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Sem Legenda

Lição 3
12 a 18 de outubro
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Bendito seja o Senhor, Deus de nossos pais, que deste modo moveu o coração do rei para ornar a Casa do Senhor, a qual está em Jerusalém” (Ed 7:27).
 
LEITURAS DA SEMANA: Ed 7:10; Ne 1:1-11; Dn 8; 9:24-27; Rm 8:28, 29; 9; Êx 3; 4
 
Deus chama cada pessoa para uma obra específica? Existem critérios que tornam alguém mais qualificado do que outros para ­realizá-la? A perspectiva humana é diferente da perspectiva divina ao estabelecer esses critérios? A maioria das pessoas provavelmente responderia que sim, principalmente às duas últimas perguntas. Há momentos em que Deus nos capacita para realizar uma tarefa específica por meio da educação ou das experiências; outras vezes, Ele nos escolhe para o serviço simplesmente porque somos dispostos e humildes. Nem sempre é fácil saber qual é o chamado de Deus para nossa vida. No entanto, a Bíblia está repleta de histórias de pessoas que Deus escolheu para realizar tarefas específicas.
 
Curiosamente, Esdras e Neemias foram chamados por Deus para uma tarefa: reconstruir o que estava em ruínas. Entretanto, a reconstrução nesse caso envolvia vários trabalhos. Eles deveriam levar o povo de Israel de volta para Jerusalém e reconstruir o templo e a cidade. Ao mesmo tempo, eles deveriam ensinar o povo sobre Deus e, acima de tudo, guiá-lo de volta a um relacionamento de compromisso com Ele. Realmente esse foi um importante chamado de Deus!
 
Domingo, 13 de outubro
Ano Bíblico: Mt 27, 28
O chamado de Esdras e Neemias
 
Esdras foi escolhido por diversas razões: (1) ele estava disposto a ir; (2) era um líder; e (3) era também um mestre e escriba habilidoso. Além disso, existem outras razões, mas há um verso que talvez indique mais claramente por que Esdras recebeu essa tarefa.
 
1. O que Esdras 7:10 revela sobre esse líder? De que forma ele poderia ter “preparado” ou “disposto” seu coração para buscar “a Lei do Senhor” e cumpri-la?
 
A palavra hebraica para “preparado” ou “disposto” é kun. Ela pode ser traduzida como “preparado, decidido, firmado, estabelecido firmemente, mantido estável ou fixo”. Portanto, o verdadeiro significado dessa declaração é que Esdras “dispôs firmemente em seu coração” ou “decidiu em seu coração” buscar a Deus.
 
Após chegar a Jerusalém, Esdras deu o exemplo do que significa ser dedicado a Deus e ensinou a Palavra do Senhor nessa cidade por 13 anos. Pode ter parecido que ele não estivesse fazendo nenhuma diferença durante esse tempo, mas, depois que os muros foram concluídos, o povo convocou uma assembleia – não porque alguém os forçasse, mas porque desejavam fazê-lo.
A Palavra de Deus ensinada por Esdras se enraizara em seu coração.
 
2. Por que Neemias foi escolhido? (Ne 1:1-11). Assinale a alternativa correta:
 
A.(  ) Porque ele era muito rico.
 
B.(  ) Por causa de seu amor a Deus e compaixão pelo povo.
 
Neemias tinha um coração voltado para Deus e o povo. Então ficou aflito quando descobriu que a obra em Jerusalém havia parado. Ele tinha uma paixão pela causa e, assim como Esdras, ofereceu-se para o trabalho. Deus respondeu às suas orações e atendeu aos seus desejos. Às vezes, temos a ideia de que, se amamos alguma coisa, essa atividade não pode ser consagrada a Deus, pois o Senhor nos oferece apenas tarefas difíceis, que não desejamos realizar. Mas, se andamos com Deus, o desejo de fazer algo que amamos é muitas vezes dado por Ele. O Senhor deseja que tenhamos paixão pelo que fazemos por Ele.
 
Segunda-feira, 14 de outubro
Ano Bíblico: Mc 1-3
Tempo profético
 
Na primeira lição deste trimestre mencionamos que Deus chamou Zorobabel (538 a.C.) e Esdras (457 a.C.) para ministérios especiais. Na segunda lição, refletimos sobre o chamado de Deus para Neemias (444 a.C.). Precisamos entender que esses chamados foram realizados em harmonia com a presciência de Deus. Por exemplo, Zorobabel foi movido por Deus para realizar uma tarefa específica em resposta ao fim dos 70 anos de cativeiro sobre o qual Jeremias havia profetizado.
 
3. Em que ano Esdras foi chamado para o ministério? O ano em que o rei Artaxerxes emitiu um decreto. Por que esse ano é importante na profecia? Dn 9:24-27
 
Daniel 9:25 afirma: “Desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas”. A última semana dessa profecia é mencionada no verso 27. Visto que uma semana tem sete dias, uma semana profética corresponde a sete anos (Nm 14:34; Ez 4:5, 6). Portanto, essa profecia fala de 70 semanas, o que equivale a 490 anos. Qual é a data inicial da profecia das 70 semanas? Ela deve ser contada a partir do momento em que foi promulgado o decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém.
 
