o que é a marca da besta. Ela é a observância do domingo [...]. Deus designou o sétimo dia como seu dia de repouso [citado Êx 31:13, 17, 16]. Assim é traçada a distinção entre os leais e os desleais. Aqueles que desejam ter o selo de Deus em sua fronte devem guardar o sábado do quarto mandamento” (Ellen G. White, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 1.096).
 
Perguntas para consideração
 
1. Levítico 19:30 relaciona o santuário e o sábado. Considerando o que aprendemos sobre o sábado como sinal, por que essa relação tem sentido?
 
2. A guarda do sábado tem ajudado sua vida? Você precisa fazer mudanças?
 
Resumo: O sábado é o sinal da aliança que vai até a consumação do plano da salvação; aponta para a criação passada, e, como sinal da aliança da graça, para a restauração final, quando Deus renovará todas as coisas.
 
Respostas e atividades da semana: 1. B. 2. Dar o exemplo para a humanidade e estar com os seres humanos. 3. Deus santificou o sábado antes da promulgação da lei no Sinai. 4. Para nos lembrar de que, assim como Ele descansou, devemos também descansar em Sua graça, visto que nada podemos fazer para merecê-la. 5. Servir e temer a Deus, ter fé e confiança Nele e invocar Seu nome: esses aspectos revelam como conhecer a Deus, que é bem mais que uma teoria. 6. Não é fácil guardar o sábado. Muitos têm tropeçado nesse mandamento. No entanto, ele distingue o verdadeiro povo de Deus.
 
Resumo da Lição 9
O sinal da aliança
RESUMO DA LIÇÃO 9
 
O sinal da aliança
 
Foco do estudo: Êxodo 31:16, 17
 
ESBOÇO
 
O sábado é muito mais do que mera porção de tempo; é uma promessa de um relacionamento rico e significativo com o Senhor. É um dia em que deixamos de lado tudo em nossa vida, exceto Deus, e reservamos um tempo para fortalecer nosso relacionamento com Ele.
 
COMENTÁRIO
 
O sábado só pode ser entendido se considerarmos sua gênese. O termo “descanso”, em Gênesis 2:3, deriva da forma verbal hebraica shabath (repousar, celebrar, cessar, parar o trabalho, terminar, descansar, estar completo, guardar o sábado, observar). Curiosamente, esse verbo está ligado à observância do shabbat semanal (sábado, descanso observado no sétimo dia). Leia Levítico 25:2 (ver Francis Brown, The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon [Léxico Hebraico e Inglês de Brown-Driver-Briggs], p. 991, 992).
 
Origens
 
No começo, em Gênesis 2, Adão e Eva não precisavam de mandamentos fundamentados no pecado, pois não havia pecado. Por outro lado, “a lei de Deus existia antes da criação do homem, ou do contrário Adão não podia ter pecado” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 230).
 
Contudo, o exemplo influente do Pai de Adão em guardar o sábado foi mais do que um mandamento. Da perspectiva do Éden, um filho criado segue o exemplo de um Pai-Criador. Portanto, séculos antes da existência dos judeus, o sábado da criação se tornou um memorial incomparável no tempo, validando Cristo como Criador e Soberano cósmico (Mt 12:8; Mc 2:28; Jo 8:58).
 
Portanto, o shabbat (“sábado”) cumpre uma visão cosmológica, não apenas uma função teológica. Isso serve para explicar como Yahweh Se sentiu a respeito de Sua criação. Em essência, Yahweh imprimiu um selo divino nesse dia como um testamento imutável de Seu papel majestoso como Criador cósmico. Portanto, quando Yahweh descansou no sétimo dia, Ele o reservou para o cosmos.
 
“O sábado é a pausa que revigora. O padrão é seis dias e um dia. Seis dias de trabalho e um dia de descanso. [...] Yahweh, o Maestro da sinfonia cósmica, ordena Sua composição no compasso 6/7. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, descanse!” (Charles E. Bradford, Sabbath Roots: The African Connection [Raízes Sabáticas: A Conexão Africana], p. 58).
 
“O sábado do quarto mandamento foi instituído no Éden” (Ellen G. White, História da Redenção, p. 145).
 
