Fotografo: Defesa Civil de Porto de Moz
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Até o momento são 23 sobreviventes, 37 desaparecidos e 10 mortos

 
 
 
Nove dos dez corpos resgatados da embarcação Capitão Ribeiro, que naufragou na madrugada desta quarta-feira (23), no Rio Xingu, entre as cidades de Porto de Moz e Senador José Porfírio, no sudoeste do Pará, já foram liberados pela equipe do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. O corpo de um homem, conhecido como Sebastião, a décima vítima, ainda aguarda oficialmente pelo reconhecimento da família. Até o momento são 23 sobreviventes, 37 desaparecidos e 10 mortos.
 
As equipes mantiveram as buscas  até o fim da tarde desta quarta e elas foram retomadas nesta quinta cedo. Uma balsa e embarcações da prefeitura de Porto Moz, além de lanchas do Corpo de Bombeiros, estão sendo utilizadas na operação. O helicóptero do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) está apoiando as ações na área de buscas.
 
De acordo com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, a embarcação, com capacidade entre 90 e 100 passageiros, foi ancorada próxima à margem do rio com o apoio de uma balsa para facilitar o trabalho de procura por corpos.
 
A identificação dos mortos está sendo feita no ginásio municipal Chico Cruz por uma equipe de oito profissionais: peritos, médico e auxiliares do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves de Belém e de Altamira. A embarcação acidentada, que saiu de Santarém, tinha como destino a cidade de Vitória do Xingu. “Fizemos entrevistas com os familiares a fim de identificar características das vítimas para ajudar no reconhecimento”, disse o perito Felipe Sá, coordenador das unidades regionais do Centro de Perícias.
 
O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil estadual coordenam as ações de busca, salvamento e atendimento social da sede da Câmara Municipal de Porto de Moz, onde foi instalado um gabinete de crise com a presença das forças de segurança estaduais, poder executivo municipal e demais órgãos envolvidos na operação de resgate das vítimas do naufrágio.
 
Investigação
 
A Polícia Civil já ouviu integrantes da tripulação e sobreviventes. O dono da embarcação já foi ouvido na manhã desta quarta e informou que 48 pessoas, entre tripulação e passageiros, estavam a bordo.
 
De acordo com o delegado Elcio de Deus, de Porto de Moz, muitos sobreviventes disseram que a embarcação foi atingida por uma tromba d’água, fenômeno semelhante a um tornado. “A tripulação disse ter visto, no horizonte, algo com o formato de um funil, acompanhado de muita chuva e vento forte, e que teria pego o barco pela popa e o afundado. De acordo com os relatos a embarcação girou e afundou em seguida”, informou o delegado.
 
Segundo o DJ e animador de festas em Altamira, Bruno Costa, de 32 anos, um dos sobreviventes do acidente, ao notar a possibilidade de naufrágio, dezenas de pessoas decidiram nadar até a margem do rio, no meio da escuridão. Ele conta que os sobreviventes ficaram cerca de seis horas nadando sem saber onde estavam e conseguiram chegar à margem apenas às 3 horas.
 
“Era por volta de 21h30 (de terça-feira, 22), quando começou uma tempestade muito forte. De repente, o barco começou a estalar e a afundar”, relatou Costa. Segundo ele, a lona amarrada em uma parte da embarcação para que a água da chuva não molhasse as pessoas impediu muita gente de sair do barco, provocando pânico entre os passageiros.
 
A Polícia Civil deve solicitar informações à Agência de Regulação e Controle dos Serviços Públicos do Estado do Pará (Arcon) e à Capitania dos Portos sobre a autorização concedida ao dono da embarcação Capitão Ribeiro.
 
Segundo a Arcon, a embarcação pertence à empresa Almeida e Ribeiro Navegação e realizava “transporte clandestino de usuários”. Embora tivesse sido notificada pela fiscalização da agência no dia 5 de junho deste ano para que providenciasse a regularização, nenhum diretor da empresa compareceu ao órgão público.
 
(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)