Fotografo: CPB
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“Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo”

 
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Ap 20–22
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo” (Ap 1:3).
 
LEITURAS DA SEMANA: Ap 1:1-8; Jo 14:1-3, 29; Dt 29:29; Rm 1:7; Fp 3:20; Dn 7:13, 14
 
As profecias do Apocalipse foram reveladas em visão ao apóstolo João há mais de 19 séculos, durante seu exílio em uma pequena ilha rochosa no Mar Egeu, conhecida como Patmos (Ap 1:9). Em Apocalipse 1:3, é pronunciada uma bênção aos que leem, ouvem e obedecem aos ensinos desse livro (compare com Lc 6:47, 48). Esse versículo se refere à congregação reunida na igreja para ouvir as mensagens.  No entanto, a abenção não é prometida somente aos que leem ou ouvem mas também aos que obedecem às palavras do livro (veja Ap 22:7).
 
As profecias do Apocalipse são uma expressão do cuidado de Deus para com Seu povo. Elas nos mostram a brevidade e fragilidade da vida, a salvação em Jesus e o nosso chamado para propagar o evangelho.
 
As profecias bíblicas são como uma lâmpada que brilha em lugar escuro (2Pe 1:19). Elas têm o objetivo de orientar nossa vida hoje e dar esperança para o futuro. Precisaremos desse guia profético até a vinda de Cristo e o estabelecimento do eterno reino de Deus.
 
Domingo, 30 de dezembro
Ano Bíblico: Repassar o Novo Testamento
O título do livro
1. De acordo com Apocalipse 1:1, 2, qual é o significado do título completo do livro? Tendo como base o título, sobre quem realmente fala o livro?
 
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O texto de Apocalipse 1:1 declara o título do livro: “Revelação de Jesus Cristo”. A palavra revelação vem do termo grego apokalupsis (apocalipse), que significa “descobrir” ou “revelar”. O Apocalipse é uma revelação de Jesus Cristo; é tanto da parte Dele quanto sobre Ele. Embora tenha vindo de Deus por meio de Jesus Cristo (veja Ap 22:16), o livro testifica que Jesus também é o foco de seu conteúdo. O Apocalipse é Sua autorrevelação para Seu povo e uma expressão de Seu cuidado para com ele.
 
Jesus é a figura central do Apocalipse. O livro começa e termina com Ele (Ap 1:5-8; Ap 22:12-16). “Deixemos que Daniel fale, que fale o Apocalipse e digam a verdade. Mas seja qual for o aspecto do assunto apresentado, ele vai a Jesus como o centro de toda a esperança, ‘a Raiz e a Geração de Davi, a resplandecente Estrela da Manhã’” (Ellen G. White, Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 118).
 
Além disso, o Jesus do Apocalipse é o Jesus dos quatro evangelhos. O Apocalipse dá continuidade à descrição de Jesus e de Sua obra de salvação em favor de Seu povo, conforme primeiramente retratada nos evangelhos. O livro do Apocalipse se concentra em diferentes aspectos de Sua existência e ministério. Essencialmente, ele começa onde os evangelhos terminam, com a ressurreição de Jesus e Sua ascensão ao Céu.
 
Juntamente com a epístola aos Hebreus, o Apocalipse enfatiza o ministério celestial de Jesus. Ele mostra que, após Sua ascensão, Cristo foi empossado em Seu ministério real e sacerdotal no santuário celeste. Sem o Apocalipse ou o livro de Hebreus, seria muito limitado o nosso conhecimento do ministério sumo sacerdotal de Cristo no Céu em favor de Seu povo. No entanto, além do livro de Hebreus, o livro do Apocalipse nos apresenta uma perspectiva singular do ministério de Jesus Cristo em nosso favor.
 

 

Segunda-feira, 31 de dezembro
Ano Bíblico: Vista geral de toda a Bíblia
O propósito do livro
 
O livro do Apocalipse também nos declara que seu propósito é revelar eventos futuros (Ap 1:1), a partir da época em que o próprio livro foi escrito. Qualquer pessoa familiarizada com o Apocalipse notará que a predição dos eventos, tenham eles já sido cumpridos (pelo menos da nossa perspectiva hoje) ou sejam eles eventos ainda futuros, ocupam a maior parte do conteúdo do livro.
 