O sábado antes do Sinai
 
“Os missiologistas reconhecem uma consciência hebraica entre os povos africanos. [...] W. W. Oliphant, um líder religioso africano nos primeiros anos do século 20, diz que ‘o sábado na Etiópia [tem] sido guardado desde os dias de Ninrode, cerca de 2140 a.C. (leia Gn 10:8, 9), isto é, 700 anos antes do nascimento de Moisés. [...] Africanos ou os etíopes eram observadores do sábado desde os dias de Ninrode, filho de Cuxe’” (Charles E. Bradford, Sabbath Roots: The African Connection, p. 26).
 
Sinal da aliança
 
“‘Certamente vocês guardarão os Meus sábados, pois é sinal entre Mim e vocês de geração em geração’ (Êx 31:13; compare com Ez 20:12). [...] A pessoa que guarda o sábado com o espírito correto, portanto, demonstra que ele ou ela está em um relacionamento com Deus.
 
“O sábado, como sinal, comunica ao crente, em primeiro lugar, o conhecimento de que o Senhor é o seu Deus da aliança. Também indica que o Senhor ‘santifica’ Seu povo (Lv 20:8; 21:8; 22:32; Ez 37:28). [...]
 
“O sábado funciona em outro sentido como um sinal. Serve como marca de separação, indicando para pessoas de outras religiões ou para pessoas que não o guardam que existe uma relação única entre Deus e Seu povo observador do sábado” (Gerhard F. Hasel e Michael G. Hasel, The Promise: God’s Everlasting Covenant [A Promessa: A Aliança Eterna de Deus], p. 86-88; leia Êx 32; Dt 5:15).
 
Sinal de santificação
 
O sábado da criação é de fato o santuário de Deus consagrado no tempo. Em outras palavras, “Yahweh, tendo colocado Seu melhor em Sua criação, declara que tudo é muito bom. Então, como habilidoso Artista que é, Deus toma a estrutura do tempo e faz a partir dela algo especial como o sábado, uma catedral no tempo, esculpida em horas e minutos que se estendem da fonte da eternidade. Um presente de Seu próprio coração.
 
“Deve-se observar que Deus fez o shabbat e não trouxe a humanidade a ele. Ele criou Adão e Eva e trouxe o sábado para eles” (Charles E. Bradford, Sabbath Roots: The African Connection, p. 51; ver Ez 20:12, 20.)
 
Lembrando do sábado
 
“Israel conhecia os seus vizinhos tão bem que os profetas se sentiam desconfortáveis. [...] Não podemos fugir do fato de que ao redor da fogueira os anciãos narravam os dias da criação e, certamente, o dia para o qual todos os outros apontavam, o sábado. A ‘grande história’ fixava-se na psiquê coletiva dos povos primitivos. O conhecimento do sábado só poderia ser esquecido na rebelião contra o Deus que criou todas as coisas.
 
“É por isso que o mandamento do sábado começa com ‘Lembre-se’. O sábado sempre remete ao evento da criação (Êx 20:8-10).
 
“Se Yahweh nos ordena que nos lembremos do sábado, deve ter havido um tempo em que Ele ordenou sua observância. Na verdade, essa é a mensagem da experiência de Israel com o maná, que Yahweh enviava durante seis dias da semana, mas retinha no sétimo dia. Nesse caso, Ele não repetiu o mandamento porque, mesmo antes do Monte Sinai, eles o conheciam. [...] O fato de ‘Lembre-se’ estar junto à ordem indica que ela foi dada antes e não precisava ser constantemente reiterada” (Charles E. Bradford, Sabbath Roots: The African Connection, p. 79, 80).
 
O verbo lembrar foi incluído porque precisamos “dizer ‘sim’ ao Senhor do sábado, colocando-nos à disposição Dele. Significa reconhecer as ações divinas em vez de confiar nas realizações próprias. Significa parar de se preocupar com os próprios desejos e começar a pensar nas necessidades das outras pessoas. [...] Significa esquecer o eu e os interesses egoístas a fim de, como Maria, honrar a Cristo como o convidado especial” (Samuele Bacchiocchi, Divine Rest for Human Restlessness: A Theological Study of the Good News of the Sabbath for Today [Descanso Divino para a Inquietação Humana: Um Estudo Teológico das Boas-novas do Sábado para Hoje]. Berrien Springs, MI: publicado pelo autor, 1988, p. 99).
 
