Fotografo: CPB
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“Meus pequeninos irmãos”

Lição 8
17 a 23 de agosto
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Jr 24-26
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes” (Mt 25:40).
 
LEITURAS DA SEMANA: Mt 5:2-16, 38-48; Rm 12:20, 21; Lc 16:19-31; 12:13-21; Mt 25:31-46
 
Considerando que Jesus demonstrava interesse pelas outras pessoas, especialmente os sofredores e perdidos, seria de se esperar que Ele tivesse muito a dizer sobre o cuidado para com os outros. Suas palavras confirmam essa expectativa.
 
O ensino de Jesus é prático, centrado no significado de viver como seguidor de Deus. Sendo assim, vemos que o Senhor nos recomenda que pratiquemos atos de justiça, bondade e misericórdia como aqueles que Ele mesmo praticou enquanto esteve na Terra. Se seguirmos Seu exemplo, ministraremos aos outros como Ele fez.
 
Jesus também falou sobre o reino dos Céus. Em Sua descrição, esse reino é uma realidade da qual podemos fazer parte hoje. É um modo de viver que funciona com um conjunto diferente de prioridades, valores e moral em comparação com os elementos encontrados nos reinos terrestres. Os ensinamentos de Cristo estabelecem o modelo para esse reino, o qual inclui uma forte ênfase na nossa maneira de servir a Deus e, ao servi-lo, na forma como devemos nos relacionar com os outros. Também descobrimos que servir aos outros – cuidar de suas necessidades e elevá-los – é uma forma de servir diretamente a Deus.

Domingo, 18 de agosto
Ano Bíblico: Jr 27-29
Apresentando o Sermão da Montanha
 
O sermão (ou coleção de ensinamentos) mais longo de Jesus é o Sermão da Montanha. Sua descrição de três capítulos sobre a vida no reino de Deus começa com uma declaração de valores que veio a ser conhecida como as “Bem-aventuranças”.
 
1. Leia Mateus 5:2-16. Quais são as características comuns desses nove valores ou tipos de pessoas descritas por Jesus como “bem-aventurados”? Assinale a alternativa correta:
 
A. (  ) Essas características e valores são diferentes dos padrões do mundo e identificam os súditos do reino dos Céus.
 
B. (  ) Essas características acabam prejudicando nossa vida. Por isso, o mundo de hoje não valoriza esse tipo de pessoas e valores.
 
Juntamente com a profunda aplicação espiritual dessas palavras, não devemos perder de vista sua interpretação prática. Jesus falou sobre reconhecer a pobreza em nós e em nosso mundo. Ele também falou sobre retidão (traduzida como “justiça” em algumas versões da Bíblia), humildade, misericórdia, pacificação e pureza de coração. Devemos observar a diferença prática que essas qualidades fazem em nossa vida e em nosso mundo quando elas são vividas. Essa interpretação prática é enfatizada nas declarações seguintes de Jesus, nas quais Ele instou com Seus discípulos a ser sal e luz no mundo (Mt 5:13-16).
 
Quando usados apropriadamente, o sal e a luz fazem a diferença nos contextos em que são adicionados. O sal traz sabor e preserva os alimentos aos quais ele é acrescentado. Ele simboliza o bem que devemos fazer para os que nos rodeiam. Semelhantemente, a luz afasta a escuridão, revelando obstáculos e perigos, tornando uma casa ou cidade mais segura e apresentando um ponto de referência para nossa localização e navegação, mesmo a certa distância. Jesus mostrou que devemos resplandecer como a luz em uma noite escura: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus” (Mt 5:16).
 
Os símbolos do sal e da luz indicam a responsabilidade dos discípulos em influenciar e melhorar a vida dos que estão à sua volta. Somos sal e luz quando choramos apropriadamente, temos um coração puro, praticamos a humildade, mostramos misericórdia, promovemos a paz e resistimos à opressão. Portanto, Jesus começou esse sermão com o chamado a incorporar esses valores de Seu reino, às vezes desprezados.

