Fotografo: Reprodução
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Os irmãos fazendeiros Raul Soares Gomes, 38 anos, e Rodrigo Antônio Soares Mendes que aplicaram a “lei da chibatada” foram presos

Eraldo de Freitas
SBC do Brasil(MG)
 
Nem a população carcerária aprova mais a “lei da chibatada”, eles deram a prova disso, quando receberam os irmãos fazendeiros Raul Soares Gomes, 38 anos, e Rodrigo Antônio Soares Mendes que aplicaram a “lei da chibatada” ao pedreiro em sua fazenda no município de São Sebastião do Maranhão (MG), em setembro do ano passado, ocasião em que o mesmo pegou oito ovos para comer quando estava trabalhando na fazendo dos acusados.
 
A Era da Escravidão já ficou para trás em 1888, e foi abolida mesmo de mal gosto por parte da princesa Isabel, muito embora, no Brasil ainda possua pessoas de certo poderio econômico que, ainda vivem com o espirito da escravatura arraigado nas suas mentes e no coração.
 
Quem deu esta prova real na prática foram os irmãos Raul Soares Gomes de 38 anos e Rodrigo Antônio Soares Mendes, 35, quando de posse de uma chibata de couro reforçada decidiram punir a chibatadas com requinte de crueldade o trabalhador (pedreiro) apenas identificado por D. S. C quando este trabalhava em setembro do ano passado na fazendo de Raul Soares e Rodrigo Soares.
 
O FATO
 
Em setembro do ano passado (2017), os Feitores "seu senhores", Raul Soares Gomes, 38 anos, e seu irmão Rodrigo Antônio Soares Mendes, 35 anos, ao saber que o pedreiro D. S. C. havia pegado oito ovos para comer em sua fazenda, (onde o mesmo trabalhava em construção civil dos feitores) seus "senhores" resolveram puni-lo nos mesmos moldes como se fazia na Era da Escravidão, eles desferiram mais de 20 chibatadas seguidas nas costas, sobre as pernas, no rosto do trabalhador de forma cruel, e com tamanha covardia, depois de uma sessão de chibatadas os fazendeiros o soltaram fazendo ameaças se este o denunciasse, com termos "se contar para alguém vou fazer comer oito ovos cru", e "pega suas malas e some daqui utilizando palavrões chulos e de baixo calão".
 
A JUSTIÇA DEMORA MAIS NÃO FALHA
 
Uma gravação foi parar nas redes sociais e correu os 27 estados do Brasil; ela chegou a mais de 4 mil cidades do país, causando tamanha revolta nos brasileiros, dado o grau da ofensa, da covardia, a ponto de fezer todos lemrar dos registros da Era da Escravidão, de como o seus senhores feitores puniam seus escravos até 1888; ouve compartilhamento com 19 milhões de visualizações, mais de 1.0 milhão de compartilhamento, isso levaram as autoridades começar agir e punir os culpados.
 
ONDE O FATO OCORREU
 
O fato ocorreu na fazenda de Raul Soares Gomes e de seu irmão Rodrigo Antônio Soares Mendes, localizada no Município de São Sebastião do Maranhão (MG), de 11.686 habitantes que fica na Região Leste de Minas Gerais, cerca de 390 quilômetros de Belo Horizonte.
 
De acordo o delegado Rodrigo Antunes, (da Polícia Civil de Santa Maria do Suaçuí), que ficou como responsável pela operação e que atuou com muita habilidade, rapidez e eficiência, muito se empenhou pelo caso que virou notícia nacional e internacional, contou que as investigações duraram seis meses, segundo ele, a vítima foi chicoteada e golpeada com uma ferramenta por ter furtado oito ovos da propriedade. Muito embora as filmagens comprovem que o fazendeiro tinha nas mãos uma chibata igual a aquelas utilizadas pelos feitores ou os seus senhores dos escravos no período do império até 1888, para punição aos seus escravos ou até seus servos. Tudo indica que, se ele usava uma chibata pode não ser a primeira vítima deste homem "feitor"  seu "senhor" em pleno século XXI.
 
Segundo o delegado, foi descoberto ainda que, os "feitores" da chibata, podem se tratar de pessoas de alta periculosidade à sociedade, do trafico de drogas da região. Pesa sobre um deles a acusação por envolvimento com a facção criminosa PCC, em São Paulo, investigação que vem sendo feita já há algum tempo pela Justiça e pela Polícia.
 
Contou o delegado Antunes que as prisões foram feitas na última segunda-feira (19/03), durante a operação “Al Capone”, da Polícia Civil, que também cumpriu mandados de busca e apreensão na fazenda dos acusados. A investigação sobre a denúncia de tortura durou seis meses. O crime que aconteceu em setembro do ano passado, teria sido cometido pelos irmãos Raul Soares Gomes, 38 anos, e Rodrigo Antônio Soares Mendes, 35, com participação de Alleff  Fillyp Miranda., 23.
 
