Fotografo: CPB
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Transgredindo o espírito da Lei

26 de outubro a 01 de novembro
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Lc 18-20
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Restituí-lhes hoje, vos peço, as suas terras, as suas vinhas, os seus olivais e as suas casas, como também o centésimo do dinheiro, do trigo, do vinho e do azeite, que exigistes deles” (Ne 5:11).
 
LEITURAS DA SEMANA: Ne 5:1-5; 5:7-12; 5:14-19; Êx 21:2-7; Mq 6:8; Dt 23:21-23
 
Até hoje lutamos com a questão da riqueza, da pobreza e da desigualdade entre ricos e pobres e o que pode ser feito a respeito disso. Jesus disse que sempre teríamos os pobres conosco (Mt 26:11), mas isso não é uma desculpa para não fazermos nada para ajudá-los. Pelo contrário, as Escrituras nos advertem a fazer nossa parte no auxílio aos necessitados de acordo com nossas possibilidades. Caso contrário, não podemos ser chamados de cristãos.
 
É impressionante o aparecimento desse tema, em meio às provações e tribulações dos exilados que retornaram para reconstruir Jerusalém. E não apenas o assunto da pobreza e dos pobres, mas a questão ainda mais problemática dos ricos que os oprimiam. Esse já era um problema anterior ao exílio, e então, com o retorno à terra, ele reapareceu.
 
Nesta semana observaremos outra manifestação desse antigo tema e como Neemias reagiu. Como veremos, o que tornava essa opressão ainda pior era o fato de estar sendo feita dentro da “letra da lei”, por assim dizer, um poderoso exemplo de como precisamos ter cuidado para não deixar que regras e regulamentos se tornem um fim em si mesmos, mas um meio para um fim, que é refletir o caráter de Jesus.

Domingo, 27 de outubro
Ano Bíblico: Lc 21, 22
A queixa do povo
 
1. Leia Neemias 5:1-5. O que estava acontecendo? Contra o que o povo estava clamando?
 
Sob a liderança de Neemias, a comunidade judaica parecia estar unida contra as pressões externas. Mas nem tudo estava bem com a nação que enfrentava perseguição e se defendia de ataques estrangeiros. Apesar da aparência externa de força e resistência e dos coerentes esforços contra o inimigo, a comunidade estava destruída por dentro. Os líderes e os ricos estavam usando os pobres e desfavorecidos para seu próprio benefício, e a situação tinha se tornado tão ruim que as famílias estavam clamando por alívio. Algumas delas diziam que não tinham comida para alimentar seus filhos; alguns se queixavam de que, por causa da fome, haviam hipotecado sua propriedade e agora não tinham nada; outras famílias lamentavam que precisavam pedir dinheiro emprestado para pagar o imposto persa. Além disso, seus próprios filhos tinham se tornado escravos.
 
Parece que as principais causas do problema eram a fome e o pagamento dos impostos, que fizeram com que as famílias mais pobres buscassem ajuda de seus vizinhos. O governo persa exigia anualmente da província de Judá um imposto de 350 talentos de prata (veja nota sobre Neemias 5:1-5 na Bíblia de Estudo Andrews, p. 620). Se uma pessoa não pudesse pagar a parte designada do imposto obrigatório, a família geralmente hipotecava sua propriedade ou tomava dinheiro emprestado. Se, no entanto, eles não obtivessem o dinheiro no ano seguinte, tinham que fazer algo sobre a dívida que agora possuíam. Geralmente, a escravidão era a opção seguinte. Eles já haviam perdido sua propriedade e então tinham que mandar alguém da família, geralmente os filhos, para que prestassem serviço ao credor a fim de liquidar a dívida.
 
Há momentos na vida em que as consequências das nossas ações nos deixam em apuros; evidentemente, também há momentos em que acabamos ficando doentes ou passamos por dificuldades financeiras sem que tenhamos culpa nenhuma. A história acima fala de uma época em que as políticas governamentais desfavoreciam o povo, levando-o à intensificada pobreza e envolvendo-o numa espiral de pobreza cada vez mais profunda, da qual não se podia escapar.

Segunda-feira, 28 de outubro
Ano Bíblico: Lc 23, 24
Contrário ao espírito da Lei
 
2. Leia Neemias 5:6-8 e Êxodo 21:2-7. Que situação despertou a fúria de ­Neemias? Assinale a alternativa correta:
 
A.(  ) O povo começou a adorar outros deuses.
 
B.(  ) Os judeus passaram a se vender como escravos devido aos altos juros cobrados por seus compatriotas abastados.
 
Por mais difícil que seja compreender, a escravidão era uma norma cultural no mundo antigo. Um pai ou mãe podia se tornar escravo ou vender um(a) filho(a). Social e legalmente, os pais tinham o direito de vender seus filhos e filhas. Contudo, visto que o propósito essencial de Deus é conceder liberdade, Ele regulou essa prática em Israel exigindo que os credores libertassem seus escravos a cada sete anos. Por isso, o Senhor protegeu o povo para que não se tornasse escravo permanentemente e demonstrou Seu desejo de que as pessoas vivessem livremente.
 