Segunda-feira, 19 de agosto
Ano Bíblico: Jr 30-32
Vencendo o mal com o bem
 
Quando consideramos o ensino de Jesus, vale a pena ter em mente Seus interlocutores e as circunstâncias em que eles viviam. Jesus havia começado a atrair multidões das regiões em que Ele havia ministrado (veja Mt 4:25; 5:1). A maioria era de pessoas comuns, vivendo sob o domínio do Império Romano, mas alguns eram governantes judeus e líderes religiosos. A vida das pessoas comuns era difícil. Elas tinham poucas escolhas para sua vida, que era sobrecarregada por pesados impostos e pela tradição religiosa.
 
Ao ensinar essas pessoas, Jesus estava evidentemente interessado em oferecer-lhes um modo de viver bem, com dignidade e coragem, quaisquer que fossem as circunstâncias. Um exemplo disso encontra-se em Mateus 5:38-48. Na língua portuguesa, essas ordens, “dar a outra face”, “dar também a capa” e “andar a segunda milha”, são bem conhecidas como clichês. Mas essa familiaridade interpreta mal as ações e atitudes radicais que Jesus ensinou nesse texto.
 
Os cenários descritos por Jesus eram experiências comuns para muitos que O ouviam. Esses ouvintes eram muitas vezes agredidos violentamente por seus “superiores” ou senhores. Muitas vezes ficavam endividados e perdiam sua propriedade para os proprietários de terras e credores. Muitas vezes eram pressionados pelos soldados romanos e forçados a trabalhar arduamente. Jesus ensinou o povo a responder com integridade, a tratar os opressores melhor do que eles mereciam e, ao fazê-lo, a resistir à perda de sua humanidade. Embora esses opressores tentassem exercer seu poder, o povo sempre teve a liberdade de escolher como reagiria e, resistindo de maneira não violenta e respondendo generosamente, expunham o mal da opressão e da injustiça que estava sendo cometida.
 
2. Compare Mateus 5:38-48 com Romanos 12:20, 21. Como devemos viver esses princípios radicais em nossa vida? Assinale a alternativa correta:
 
A. (  ) Tratando nossos inimigos com amor e lhes fazendo o bem.
 
B. (  ) Pagando o mal com o mal.

Terça-feira, 20 de agosto
Ano Bíblico: Jr 33-35
O bom samaritano
 
3. Leia Lucas 10:25-27. O intérprete da Lei que interrogou Jesus apresentou um resumo padrão dos mandamentos do Antigo Testamento para uma vida aceitável a Deus. Como esses dois mandamentos estão relacionados?
 
Quando Jesus era questionado, Ele muitas vezes concluía Suas respostas com um desfecho bem diferente daquilo que Seu interlocutor estava buscando. Em resposta à ordem de Levítico 19:18, de amar o próximo como a si mesmo, parece que muitos religiosos de Sua época passavam muito tempo e gastavam energia debatendo a extensão e os limites desse princípio. Eles debatiam sobre quem poderia ser incluído na categoria de “próximo”.
 
Jesus já havia buscado expandir o entendimento de Seus seguidores acerca desse termo, insistindo que eles não apenas deveriam amar o próximo, mas fazer o bem a todos: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque Ele faz nascer o Seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5:44, 45).
 
Mas quando um especialista na lei religiosa buscou pôr Jesus à prova, ele recorreu à questão muito debatida: “Quem é o meu próximo?” (Lc 10:29). Em resposta, Jesus contou a história do bom samaritano, porém, a resposta suprema à pergunta do intérprete da lei não devia definir a terminologia do “próximo”. Em vez disso, Jesus disse, em essência: “Vá e seja o próximo de qualquer um que necessite da sua ajuda” (veja Lc 10:36, 37).
 
4. Leia Lucas 10:30-37. Qual é o significado do contraste entre os três personagens que viram o homem ao lado da estrada precisando de ajuda?
 
Como de costume, a crítica mais severa de Jesus foi dirigida aos que se diziam religiosos, mas não mostravam interesse pelos sofredores. “Na história do bom samaritano, Cristo ilustrou a natureza da verdadeira religião. Mostrou que consiste não em sistemas, credos ou ritos, mas no cumprimento de atos de amor, em proporcionar aos outros o maior bem, em genuína bondade” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 497).
 