Houve um total de três decretos com referência à restauração do povo judeu. Ciro, Dario e Artaxerxes deram ordens para que houvesse restauração. No entanto, somente o decreto de Artaxerxes inclui a preocupação com a cidade de Jerusalém, e somente esse decreto está associado à exaltação a Deus por Sua intervenção (Ed 7:27, 28).
 
Contamos o início da profecia das 70 semanas a partir do ano 457 a.C., o sétimo ano do rei Artaxerxes I, conforme mencionado em Esdras 7:7-26. Além disso, visto que o ano 457 a.C. marca também o início da profecia das 2.300 tardes e manhãs de Daniel 8:14 (veja o estudo da lição de amanhã), esse decreto serve como ponto de partida para as duas profecias. As setenta semanas terminaram no ano 34 d.C., quando a pregação do evangelho foi ampliada e alcançou os gentios (essa data foi marcada pela perseguição da igreja primitiva e pelo martírio de Estêvão). A metade da última semana coincidiu com o ano 31 d.C., ano em que Jesus morreu na cruz.
 
As 70 semanas e os 2.300 dias A palavra “determinadas”, encontrada em Daniel 9:24 (“setenta semanas estão determinadas”) significa literalmente “setenta semanas estão cortadas”. Embora a palavra traduzida como “determinadas” não seja usada em outro lugar da Bíblia, ela é encontrada na literatura judaica e significa “cortar” de algo mais longo. Daniel 8 apresenta a profecia das 2.300 tardes e manhãs, mas seu ponto de partida não é dado. Quando o capítulo seguinte (Dn 9) cita 490 anos como “determinados” ou “cortados”, eles só podem ser “cortados” dos 2.300 anos proféticos mencionados no capítulo oito. Afinal de contas, de que mais esse período poderia ser “cortado”, senão de outra profecia de tempo mais longa?
 
4. Leia Daniel 8. Qual parte da visão não foi explicada (Dn 8:14, 26, 27)? Assinale a alternativa correta:
 
A.(  )A parte das 2.300 tardes e manhãs.
 
B. (  )A identidade do carneiro e do bode.
 
Há muitas razões pelas quais as 70 semanas da profecia de Daniel 9:24-27 e as 2.300 tardes e manhãs de Daniel 8:14 estão interligadas: (1) ambas são profecias de tempo; (2) a terminologia específica de “visão” e “entendimento” as une (veja Dn 8:26, 27; 9:23); (3) ambas as interpretações das profecias foram dadas por Gabriel (veja Dn 8:16; 9:21); (4) a única parte da visão não explicada em Daniel 8 foi a visão sobre as 2.300 tardes e manhãs (às vezes traduzidas como “dias”) em Daniel 8:14; (5) Daniel 8 contém a visão e, em seguida, uma interpretação parcial, enquanto em Daniel 9 há apenas uma interpretação. Neste caso, a explicação da única parte não interpretada de Daniel 8: a profecia dos 2.300 dias de Daniel 8:14, justamente a parte da visão que Daniel não havia entendido (veja Dn 8:27).
 
As informações em Esdras preenchem as partes que faltam da profecia do livro de Daniel, a saber, quando começar a contar historicamente o tempo profético em relação a aspectos cruciais do ministério de Cristo e Sua obra em nosso favor.
 
Quarta-feira, 16 de outubro
Ano Bíblico: Mc 7-9
A eleição divina
 
Há muito debate sobre Deus nos eleger ou nos escolher para realizar alguma tarefa. Muitos têm ideias diferentes sobre o significado dessa eleição. O que a Bíblia diz sobre esse assunto?
 
5. Leia Romanos 8:28, 29. Para que Deus nos chama? Para que Ele nos escolhe?
 
Essa passagem afirma especificamente que Deus predestinou a humanidade para ser conforme a imagem de Seu Filho. Ela não diz que o Senhor nos predestinou para sermos salvos ou condenados nem diz que não temos escolha quanto a esse assunto. Em outras palavras, o propósito da eleição é a nossa transformação. Devemos ser transformados para refletir o Filho de Deus. Essa mudança foi então prometida no verso seguinte
(Rm 8:30), no qual Paulo declarou que aqueles a quem Deus chama Ele também justifica (torna-os justos) e glorifica (santifica). Portanto, o Senhor não pede que transformemos a nós mesmos; em vez disso, o Criador promete realizar essa mudança pelo Seu poder.
 
6. Leia Romanos 9. Qual tipo de eleição ou chamado de Deus é descrito nesse capítulo? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
 
A.(  )A eleição para a salvação.
 
B.(  )A eleição para uma tarefa específica.
 
