Fotografo: Carlos Garcia Rawlins/Reuters
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Nicolás Maduro em um cômodo do palácio Miraflores, em Caracas, em julho de 2019

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou nesta terça-feira (3) que as Forças Armadas venezuelanas declarem "alerta laranja" na fronteira com a Colômbia em virtude de "ameaça de agressão" do país vizinho.
 
Além disso, Maduro ordenou que militares façam exercícios militares na região da fronteira com a Colômbia entre 10 e 28 de setembro. Não está claro quais são os demais efeitos do "alerta laranja".
 
As declarações foram dadas cinco dias depois de o presidente da Colômbia, Iván Duque, acusar o regime chavista de Maduro de supervisionar e apoiar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Na semana passada, uma facção do grupo renunciou ao acordo de paz firmado entre guerrilheiros e o governo colombiano.
 
"Os colombianos devem ter claro que não estamos diante do nascimento de uma nova guerrilha, mas sim de ameaças criminosas de uma quadrilha de narcoterroristas que conta com o apoio e a supervisão da ditadura de Nicolás Maduro", afirmou Duque, na ocasião.
 
A declaração irritou o chavista, que, durante discurso desta terça-feira, afirmou que Duque "quer acusar a Venezuela de causar uma guerra que tem 70 anos na Colômbia" – em referência aos conflitos relacionados às Farc.
 
Divisão nas Farc
 
Na quinta-feira passada (26), Iván Márquez, ex-número dois das Farc anunciou a retomada da luta armada na Colômbia. "Anunciamos ao mundo que a segunda Marquetalia [berço histórico da rebelião armada] começou sob proteção do direito universal que ajuda todos os povos do mundo a se levantarem contra a opressão", disse.
 
O anúncio não foi bem recebido pelas lideranças da Força Comum Alternativa Revolucionária – partido político fruto das Farc que tem presença no Congresso colombiano.
 
Imediatamente, o governo colombiano anunciou uma ofensiva de retaliação à guerrilha dissidente. Na sexta-feira (30), uma ação militar deixou nove guerrilheiros mortos.
 
Nesta segunda-feira, Timochenko pediu que antigas tropas guerrilheiras não voltassem as armas e convidou "os que podem se sentir tentados pelos cantos de sereia dos desertores da paz" a "pensarem, meditarem, analisarem muito bem a realidade antes de se decidir a seguir um equívoco semelhante".