Jesus indicou um estrangeiro, alguém considerado infiel a Deus, a fim de demonstrar qual é o chamado do Senhor a todos os que alegam ser Seus seguidores. Como ocorreu com o intérprete da Lei no passado, ao perguntarmos a Cristo o que precisamos fazer para herdar a vida eterna, Ele nos ordena, em última análise, que sejamos o “próximo” de todo necessitado.

Quarta-feira, 21 de agosto
Ano Bíblico: Jr 36-38
O rico e Lázaro
 
Na parábola do rico e Lázaro (Lc 16:19-31), Jesus comparou a vida de dois homens – um rico e outro extremamente pobre. Na ausência de assistência social, hospitais comunitários ou refeições para os pobres, era uma prática comum aos necessitados, portadores de deficiências ou desfavorecidos mendigar à porta das casas dos ricos. Esperava-se que os ricos fossem generosos em compartilhar um pouco de sua riqueza para aliviar o sofrimento dos pobres. Mas nessa história, o homem rico era “egoisticamente indiferente às necessidades de seu irmão sofredor” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 261). Em vida, as respectivas circunstâncias desses dois homens permaneceram inalteradas; mas tendo morrido e sido julgados por Deus, suas posições foram dramaticamente invertidas.
 
5. Compare Lucas 16:19-31 com Lucas 12:13-21. Quais são as semelhanças e diferenças entre essas duas histórias e, juntas, o que elas nos ensinam?
 
Em nenhuma dessas histórias há evidência de que os homens ficaram ricos fazendo algo errado. Talvez ambos tivessem trabalhado arduamente, administrado com cuidado e sido abençoados por Deus. Mas parece que algo deu errado em suas atitudes em relação à vida, a Deus, ao dinheiro e aos outros, e isso lhes trouxe um custo significativo e eterno.
 
A partir do imaginário popular acerca da vida após a morte dos dias de Jesus, a história do homem rico e Lázaro ensina que as escolhas que fazemos nesta vida são importantes para a próxima. Nossa maneira de reagir aos que buscam nossa ajuda ou necessitam dela demonstra nossas escolhas e prioridades. Como “Abraão” mencionou ao homem rico sofredor, a Bíblia apresenta uma direção mais do que adequada para escolhermos o melhor: “Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos” (Lc 16:29).
 
Jesus ensinou que as tentações relacionadas ao desejo de ter, manter ou alcançar riquezas podem nos afastar de Seu reino, distanciar-nos dos outros e nos levar ao egocentrismo e à autossuficiência. Jesus nos chamou a buscar Seu reino em primeiro lugar e compartilhar as bênçãos que recebemos com aqueles que nos rodeiam, especialmente com os necessitados.

Quinta-feira, 22 de agosto
Ano Bíblico: Jr 39-41
“Meus pequeninos irmãos”
 
Outra ocasião em que Jesus recebeu uma pergunta e deu uma resposta bastante diferente da expectativa dos Seus interlocutores se encontra no sermão registrado em Mateus 24 e 25. Os discípulos foram a Jesus e perguntaram sobre a destruição do templo em Jerusalém e sobre o momento de Seu retorno (veja Mt 24:1-3). A conclusão da Sua prolongada resposta a essa pergunta se referiu à prática de alimentar os famintos, dar de beber aos sedentos, acolher os estrangeiros, vestir o nu, cuidar dos enfermos e visitar os que estavam na prisão. Ele lhes assegurou: “Sempre que o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes” (Mt 25:40) e “Sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a Mim o deixastes de fazer” (Mt 25:45).
 
