Fotografo: CPB
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O clamor dos profetas

Lição 5
27 de julho a 02 de agosto
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Is 15-19
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Mq 6:8).
 
LEITURAS DA SEMANA: 1Sm 8:10-18; Am 5:10-15; Mq 6:8; Gn 19:1-13; Ez 16:49; Is 1:15-23
 
Os profetas do Antigo Testamento estão entre os personagens mais interessantes da Bíblia. Sua voz estridente, suas mensagens ousadas, seu sentimento de pesar, ira e indignação, bem como as encenações ocasionais de suas mensagens fizeram com que fosse impossível ignorá-los, mesmo que nem sempre fosse confortável estar perto deles.
 
Enviados primeiramente a Israel e a Judá, esses profetas conduziram o povo escolhido de volta ao seu chamado em Deus. O povo e seus líderes foram facilmente atraídos pelos ídolos e estilo de vida das nações vizinhas. A tarefa ingrata dos profetas era insistir que eles se arrependessem, às vezes lembrando-os do amor de Deus por eles e de Suas obras em seu favor, e às vezes advertindo-os das consequências, caso eles continuassem a se afastar de Deus.
 
Como veremos também, entre os pecados e males contra os quais os profetas advertiram os líderes e o povo, um dos maiores problemas era a opressão aos pobres, necessitados e indefesos. Evidentemente, a adoração de ídolos e a adoção de práticas religiosas falsas eram coisas terríveis. No entanto, levar vantagem sobre os fracos e pobres também era algo digno de condenação.
 

 

Domingo, 28 de julho
Ano Bíblico: Is 20-23
O recorrente chamado à justiça
 
 
Apesar do plano de Deus para a nação israelita, o povo raramente viveu de acordo com seu chamado. Não muitas gerações após se estabelecerem na terra, eles pediram a Samuel um rei para liderar a nação, “como o” tinham “todas as nações” (1Sm 8:5).
 
1. Leia 1 Samuel 8:10-18. Qual foi a advertência de Samuel ao povo, em resposta ao seu pedido por um rei?
 
Samuel reconheceu esse pedido como um passo rumo à semelhança com as outras nações em outros aspectos também. E não demorou muito para que sua profecia começasse a se tornar realidade. Mesmo no auge do reino de Israel, Davi e Salomão não escaparam das tentações, da corrupção e dos excessos que resultaram de seu poder.
 
Ao longo dos reinos de Israel e Judá, Deus enviou profetas para falar de Sua vontade e lembrar aos líderes e ao povo suas responsabilidades para com os membros negligenciados da sociedade.
 
Nos escritos dos profetas hebreus, vemos um chamado contínuo à prática da justiça na sociedade. Confrontando a infidelidade de Israel e de seus líderes, os profetas eram uma voz regular e urgente em favor dos que não tinham voz, especialmente os afligidos pelo fato de Israel não obedecer à vontade de Deus.
 
Refletindo sobre a paixão dos profetas do Antigo Testamento, Abraham Joshua Heschel contrastou nossa complacência com os urgentes clamores por justiça desses homens: “As coisas que horrorizavam os profetas são, mesmo hoje, ocorrências diárias em todo o mundo. [...] A impaciência incansável dos profetas diante da injustiça pode parecer histeria para nós. Testemunhamos continuamente atos de injustiça, manifestações de hipocrisia, falsidade, ultraje e miséria, mas raramente ficamos indignados ou excessivamente agitados. Para os profetas, mesmo a menor injustiça assumia proporções cósmicas” (The Prophets [Nova York: Jewish Publication Society of America, 1962], p. 3, 4).
 
Esses profetas nos apresentam uma percepção do coração e da mente de Deus. Falando em nome do Senhor, eles nos ajudam a ver a injustiça e o sofrimento do mundo através dos lacrimosos olhos de Deus. Mas essa paixão é também um chamado à ação, a trabalhar com Ele para aliviar e remediar a opressão e a aflição daqueles que nos rodeiam.
 

