Fotografo: Victor Ostetti/MidiaNews
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O prefeito Emanuel Pinheiro, que viu fala "equilibrada" do governador

O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), disse que o governador Mauro Mendes (DEM) foi responsável e equilibrado ao classificar como “falácia” a acusação de um suposto uso político da Delegacia Fazendária (Defaz).
 
A denúncia foi feita pelo próprio prefeito à Assembleia Legislativa. Segundo ele, o Governo estaria, por meio por meio da Casa Civil, tentando usar delegados da Defaz para lhe prejudicar.
 
Em entrevista nesta semana, o governador disse que a acusação seria uma forma de o prefeito se blindar de possíveis denúncias que possa ser alvo no futuro.
 
“Eu acho que ele não podia falar outra coisa. Se ele falasse diferente disso, aí seria o caos. Seria a violência institucional estabelecida. Então, ele foi responsável e equilibrado como chefe do Poder Executivo em responder dessa forma, o que me acalma os ânimos”, disse Emanuel, ao ser questionado sobre o assunto.
 
Segundo ele, é preciso que os deputados estaduais ouçam as declarações dos delegados Anderson Veiga e Lindomar Tofoli, que foram citados na denúncia encaminhada por ele ao Legislativo.
 
As oitivas já foram, inclusive, aprovadas pelos parlamentares, mas devem ocorrer somente em fevereiro, quando serão retomados os trabalhos na Assembleia.
 
“Para sepultar esse assunto de uma vez por todas, ouçamos os delegados. E aí se esclarece isso. Se a fala dos delegados for condizente com a fala do governador - e sinceramente, é tudo que torço - sepulta esse assunto de uma vez por todas”, disse o prefeito.
 
“Acho que está demorando em convidar os delegados. Eles já manifestaram que querem ir. Os deputados tiveram uma pauta agitada no final do ano passado e começo de janeiro, o que atrapalhou um pouco. Mas vamos aguardar. Não tenho o que fazer a não ser aguardar. Mas temos que ter essa oitiva, até para tranquilizar as relações institucionais no Estado”, concluiu Emanuel.
 
Entenda o caso
 
O caso começou após a servidora Elizabete Maria de Almeida, que trabalha no Hospital São Benedito, registrar um boletim de ocorrência na Delegacia Fazendária.
 
Na ocasião, ela disse ter presenciado uma reunião na qual o prefeito teria oferecido dinheiro e cargos a alguns vereadores, em troca da cassação do oposicionista Abílio Junior (PSC).
 
Os delegados Lindomar Tofoli e Anderson Veiga, no entanto, não viram base sólida nas acusações da servidora e teriam se posicionado contra iniciar a investigação.
 
Por conta disso, segundo Emanuel, a alta cúpula da Polícia Civil teria decidido retirar os dois delegados da Defaz. O que de fato aconteceu na mesma semana da denúncia.
 
Diante dos fatos, Lindomar entrou com um mandado de segurança contra o delegado-geral da Polícia Civil, Mário Dermeval, buscando a anulação do ato que o transferiu da Defaz para a Delegacia de Polícia Várzea Grande. Ele disse que a transferência não foi justificada e apontou perseguição política.
 
Na última semana, a servidora admitiu que participou de uma "armação" contra o prefeito e ainda revelou ter sido orientada pelo vereador Abílio a manter a versão mentirosa. (Camila Ribeiro e Cíntia Borges, Midia News)