Fotografo: CPB
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Nosso Deus perdoador

Lição 7
09 a 15 de novembro
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: At 10-12
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28:13).
 
LEITURAS DA SEMANA: Ne 9; Dn 9:4-19; Cl 1:16, 17; Rm 5:6-8
Após o fim da Festa dos Tabernáculos (Sukkot), os líderes reuniram o povo novamente. Eles tinham acabado de celebrar; agora era hora de voltar à obra inacabada de arrependimento e confissão de seus pecados diante de Deus.
 
Anteriormente, os líderes haviam mandado que o povo parasse de se lamentar e de ficar triste por causa de seus erros, mas isso não significava que a lamentação e a confissão não fossem importantes. Agora que haviam celebrado as festas era hora de passar a uma apropriada confissão.
 
A ordem dos eventos aqui apresentados não significa necessariamente que a alegria e a confissão tenham sempre essa sequência; nem significa que apenas a ordem inversa deva ser seguida. Embora a confissão possa vir primeiro, seguida pela celebração, esta talvez deva vir em primeiro lugar em nossa vida. Afinal, Romanos 2:4 declara que é a bondade de Deus que nos leva ao arrependimento. Sua bondade, então, deve suscitar louvor e celebração, enquanto também nos lembra de que precisamos que Deus nos perdoe, purifique e recrie.

Domingo, 10 de novembro
Ano Bíblico: At 13-15
Jejum e adoração
 
1. Leia Neemias 9:1-3. Por que o povo estava se apartando de todos os estrangeiros? Assinale a alternativa correta:
 
A.(  ) Porque a mistura com os estrangeiros produziria uma etnia mais fraca.
B.(  ) Para não se contaminar com outros deuses.
 
Embora Neemias desejasse muito que o povo associasse esse momento com a alegria, ele conduziu a assembleia ao jejum. Eles se humilharam perante Deus, jogaram pó na cabeça e vestiram pano de saco. Como os estrangeiros não tiveram participação no pecado coletivo do povo de Israel, os israelitas se apartaram deles, pois sabiam que seus pecados precisavam ser perdoados. Eles reconheceram os pecados de sua nação, que a levaram ao exílio.
 
Suas orações e confissão coletivas demonstraram uma profunda compreensão da natureza do pecado. Os israelitas poderiam ter ficado indignados com o fato de que seus antecessores haviam falhado, levando toda a nação ao exílio. Ou poderiam ter reclamado das escolhas dos líderes e da falta de piedade demonstrada pelas gerações anteriores, as quais os haviam conduzido à situação em que se encontravam naquele momento, sendo apenas um pequeno grupo de repatriados. No entanto, em vez de nutrirem ódio e mágoas, eles se voltaram para Deus em humildade e confissão.
 
De acordo com Neemias 9:3, os israelitas leram o Livro da Lei durante uma quarta parte do dia; na outra quarta parte, confessaram seus pecados e adoraram a Deus. Essa era a terceira leitura da Torá, um texto importante na confissão, que deve ser fundamentada na verdade originada em Deus. Mediante a leitura da Bíblia, Deus Se aproxima de nós, e o Espírito Santo pode falar conosco e nos ensinar. A verdade da Sua Palavra molda nosso pensamento e compreensão, encorajando-nos e elevando-nos.
 
O povo também se entristeceu e chorou, pois passar tempo na santa presença de Deus tornou-o consciente de Sua beleza e bondade. Também é extraordinário o fato de que o Criador do Universo escolhe estar conosco, apesar da nossa indignidade. Portanto, percebemos que sem Deus em nossa vida e sem um compromisso com Ele repetiremos os erros dos nossos antepassados espirituais. Somente a atuação divina nos torna quem devemos ser.

Segunda-feira, 11 de novembro
Ano Bíblico: At 16-18
O início da oração
 
A resposta do povo à leitura da Bíblia foi uma longa oração que narra a bondade de Deus em contraste com a história da incredulidade de Israel. Podemos observar que a resposta parece mais um sermão do que uma oração, porque quase todos os versos têm um paralelo em alguma passagem da Bíblia.
 