 

Segunda-feira, 29 de julho
Ano Bíblico: Is 24-26
Amós
 
 
“Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de após o gado e o Senhor me disse: Vai e profetiza ao Meu povo de Israel” (Am 7:14, 15).
 
Amós foi bastante franco em admitir sua falta de qualificação para ser um profeta; porém, ao apresentar sua mensagem à nação israelita, ele mostrou uma evidente habilidade de atrair seus ouvintes.
 
Amós começou seu discurso com uma observação popular, listando as nações vizinhas (Síria, Filístia, Fenícia, Edom, Amom e Moabe), e detalhando os crimes, ultrajes e atrocidades pelos quais Deus os castigaria (veja Am 1:3–2:3). É fácil imaginar os israelitas aplaudindo essas acusações aos seus inimigos, especialmente porque os próprios israelitas tinham sido alvo de muitos crimes dessas nações.
 
Em seguida, Amós se voltou para sua pátria ao declarar o juízo de Deus contra o povo de Judá, vizinhos ao sul de Israel depois da separação dos dois reinos. Falando em nome de Deus, Amós citou a rejeição deles a Deus, a desobediência aos Seus mandamentos e os castigos que lhes sobreviriam (veja Am 2:4, 5). Mais uma vez, imaginamos o povo do reino do Norte aplaudindo.
 
Mas, então, Amós se voltou para seu público. O restante do livro se concentra no mal, na idolatria, na injustiça e nos repetidos fracassos do povo de Israel aos olhos de Deus.
 
2. Leia Amós 3:9-11; 4:1, 2; 5:10-15; 8:4-6. Contra quais pecados ele advertiu? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
 
A. (  ) Orgias e bebedices.
 
B. (  ) Violência, opressão aos pobres e suborno.
 
Embora Amós não tenha sido diplomático em sua linguagem e suas advertências sejam de condenação, sua mensagem foi temperada com súplicas para que o povo voltasse ao seu Deus. Isso incluía uma renovação do senso de justiça do povo e o cuidado para com os pobres entre eles: “Antes, corra o juízo como as águas; e a justiça, como ribeiro perene!” (Am 5:24). Os últimos versículos da profecia de Amós indicam uma futura restauração do povo de Deus (veja Am 9:11-15): “Em sua hora de mais profunda apostasia e maior necessidade, a mensagem de Deus a eles foi de perdão e esperança” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 283).
 

 

Terça-feira, 30 de julho
Ano Bíblico: Is 27-29
Miqueias
 
3. “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Mq 6:8). Como você pode viver essas palavras?
 
O texto de Miqueias 6:8 talvez seja um dos mais conhecidos das Escrituras. No entanto, como muitos versos que transformamos em slogans ou “cartazes”, provavelmente estejamos menos familiarizados com o contexto do verso do que admitimos.
 
4. Leia Miqueias 2:8-11 e 3:8-12. Quais ações do povo o profeta condenou? Assinale a alternativa correta:
 
A. (  ) Corrupção, desonestidade, suborno e idolatria.
 
B. (  ) O desrespeito deles por seus antepassados.
 
No reinado de Acaz, em Judá, o povo de Deus atingiu um nível ainda mais baixo na espiritualidade de sua nação. A idolatria e suas várias práticas perversas estavam aumentando. Ao mesmo tempo, como outros profetas da época também observaram, os pobres continuavam a ser explorados e saqueados.
 
Miqueias era um profeta da condenação tanto quanto seus contemporâneos. A maior parte dos três primeiros capítulos de seu livro expressa a ira e a tristeza de Deus pelo mal que Seu povo havia feito, bem como a destruição que lhe sobreviria.
 