O objetivo principal das profecias bíblicas é assegurar-nos que, independentemente dos acontecimentos futuros, Deus está no controle. O Apocalipse faz exatamente isso: ele nos dá a certeza de que Jesus Cristo tem estado com Seu povo durante toda a História do mundo e em meio aos aterradores eventos finais.
 
Consequentemente, as profecias do Apocalipse têm dois propósitos práticos: ensinar-nos a viver hoje e nos preparar para o futuro.
 
2. Leia Deuteronômio 29:29. Por que algumas coisas não são reveladas a nós? Qual é o propósito das coisas reveladas? Veja também Ap 22:7.
 
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As profecias do Apocalipse relacionadas ao tempo do fim não são reveladas para satisfazer nossa obsessiva curiosidade quanto ao futuro. O livro revela somente os aspectos do futuro importantes ao nosso conhecimento. Eles são revelados para nos impressionar em relação à seriedade do que ocorrerá, a fim de que possamos perceber nossa dependência de Deus e, nessa dependência, obedecer a Ele.
 
Durante séculos, especulações e sensacionalismo em escala ainda maior acompanharam muito do ensino acerca dos eventos do tempo do fim. Fortunas foram feitas por aqueles que, prevendo o fim imediato, alarmaram pessoas para que dessem dinheiro ao seu ministério, pois o fim estava próximo. Porém, em cada uma dessas ocasiões o fim não veio, e as pessoas ficaram desiludidas e desencorajadas. Como ocorre com todas as coisas boas que Deus nos deu, as profecias também podem ser mal utilizadas e mal interpretadas.
 

 

Terça-feira, 01 de janeiro
Ano Bíblico: Gn 1–3
A linguagem simbólica do Apocalipse
 
 
3. O que as visões de Apocalipse 13:1, Daniel 7:1-3 e Ezequiel 1:1-14 têm em comum? Assinale a alternativa correta:
 
A. (  ) Elas falam de quatro animais
 
B. (  ) Elas têm uma linguagem simbólica
 
Em Apocalipse 1:1, também declara-se: “Ele enviou o Seu anjo para torná-la conhecida ao Seu servo João” (NVI). Encontramos aqui uma expressão muito importante no livro. A frase tornar conhecida é uma tradução da palavra grega semain?, que significa “mostrar por sinais simbólicos”. Essa palavra é usada na tradução grega do Antigo Testamento (a Septuaginta), na qual Daniel explicou ao rei Nabucodonosor que, pela estátua feita de ouro, prata, bronze e ferro, Deus “fez saber ao rei o que [haveria] de ser futuramente” (Dn 2:45). Ao empregar a mesma palavra, João declarou que as cenas e os eventos do Apocalipse foram mostrados a ele em visão por meio de apresentações simbólicas. Guiado pelo Espírito Santo, João registrou fielmente essas apresentações simbólicas conforme as tinha observado nas visões (Ap 1:2).
 
Portanto, a linguagem das profecias do Apocalipse, em sua maioria, não deve ser interpretada literalmente. Via de regra, a leitura da Bíblia pressupõe uma compreensão literal do texto (a menos que o texto aponte para um simbolismo pretendido). Mas quando lemos o Apocalipse, precisamos interpretá-lo simbolicamente (a menos que o texto aponte para um significado literal). Embora as cenas e eventos preditos sejam reais, eles geralmente eram expressados em linguagem simbólica.
 
Ter em mente que o caráter do Apocalipse é, em grande parte, simbólico nos protegerá contra a distorção da mensagem profética. Ao tentarmos determinar o significado dos símbolos empregados no livro, devemos ter cuidado para não impor ao texto um significado que resulte da imaginação humana ou dos significados atuais desses símbolos. Em vez disso, devemos ir à Bíblia e aos símbolos encontrados em suas páginas para compreender os símbolos do Apocalipse.
 
