Fotografo: Lucas Diego
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A estratégia para o desenvolvimento sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais faz parte do Programa MT Produtivo

Naiara Martins/Seaf-MT
 
As famílias indígenas da Aldeia Chapada Azul, lideradas pela cacique Paresí Dejanira Quezo se preparam para receber 40 mil estacas de café clonal que darão início a produção das mudas para o plantio da cultura em Campo Novo do Parecis. Uma iniciativa bastante ousada que pretende unir os moldes de produção tradicional indígena à abertura de novas alternativas de renda às famílias. A estratégia tem levado o Governo de Mato Grosso a repensar as perspectivas de atendimento e inclusão das comunidades tradicionais, dando oportunidade para que as famílias decidam pela inserção no plantio de novas culturas e novos formatos de trabalho.
 
A estratégia para o desenvolvimento sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais faz parte do Programa MT Produtivo – Café, que tem entre suas metas a revitalização e expansão da cafeicultura em Mato Grosso.
 
O programa é desenvolvido pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), com a parceria dos municípios. Além de inovador, o projeto em parceria com a Comunidade Paresí também servirá como modelo para as demais etnias, garantindo renda aos indígenas.
 
Foi realizado na última sexta-feira, 08.11, um dia de campo na comunidade com o objetivo de acompanhar o avanço dos trabalhos para instalação do viveiro de mudas. A atividade teve a participação do secretário de Estado de Agricultura Familiar, Silvano Amaral, acompanhado por técnicos e engenheiros agrônomos da Empaer, responsáveis pela execução do projeto, que conta com o apoio da Prefeitura Municipal.
 
“É uma proposta bastante ousada, que vem revolucionar todo o processo produtivo já desenvolvido pelo Estado em termos de produção indígena. Estamos bastante otimistas, principalmente pelo empenho e disposição das famílias, com grande ênfase na liderança exercida pela cacique Dejanira que nos procurou trazendo o interesse da aldeia em diversificar as fontes de produção e renda das famílias”, afirmou Silvano Amaral.
 
O projeto consiste na implantação de 10 hectares de café clonal, sendo um hectare por família. A primeira visita técnica à aldeia foi realizada há cerca de 90 dias, quando os indígenas receberam as primeiras orientações para a implantação da cultura. Nesta fase, as mulheres indígenas estão responsáveis pela condução de todo o projeto de montagem do viveiro, preparo do substrato e enchimento das sacolas que receberão as estacas.
 
O espaço possui 300 metros quadrados, e está projetado para produzir 40 mil mudas de café clonal com estacas trazidas do município de Colniza, referência na produção do grão no Estado. As famílias também receberam orientações sobre o sistema de irrigação mais apropriado para ser utilizado dentro do viveiro. Os indígenas também foram instruídos quanto aos cuidados fitossanitários envolvendo a prevenção e o combate de possíveis pragas e doenças, que possam ameaçar o desenvolvimento das mudas.
 
O processo de desenvolvimento das mudas leva cerca de 100 dias até o plantio no campo. O ideal é que as mudas alcancem a formação de dois a quatro pares de folhas definitivas, quando estarão resistentes para o plantio na lavoura.
 
Além do secretário Silvano Amaral, também participaram da atividade técnica na aldeia Chapada Azul, o superintendente de Agricultura Familiar  da Seaf, George Lima, os engenheiros agrônomos da Empaer, Inês Roeder Nogueira Mendes - responsável técnica pela execução do projeto, Leonardo Diogo Ehle Dias e Wellington Procópio, ambos da Empaer de Tangará da Serra, além do técnico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e de Meio Ambiente, Ivan Luiz Biezus, entre outros.
 
Inventivo à cafeícultura
 
O Governo do Estado se prepara para disponibilizar 500 mil mudas de café clonal para a implantação de 125 unidades demonstrativas. A meta do Programa MT Produtivo – Café é estimular o plantio de cultivares geneticamente mais resistentes e mais produtivos, saindo de uma produtividade média de 14 sacas por hectare para até 70 sacas.
 
Hoje, Mato Grosso está entre os 10 maiores produtores do país, produzindo cerca de 121,5 mil sacas de café, em uma área de 8,5 mil hectares. A proposta do programa é garantir o incremento de 10,5 mil novas sacas de café.