Em Romanos 9, Paulo discutiu a eleição divina para uma tarefa específica. Os israelitas haviam sido escolhidos para levar as boas-novas sobre Deus ao mundo. A frase “amei Jacó, porém Me aborreci de Esaú” (Rm 9:13) é comumente compreendida no sentido de que Deus amou somente um dos irmãos. Porém, no contexto dessa passagem, Paulo estava dizendo que Jacó tinha sido escolhido, mas não Esaú. Para que Jacó havia sido selecionado? Para ser o pai da nação israelita. Portanto, existem dois tipos de eleição ou escolha que Deus faz. Primeiramente, Ele escolhe cada um de nós para a salvação e deseja que sejamos transformados à imagem de Jesus. Em segundo lugar, Ele escolhe pessoas diferentes para tarefas específicas.
 
Quinta-feira, 17 de outubro
Ano Bíblico: Mc 10-12
Nossa responsabilidade
 
Se somos chamados por Deus, ainda temos a livre escolha de aceitar ou rejeitar esse chamado, assim como podemos aceitar ou rejeitar a salvação que Ele nos oferece. O Senhor pode nos colocar em uma posição específica, mas podemos escolher não seguir Suas ordens. Evidentemente, Deus deseja que façamos determinadas coisas por Ele, assim como nos convida a nos tornarmos como Ele. A eleição divina para uma tarefa específica faz parte de Seu plano para a nossa salvação. Ao realizarmos o que o Senhor nos chama a fazer, revelamos em nossa vida a realidade da salvação que Ele nos deu.
 
Saul foi coroado rei, mas, infelizmente, nunca entregou completamente seu coração ao Senhor, apesar da tarefa que lhe foi concedida. Ser chamado por Deus para fazer algo especial para Ele não é garantia de que a pessoa  aceite o Senhor. Nosso livre-arbítrio continua sendo o fator determinante. Se não seguimos a orientação divina, podemos perder tudo.
 
7. Leia Êxodo 3 e 4. O que acontece quando o Senhor chama alguém para uma tarefa?
 
Nossa resposta pode ser como a de Esdras e Neemias, que foram sem questionar, ou podemos ser como Moisés, que tinha objeções e desculpas. Moisés acabou obedecendo, mas não sem antes tentar se livrar da tarefa. Ele se opôs a ela, alegando que não era bom o suficiente, que era alguém sem valor e que não tinha um cargo importante. Então, como o faraó poderia ouvi-lo? Moisés também estava preocupado com a possibilidade de o povo judeu não acreditar nele nem o escutar, de modo que a obra se tornasse inútil. Além disso, ele se queixou de que não era qualificado: “Sou pesado de boca e pesado de língua” (Êx 4:10). Ele disse que não tinha as habilidades necessárias. Por fim, Moisés propositalmente pediu a Deus que enviasse outra pessoa. No entanto, ao lermos a história dele, descobrimos o líder poderoso, embora falho, em que ele se tornou. Esse servo do Altíssimo cumpriu fielmente a tarefa que o Senhor o havia chamado para realizar.
 
Sexta-feira, 18 de outubro
Ano Bíblico: Mc 13, 14
Estudo adicional
 
Texto de Ellen G. White: Profetas e Reis, p. 697-699. Leia atentamente o trecho que fala sobre a profecia das 70 semanas e seu cumprimento histórico.
 
“O tempo da vinda de Cristo, Sua unção pelo Espírito Santo, Sua morte, e a pregação do evangelho aos gentios foram definidamente indicados.
 
O povo judeu teve o privilégio de compreender essas profecias e reconhecer seu cumprimento na missão de Jesus. Cristo insistia com Seus discípulos quanto à importância do estudo profético. Referindo-Se à profecia dada a Daniel acerca do tempo deles, disse: ‘Quem lê, entenda’
(Mt 24:15). Depois de Sua ressurreição, Ele explicou aos discípulos em ‘todos os profetas’, ‘o que Dele se achava em todas as Escrituras’ (Lc 24:27, ARC). O Salvador falara por intermédio de todos os profetas. ‘O Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir’” (1Pe 1:11, ARC; Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 234).
 
Perguntas para discussão
 
1. Que princípios devemos seguir para saber se estamos fazendo a vontade de Deus não apenas quando Ele nos chama a fazer algo de que gostamos, mas em todas as situações?
 
2. Leia a história de Jonas e como ele respondeu ao chamado de Deus. Quais lições extraímos de sua experiência? Ao mesmo tempo, contraste o que Jonas fez com o que Paulo fez ao ser chamado (At 9:1-20). Quais foram as principais diferenças entre eles?
 
3. “A história de Judas apresenta o triste fim de uma vida que poderia ter sido honrada por Deus. Houvesse Judas morrido antes de sua última viagem a Jerusalém, e teria sido considerado digno de um lugar entre os doze, e alguém cuja falta muito se faria sentir” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 716). Pense na história de Judas Iscariotes. Seu “chamado” era para trair Jesus? Se sim, isso seria justo para com ele? Como entender Judas e as oportunidades que ele teve em contraste com o que ele, por fim, acabou fazendo? Quais lições aprendemos com sua história sobre o poder da livre escolha?