Na verdade, ao tentar desvendar o significado desses símbolos, devemos lembrar que a maioria deles foi tirada do Antigo Testamento. Ao retratar o futuro na linguagem do passado, Deus quis imprimir em nossa mente que Seus atos de salvação no futuro serão muito semelhantes aos Seus atos de salvação no passado. O que Ele fez pelo Seu povo no passado, fará por ele novamente no futuro. Ao tentar decodificar os símbolos e imagens do Apocalipse, devemos começar prestando atenção ao Antigo Testamento.
 

 

Quarta-feira, 02 de janeiro
Ano Bíblico: Gn 4–7
A Divindade
 
O Apocalipse começa com uma saudação semelhante às saudações encontradas nas cartas de Paulo. O livro foi evidentemente enviado em forma de carta às sete igrejas na Ásia Menor, nos dias de João (veja Ap 1:11). No entanto, o Apocalipse não foi escrito apenas para essas igrejas, mas para todas as gerações de cristãos ao longo da História.
 
4. Leia Apocalipse 1:4, 5 e Romanos 1:7. Qual saudação comum encontramos em ambos os textos? Da parte de quem a saudação foi dada? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
 
A. (  ) “Graça e paz”; da parte de Deus.
 
B. (  ) “Felicidade e prosperidade”; da parte de Paulo.
 
Ambos os textos apresentam uma saudação epistolar: “Graça e paz a vós outros”. Essa expressão consiste na saudação grega charis (graça) e na saudação hebraica shalom (paz, bem-estar). Como podemos ver, a partir desses textos, os Doadores da graça e da paz são as três Pessoas da Divindade.
 
Deus, o Pai, é identificado como Aquele “que é, que era e que há de vir” (veja Ap 1:8; 4:8). Isso se refere ao nome divino Yahweh: “EU SOU O QUE SOU” (Êx 3:14), uma referência à existência eterna de Deus.
 
O Espírito Santo é referido como os “sete espíritos” (compare com Ap 4:5; 5:6). Sete é o número da plenitude. Os “sete espíritos” indicam que o Espírito Santo estava atuando em todas as sete igrejas. Essa imagem se refere à onipresença do Espírito Santo e Sua constante atuação entre o povo de Deus através da História, habilitando-o a cumprir sua vocação.
 
Jesus é identificado por três títulos: “a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da Terra” (Ap 1:5). Eles se referem à Sua morte na cruz, à Sua ressurreição e ao Seu reino no Céu. João declarou o que Jesus fez: Ele “nos ama, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai” (Ap 1:5, 6; ARC).
 
No original grego, a expressão “nos ama” se refere ao amor constante de Cristo, que envolve passado, presente e futuro. Aquele que nos ama nos libertou dos nossos pecados pelo Seu sangue. No grego, o verbo “libertar” se refere a um ato completado no passado: quando Jesus morreu na cruz, Ele proveu uma completa e perfeita expiação pelos nossos pecados.
 

 

Quinta-feira, 03 de janeiro
Ano Bíblico: Gn 8–11
A nota tônica do Apocalipse
 
A conclusão do prólogo do Apocalipse indica o verdadeiro foco de todo o livro: o retorno de Jesus em poder e glória. A promessa da vinda de Cristo é reiterada três vezes na conclusão do livro (Ap 22:7, 12, 20).
 
5. Leia Apocalipse 1:7, 8. O estilo das palavras desse texto é derivado de vários textos proféticos: Daniel 7:13, 14; Zacarias 12:10; Mateus 24:30. O que essas passagens revelam sobre a certeza da segunda vinda de Cristo?
 
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No Apocalipse, a segunda vinda de Cristo é o ponto final rumo ao qual a história se dirige. Esse evento marcará a conclusão da história do mundo e o início do reino eterno de Deus bem como a libertação de todo mal, angústia, dor e morte.
 
