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De acordo com o anuário houve queda de 14,5% nas despesas com policiamento em 2016

 
 
 
O mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública, levantamento que compila e analisa dados sobre criminalidade, gastos com segurança pública e sistema prisional, promovido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou aumento nos números da violência no país em 2016 na comparação com o ano anterior. O estudo é um importante instrumento para promover a transparência e incentivar a manutenção, alteração e criação de políticas públicas de combate ao crime.
 
A nova pesquisa mostra ainda que no último ano o Brasil igualou, considerando o número de assassinatos, o total de vítimas fatais da bomba atômica de Nagasaki, no Japão, que dizimou parte da população local na segunda guerra mundial.
 
Estatísticas da violência   
 
O Brasil registrou em 2016 o maior número de mortes violentas intencionais de sua história, com 61.619 vítimas. A cada hora sete pessoas foram assassinadas, um crescimento de 3,8% em relação a 2015, o que elevou a taxa de homicídios em 29,9 para cada 100 mil habitantes. A região nordeste lidera o ranking de mortes intencionais com três estados: Sergipe em primeiro (64), seguido de Rio Grande do Norte (56,9) e Alagoas (55,9). Já nas capitais Aracaju registrou o maior número de mortes por 100 mil habitantes (66,7), seguida de Belém (64,9) e Porto Alegre (64,1).  
 
O relatório também contempla os crimes de latrocínio, o roubo seguido de morte, que teve um aumento de 50% quando comparado ao ano de 2010. Dos 2.514 casos registrados em 2016 o estado de Goiás teve o maior número de vítimas (2,8), seguido do Pará (2,7) e Amapá (2,4).
 
Letalidade Policial
 
O novo levantamento mostrou a manutenção de uma tendência assustadora: o número de mortes decorrentes de intervenções policias, civis e militares, saltou de 3.330 em 2015 para 4.224 no ano passado. Um aumento de 25,8%. As vítimas são, em quase sua totalidade, homens (99,3%) entre 12 e 29 anos (65,2%) e negros (76,2%). Ao todo 21.987 pessoas perderam suas vidas em ações policiais entre os anos de 2009 e 2016.
 
Porém o número de policiais vítimas de homicídios também aumentou no mesmo período. Passou de 372 em 2015 para 437 no último ano, também com uma maioria negra de vítimas (56%).
 
Outros crimes
 
O anuário também trouxe outros registros importantes para o mapeamento e combate à violência, como o número de feminicídios, que corresponde ao assassinato de mulheres, que teve um crescimento de 4,6% no ano passado em relação a 2015; estupros (49.497 casos), com variação de 3,5% no mesmo período; e crimes contra o patrimônio, com o registro de um carro roubado ou furtado por minuto no Brasil em 2016.
 
Redução de investimentos
 
Na ‘contramão’ do aumento nos números de crimes como assassinatos, feminicídios, homicídios de policiais, estupros, roubos e furtos, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública observou no relatório de 2016 um encolhimento nos investimentos em políticas públicas, como a diminuição de 10,3% dos gastos do Governo Federal em segurança, a maior redução já registrada.