Embora o empréstimo fosse permitido pela lei, a cobrança de juros não era admitida (para as regras bíblicas contra a usura, veja Êx 22:25-27;
Lv 25:36, 37; Dt 23:19, 20). No entanto, o juro cobrado pelos credores era pequeno se comparado ao que as nações ao redor cobravam. Era solicitado do povo o pagamento de 1% ao mês. Textos da Mesopotâmia do século
7 a.C. revelam uma cobrança de juros anuais de 50% para a prata e 100% para o trigo. Portanto, os 12% de juros anuais eram baixos em comparação com o praticado pelos países da Mesopotâmia. Mas, segundo a Palavra de Deus, o único erro dos credores foi cobrar juros (Ne 5:10-12), e, curiosamente, o povo nem mencionou isso em sua queixa. Todo o restante estava conforme a norma social, bem como de acordo com as disposições da lei. Então, por que Neemias ficou furioso (Ne 5:6, NVI)? Surpreendentemente, ele não agiu de imediato, mas ponderou seriamente sobre o assunto.
 
O fato de Neemias ter lidado com o problema de maneira firme é algo admirável. Embora tecnicamente a injustiça não transgredia a Lei e era socialmente aceitável, ou até mesmo “boa” em comparação com as práticas da região, ele não a ignorou. O espírito da Lei havia sido quebrado nessa situação. Especialmente durante um período de dificuldades econômicas, era dever do povo que ajudassem uns aos outros. Deus está do lado dos oprimidos e necessitados, e Ele teve que comissionar profetas para falar contra os males e a violência cometidos contra os pobres.

Terça-feira, 29 de outubro
Ano Bíblico: Jo 1-3
Ações de Neemias
 
Os nobres e os oficiais foram repreendidos com estas palavras: “Vocês estão cobrando juros dos seus compatriotas!” (Ne 5:7, NVI). Aparentemente, isso não trouxe os resultados desejados. Por isso, Neemias não parou por aí, mas continuou a lutar pelos oprimidos. Ele poderia simplesmente ter dito que havia tentado ensinar os líderes, mas que, como não tinha funcionado, tinha sido forçado a abandonar o problema. Afinal, ele estaria enfrentando os ricos e poderosos da terra. Contudo, não ficou satisfeito até que fosse implementada uma solução para a dificuldade, mesmo que surgissem inimigos poderosos no processo.
 
3. Leia Neemias 5:7-12. Quais foram os argumentos do líder contra o que estava ocorrendo? O que Neemias usou para persuadir as pessoas a corrigir o erro?
 
Neemias convocou uma grande assembleia – todo o povo de Israel foi reunido para resolver esse assunto. Muito provavelmente ele estava contando com a possibilidade de que, quando todo o povo estivesse presente, os líderes ficassem envergonhados, talvez até com medo de praticar esse tipo de opressão.
 
O argumento inicial estava centrado na escravidão. Muitos judeus (provavelmente Neemias estivesse incluído) haviam comprado a liberdade para compatriotas que tinham servido como escravos a estrangeiros. Então, ele perguntou aos nobres e oficiais se eles achavam aceitável comprar e vender seus irmãos. Fazia sentido que os israelitas comprassem seus compatriotas e os libertassem apenas para que eles se tornassem escravos de pessoas de seu próprio povo?
 
Os líderes não ofereceram resposta porque viram que esse argumento era sensato. Neemias continuou: “Vocês devem andar no temor do Senhor para evitar a zombaria dos outros povos, os nossos inimigos” (Ne 5:9, NVI). Em seguida, admitiu que ele mesmo tinha emprestado dinheiro e trigo ao povo. Ao declarar: “Vamos acabar com a cobrança de juros!” (Ne 5:10; NVI), ele confirmou a lei que proibia essa prática com os compatriotas hebreus e demonstrou que, sob seu governo, ele gostaria que as pessoas fossem solícitas umas com as outras. Surpreendentemente, a resposta foi unânime. Os líderes concordaram em restituir tudo ao povo.

Quarta-feira, 30 de outubro
Ano Bíblico: Jo 4-6
Um juramento
 
4. Leia Neemias 5:12, 13. Por que Neemias pronunciou uma maldição contra os que não cumprissem sua parte no acordo? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
 
A. (  )Para impressionar o povo quanto à seriedade do acordo.
 
B. (  )Para que o povo não adorasse outros deuses.
 
Mesmo que os líderes concordassem em restituir e devolver o que eles tinham confiscado, Neemias não ficou satisfeito com meras palavras. Ele precisava de provas sólidas; portanto, ele os fez jurar diante dos sacerdotes. Essa ação também deu validade legal ao processo, caso ele tivesse que fazer referência ao acordo posteriormente.
 
