Fotografo: Reprodução/Redes Sociais
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Rodrigo Gonçalves, mecânico de 27 anos, deixa uma filha de 9 anos. Do lado direito, Jonathan Viana Tavares, de 26 anos, motoboy e primo de Rodrigo.

A Polícia Civil disse nesta terça-feira (11) considerar a possibilidade de que a disputa entre facções rivais esteja por trás da morte e esquartejamento de pelo menos duas das quatro pessoas cujos corpos foram encontrados dentro de um carro na Penha, Zona Norte do Rio. Todavia, a investigação não descarta nenhuma hipótese sobre o crime.
 
Os corpos foram encontrados na noite de segunda-feira (10). Policiais desconfiaram do motorista de um carro, pediram para ele parar, mas ele fugiu, Houve perseguição e o motorista acabou baleado. Dentro do veículo os policiais encontraram os corpos, separados em sacos plásticos entre o banco traseiro e o porta-malas do veículo.
 
Dois dos quatro corpos já foram identificados. Eles são dos primos Rodrigo Gonçalves Marques, de 27 anos, e Jonathan Gonçalves de Oliveira Tavares, de 26. Eles estavam desaparecidos desde a tarde de segunda-feira, e o irmão de Rodrigo, Rafael, chegou a publicar um pedido de ajuda nas redes sociais.
 
Por telefone, Rafael contou que o irmão e o primo tinham saído da oficina da família para buscar o carro de Jonathan que estava enguiçado no Conjunto de Favelas da Maré, Zona Norte do Rio, desde a sexta-feira (7), quando os primos ido a um baile na comunidade.
 
 
"Ele voltou pra casa normal, trabalhou no sábado e não foi buscar o carro. Ontem, ele já estava agoniado que o carro dele já estava lá no Complexo há 3 dias. Ficou pressionando, pedindo para ir lá. E eu falando para eles resolverem o serviço e depois verem isso. Aí, ele chamou o meu irmão", explicou Rafael.
 
O irmão e primo das vítimas ainda conta que tentou convencer os dois a não irem buscar o carro na comunidade.
 
"Meu irmão não me obedece, eu falei pra ele ficar em casa... pedi para ele ficar na oficina... que tinha um monte de coisa para ele fazer... meu irmão não tinha nada a ver, cara. Nada a ver. Mesmo. Ele simplesmente tirou a bateria do meu carro, o Jonathan colocou a bateria no colo dele, pegaram a moto e foram lá. E veio a notícia que meu irmão tá morto com o Jonathan no carro", conta Rafael, emocionado.
Jonathan morava no Morro do Dezoito, onde o tráfico de drogas é controlado por uma quadrilha rival da que atua na Maré. Para a polícia, os primos podem ter sido assassinados por terem sido identificados como moradores de outra comunidade.
 
Os corpos de Rodrigo e Jonathan foram reconhecidos por parentes a partir de tatuagens deles. Já os outros dois corpos seguiam sem identificação até o final da manhã desta terça-feira.
 
O homem que dirigia o carro onde estavam os corpos foi identificado como André Luiz da Silva Almeida, de 32 anos. Baleado na tentativa de fuga, ele foi socorrido no Hospital Getúlio Vargas, onde se encontra preso sob escolta policial. O estado de saúde dele era considerado grave.