Fotografo: Divisão Florestal do Alasca/Reuters
...
Incêndio florestal no Alasca, registrado em 29 de julho de 2019

 
A região do Ártico está sendo devastada por incêndios florestais – vastas áreas do norte da Sibéria, Escandinávia, Alasca e Groenlândia estão ardendo em chamas.
 
Os incêndios na região costumam ser provocados por relâmpagos mas, neste ano, a situação foi agravada pelas ondas de calor do verão. As temperaturas estão mais altas do que a média em decorrência da mudança climática.
 
O fogo é tão intenso que a fumaça pode ser vista até do espaço.
 
Mark Parrington, especialista em incêndios florestais do Copernicus Atmosphere Monitoring Service (Cams), descreve o incidente como "sem precedentes".
 
Qual a gravidade?
 
Há centenas de focos de incêndios consumindo a vegetação, sobretudo em regiões desabitadas do leste da Rússia, norte da Escandinávia, Groenlândia e Alasca.
 
Mas a fumaça está afetando áreas vizinhas, encobrindo completamente alguns lugares.
 
Cidades do leste da Rússia registraram uma diminuição significativa na qualidade do ar desde o início dos incêndios.
 
A fumaça teria chegado até a região russa de Tyumen, no oeste da Sibéria, localizada a seis fusos horários dos focos de incêndio na costa leste.
 
Em junho, o fogo liberou cerca de 50 megatoneladas de dióxido de carbono – o equivalente à produção anual de carbono da Suécia, segundo a Cams.
 
 
Quão raro é isso?
Os incêndios no Ártico são comuns entre maio e outubro e os incêndios florestais são parte natural de um ecossistema, oferecendo alguns benefícios para o meio ambiente, de acordo com o site do Alaska Centers.
 
Eles ajudam no crescimento de capim novo e arbustos, atraindo roedores e perdizes - e, depois, raposas, martas e aves de rapina. Além disso, permite que ervas, brotos de árvores e frutas silvestres atraiam alces e ursos, e permitem uma reciclagem de nutrientes do solo.
 
Mas a intensidade das chamas, assim como a grande área que elas ocupam, tornam este episódio incomum.
 
"É incomum ver incêndios dessa escala e duração em latitudes tão altas em junho", diz Parrington.
"Mas as temperaturas no Ártico têm aumentado a uma taxa muito mais rápida do que a média global, e as condições mais quentes favorecem os incêndios a se alastrar e perdurar, uma vez que são desencadeados".
A terra seca e as temperaturas extremamente mais quentes do que a média, combinadas com relâmpagos e ventos fortes, fizeram com que as labaredas se espalhassem de forma agressiva.
 
A queima foi sustentada pelo solo da floresta, composto de turfa descongelada, exposta e seca - substância com alto teor de carbono.
 
Expansão perigosa
De acordo com Jonathan Amos, correspondente de ciência da BBC, satélites estão monitorando uma série de incêndios florestais novos e contínuos no Círculo Polar Ártico.
 
"O fogo está liberando grandes volumes de dióxido de carbono e metano – reservas de carbono que, em alguns casos, estavam armazenadas no solo há milhares de anos", afirma.
 
Segundo ele, os cientistas dizem que o que estamos vendo é uma evidência do tipo de reação que devemos esperar de um mundo mais quente, onde o aumento das concentrações de gases causadores do efeito estufa gera mais aquecimento, levando a condições que liberam ainda mais carbono na atmosfera.
 
 
"Muitas das partículas emanadas por esses incêndios vão acabar se instalando em superfícies de gelo mais ao norte, escurecendo as mesmas e acelerando assim seu derretimento", explica Amos.
 
Tudo isso faz parte de um processo de expansão.
 
O que está sendo feito?
As autoridades russas não estão combatendo a maior parte dos incêndios, argumentando que o custo seria maior do que o dano causado pelas chamas.
 
"Eles (os incêndios) não ameaçam nenhuma comunidade ou economia", declarou a assessoria de imprensa do Ministério Florestal da região de Krasnoyarsk a um site de notícias siberiano.
 
As hashtags #putouttheSiberianfires ("apague os incêndios na Sibéria") e #saveSiberianforests ("salve as florestas siberianas") estão ganhando força no Twitter, à medida que os russos reclamam que o governo não está fazendo o suficiente para enfrentar a crise.
 
Alguns argumentam que o incêndio que atingiu a catedral de Notre Dame, em Paris, em abril deste ano, recebeu muito mais atenção da imprensa do que os incêndios florestais.
 
"Vocês lembram como as notícias sobre o incêndio da Notre Dame se espalharam? Agora é hora de fazer o mesmo com os incêndios florestais na Sibéria", escreveu um usuário.
"Não vamos esquecer que a natureza não é menos importante que a história. Vários animais perderam suas casas, e muitos deles provavelmente estão mortos. Só de pensar nisso é doloroso", dizia outro tuíte.