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Várzea Grande(MT), Sexta-Feira, 22 de Outubro de 2021 - 04:31
21/03/2018 as 16:24:39 | Por Carla Matsu | 1578
Está na hora de você deletar a sua conta no Facebook?
Em meio a escândalos envolvendo uso indevido de dados, usuários da rede social levantam campanha para deletar seus perfis; Mark Zuckerberg ainda não se posicionou
Fotografo: Divulgação
Algumas pessoas escreveram já ter dito "adeus" ao serviço criado por Zuckerberg e colegas

 
 
 
Os últimos dias têm sido obscuros para o Facebook em face do escândalo envolvendo o uso indevido de 50 milhões de perfis de usuários pela Cambridge Analytica para manipular os resultados das eleições norte-americanas. As ações do Facebook despencaram, levando a empresa a perder cerca de US$ 50 bilhões em seu valor de mercado. Autoridades britânicas e americanas convocaram o CEO Mark Zuckerberg para esclarecimentos, mas até então, o executivo se manteve em silêncio. Seu perfil na rede social ainda não traz nenhuma menção ao caso.
 
Agora, usuários da maior rede social do mundo - são 2 bilhões deles ativos mensalmente - se questionam: será o momento para deletar minha conta? Uma campanha com a hashtag #DeleteFacebook ganhou força nessa terça-feira (20), ironicamente, no Twitter. Algumas pessoas escreveram já ter dito "adeus" ao serviço criado por Zuckerberg e colegas em um dormitório da Universidade de Harvard e lançado ao mundo em 2004.
 
Claro, questões de privacidade envolvendo o Facebook não são de hoje. Ao entrar na rede social, curtir páginas, marcar amigos em fotos constrangedoras, compartilhar check-in no aeroporto ou ainda naquele café que sempre erra seu nome ao escrevê-lo em um copo descartável, você já entregou muita coisa a seu respeito em uma rede social que, assim como todas as outras, tem nos seus dados o seu maior valor, independente de os mesmos serem direcionados para fins de publicidade ou não. 
 
Não lemos as letras miúdas
 
O caso da Cambrigde Analytica (CA) é apenas uma ilustração de o quanto entregamos nossos dados sem muita discriminação. No caso da consultoria, um aplicativo de teste de personalidade - como esses que volta e meia viralizam na sua linha do tempo - chamado "This is your Digital Life" pedia permissão para acesso a dados como curtidas, gênero, status civil e afins. Ao aceitar os termos, você não só expunha seus dados à empresa como também a de sua redes de amigos. Vale notar que a CA obteve essas informações ainda em 2014, quando a política de privacidade do Facebook ainda permitia a coleta de dados de amigos para melhorar a experiência na própria rede social e para fins acadêmicos, mas barrava para fins de publicidade. A companhia "consertou" essa brecha em 2015.
 
Em 2004, um jovem Zuckerberg ficou maravilhado com o fato de que 4 mil pessoas voluntariaram suas informações pessoais para a plataforma que lançava. Em uma troca de mensagens que hoje Zuckerberg lamenta, o CEO escreveu na época: "As pessoas acabaram de me enviar. Eu não sei porque... Elas confiam em mim... idiotas". 
 
Em uma entrevista de 2010 para o New Yorker, Zuckerberg disse que se arrependeu dessas primeiras mensagens. "Se você vai construir um serviço que é influente e que muitas pessoas confiam, então você precisa ser maduro, certo? Eu acho que cresci e aprendi muito". O caso recente pode levantar dúvidas. Segundo o The Guardian, advogados do Facebook chegaram a ameaçar o jornal para impedir que a reportagem que deflagrou os escândalos fosse à público. 
 
O ex-agente da CIA, Edward Snowden, teceu uma série de críticas ao Facebook. No Twitter, ele publicou: "O Facebook faz dinheiro explorando e vendendo os detalhes íntimos da vida privada de milhões de pessoas, muito além dos detalhes que voluntariamente partilhamos. Eles não são vítimas. Eles são cúmplices".
 
Snowden chega a comparar o Facebook às empresas de vigilância: "Negócios que fazem dinheiro recolhendo e vendendo registos detalhados de vidas privadas eram antigamente descritos como 'empresas de vigilância'. A sua reinvenção enquanto 'redes sociais' é o engano mais bem sucedido desde que o Departamento de Guerra mudou de nome para Departamento de Defesa", escreveu no microblog.
 
Como apagar ou limitar sua conta no Facebook
 
É compreensível que você não queira deletar o seu histórico de vida virtual no Facebook, afinal, a companhia se tornou mais do que uma rede social para publicar fotos de aniversários e entrar em contato com aquela pessoa que você não vê há 10 anos. Na campanha #DeleteFacebook, alguns usuários perguntavam: "mas e alternativas para saber de shows, de eventos, etc?", "Como vou ver minha família passando vergonha?", brinca outro.
 
Mas uma possível boa notícia é que você tem opções. Em primeiro lugar, você pode limitar o que os aplicativos de terceiros e a comunidade do Facebook podem ver sobre a sua conta. Se isso não for o bastante, é possível desativar a conta, o que pode ser desfeito. Ou, em último caso, apagar completamente a conta – e, mesmo assim, é possível mudar de ideia depois. Nesta matéria, ensinamos como essas diferentes opções funcionam. 
 
Em entrevista ao IDG Now, o data artist Jer Thorp falou sobre o uso de dados por grandes corporações. Para ele, é preciso usar dados para empoderar populações e não o contrário.
 
"As pessoas precisam fazer suas próprias decisões, mas elas precisam se perguntar mais antes de simplesmente clicar o botão de OK. O que nós estamos dando e o que estamos recebendo de volta? Se é bom para você, então ok. Mas nós deveríamos colocar uma pressão maior nessas companhias, para fazer a coisa certa. E a pressão não está apenas em não clicar. A questão combina o não clicar e enviar e-mails, petições sobre como esses dados serão usados e o que teremos de benefício deles. Se pessoas suficientes fizerem isso, acredito que teríamos sim mudanças. Mas é um caminho difícil e depende de muitas pessoas se perguntarem, fazerem essa pergunta".
 
Idgnow




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