Fotografo: Divulgação/AFP
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Corpos são alinhados em uma estrada na província de Hela, em Papua-Nova Guiné

 
Confrontos tribais deixaram ao menos 24 mortos, incluindo crianças e mulheres grávidas, em uma área de Papua-Nova Guiné.
 
O primeiro-ministro James Marape prometeu levar os culpados à Justiça.
 
De acordo com as autoridades locais, as mortes aconteceram durante três dias na província de Hela, no extremo oeste do país, em ações de tribos rivais que disputam, ao que parece, o controle das reservas de ouro na região.
Clãs adversários se enfrentam há séculos nesse país do Pacífico, mas a situação se tornou crítica com a introdução de armas automáticas.
 
O administrador da província de Hela, William Bando, teme uma escalada do número de mortos.
 
"Esperamos informações atualizadas dos nossos funcionários no local", declarou Bando, que pediu um reforço de cem policiais para apoiar os 40 agentes que atuam na região.
 
A explosão de violência provocou um grande comoção no país. Oriundo da mesma região, o primeiro-ministro Marape prometeu reforçar a segurança e prender os culpados.
 
"É um dos dias mais tristes da minha vida", escreveu em um comunicado, no qual lamenta os assassinatos de mulheres e crianças em Karida e Munima, aldeias de sua circunscrição eleitoral.
 
Em Karida, oito mulheres, incluindo duas grávidas, e oito crianças foram assassinadas a golpes de machado e com armas de fogo em 30 minutos de massacre.
 
Já havia rivalidades antigas na província
 
Pills Kolo, funcionário do departamento de Saúde que publicou nas redes sociais imagens de corpos, relatou que está sendo difícil fazer o reconhecimento de algumas vítimas.
 
A imprensa local afirmou que o ataque parece estar relacionado com as mortes, um dia antes, de seis pessoas em uma emboscada.
 
O primeiro-ministro responsabilizou três chefes de guerra aliados, que enfrentaram a tribo Tagali pela posse de jazidas de ouro.
 
"Aos criminosos armados digo que estão com os dias contados. Vão aprender a lição do que faço com os criminosos que matam inocentes. Não tenho medo de adotar medidas mais fortes contra vocês", declarou, antes de recordar que a "pena de morte já está prevista em lei".
 
Os confrontos tribais na região de Terras Altas são provocados por antigas rivalidades decorrentes de brigas, roubos, fronteiras tribais, ou acesso a recursos.
 
O incidente dos últimos dias foi o mais grave em muitos anos, e as autoridades contam apenas com 40 policiais e 16 soldados na região, acrescentou Bando.
Ele destacou que 35 agentes, responsáveis atualmente pela segurança em um projeto de gás da ExxonMobil, serão deslocados para "ajudar as pessoas e garantir a segurança das famílias".
 
O primeiro-ministro não revelou detalhes sobre o reforço da segurança, mas parece exasperado com a situação.
 
"Como uma província de 400 mi, habitantes pode funcionar dentro da legalidade com menos de 60 policiais?", questionou.