Como no restante do Novo Testamento, em Apocalipse 1:7, aponta-­­se para a vinda literal e pessoal de Cristo em majestade e glória. Todo ser humano vivo, incluindo aqueles que “O traspassaram”, testemunhará Sua vinda. Essas palavras indicam uma ressurreição especial de certas pessoas antes do retorno de Cristo, o que inclui os que O crucificaram. Com Sua vinda, Jesus trará libertação aos que O aguardam. No entanto, Ele trará também juízo aos que rejeitaram Sua misericórdia e Seu amor.
 
A certeza da vinda de Cristo é confirmada com as palavras “Certamente. Amém!” (Ap 1:7). A palavra “certamente” é a tradução do termo grego nai; “amém” é uma expressão hebraica com o sentido de confirmação. Juntas, essas duas palavras expressam certeza. Elas também encerram o livro com duas afirmações semelhantes (veja Ap 22:20).
 

“Mais de dezoito séculos se passaram desde que o Salvador prometeu voltar. Ao longo dos séculos, Suas palavras têm enchido de ânimo o coração de Seus fiéis. A promessa ainda não foi cumprida: a voz do Doador da vida ainda não chamou os santos adormecidos de suas sepulturas; mas nem por isso deixa de ser segura a palavra proferida. Em Seu tempo, Deus cumprirá Sua palavra. Ficaremos fatigados hoje? Devemos perder nossa fé estando tão perto do mundo eterno? Alguém dirá que a cidade ainda está muito longe? Não, não! Um pouco mais e veremos o rei em Sua beleza. Um pouco mais, e Ele enxugará todas as lágrimas dos nossos olhos. Um pouco mais, e Ele nos apresentará, ‘com exultação, imaculados diante da Sua glória’” (Ellen G. White, The Advent Review and Sabbath Herald, 13 de novembro, 1913).

 


Sexta-feira, 04 de janeiro
Ano Bíblico: Gn 12–15
Estudo adicional
 
Leia o capítulo “O Estudo dos Livros de Daniel e Apocalipse”, do livro Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, de Ellen G. White, p. 112-119.
 
“Essa revelação foi dada para orientação e conforto da igreja através da dispensação cristã […]. Uma revelação é algo que foi desvendado. O próprio Senhor revelou a Seu servo os mistérios contidos nesse livro, e propõe que seja aberto ao estudo de todos. Suas verdades são dirigidas aos que vivem nos últimos dias da história da Terra, como o foram aos que viviam nos dias de João. Algumas das cenas descritas nessa profecia estão no passado e algumas estão agora acontecendo; algumas nos apresentam o fim do grande conflito entre os poderes das trevas e o Príncipe do Céu, e algumas revelam os triunfos e o regozijo dos remidos na Terra renovada.
 
“Que ninguém pense que, por não poder explicar o significado de cada símbolo do Apocalipse, seja inútil para essa pessoa estudar esse livro numa tentativa de conhecer o significado da verdade que ele apresenta. Aquele que revelou esses mistérios a João dará ao diligente pesquisador da verdade um antegozo das coisas celestiais. Aqueles cujo coração estiver aberto à recepção da verdade serão capacitados a compreender seus ensinos, e lhes será garantida a bênção prometida aos que ‘ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas’ (Ap 1:3)” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 583-585).
 
Perguntas para discussão
 
1. Se o Apocalipse é a revelação de Jesus Cristo, por que a palavra “Apocalipse” tem um significado negativo hoje? O que isso revela sobre a percepção popular do Apocalipse entre os cristãos? Por que a palavra “medo” é frequentemente associada às profecias desse livro?
 
2. Pense em algumas das fracassadas previsões dos últimos 20 anos em relação aos eventos finais. Independentemente do coração das pessoas ou dos motivos para fazerem essas predições, quais foram os resultados negativos delas? Como se sentiram os que acreditaram nessas predições? Por causa dessas profecias não cumpridas, como os cristãos são vistos pelos incrédulos? Como podemos, como pessoas que creem na profecia e que procuram os eventos finais como sinais, ter o equilíbrio em nossa maneira de compreender a profecia e ensiná-la?
 
