Fotografo: CPB
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Idioma, texto e contexto

Sábado à tarde
Ano Bíblico: 1Cr 28, 29
 
Lição 7
09 a 15 de maio
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Tomai este Livro da Lei e ponde-o ao lado da arca da Aliança do Senhor, vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti” (Dt 31:26).
LEITURAS DA SEMANA: Dt 32:46, 47; 1Rs 3:6; Nm 6:24-26; Gn 1:26, 27; 2:15-23; 15:1-5
Mais de 6 mil línguas são faladas entre os bilhões de habitantes do mundo. A Bíblia completa foi traduzida para mais de 600 idiomas, tendo o Novo Testamento ou algumas partes dele sido traduzidos também para mais de 2.500 outros idiomas. Certamente são muitas línguas. Mas, ao mesmo tempo, ainda é menos da metade dos idiomas conhecidos do mundo.
 
Estima-se que 1,5 bilhão de pessoas não tenham nenhuma parte das Escrituras traduzida em sua língua materna. Embora ainda haja muito trabalho a ser feito, os esforços das sociedades bíblicas garantem que 6 bilhões de pessoas possam ler as Escrituras.
 
E que bênção é estarmos entre aqueles que têm a Bíblia em seu idioma! Muitas vezes, não damos o devido valor a esse fato, esquecendo-nos de que não apenas muitos não têm a Bíblia, mas também que, durante séculos, na Europa, a Bíblia foi intencionalmente mantida longe das multidões. Graças à invenção da imprensa e à Reforma, esse não é mais o caso. Os que têm acesso à Bíblia e a estudam com oração, recebem a plenitude do Espírito Santo e conhecem o Senhor revelado em suas páginas.

Domingo, 10 de maio
Ano Bíblico: 2Cr 1-4
Compreensão das Escrituras
 
1. Leia 2 Timóteo 3:16, 17. Para quais propósitos a Bíblia nos foi dada?
 
A Bíblia foi escrita como um testemunho do plano divino de redimir a humanidade caída e da obra de Deus na História. Ela foi dada para nos instruir nos caminhos da justiça. O Senhor escolheu fazer isso em linguagem humana, tornando Seus pensamentos e ideias visíveis mediante palavras que entendemos. Ao redimir Israel do Egito, Deus escolheu uma nação específica para transmitir Sua mensagem a todos os povos. Ele permitiu que essa nação comunicasse Sua Palavra por meio de seu idioma, o hebraico (e algumas porções em aramaico, língua relacionada ao hebraico).
 
A ascensão da cultura grega trouxe uma nova oportunidade, permitindo que o Novo Testamento fosse transmitido por meio do idioma universal, o grego, que era amplamente falado naquela parte do mundo nesse período. (Além disso, houve até uma tradução grega do Antigo Testamento, a
Septuaginta.) Após a morte de Cristo, essa linguagem universal habilitou os apóstolos e a igreja primitiva a espalhar a mensagem por toda parte com um novo zelo missionário. Posteriormente, o apóstolo João “atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu” (Ap 1:2). Dessa maneira, a Bíblia demonstra a continuidade desse inspirado “testemunho” desde o primeiro escritor das Escrituras até o último.
 
2. Leia Deuteronômio 32:46, 47. Por que era tão importante que os filhos de Israel cumprissem “todas as palavras desta Lei” (Dt 32:46), a Torá ou “instrução”? Como a Palavra de Deus “prolonga” nossos dias? O que isso significa em nosso contexto hoje?
 
Algumas pessoas não apenas têm a Bíblia traduzida em seu idioma nativo, mas possuem até mesmo várias versões dela em sua língua. Outros têm apenas uma versão e, em alguns casos, nem isso. Contudo, independentemente da versão disponível, o ponto essencial é estimá-la como a Palavra de Deus e, mais importante, obedecer ao que ela ensina.

Segunda-feira, 11 de maio
Ano Bíblico: 2Cr 5-7
Palavras e seus significados
 
Em todas as línguas, há palavras tão ricas e profundas em significado que são difíceis de traduzir adequadamente em uma única palavra para outro idioma. Essas palavras exigem um amplo estudo de seu uso na Bíblia para a compreensão da amplitude de seu significado.
 