2. Leia Neemias 9:4-8. Quais são os principais assuntos em que a oração se concentra nesses versos? Por quê?
 
 
Na primeira parte da oração, o povo louvou a Deus e, especificamente, o Seu nome. Na cultura hebraica, um nome não era apenas a maneira pela qual as pessoas chamavam alguém, mas dava a essa pessoa identidade. Portanto, o louvor ao nome de Deus é significativo porque demonstra ao mundo que esse é um nome digno de louvor e honra. Esse é o nome do Senhor do Universo. A oração começa com a adoração a Deus como Criador e Mantenedor de todas as coisas (Ne 9:6; veja também Cl 1:16, 17). Preservar vem de um verbo hebraico que significa “manter vivo”.
 
Aquele que criou todas as coisas escolheu Abraão, um ser humano que não era de maneira nenhuma especial, a não ser por “seu coração fiel”. Aparentemente Abraão teve falta de fé em muitas ocasiões, mas quando Deus solicitou que entregasse seu filho, não vacilou (veja Gn 22). Ele não aprendeu a ser fiel de um dia para o outro, mas durante sua longa caminhada com Deus. No pensamento hebreu, o coração se refere à mente. Em outras palavras, Abraão desenvolveu fidelidade de pensamento e ação, e Deus o reconheceu por isso.
 
As primeiras frases da oração se concentram em Deus como (1) Criador, (2) Mantenedor e (3) Aquele que cumpre o que promete. Primeiramente, o povo se lembrou de quem é Deus: Ele é o Deus fiel, que nos criou, que nos preserva e que sempre cumpre Suas promessas. Ter isso em mente nos ajuda a manter nossa vida em perspectiva e a confiar Nele mesmo nas situações mais difíceis, quando parece que Ele está distante e indiferente aos nossos desafios.

 

Terça-feira, 12 de novembro
Ano Bíblico: At 19-21
Lições do passado
 
3. Leia Neemias 9:9-22. Qual é a diferença entre essa parte da oração e a anterior?
 
A oração passa dos louvores a Deus, por Sua fidelidade, ao relato da contrastante infidelidade dos israelitas em sua experiência no Egito e no deserto. Nela, Neemias menciona todas as diferentes coisas que Deus deu aos israelitas; mas, infelizmente, a resposta dos “pais” a essas dádivas foi orgulho e teimosia, além do desprezo pelas ações graciosas de Deus entre eles.
 
O reconhecimento do fracasso humano e da falta de verdadeira devoção a Deus é um passo importante no arrependimento e na confissão.
E mesmo que o texto esteja falando de pessoas que há muito nos deixaram, ninguém pode negar que todos temos problemas com as mesmas questões que elas enfrentaram.
 
Aqui entra o evangelho tanto para nós quanto para elas. Confessar nossos pecados não nos salva, somente o sacrifício de Cristo pode fazer isso em nosso favor. O arrependimento, juntamente com a confissão, é central para o nosso reconhecimento de que devemos ser justificados somente por Jesus. “Quando por meio do arrependimento e fé aceitamos a Cristo como nosso Salvador, o Senhor perdoa nossos pecados e suspende a punição prescrita para a transgressão da Lei. Então, o pecador se encontra diante de Deus como uma pessoa justa; desfruta o favor do Céu e, por meio do Espírito, tem comunhão com o Pai e o Filho” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 191).
 
Ao mesmo tempo, visto que Sua bondade faz com que nos arrependamos dos pecados e os confessemos, devemos estar decididos, pelo poder de Deus, a abandoná-los.
 
A conclusão é que Israel tinha sido obstinado, e Deus, amoroso. Ao refletir sobre as ações do Senhor em favor dos israelitas, eles se lembraram de que, visto que Deus havia feito muito por eles no passado, Ele continuaria cuidando deles no presente e no futuro. Por isso era tão importante que o povo sempre se lembrasse das ações de Deus em sua história. Quando eles se esqueciam delas, envolviam-se em problemas.

