Fotografo: Fábio Tito/G1
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Paula Fernandes

Desde que anunciou, em maio, que faria uma versão brasileira de “Shallow”, música de Lady Gaga para o filme “Nasce uma estrela”, Paula Fernandes:
 
recebeu críticas antes mesmo de mostrar o resultado da canção
virou meme assim que divulgou que o refrão uniria o título da música em português “Juntos” com o trecho em inglês “Shallow Now”
 
defendeu a licença poética no lugar do sentido do refrão "juntos e shallow" ("raso" em inglês).
 
perdeu seu Bradley Cooper dias antes da gravação do DVD e, em um vídeo, anunciou que Luan Santana, responsável pela parceria na versão, não estaria presente no registro ao vivo
 
Agora, dois meses após o início de toda essa saga, a cantora lança o DVD “Origens”, no qual canta “Juntos” com os fãs, e diz que só “só viu pontos positivos” em toda a polêmica.
 
“Senti uma comunhão muito grande, uma união muito grande, pela força da própria música e eu sinceramente não encarei isso como negativo. Talvez pela minha maturidade ou porque simplesmente a música é tão poderosa, que nada pode ser maior do que a própria canção”, diz.
 
Antes da entrevista, a assessoria pediu para que não fossem feitas perguntas envolvendo Luan Santana, que gravou a parceria em "Shallow", mas não foi à gravação do DVD.
 
Mesmo assim, o G1 questionou o motivo de a faixa com Luan continuar nas rádios, e não a versão do novo álbum, em que o público canta.
 
"A música é eterna, está eternizada com parceria", disse Paula sobre a continuidade na execução da faixa.
 
Além de “Juntos e Shallow Now”, Paula falou também sobre maturidade e planos de gravar com cantoras do "feminejo".
 
G1: Como você define esse novo álbum? Quem é Paula Fernandes desse disco?
 
Paula Fernandes: Acho que a maturidade e a alegria caminham juntas. Porque a maturidade tem a ver com você não se autojulgar tanto.
 
Eu ficava me analisando, procurando defeitos, perfeccionista demais. Isso acabava pesando até na minha fisionomia.
 
Porque eu estava sempre tão preocupada com o que as pessoas iam dizer de mim, que eu acabava esquecendo do mais importante, que é simplesmente ser. Eu simplesmente estou vivendo um dia de cada vez. Eu acredito que de dez anos para cá, é o momento que estou mais plena, mais feliz.
 
G1: Essa maturidade e leveza te ajudaram a lidar com as críticas e todos os comentários sobre 'Juntos com mais leveza? A Paula de dez anos atrás faria diferente?
 
Paula Fernandes: A minha referência hoje é diferente. Então na hora que começou a acontecer o lance dos memes e eu mesma comecei a fazer alguns também... A forma como aconteceu, foi tudo muito divertido. E eu não encarei isso como negativo.
 
Acho que foi de uma maneira interessante de isso chegar nas pessoas. Porque hoje, que está ouvindo minha canção no Spotify, nas plataformas, não é por causa dos memes e, sim, porque já ouviu a canção, já sabe, já gostou.
 
Acho que foi uma forma muito interessante que a própria vida trouxe. Acredito muito no fluir naturalmente das coisas. Porque acho que se a gente tivesse armado aquilo, não teria saído tão legal.
 
G1: Você já comentou a responsabilidade de cantar uma música do Oscar. Em algum momento no meio de toda a polêmica você falou: ‘putz, deu ruim, talvez eu não consiga representar tão bem’?
 
Paula Fernandes: Olha, deu bom, porque a Lady Gaga aprovou a canção. Deu bom porque ela não mexeu em uma vírgula do que escrevi. A hora que eu recebi o “sim” da Lady Gaga, pra mim, a música já era sucesso, já tinha dado certo.
 
G1: E você já tem a nova versão, gravada só com você e o público...
 
Paula Fernandes: Eu estava muito bem acompanhada. "Feat" fãs!
 
G1: Mas nas rádios continua tocando a sua com parceria [com Luan Santana, que depois não foi à gravação do DVD]. Por que isso acontece? Vai ter alguma substituição?
 
Paula Fernandes: Não, de jeito nenhum. A música é eterna, está eternizada com parceria e espero que vocês tenham a oportunidade de ouvir meu feat com fãs, que eu achei que ficou incrível.
 
G1: Antes de você anunciar o nome da parceria [com Luan Santana], muita gente citou o nome do Victor Chaves pra ser seu Bradley Cooper. Vocês conversaram sobre isso? 
 
Paula Fernandes: Seria lindo! Acho que seria uma ótima parceria. Eu tenho muita vontade de fazer mais projetos com ele e acho que a gente ainda pode cantar “Juntos” juntos.
 
Acho que teriam vários artistas no Brasil que poderiam cantar essa canção comigo, que ficaria lindo.
 
Mas eu acho que escolhi o melhor parceiro para o DVD, aqui pra nós.
 
G1: Quais as lembranças do passado que vieram na sua mente quando você subiu para gravar o DVD ali no palco de sua casa?
 
Paula Fernandes: Eu acho que mais do que lembrança, veio a emoção da conquista, porque dizem que santo de casa não faz milagre, né? E eu... primeiro eu sou mulher. A gente sabe da dificuldade que mulher tem em qualquer setor. Segundo, minha origem é muito humilde. Eu saí de uma situação que eu não tinha o que calçar direito.
 
Então imaginar que a gente saiu de uma situação dessas pra alcançar tudo que eu alcancei, conquistei na vida, vivi, pra estar ali naquele espaço, diante daquelas pessoas. Muitas que me viram crescer, sonharam junto comigo, outras até duvidavam: ‘será que vai dar certo?'. Deu certo!
 
E eu estou aqui de volta pra mostrar que deu certo e eu sou representante de vocês. Foi uma emoção única, que eu nunca mais vou conseguir descrever.
 
G1: Você fez um reposicionamento de sua marca com a chegada do feminejo? Porque, de repente, chegaram com um monte de sofrência. E você ficou num sertanejo mais romântico...
Paula Fernandes: Você sabe que eu fiz uma homenagem pras mulheres no meu DVD, né? Cantei Marília Mendonça, Maiara e Maraisa. Foi minha maneira de homenageá-las, homenagear a mulher que está ali em cima do palco, eu sei o tanto que é difícil.
 
E no que depender de mim pra fortalecer esse movimento, independente se é sofrência, se é romântico, se é balada, se é dance, não importa. Importa que a gente está trazendo nosso jeito de fazer música, com a nossa sensibilidade, porque acho que as mulheres se identificam muito com isso.
 
O mais importante pra mim, sempre foi me respeitar muito. Porque eu conquistei tudo o que eu conquistei até hoje, cantando minha própria verdade. Então se é sofrência... eu respeito muito o trabalho delas e cada um tem a sua forma de fazer.
 
Mas dentro da minha origem eu precisei me respeitar e respeitar o público que eu cativei cantando o romantismo, o amor. Eu sou amor, eu acredito no amor, então é minha forma de fazer música.
E eu sou muito feliz assim. Acho que tem espaço pra todo mundo.
 
G1: Chegou a chamar alguma delas pra participar do DVD?
Paula Fernandes: Não convidei nessa oportunidade, mas acho que em breve a gente terá uma parceria sim, eu gostaria muito.
 
G1: Algum nome em especifico?
Paula Fernandes: Eu gravaria com todas, sem dúvida nenhuma. Todo mundo junto... e shallow now.