Mas por que ele pronunciou uma maldição? Neemias realizou o ato simbólico de levantar suas vestes como se tivesse que reter nelas alguma coisa para depois sacudi-las como sinal de perda. Assim, aqueles que fossem contra esse juramento perderiam tudo. Era costume proferir maldições para impressionar os outros quanto à importância de determinada lei ou regulamento. As pessoas também eram menos propensas a contrariar a Lei quando uma maldição estava associada à quebra dela. Parece que Neemias considerou essa questão tão importante que ele precisava fazer algo drástico para aumentar a probabilidade de seu sucesso.
 
5. O que os seguintes textos do Antigo Testamento ensinam sobre a santidade dos juramentos? Nm 30:2; Dt 23:21-23; Ec 5:4, 5; Lv 19:12; Gn 26:31
 
 
A fala é um dom poderoso que Deus deu ao ser humano; radicalmente diferente do que ocorre com os animais. Há poder em nossas palavras, o poder da vida e da morte. Por isso, precisamos ser muito cautelosos com o que dizemos, com o que prometemos fazer e com os compromissos verbais que assumimos. Também é importante que nossas ações correspondam às nossas palavras. Muitas pessoas se afastam do cristianismo por causa daqueles cujas palavras soam cristãs, mas suas ações não provam isso.

Quinta-feira, 31 de outubro
Ano Bíblico: Jo 7-9
O exemplo de Neemias
 
6. Leia Neemias 5:14-19. Quais razões Neemias apresentou para não exigir do povo “o pão devido ao governador” (Ne 5:18)?
 
Neemias provavelmente tenha escrito esse relato após seu retorno à corte do rei Artaxerxes, depois de governar Judá durante 12 anos. Embora os governadores tivessem o direito de receber impostos de seus súditos, Neemias nunca reivindicou esse direito e financiou seu sustento. Ele não apenas pagou suas próprias despesas, mas também sustentou sua família e toda a corte. Zorobabel, o primeiro governador, é o único cujo nome conhecemos. Quando Neemias mencionou “os primeiros governadores”, ele provavelmente estivesse se referindo aos governadores que existiram entre os governos de Zorobabel e o seu próprio governo. Em resultado, ao terminar seu mandato, ele provavelmente houvesse perdido dinheiro. Em vez de trazer riquezas, como era de se esperar de uma posição de prestígio, Neemias provavelmente tivesse perdido a riqueza e os bens, por causa de sua atitude de generosidade. Sendo ele abastado, pôde prover o alimento diário para muitas pessoas. Ele foi generoso em suprir abundantemente as necessidades dos outros (Ne 5:17, 18).
 
Embora não tenha feito o mesmo que Abraão, após o resgate dos que foram capturados pelas nações vizinhas (veja Gn 14), o que Neemias fez revela o mesmo princípio.
 
7. Leia Neemias 5:19. O que ele disse nesse verso? Como entender isso em relação ao evangelho?
 
 
Vemos em Neemias o exemplo de alguém que colocou o Senhor e Sua obra antes de seu ganho e vantagens pessoais. Essa é uma boa lição para nós, independentemente da nossa situação específica. É fácil trabalhar para o Senhor quando não nos custa muito.

Sexta-feira, 01 de novembro
Ano Bíblico:
Estudo adicional
 
Texto de Ellen G. White: Profetas e Reis, p. 646-652 (“Condenada a Extorsão”).
 
“Ouvindo Neemias dessa cruel opressão, ele se encheu de indignação. ‘Ouvindo eu, pois, o seu clamor, e estas palavras’, ele diz, ‘muito me enfadei’ (Ne 5:5, 6, ARC). Ele viu que se quisesse ter êxito em derribar o opressivo costume da cobrança precisava tomar posição decidida ao lado da justiça. Com característica energia e determinação, entregou-se à tarefa de levar alívio a seus irmãos” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 648).
 
“Jesus estabeleceu então um princípio que tornaria desnecessário o juramento. Disse que a exata verdade deve ser a lei da linguagem. ‘Seja porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna’” (Mt 5:37, ARC; Ellen G. White, O Maior Discurso
de Cristo, p. 67).
 
“Estas palavras condenam todas aquelas frases sem sentido e palavras imprecatórias que beiram a profanidade. Condenam os enganosos cumprimentos, a evasiva da verdade, as frases lisonjeiras, os exageros, as falsidades no comércio, coisas comuns na sociedade e no mundo dos negócios. Elas ensinam que ninguém que busque parecer o que não é, ou cujas palavras não exprimam o sentimento real do coração, pode ser chamado verdadeiro” (O Maior Discurso de Cristo, p. 68).
 
Perguntas para discussão
 
1. Por que o egoísmo é a essência dos problemas com as finanças e as relações interpessoais?
 
2. Como evitar a ganância? Qual é a provisão divina contra isso? (Is 58:3-12;
Mq 6:6-8).
 
3. Reflita sobre o dom da fala e o poder das palavras. Jesus é chamado de “o Verbo” (Jo 1:1, 2). O que isso significa? Isso nos ajuda a entender a importância e o peso das palavras?
 
4. É impressionante que, há milhares de anos, Jesus disse que os pobres sempre estariam entre nós. Somos advertidos a ajudar os necessitados. Como essas duas ideias podem se harmonizar e motivar os cristãos a trabalhar pelos menos afortunados?