Fotografo: Jose Luis Gonzalez/Reuters
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Foto mostra Lety Perez implorando a soldado da Guarda Nacional Mexicana que a deixe cruzar a fronteira com os Estados Unidos.

Lety Pérez caiu de cócoras; enquanto uma mão, fechada com força, cobria o rosto enquanto chorava, o outro braço segurava o filho pequeno, de 6 anos de idade. O menino encarava de modo desafiador o soldado da Guarda Nacional Mexicana que impedia os dois de cruzarem para os Estados Unidos.
 
A moça e o filho viajaram cerca de 2,4 mil km de sua terra natal, a Guatemala, até a cidade fronteiriça de Ciudad Juárez, a apenas alguns metros dos Estados Unidos. A situação difícil dos dois foi capturada por um fotógrafo da Reuters, Jose Luis Gonzalez, enquanto o sol se punha na segunda-feira (22).
 
"A mulher implorou e suplicou à Guarda Nacional para deixá-los atravessar... ela queria cruzar para dar um futuro melhor" ao filho, Anthony Diaz, disse Gonzalez.
 
O fotógrafo contou que fazia sua ronda diária ao longo do leito seco do Rio Grande - que separa sua cidade natal, Ciudad Juárez, de El Paso, no Texas - quando os guardas prenderam um grupo de migrantes, incluindo a mãe e o filho, em uma estrada de terra poeirenta com vista para o rio.
 
Foi ali, então, que ela suplicou, em meio às lágrimas.
 
"O rosto dela é um pequeno reflexo do sofrimento de todos os migrantes", disse Gonzalez. “Muitas pessoas julgam os migrantes, perguntam por que não ficam no país deles, por que vêm para cá ou por que estão entrando nos Estados Unidos... Todo migrante tem uma história".
 
 
O soldado, vestido com uniformes de deserto, fuzil de assalto no ombro, disse que estava apenas seguindo ordens e não revelou o próprio nome, disse o fotógrafo. Ele também não demonstrou agressividade durante o contato de 9 minutos com Lety e o filho.
 
Ainda assim, a dinâmica de poder aparente nas imagens evocou críticas ao tratamento que os migrantes estão recebendo durante as tentativas duras do México de conter a imigração para os EUA.
 
Em junho, Donald Trump e o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, chegaram a um acordo migratório para conter os migrantes da América Central que tentam chegar aos EUA. Desde então, quase um terço da Guarda Nacional Mexicana, criada para reduzir as taxas de homicídio no país, está agora escalada para patrulhar a fronteira, diz a Reuters.
 
Também em junho, López Obrador afirmou que a Guarda Nacional não tem ordens de deter migrantes cruzando a fronteira com os EUA.
 
Uma das fotos, que teve ampla repercussão nas redes sociais, foi retuitada pelo ex-presidente mexicano Felipe Calderón. Ele escreveu "que pena, o México nunca deveria ter aceitado isso".
 
Um porta-voz de López Obrador disse que a imagem é um exemplo da Guarda Nacional cumprindo a tarefa de cuidar da segurança pública. Ele disse que o soldado não impediu Pérez de atravessar, mas alertou-a dos perigos de fazê-lo.
 
Um oficial da Guarda Nacional disse que o soldado "pediu a ela que evitasse se colocar em risco cruzando o rio com um menor". No fim de junho, uma dupla de pai e filha de El Salvador morreram afogados no Rio Grande tentando atravessar para os Estados Unidos.
 
Travessia
 
Lety e Anthony conseguiram atravessar para os Estados Unidos. Aproveitando a oportunidade quando o soldado desviou o olhar, a moça se lançou contra os arbustos que cresciam à margem do rio, puxando o filho com ela.
 
Eles rapidamente correram para o outro lado do rio, fora da jurisdição dos guardas - onde agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA os levaram sob custódia.
 
Em resposta a um pedido de informação da Reuters, um porta-voz disse que a agência governamental não tinha os recursos necessários para rastrear o paradeiro de Pérez e do filho com base nos detalhes que a agência de notícias forneceu.
 
Dependendo das particularidades do caso, segundo o porta-voz, os dois normalmente seriam processados em uma estação da Patrulha da Fronteira e, depois, entregues à imigração; ou, então, colocados em um programa que devolve alguns migrantes ao México para aguardar uma audiência nos EUA.
 
Em junho, os Estados Unidos prenderam 94.897 imigrantes na fronteira com o México - uma queda de 28,6% em comparação ao mês de maio, quando foram detidas cerca de 133 mil pessoas.