Respostas e atividades da semana: 
1. Revelação de Jesus Cristo. O livro é sobre Jesus e Seu retorno. 
2. Porque elas não são essenciais à nossa salvação. O propósito das coisas reveladas a nós é que reconheçamos nossa dependência de Deus e cumpramos a palavra da profecia. 
3. B. 
4. V; F. 
5. A segunda vinda de Cristo é certa. Todos os povos. O verão em poder e glória e o Seu reino será eterno.
 
Resumo da Lição 1
O evangelho de Patmos
Lição 1
 
Parte I: Resumo
 
Texto-chave: Apocalipse 1:1
 
Foco de estudo: Nesta lição, nosso foco será o prefácio (Ap 1:1-8) e o livro de Apocalipse como um todo.
 
Introdução: O prefácio de Apocalipse (Ap 1:1-8) introduz os temas principais do livro numa linguagem relativamente simples. Esses versículos não contêm bestas aterrorizantes, jornadas celestiais, nem sequências que se desdobram em sete; em vez disso, descrevem como o livro chegou ali (Ap 1:1-3), quem o enviou (Ap 1:4-6), e como os eventos descritos se desdobrarão (Ap 1:7, 8). O prefácio expressa a centralidade de Jesus Cristo em toda a obra e prepara o leitor para o que vai acontecer numa linguagem direta.
 
Temas da lição: O prefácio de Apocalipse introduz os seguintes temas:
 
Jesus é a figura central do Apocalipse. O título do livro (Ap 1:1), as características e ações de Jesus (Ap 1:5, 6) e Seu papel central na segunda vinda (Ap 1:7) deixam isso evidente.
O livro fala de eventos futuros. Esses eventos não são apenas do tempo do fim. Na verdade, a maioria dos acontecimentos descritos, em relação à época de João, eram ainda eventos futuros (Ap 1:1).
A visão é dada em linguagem simbólica. Esse fato fica evidente a partir de uma das palavras-chave de Apocalipse 1:1 e sua referência a Daniel 2.
A natureza tríplice de Deus. Há uma “trindade tripla” de pessoas, qualidades e ações em Apocalipse 1:4-6.
O retorno de Jesus. Apocalipse 1:7, 8 aborda o clímax de todos os eventos descritos no livro.
Aplicação para a vida: As perguntas ao final da seção comentário convidam os alunos a equilibrarem os conceitos de uma leitura adventista do sétimo dia de Apocalipse com a centralidade de Jesus Cristo na narrativa do fim dos tempos.
 
Parte II: Comentário
 
O resumo da Lição do Aluno nos diz que todo o conjunto de lições baseia-se no conceito adventista do sétimo dia de inspiração, no método historicista de interpretação profética, na estrutura organizacional singular do Apocalipse e numa abordagem de interpretação centralizada em Cristo.
 
O método historicista fundamenta-se na estrutura do próprio Apocalipse. O livro começa com as sete igrejas (Ap 1:9-3:22), que primeiramente dizem respeito à época de João. Por outro lado, os selos e as trombetas abrangem desde o período de João até o fim dos tempos (Ap 4:1-11:18). A última parte do livro (Ap 11:19-22:5) enfatiza quase que de forma exclusiva os últimos dias da história deste mundo e além. Esse método também se baseia na referência a Daniel 2 no primeiro versículo do livro (veja a explanação desse ponto no tema 3 abaixo).
 
Explanação dos principais temas da Lição 1:
 
I. Jesus é a figura central de Apocalipse (Ap 1:1, 5-7).
 
O livro começa com uma cadeia de revelações cujo centro é Jesus. Ele é a primeira Pessoa mencionada no livro e é quem transmite a revelação a João (Ap 1:1). O que Deus deu a Jesus é chamado de “revelação de Jesus Cristo” (Ap 1:1). O que Jesus transmitiu a João é chamado de “testemunho de Jesus” (Ap 1:2), “tudo o que viu” (grego: hosa eiden). O que João transmitiu a seus leitores foram “as palavras da profecia” (Ap 1:3), isto é, o que ele escreveu.
 