Isso está relacionado às perguntas que deram início a esse ensinamento equivalente a uma descrição do juízo final. Ao longo de Mateus 24, Jesus apresentou respostas mais diretas às perguntas dos discípulos, dando sinais e advertências sobre a destruição de Jerusalém e o fim dos tempos, mas Ele enfatizou a necessidade de “vigiar” e viver de maneira apropriada à luz da promessa de Sua segunda vinda. Na primeira parte de Mateus 25, a história das virgens sábias e das tolas instiga a necessidade de preparação para um retorno inesperado ou demorado; a história dos três servos apresenta a necessidade de viver de modo correto e produtivo enquanto O aguardamos. Em seguida, a parábola das ovelhas e bodes é muito mais específica quanto às tarefas com as quais o povo de Deus deve estar ocupado.
 
6. Leia Mateus 25:31-46. O que Jesus disse nessa passagem? Por que esse texto não trata de salvação pelas obras? O que realmente significa ter uma fé salvífica?
 
Jesus disse que quando servimos aos outros estamos servindo a Ele. Essa declaração deve transformar todos os nossos relacionamentos e atitudes. Imagine poder convidar Jesus para uma refeição ou visitá-Lo no hospital ou na prisão. [...] Jesus disse que fazemos isso quando oferecemos esse serviço às pessoas da nossa comunidade. Que oportunidade incrível Ele nos oferece dessa maneira!

Sexta-feira, 23 de agosto
Ano Bíblico: Jr 42-44
Estudo adicional
 
Textos de Ellen G. White: O Desejado de Todas as Nações, p. 497-505 (“O Bom Samaritano”) e p. 637-641 (“Um Destes Meus Pequeninos Irmãos”); Parábolas de Jesus, p. 260-271 (“Como se Decide o Nosso Destino”) e p. 376-389 (“A Verdadeira Riqueza”).
 
“Cristo derriba a parede de separação, o amor-próprio, o separatista preconceito de nacionalidade e ensina amor a toda a família humana. Ergue os homens do estreito círculo que lhes prescreve o egoísmo; elimina todos os limites territoriais e as convencionais distinções da sociedade. Não faz diferença entre vizinhos e estrangeiros, amigos e inimigos. Ele nos ensina a considerar todo necessitado como nosso semelhante, e o mundo como o nosso campo” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 42).
 
“A norma da regra áurea é o verdadeiro padrão do cristianismo; tudo que a deixa de cumprir é um engano. Uma religião que induz os homens a estimarem em pouco os seres humanos, avaliados por Cristo em tão alto valor que por eles Se doou; uma religião que nos leve a negligenciar as necessidades humanas e seus sofrimentos ou direitos é falsa religião. Menosprezando os direitos do pobre, do sofredor e do pecador, estamos nos demonstrando traidores de Cristo. É porque os homens usam o nome de Cristo ao passo que na vida Lhe negam o caráter, que o cristianismo tem no mundo tão pouco poder” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 136, 137).
 
Perguntas para discussão
 
1. Das passagens estudadas nesta semana, qual é a sua favorita? Por quê?
 
2. Por que uma fé “que nos leve a negligenciar as necessidades humanas e seus sofrimentos ou direitos é falsa religião”?
 
3. Como os versos do estudo de quinta mostram o que também implica ter a “verdade”?
 
Resumo: Os ensinos de Jesus estabelecem um modo de vida diferente para os cidadãos do Seu reino. Com base no Antigo Testamento, Ele ampliou a ênfase em cuidar dos pobres e oprimidos, destacando que Seus seguidores viverão de modo compassivo enquanto aguardam Seu retorno.
 
Respostas e atividades da semana:
 
1. A.
 
2. A.
 
3. Não há como amar a Deus e odiar o próximo, pois Deus é amor. E quem ama o próximo ama a Deus.
 
4. É importante o contraste que Jesus fez entre o sacerdote e o levita (israelitas) e o samaritano, pois revela que os religiosos não fizeram a vontade do Pai.
 
5. Ambas tratam indiretamente da ganância e do amor ao dinheiro.
 
6. No Dia do Juízo, Cristo separará as ovelhas dos bodes com base no que fizemos ou deixamos de fazer. Embora sejamos salvos pela graça, as obras ou a falta delas nos condenarão, pois revelam o que vai em nosso coração. Ter uma fé salvífica significa crer na graça para a salvação e seguir o exemplo de Cristo.