Porém, Deus não havia desistido dele. Até mesmo as vozes estridentes e mensagens duras dos profetas indicavam o contínuo interesse de Deus por Seu povo. Ele lhes deu advertências por causa de Seu amor e cuidado para com eles. O Senhor desejava muito perdoá-los e restaurá-los. Sua ira não duraria para sempre (veja Mq 7:18-20).
 
Esse é o contexto da conhecida “fórmula”: “pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente”. Pode parecer simples, mas viver essa fé de maneira prática é muito mais desafiador, especialmente quando vivê-la parece estar tão fora de sintonia com a sociedade à nossa volta. Quando os outros lucram com a injustiça, zombam da misericórdia e andam orgulhosamente, a prática da justiça, o amor pela misericórdia e a humildade no comportamento demandam coragem e perseverança. No entanto, não fazemos isso sozinhos. Quando agimos assim, estamos andando com Deus.
 

 

Quarta-feira, 31 de julho
Ano Bíblico: Is 30-33
Ezequiel
 
 
Se perguntássemos a um grupo de cristãos sobre os “pecados de Sodoma”, é provável que muitos começassem a descrever os vários pecados sexuais e outras formas de depravação dessa cidade. Afinal, Gênesis 19:1-13 retrata uma sociedade doente e pervertida, pronta para ser destruída.
 
Curiosamente, porém, a resposta é mais complexa do que essa. Considere a descrição de Ezequiel: “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranquilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado” (Ez 16:49). Embora claramente o Senhor não tenha ignorado as outras formas de depravação encontradas na cidade, o foco de Ezequiel foi a injustiça econômica e a falta de cuidado para com os necessitados.
 
Será que, aos olhos de Deus, esses pecados econômicos eram tão graves quanto as perversões sexuais?
 
Tendo sido apresentadas após os dias de Amós, Miqueias e Isaías, as primeiras profecias de Ezequiel emitem uma nota de advertência similar a respeito da destruição futura. No entanto, após a queda de Jerusalém diante dos babilônios, quando o povo foi levado cativo, a ênfase de Ezequiel mudou mais completamente para as divinas promessas de restauração.
 
5. Leia Ezequiel 34:2-4, 7-16. Compare a avaliação que Deus fez dos líderes corruptos de Israel com Seu próprio pastoreio. O tratamento deles para com a “ovelha mais fraca” era diferente dos métodos divinos?
 
Embora tenham sido muito maus, a ponto de ser comparados com Sodoma, o Senhor ainda estava Se achegando a eles na esperança de afastá-­los de sua iniquidade. No renovado plano de Deus para Seu povo, eles voltariam à sua terra, Jerusalém seria restaurada e o templo seria reconstruído. As festas que Deus estabeleceu seriam novamente celebradas, e a terra seria novamente dividida de maneira igualitária entre o povo como herança (veja Ez 47:13–48:29). A intenção de Deus era que Seu plano para o povo, dado primeiramente a Moisés e à nação de Israel após seu resgate do Egito, fosse reiniciado com o retorno de Seu povo do cativeiro. Isso incluía o interesse pelos membros mais fracos da sociedade e pelos estrangeiros.


 

Quinta-feira, 01 de agosto
Ano Bíblico: Is 34-37
Isaías
 
6. Leia Isaías 1:15-23; 3:13-15; 5:7, 8. Qual foi a resposta do profeta ao observar a sociedade ao seu redor?
 
O sermão inicial de Isaías, nos primeiros cinco capítulos, é uma mistura de 1) críticas severas ao tipo de sociedade que o povo de Deus havia formado, 2) advertências do juízo iminente em resposta à sua rejeição a Deus e contínuas transgressões, e 3) ofertas de esperança caso o povo se voltasse para Deus e reformasse sua vida e sua sociedade. Mas talvez a emoção mais forte expressa nas palavras do profeta seja um sentimento de pesar. Fundamentado em sua compreensão de quem era Deus e do que Ele desejava para Seu povo, o profeta estava lamentando o que havia se perdido, as inúmeras pessoas negligenciadas que estavam sendo feridas e o juízo que estava para vir sobre a nação.
 