3. Leia 1 Reis 3:6; Salmo 57:3; 66:20; 143:8; Miqueias 7:20. Como a misericórdia e a bondade de Deus se estendem às Suas criaturas? Assinale a alternativa correta:
 
A.( ) O Senhor é misericordioso para com os que aceitam a Sua salvação e Seu perdão.
 
B.( ) O Senhor mantém a graça para com os que rejeitam a salvação.
 
A palavra hebraica chesed (“misericórdia”) é uma das mais ricas e profundas do Antigo Testamento. Ela descreve o amor de Deus, Sua bondade, misericórdia e o propósito da aliança em relação ao Seu povo. Nessas poucas passagens, O vemos demonstrando “grande benevolência (chesed) [...] para com [Seu] servo Davi” e “[mantendo-lhe] esta grande benevolência (chesed)” (1Rs 3:6). “Deus enviará a Sua misericórdia (chesed) e a Sua verdade” (Sl 57:3; ARC). Em relação a Israel, Ele mostrou “a Jacó a fidelidade e a Abraão, a misericórdia (chesed)” (Mq 7:20). Livros inteiros foram escritos sobre a palavra chesed, tentando captar a profundidade da misericórdia e do amor de Deus para conosco.
 
4. Leia Números 6:24-26; Jó 3:26; Salmo 29:11; Isaías 9:6; 32:17. O que é a “paz” (ou shalom) mencionada nessas passagens?
 
A palavra hebraica shalom é muitas vezes traduzida como “paz”. Mas seu significado é muito mais profundo e amplo do que esse termo. Ela pode ser traduzida como “plenitude, inteireza e bem-estar”. A bênção e a bondade de Deus nos mantêm em estado de shalom, que é um dom de Deus (Nm 6:24-26). Em contrapartida, a experiência de aflição de Jó produziu uma situação em que ele não tinha “descanso” nem “sossego”, pois lhe faltava shalom. Neste mundo agitado, é uma bênção profunda receber o sábado com as palavras Shabbat shalom, pois nossa comunhão com Deus proporciona paz e plenitude.

Terça-feira, 12 de maio
Ano Bíblico: 2Cr 8, 9
Repetição, padrões de palavras e significado
 
No pensamento hebraico, existem diversas maneiras de expressar ideias que reforçam o significado e enfatizam a importância de conceitos. Ao contrário das línguas europeias, o hebraico não possui sinais de pontuação no idioma original. Por isso, na estrutura do idioma foram desenvolvidas outras formas de comunicar essas ideias.
 
5. Quais palavras foram repetidas em Gênesis 1:26, 27 e Isaías 6:1-3? Como essas palavras são realçadas por diferentes conceitos introduzidos por meio da repetição?
 
Uma das maneiras pelas quais o escritor hebraico podia enfatizar certo atributo de Deus era repeti-lo três vezes. À medida que o relato da criação chega ao ápice da divina obra criativa, o texto enfatiza a importância singular da humanidade criada. O termo bara (“criar”) sempre tem apenas Deus como sujeito. Ou seja, somente Deus tem o poder de criar sem depender de matéria pré-existente. O texto descreve a criação do homem: “Criou Deus, pois, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1:27). Observe a tripla repetição do verbo “criar”. Portanto, Moisés enfatizou que o ser humano foi criado por Deus e que também foi criado à Sua imagem. Essas verdades eram a sua ênfase.
 
Na visão e chamado de Isaías, os serafins repetiram as palavras “santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos” (Is 6:3). A ênfase está na santidade de um Deus maravilhoso, cuja presença enche o templo. Também vemos essa santidade mediante as palavras de Isaías, quando ele estava na presença do Todo-Poderoso: “Ai de mim! Estou perdido!” (Is 6:5). Mesmo o profeta Isaías, confrontado com a santidade e o caráter de Deus, encolheu-se ante a sua indignidade. Vemos assim, muito antes da exposição de Paulo sobre a pecaminosidade humana e a necessidade de um Salvador (Rm 1-3), a Bíblia expressando a natureza decaída da humanidade, mesmo em uma pessoa “boa” como Isaías.
 
Em Daniel 3, há uma repetição (com variações) da expressão “imagem que o rei Nabucodonosor tinha levantado” (Dn 3:1-3, 5, 7, 12, 14, 15, 18). Essa expressão, ou variações dela, é repetida dez vezes no capítulo para contrastar a ação de Nabucodonosor em desafio à imagem que Deus lhe havia revelado por meio de Daniel (Dn 2:31-45). A ênfase nesse caso está na tentativa do ser humano de se tornar um deus a ser adorado, em contraste com o único Deus verdadeiro, o único digno de adoração.