Quarta-feira, 13 de novembro
Ano Bíblico: At 22, 23
A Lei e os profetas
 
4. Leia Neemias 9:23-31. Como os israelitas foram descritos em comparação com a grande bondade de Deus (Ne 9:25)? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
 
A.(  ) Como rebeldes, desobedientes e assassinos de profetas.
B.(  ) Como bondosos e misericordiosos.
 
A próxima parte da oração/sermão se concentra na vida em Canaã, quando os israelitas possuíram a terra que Deus havia lhes dado. Eles tinham recebido terras, cidades, vinhas e campos prontos para serem usados, mas não haviam dado o devido valor, tomando essas coisas como garantidas. No fim do verso 25 somos informados de que eles “comeram, e se fartaram, e engordaram”. Engordar é uma expressão encontrada apenas algumas vezes na Bíblia (Dt 32:15; Jr 5:28) e em todas essas ocasiões tem uma conotação negativa.
 
O povo pode ter vivido “em delícias, pela [Sua] grande bondade”, mas não se deleitou em Deus; seu deleite estava nas coisas que tinha. Parece que possuir as coisas não produz uma caminhada íntima com Deus. Às vezes pensamos: “Se eu tivesse isso ou aquilo, seria feliz”. No entanto, os israelitas tinham tudo da parte de Deus, e, ainda assim, sua “felicidade” naquelas coisas apenas os tornou menos devotos a Ele. É muito fácil nos concentrarmos nas dádivas e nos esquecermos do Doador. Esse é um engano fatal.
 
Isso não significa que não podemos ficar felizes pelas coisas que Deus nos concede. Ele deseja que nos alegremos em Suas dádivas, mas essa alegria não garante um relacionamento com Ele. Se não formos cuidadosos, essas coisas podem se tornar uma pedra de tropeço.
 
Nesse momento, os líderes confessaram que haviam sido infiéis a Deus. Ao examinarem sua história, eles mencionaram especificamente as transgressões que haviam cometido como nação. Alguns aspectos são especialmente importantes, pois são repetidos: (1) Israel rejeitou a Lei de Deus e (2) perseguiu os profetas.
 
Em outras palavras, os israelitas perceberam que a Lei de Deus e Seus profetas eram essenciais para o desenvolvimento deles como nação piedosa e como indivíduos. A oração enfatiza essa conclusão, afirmando que, se um homem cumprisse os mandamentos de Deus, por eles viveria (Ne 9:29; veja Lv 18:5). A prece destaca que foi o Espírito que falou por intermédio dos profetas. Deus nos deu Seus mandamentos para que tenhamos vida em abundância e enviou Seus profetas para nos guiar em nossa compreensão da verdade. O que fazemos com essas dádivas é uma questão essencial para nós.

Quinta-feira, 14 de novembro
Ano Bíblico: At 24-26
Louvor e petição
 
5. Leia Neemias 9:32-38. Qual é o foco da conclusão dessa oração de confissão?
 
Novamente, a oração se volta para o louvor a Deus, exaltando Suas qualidades: Ele é grande, poderoso e temível, Aquele que guarda a aliança e a misericórdia. O povo parecia sincero em seu reconhecimento da bondade de Deus para com ele. Também apresentou uma petição que consistia em uma aliança estabelecida com Deus, que foi descrita em detalhes no capítulo 10. Qual era a petição do povo?
 
“Agora, pois, ó Deus nosso, ó Deus grande, poderoso e temível, que guardas a aliança e a misericórdia, não menosprezes toda a aflição que nos sobreveio” (Ne 9:32).
 
A comunidade tinha que pagar tributos aos reis que a dominavam. A opressão de todos os lados estava atormentando o pequeno grupo de israelitas, e eles estavam cansados disso. Tinham suportado uma tirania após a outra e esperavam alívio.
 
Curiosamente, eles se chamaram de “servos”. Após destacarem a infidelidade de sua nação, concluíram a oração referindo-se a si mesmos por meio dessa palavra. Servos evidentemente obedecem aos seus superiores. O uso desse termo, então, sugere que eles percebiam que precisavam obedecer ao Senhor de uma forma que seus antepassados não haviam feito. Essa era a expressão do desejo de serem fiéis ao Senhor e aos Seus mandamentos. Como servos de Deus, eles estavam Lhe pedindo que agisse em seu favor.
 