Isaías continuou nesse padrão ao longo de seu ministério profético. Ele exortava o povo a se lembrar do que Deus havia feito por eles e oferecia ao povo a esperança do que Deus desejava fazer por eles no futuro. Portanto, eles deveriam buscar o Senhor naquele momento, pois esse relacionamento renovado com Ele incluía o arrependimento de seus erros e a mudança na maneira de tratar os outros.
 
Nos capítulos 58 e 59 de Isaías, o profeta voltou a falar especificamente da preocupação com a justiça. Ele novamente descreveu uma sociedade em que “o direito se retirou, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade” andava “tropeçando pelas praças, e a retidão não” podia “entrar” (Is 59:14). Mas ele também declarou que Deus estava ciente disso e que Ele resgataria Seu povo – “Virá o Redentor” (Is 59:20).
 
Ao longo do livro de Isaías, uma parte significativa da atenção do profeta é dada à proclamação da vinda do Messias, aquele que finalmente restabeleceria o reino de Deus na Terra e traria consigo justiça, misericórdia, cura e restauração.
 
7. Leia Isaías 9:6, 7; 11:1-5; 42:1-7; 53:4-6. Como essas profecias se encaixam no que você compreende da vida, ministério e morte de Jesus? O que essas profecias sugerem sobre o propósito de Sua vinda a este mundo?
 

 

Sexta-feira, 02 de agosto
Ano Bíblico: Is 38-40
Estudo adicional
 
 
Textos de Ellen G. White: Profetas e Reis, p. 279-292 (“O Cativeiro Assírio”), e p. 303-310 (“O Chamado de Isaías”).
 
“Contra a indisfarçada opressão, a flagrante injustiça, o luxo inusitado e extravagante, despudorados banquetes e bebedeiras, a grosseira licenciosidade e deboche de seu tempo, os profetas ergueram a voz; mas seus protestos foram vãos, inútil foi a denúncia do pecado” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 282).
 
Para Isaías, “A perspectiva era particularmente desencorajadora em relação à condição social do povo. Em seu desejo de ganho, estavam os homens adicionando casa a casa, campo a campo. [...] A justiça havia sido pervertida; e nenhuma piedade era mostrada ao pobre. [...] Mesmo os juízes, cujo dever era proteger o desamparado, faziam-se surdos aos clamores do pobre e necessitado, das viúvas e dos órfãos. [...]
 
“Em face de tais condições, não é surpreendente que Isaías recuasse da responsabilidade, quando chamado a levar a Judá as mensagens de advertência e reprovação da parte de Deus. [...] Ele bem sabia que haveria de encontrar obstinada resistência” (Profetas e Reis, p. 306, 307).
 
“Esses claros pronunciamentos dos profetas [...] deviam ser recebidos por nós como a voz de Deus a cada pessoa. Não devemos perder a oportunidade de praticar obras de misericórdia, de terna previdência e cortesia cristã em favor do sobrecarregado e oprimido” (Profetas e Reis, p. 327).
 
Perguntas para discussão
 
1. A função da profecia é vista como predição do futuro. Porém, o foco dos profetas estava no mundo em que viviam. Isso muda sua percepção da função de um profeta?
 
2. A vida e a mensagem dos profetas demonstram como pode ser perigoso defender a verdade. Por que eles atuaram dessa maneira?
 
3. Deus parece alternar a ira e a preocupação para com o povo. Como você une esses dois aspectos do caráter de Deus?
 
Resumo: Os profetas eram impetuosos, irados e consternados defensores da vontade de Deus. Esse ímpeto envolvia uma ênfase na justiça. As exortações dos profetas para que o povo retornasse a Deus incluíam o fim da injustiça, algo que Ele prometeu fazer em Sua visão de um futuro melhor para o povo.