Essa cadeia de revelações é importante para os adventistas do sétimo dia, pois indica claramente que o “testemunho de Jesus” não é o livro de Apocalipse em si, que é o que João escreveu, mas sim o dom de visão dado a João (Ap 1:2). O remanescente de Apocalipse 12:17 mais tarde também teria o “testemunho de Jesus”, um dom de visão semelhante ao que teve o apóstolo.
 
Assim, o prefácio aponta para Jesus como a figura central de Apocalipse. O livro é uma revelação de Jesus sobre Jesus (Ap 1:1). Jesus qualifica-Se para esse papel especial por causa de Sua morte, ressurreição e reinado celestial (Ap 1:5). No final, Ele virá com as nuvens (Ap 1:7).
 
II. O livro fala de eventos futuros.
 
Apocalipse 1:1 diz que um dos principais propósitos do livro é “mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer”. Na perspectiva de João, esses eventos estão no futuro, mas o que o texto quer dizer com “em breve”? Os dois mil anos passados desde que o livro foi escrito não parecem breves! Portanto, a expressão “em breve” indica claramente a perspectiva de Deus, para quem um dia é como mil anos (2Pd 3:8).
 
Contudo, na nossa perspectiva o retorno de Jesus também sempre foi algo a acontecer em breve. Não sabemos quando Jesus de fato virá, mas sabemos que, em se tratando de nossa própria experiência pessoal (Ec 9:5), Ele virá no instante após nossa morte. Para cada um de nós, individualmente, a segunda vinda parecerá acontecer poucos momentos após a morte, por isso, a oportunidade de nos preparamos para Sua vinda é agora, em vez de em algum momento futuro. Se a volta de Jesus não fosse retratada como algo que se dará em breve, muitos adiariam o preparo para esse acontecimento.
 
III. A visão é dada em linguagem simbólica. Em geral, o melhor modo de abordagem das Escrituras é considerar tudo de forma literal, a menos que esteja claro tratar-se de um simbolismo. Em Apocalipse, o primeiro versículo indica uma abordagem contrária, haja vista que ele nos diz que toda a visão dada a João foi “notificada” (Ap 1:1; do grego: esêmanen) por Deus ou Jesus. A principal definição da palavra “notificada” é tornar algo conhecido por meio de sinais, dizeres ou ações (grifo nosso). Sendo assim, em Apocalipse a melhor forma de abordagem do texto é tratar tudo como símbolo, a menos que esteja claro que se trata de um significado literal (por exemplo, “Jesus Cristo” em Apocalipse 1:1 deve ser considerado literalmente).
 
Essa percepção toma uma forma ainda mais clara quando o leitor descobre uma referência a Daniel 2 no primeiro versículo do livro, tendo em vista que essa passagem bíblica é a única além de Apocalipse 1:1 que combina a palavra “notificada” com a expressão incomum “as coisas que em breve devem acontecer” (Ap 1:1, do grego: a dei genesthai). O sonho da grande estátua de Nabucodonosor exemplifica o incidente no qual Deus “notificou” (Ap 1:1) a ele o que aconteceria nos últimos dias. O que aconteceria “nos últimos dias” em Daniel é “em breve” em Apocalipse.
 
Portanto, logo no início do livro há uma referência clara a Daniel 2 que liga os dois livros como volumes complementares. Apocalipse faz alusão a vários profetas, porém, existe um elo especial entre Apocalipse e o livro de Daniel. Então, deve-se esperar que ao menos alguns dos simbolismos de Apocalipse apontem para sequências históricas que vão desde a época do profeta até o tempo do fim. Nem tudo em Daniel é escatológico, mas grande parte o é, e esse também é o caso em Apocalipse.
 
IV. A natureza tríplice de Deus
 
Apocalipse 1:4-6 inicia o livro com o que poderia chamar-se de uma “trindade tripla”. Primeiramente, há uma “trindade” de Pessoas: o Pai (Aquele que é, era e que há de vir), o Espírito Santo (representado pelos sete Espíritos) e Jesus Cristo. Jesus Cristo é mencionado por último, pois Ele é o Sujeito das duas “trindades” seguintes.
 