APLICAÇÃO PARA A VIDA
 
A lei de Deus diz que o sábado deve ser santificado e que não devemos trabalhar nele. Os hebreus levaram essa ordem muito a sério. Os fariseus e outros mestres da lei enfatizaram que “carregar um fardo” era considerado trabalho. Para evitar mal-entendidos, eles foram muito específicos sobre o que era um fardo. Um fardo era alimento equivalente em peso a um figo seco, vinho suficiente para misturar em uma taça, leite suficiente para um gole, mel suficiente para colocar sobre uma ferida, etc.
 
1. Com essas rígidas restrições, pode-se imaginar as muitas horas que as pessoas passavam discutindo sobre o que um vizinho deveria ou não ter feito no sábado. De que forma estamos presos a rotinas legalistas semelhantes? Quais são os perigos de ser legalista? Isso significa que devemos descartar os padrões da igreja que não são especificados na Bíblia? É possível harmonizar as normas da igreja com o pensamento da Bíblia? Explique.
 
2. Já foi dito que o ensino é falso se produz uma religião que consiste única ou principalmente na observância de coisas externas. É fácil confundir espiritualidade – o relacionamento com Cristo – com práticas religiosas? Quais são os perigos de se fazer isso? A Igreja Adventista do Sétimo Dia pode cair nessa armadilha?
 
3. Nos tempos antigos, a observância do sábado pelos judeus deu-lhes a reputação de preguiçosos. Com base na observância do sábado, você acha que as pessoas o consideram um cumpridor da lei ou alguém que ama a Deus? Qual é a diferença entre essas duas características? Suas práticas de guarda do sábado se concentram no que você pode e não pode fazer ou em fortalecer seu relacionamento com seu Salvador? Comente.
 
4. A nova aliança é um acordo entre Deus e você que se baseia em um relacionamento íntimo. O sábado é um tempo de qualidade que você passa com Deus. Obviamente, então, a guarda do sábado é importante para o relacionamento da aliança. Como podemos restaurar a santidade e a alegria do dia do Senhor tanto no estilo de vida individual quanto no coletivo?
 
5. A maioria dos religiosos, se pensar a respeito, admitirá que é desejável dedicar um dia da semana a Deus. Na verdade, alguns dirão que dedicam todos os dias a Deus. Qual é, entretanto, a evidência de que Deus está preocupado em honrarmos não qualquer dia, mas o dia que Ele santificou e separou especificamente para esse propósito?
 
6. Neste mundo, as pessoas dedicam uma grande quantidade de tempo e dinheiro para se divertir e fazer uma variedade de coisas que presumivelmente as ajudam a “relaxar”. Como o descanso de que devemos desfrutar no sábado pode ser diferenciado do entretenimento e diversão em grande parte egocêntricos?
 
7. Deus, como O entendemos, provavelmente não precisaria descansar por estar cansado no sentido que damos a essa palavra. No entanto, Gênesis nos diz que Deus descansou no sétimo dia. Por que Deus precisou se afastar de Seu trabalho e “descansar”?
 
8. A Bíblia diz (Êx 31:13) que o sábado deve ser um sinal do compromisso de Israel com Deus (e, podemos inferir, do nosso compromisso com o Senhor). É possível que o pudéssemos observar de forma a transmitir uma mensagem contrária à pretendida? De que modo? Como ter certeza de que nossa guarda do sábado representa os ideais divinos?
 
9. Como o sábado comunica a absoluta singularidade de Deus em comparação com outros deuses ou coisas que as pessoas podem considerar com adoração ou estima especial?
 
10. Usando o sábado como um indicador, verifique se você baseia suas crenças religiosas em rituais ou em um relacionamento com Jesus. Como as atividades de Jesus no sábado refletiram Seu relacionamento com o Pai? Que mudanças específicas você acha que precisa fazer em suas práticas de guarda do sábado?
 




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