POPULAÇÃO CARCERÁRIA NÃO RECEBEU OS IRMÃOS RAUL E RODRIGO COM MUITA HONRARIA
 
Foi isso mesmo. Os irmões "feitores" não foram recebidos com boa honraria na prisão. Nem a população carcerária aprova mais a “lei da chibatada”, eles deram a prova disso, quando receberam os irmãos fazendeiros Raul Soares Gomes, 38 anos, e Rodrigo Antônio Soares Mendes que aplicaram a “lei da chibatada” ao pedreiro em sua fazenda no município de São Sebastião do Maranhão (MG) em setembro do ano passado (2017), ocasião em que o mesmo pegou oito ovos para comer. Os irmãos responderam punição bem severa por parte da população carcarária, até colocaram um novo visual no rosto do fazendeiro em contra-peso a "lei do retorno" para contra-balancear a "lei da chibatada" aplicada ao trabalhador de sua construção civil em sua fazenda; ao que fizeram de forma cóvil e cruel pelo fato do mesmo ter pego oito ovos para comer na fazenda de Raul e Rodrigo, por isso apanhou e pagou a pena com a lei da chibatada, lei abolida em 1888 pela princesa Izabel.
 
Segundo as autoridades policiais, o pedreiro vítima D.S.C. trabalhava em uma obra na fazenda de um dos suspeitos. O fazendeiro soube que o rapaz havia pegado oito ovos de galinha para comer no local onde trabalha. Como castigo, o fazendeiro e o irmão dele teriam torturado o funcionário com chicotadas no rosto, nas costas e nas pernas. Além disso, o pedreiro teria sido também agredido com um alicate turquesa.
 
Perguntado pela Rede SBC do Brasil - Brasília via telefone, sobre a vítima, o delegado Rodrigo Antunes, da Polícia Civil de Santa Maria do Suaçuí, responsável pela operação, afirmou que a vítima não tem passagem pela polícia e nem envolvimento com outras coisas erradas.
 
Contou ainda o delegado que, "A informação que temos é de que ele estava trabalhando na fazenda e não tinha recebido o pagamento pelos seus serviços. Ele tem família e filhos pequenos para tratar", disse o delegado.
 
O crime foi gravado e ganhou repercussão nacional e internacional em todas as redes sociais. Conforme as investigações, as imagens foram registradas por Miranda como uma forma de ameaçar os possíveis desafetos dos irmãos. No vídeo, é possível ouvir a voz do agressor que diz o motivo do espancamento. É possível ouvir choro da vítima que levou mais de 20 chicotadas.
 
Ao depor na Polícia (após a sua prisão), Miranda confessou ter gravado e publicado o vídeo na internet. Os irmãos, "senhores da chibata" não quiseram falar com a imprensa, gostaríamos de saber deles porque tamanha revolta e onde surgiu a prática do uso da chibata em trabalhador (prática do passado), da Era da Escravidão em pleno século XXI. Preferiram não falar com a imprensa.
 
O delegado responsável Rodrigo Antunes disse que a presença do advogado na fase policial não é obrigatória mas a autoridade policial deu a Miranda o direito de permanecer calado, mas ele preferiu falar com a autoridade policial em sua defesa na inicial.
 
Histórico criminoso
 
Segundo o delegado, em suas investigações, além das prisões, a Polícia apreendeu R$ 6 mil em dinheiro, um cheque no valor de R$ 2.0 mil reais, roupas semelhantes ao uniforme do Exército Brasileiro e documentos que compravam a movimentação financeira da família. Além disso, quatro automóveis, sendo um deles blindado, com indícios de adulteração e artigos de luxo como relógios e aparelhos celulares também foram apreendidos pela polícia.
 
Contou ainda o delegado Antunes, que os bens são incompatíveis com o patrimônio da família. Diante disso, foi aberto um novo inquérito policial para apurar um possível envolvimento deles com lavagem de dinheiro e ou tráfico de drogas.
 
Durante as investigações, os detetives descobriram que Rodrigo Antônio Soares Mendes, já tinha passagem pela polícia. Segundo os registros na justiça, Rodrigo já foi preso no ano passado, em São Paulo, por ligação à facção criminosa PCC.
 
Secretário municipal do Meio Ambiente foi detido
 
Segundo a Polícia, além da prisão dos "seus senhores" (como ficou conhecido no Brasil e no exterior) devido ao tratamento que deram ao trabalhador que “cometeu” uma falha com eles, o Raul e Rodrigo (acusados por tortura e castigo), também foi detido o secretário do Meio Ambiente de São Sebastião do Maranhão (MG), o Zulmar Francisco Miranda, também foi levado para delegacia. Zulmar é pai de Alleff também preso. Ocorreu que, quando a polícia chegou à casa de Zulmar a procura de Alleff para cumprir o mandado de busca a apreensão, foram encontradas diversas aves silvestres. Mas o secretário foi ouvido e liberado. O advogado de Zulmar informou que os animais não pertencem ao secretário, e que aguardará apuração da polícia para ingressar com a ação em defesa dos acusados seus clientes.