Em seguida está uma trindade de qualidades que fundamentam o papel de Jesus em Apocalipse. Ele é Aquele que foi morto (Ele é a Fiel Testemunha/mártir - do grego: martus), ressuscitou (o “Primogênito dos mortos”) e juntou-Se ao Pai no Seu trono (“Soberano dos reis da terra”). A morte e a ressurreição de Jesus proveem a base de Seu reinado celestial.
 
A última “trindade” é a de ações. Jesus nos ama (tempo presente do grego), nos libertou ou “nos lavou” (duas palavras gregas diferentes de mesma pronúncia, mas com uma letra diferente), de nossos pecados com Seu sangue, e nos constituiu reis, sacerdotes para Deus. O impacto supremo do amor de Jesus, conforme expressado em Sua morte e ressurreição, é alçar Seu povo ao nível mais elevado possível: reis e sacerdotes.
 
V. O retorno de Jesus
 
A descrição do retorno de Jesus em Apocalipse 1:7 baseia-se em referências a Daniel 7 e a Zacarias 12. O Sujeito de Apocalipse 1:7 refere-se claramente a Jesus, visto que é o Sujeito dos dois versículos anteriores. “Vem com as nuvens” relembra o Filho do Homem que foi com as nuvens do céu até o Ancião de Dias e recebeu domínio sobre os reinos da Terra (Dn 7:13, 14). Em Apocalipse, o direito de Jesus de governar a Terra é reconhecido no Céu na Sua ascensão (Ap 5) e na Terra na segunda vinda (Ap 1:7).
 
A referência a Zacarias é particularmente interessante. Observe os paralelos entre Zacarias 12 e o livro de Apocalipse. Em Zacarias 12:7, 8 é Yahweh que vem, ao passo que em Apocalipse quem vem é Jesus. Em Zacarias 12:10, é Yahweh que é traspassado; em Apocalipse é Jesus. Em Zacarias, quem vê Deus vir são os habitantes de Jerusalém (Zc 12:8-10); em Apocalipse, toda a Terra O vê. Em Zacarias 12:11, 12 são as tribos de Jerusalém que pranteiam; em Apocalipse, são as tribos de toda a Terra.
 
Portanto, na aplicação do Antigo Testamento em Apocalipse, há uma mudança na ênfase de Yahweh para Jesus, e uma mudança semelhante das coisas literais e locais de Israel para o impacto espiritual global do evangelho e da igreja.
 
Parte 3: Aplicação para a vida
 
O foco da lição é o início do livro de Apocalipse, ou seu prefácio (Ap 1:1-8). Uma forma de começar a lição seria perguntando: qual é sua introdução de história bíblica favorita? Talvez os alunos respondam: “o bebê Moisés nos juncos”, “o teste de alimentação de Daniel e seus três amigos em Daniel 1”, “a unção de Davi, o menino pastor” ou “anjos visitando os pastores no nascimento de Jesus”. Como a introdução de uma história bíblica ou de um livro afeta o modo como você entende o restante da história?
A lição chama atenção para duas coisas que os alunos podem sentir que estejam em desequilíbrio: (a) a centralidade de Jesus Cristo, e (b) a valorização da leitura historicista adventista do sétimo dia de Apocalipse. O professor pode convidar seus alunos a lutar com essa tensão fazendo perguntas como: Que valor oferece a abordagem singular adventista do sétimo dia no mundo atual? Como equilibrar a articulação dos detalhes históricos da leitura adventista do sétimo dia de Apocalipse e a elevação de Jesus Cristo como o centro de toda esperança? Algumas respostas à primeira dessas perguntas: A visão adventista do sétimo dia (a) responde as três grandes perguntas filosóficas: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? (b) nos ajuda a ver a mão de Deus na história; (c) nos dá a confiança de que em meio ao caos Deus ainda está no controle da história; e (d) nos dá a confiança de que, devido a Deus estar ativo na história, a esperança que temos também é real.