A comunidade de Esdras e Neemias descreveu sua experiência naquele momento como uma “grande angústia” (Ne 9:37), que pode ser comparada à aflição que os israelitas viveram no Egito (Ne 9:9). A oração deles louvava a Deus porque Ele tinha visto sua aflição no Egito e não a havia ignorado. A comunidade pedia a Deus que interviesse, como Ele havia feito no passado, mesmo que eles não merecessem. Reconheciam que, entre reis, príncipes, sacerdotes, profetas e ancestrais, ninguém era fiel; portanto, confiavam somente na graça e na misericórdia de Deus para com eles, não em si mesmos nem nas obras de seus antepassados.

Sexta-feira, 15 de novembro
Ano Bíblico: At 27, 28
Estudo adicional
 
Texto de Ellen G. White: Caminho a Cristo, p. 37-41 (“Abra o Coração a Deus”).
 
Em Neemias 9:25, os hebreus falaram sobre como seus antepassados “viveram em delícias” pela “grande bondade” de Deus. A raiz verbal da frase “viveram em delícias” aqui é a mesma do nome Éden, como aparece em “jardim do Éden” (Gn 2:15). Talvez, a melhor tradução seria “eles se edenizaram”, caso edenizar fosse um verbo.
 
Afinal de contas, o evangelho é restauração. Pode haver um símbolo melhor do que o Éden para representar aquilo em que seremos restaurados? Deus levantou o povo hebreu e o trouxe a um lugar estratégico do mundo antigo a fim de criar a imagem mais próxima do Éden que poderia existir em uma Terra caída. Mesmo depois do cativeiro e do retorno, esse potencial ainda estava ali. “Porque o Senhor tem piedade de Sião; terá piedade de todos os lugares assolados dela, e fará o seu deserto como o Éden” (Is 51:3).
 
O povo desfrutou das bênçãos que o Senhor lhes havia prometido, as quais, num mundo caído, relembravam a abundância do Éden. E, tudo bem, eles deviam desfrutá-las. Deus criou o mundo físico de maneira que o ser humano pudesse usufruir dele, e o antigo Israel, abençoado por Deus, também se deleitou com ele. Seu pecado não estava em “edenizar-se” pela grande bondade de Deus, mas em se esquecer do Senhor (Ez 23:35), cuja bondade os israelitas estavam desfrutando. As bênçãos se tornaram um fim em si mesmas, e não um meio para revelar Deus aos que estavam ao redor.
 
Perguntas para discussão
 
1. Em Mateus 13:22, o que Jesus quis dizer com “a fascinação das riquezas”, e como isso se relaciona com a oração de confissão que estudamos nesta semana?
 
2. Medite na doutrina da criação. Na oração de Neemias 9, o povo falou, numa sequência imediata, sobre o Senhor como Criador e Mantenedor. O que isso revela sobre a importância fundamental dessa doutrina para nossa fé?
 
3. Como ter equilíbrio entre reconhecer nossa pecaminosidade e, ao mesmo tempo, evitar que Satanás use isso para nos desanimar, de modo que abandonemos a fé?
 
Respostas e atividades da semana: 1. B. 2. Em primeiro lugar, a oração começou com louvor ao nome de Deus. Em seguida, o povo se lembrou do Criador e exaltou Sua criação. Depois, mencionou a aliança que o Senhor fez com Abraão e a promessa de que sua família herdaria a terra. Essa ordem parece ser seguida porque o povo narrou sua história desde o começo. 3. O povo passou a se lembrar da libertação do Egito e dos milagres diários que Deus fazia para sustentá-lo no deserto. Porém, reconheceu a infidelidade de seus pais e as misericórdias do Senhor, apesar dos pecados cometidos, como no caso do bezerro de ouro. 4. V; F. 5. O foco do final da oração é o reconhecimento da bondade divina e a súplica por misericórdia. Os israelitas admitiram que tudo o que lhes havia ocorrido era justo, mesmo assim imploraram que Deus Se lembrasse da aliança feita com seus pais.