Quarta-feira, 13 de maio
Ano Bíblico: 2Cr 10-13
Textos e contextos
 
Nas Escrituras, as palavras sempre ocorrem em um contexto. Elas não estão isoladas. Uma palavra tem seu contexto imediato dentro de uma frase; e essa unidade precisa ser compreendida primeiramente. Depois, há o contexto mais amplo da unidade geral em que a frase ocorre. Essa pode ser uma seção do texto, um capítulo ou uma série de capítulos. É essencial entender tão bem quanto possível o contexto das palavras e frases para não chegar a conclusões equivocadas.
 
6. Compare Gênesis 1:27 com 2:7. Em seguida, leia Gênesis 2:15-23. Como podemos entender, a partir dessas diferentes passagens e contextos, a definição de adam, a palavra hebraica para “homem”?
 
Já vimos que a repetição do termo bara em Gênesis 1:27 indica uma ênfase na criação do homem. Agora vemos que o homem é definido no contexto desse verso como “homem e mulher”. Isso significa que o termo hebraico adam deve ser entendido nessa passagem como uma referência genérica à humanidade.
 
Contudo, em Gênesis 2:7, o mesmo termo adam é usado para se referir à formação de Adão do pó da “terra” (em hebraico, adamah – observe o jogo de palavras). Aqui há apenas a referência ao homem Adão (masculino), pois Eva só foi criada posteriormente e de maneira completamente diferente. Portanto, em cada passagem, mesmo no contexto de dois capítulos, vemos uma diferenciação entre a definição de adam como “humanidade” (Gn 1:27) e o homem Adão (Gn 2:7). O fato de Adão ser uma pessoa é posteriormente confirmado nas genealogias (Gn 5:1-5; 1Cr 1:1; Lc 3:38) e em relação com Jesus, que Se tornou o “segundo Adão” (Rm 5:12-14).
 
Assim como a palavra Adão ocorre em um texto específico, o contexto da criação de Adão e Eva é encontrado no relato mais amplo da criação, visto em Gênesis 1 e 2. É isso que se pretende dizer com unidade maior. A unidade informa ao intérprete temas, ideias e desenvolvimentos adicionais. Gênesis 2:4-25 por vezes tem sido chamado de “segundo relato da criação”, mas na verdade há apenas uma diferença na ênfase (veja o estudo da próxima semana). Contudo, em ambos os relatos, vemos as origens definitivas da humanidade.

Quinta-feira, 14 de maio
Ano Bíblico: 2Cr 14-16
Livros e sua mensagem
 
As maiores unidades nas Escrituras são os livros da Bíblia. Os livros bíblicos foram escritos para diferentes propósitos e em diferentes contextos. Alguns serviram como mensagens proféticas; outros foram compilações, como os Salmos. Existem livros históricos como 1 e 2 Reis, e há cartas para várias igrejas, como as escritas por Paulo e outros autores.
 
Ao buscarmos entender o significado e a mensagem de um livro, é importante começar com a autoria e o contexto. São atribuídos autores a muitos livros da Bíblia. Os primeiros cinco livros do Antigo Testamento são identificados como tendo sido escritos por Moisés (Js 8:31, 32; 1Rs 2:3; 2Rs 14:6; 21:8; Ed 6:18; Ne 13:1; Dn 9:11-13; Ml 4:4). Isso foi confirmado por Jesus (Mc 12:26; Jo 5:46, 47; Jo 7:19) e pelos apóstolos (At 3:22; Rm 10:5). Em outros casos, alguns autores bíblicos não foram identificados. (Por exemplo, os autores dos livros Ester e Rute, bem como os autores de muitos livros históricos como Samuel e Crônicas, não são identificados.)
 
7. Leia Gênesis 15:1-5; 22:17, 18. Qual é a importância do fato de que Moisés escreveu o livro de Gênesis? Assinale a alternativa correta:
 
A.( ) Moisés escreveu sobre a origem de tudo e o plano da salvação.
 
B.( ) Ele escreveu em linguagem simbólica sobre a origem da vida.
 
