Fotografo: Juan Ignacio Roncoroni / EFE
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Colapso financeiro após eleições primárias piorou situação da Argentina

O presidente argentino, Mauricio Macri, anunciou nesta quarta-feira (14) algumas medidas para tentar fazer frente ao colapso dos mercados financeiros provocado pela esmagadora vitória da oposição nas eleições primárias de domingo. O anúncio de medidas como o congelamento de preços dos combustíveis, bônus salariais e redução de impostos para a classe média também tem como foco recuperar sua imagem política, afetada pela crise econômica que atinge a Argentina.
 
A vitória esmagadora de Fernández nas eleições primárias de domingo foi um duro golpe às chances de reeleição de Macri. Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Fernández como sua companheira de chapa, liderou as eleições primárias com uma margem de 15 pontos percentuais à frente de Macri, bem mais do que o esperado.
 
O resultado afetou os mercados financeiros, que têm preferência pelo atual presidente e são contrários às políticas econômicas intervencionistas do governo anterior.
 
Macri, no entanto, apresentou suas propostas como sendo para "aliviar" a situação dos argentinos, num claro movimento para tentar recuperar-se politicamente.
 
Entre as medidas que fazem parte do pacote anunciado hoje estão um aumento no salário mínimo, bônus salariais para funcionários da iniciativa privada e públicos, alívio da carga tributária para a classe média, uma moratória para pequenas e médias empresas e o congelamento dos preços dos combustíveis por 90 dias.
 
Medidas eleitorais
 
A grave situação da economia argentina, que marca a sua gestão à frente da Casa Rosada, é apontada como responsável direta pelo mau resultado eleitoral. A inflação em alta e a crise cambial afetam diretamente os argentinos, que assistem um crescimento da pobreza e crises no mercado de trabalho.
 
O governo elevará em 20% o piso a partir do qual os empregados pagam o imposto sobre a renda, dará dois pagamentos extras — até as eleições de outubro — às famílias que utilizam o subsídio por pobreza e devolverá impostos a trabalhadores.
 
"As medidas que tomei e que vou compartilhar com vocês agora são porque eu escutei vocês. Ouvi o que vocês queriam me dizer no domingo", disse Macri.
 
"Essas são medidas que trarão alívio para 17 milhões de trabalhadores e suas famílias", disse Macri, em uma mensagem gravada antes da abertura do mercado.
 
Anúncio de Macri não surtiu efeito nos mercados
 
O conjunto de medidas terá um custo fiscal de 40 bilhões de pesos (678 milhões de dólares).
 
Os anúncios de Macri feitos nesta quarta, no entanto, não conseguiram acalmar o mercado de câmbio em um dia de perdas nas bolsas internacionais. O peso caía 12,3%, a 61 por dólar, e acumula perdas de quase 26% na semana.
 
 
 
 
 
 
Cristina Charão, do R7, com agências internacionais