Êxodo, Levítico e Deuteronômio foram escritos por Moisés, depois do Êxodo. Mas, visto que Gênesis é fundamental como histórico das ações de Deus da criação ao período patriarcal, esse livro foi escrito antes do Êxodo.
 
“Enquanto os anos se passavam e ele vagava com seus rebanhos nos lugares isolados, refletindo sobre a opressão sofrida por seu povo, relembrava a maneira pela qual Deus havia lidado com seus antepassados e as promessas que eram a herança da nação escolhida; e suas orações por Israel subiam ao Céu de dia e de noite. Anjos celestiais derramavam sua luz em redor dele. Ali, sob a inspiração do Espírito Santo, ele escreveu o livro de Gênesis” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 251).
 
No livro de Gênesis, somos informados não apenas sobre nossas origens, mas sobre o plano da salvação, ou o meio pelo qual Deus redimirá a humanidade caída. Esse plano se tornou ainda mais claro com a aliança que Deus fez com Abraão, a qual envolvia Sua promessa de estabelecer por meio dele uma grande nação, a ser formada por uma “descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia” (Gn 22:17).

Sexta-feira, 15 de maio
Ano Bíblico: 2Cr 17-20
Estudo adicional
 
Textos de Ellen G. White: O Grande Conflito, p. 79-96 (“Arautos de uma Era Melhor”) e p. 145-170 (“O Poder Triunfante da Verdade”). Leia também a seção 4 (a–j) do documento “Métodos de Estudo da Bíblia”, que pode ser encontrado no seguinte link: http://www.centrowhite.org.br/metodos-de-estudo-da-biblia.
 
“Entretanto, o fato de que Deus revelou Sua vontade aos homens por meio de Sua Palavra não tornou desnecessária a contínua presença e direção do Espírito Santo. Ao contrário, o Espírito foi prometido pelo nosso Salvador para esclarecer a Palavra a Seus servos, iluminando e aplicando seus ensinos. E, considerando que foi o Espírito de Deus que inspirou as Sagradas Escrituras, é impossível que o ensino do Espírito seja contrário ao da Palavra” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 9).
 
Perguntas para consideração
 
1. Independentemente de quantas traduções da Bíblia existam em sua língua, o que você pode fazer para aproveitar ao máximo as versões disponíveis? Como apreciar a Bíblia como a Palavra de Deus e buscar, pela fé, obedecer aos seus ensinamentos?
 
2. Pense na diferença entre o que a Palavra de Deus ensina sobre as origens humanas (que fomos criados por Deus no sexto dia da criação) e o que muitos afirmam, sob o manto da “ciência”, ao alegar que evoluímos ao longo de bilhões de anos. Por que é importante se ater ao que a Bíblia diz? Até que ponto a humanidade pode chegar quando se afasta das declarações claras da Palavra de Deus?
 
3. Quais ferramentas podem nos ajudar a entender melhor a Bíblia? E mesmo não tendo ferramentas extras, como aplicar as lições desta semana sobre interpretação bíblica?
 
4. Os filhos de Israel receberam a orientação de que deveriam ensinar aos seus filhos as verdades dadas a eles e recontar as histórias sobre a direção de Deus em sua vida (Dt 4:9). Além do benefício evidente de transmitir a fé, por que a instrução e a narração de histórias sobre a direção de Deus em nossa vida aumentam a nossa própria fé? Isto é, por que compartilhar a verdade bíblica também é benéfico para nós?
 
Respostas a atividades da semana: 1. Ensino, repreensão, correção e educação na justiça, para que sejamos habilitados a fazer boas obras. 2. Porque assim seriam poupados dos sofrimentos causados pela desobediência. Sua Palavra é vida e, portanto, pode prolongar nossa vida, visto que seus princípios são vivificantes. 3. A. 4. A palavra shalom, traduzida comumente por “paz”, não significa apenas ausência de guerra, mas descanso, plenitude e inteireza. 5. Em Gênesis 1:26, 27, o verbo “criar” é repetido três vezes; em Isaías 6:1-3, a palavra “santo” é repetida três vezes também. As repetições servem para enfatizar uma verdade importante. 6. Adam [“homem”] foi utilizada em dois contextos diferentes: na primeira passagem, refere-se à origem do ser humano, sem a ênfase no sexo masculino; na segunda passagem, essa palavra designou o primeiro homem, Adão. 7. A.