Fotografo: Instagram/Reprodução
...
Laryssa Moraes e a filha, de 2 anos, durante passeio; em imagem de novembro de 2019

A mulher de 21 anos – presa nesta quinta-feira (13) por matar a filha de 2 anos e 2 meses – mantinha uma "boa relação" com a criança, segundo familiares. A menina foi assassinada a facadas na casa do pai, em Vicente Pires, no Distrito Federal.
 
Segundo o tio da criança, Igor Felix Araújo da Costa, a bebê levou pelo menos duas facadas no peito. Laryssa Moraes – mãe da menina – foi levada para delegacia e prestou depoimento. "Ninguém imaginava que poderia acontecer isso", disse o tio.
 
"Aparentemente era uma relação boa, é até estranho acontecer isso. Ela era um amor com a filha dela. Matar a própria filha é loucura."
 
Ainda de acordo com Igor, Giuvan Felix, de 25 anos, e Laryssa tiveram um "relacionamento casual" e, apesar de morarem na mesma casa, os dois estavam separados há dois meses. "Ela precisou de ajuda para vir a Brasília e ficou lá", conta.
 
A 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga) investiga o caso como homicídio. A reportagem não localizou a defesa da mulher detida. O pai da criança não quis gravar entrevista.
 
Sem respostas
 
Ainda na delegacia, Igor contou à reportagem que, após o crime, conversou com o irmão – pai da criança assassinada – e disse que ele estava "arrasado".
 
"Ele contou que acordou com a Laryssa com uma faca no rosto dele. [Giuvan] está até com um corte no rosto. Quando ele olhou, a menina estava na sala com dois furos no peito."
 
Ainda de acordo com o tio, a família agora busca respostas pelo crime. "Sem explicação. Não conseguimos saber e nem fazer nada", lamenta.
 
'Desavença'
 
Em depoimento à Polícia Civil, Giuvan informou que Laryssa foi expulsa da casa da mãe, em Padre Bernardo (GO). O motivo seria o envolvimento com drogas. Desde então, a ex-namorada passou a morar com ele, em Vicente Pires, por uma temporada.
 
Ainda de acordo com o delegado Josué Ribeiro, que investiga o caso, Giuvan contou que ele e a mulher se desentenderam após ela afirmar que reataria um relacionamento com uma ex-namorada. "Foi a única desavença no período em que moraram juntos".
 
Giuvan disse ainda que não teria aceitado que a jovem ficasse com a filha nestas circunstâncias e decidiu que iria pedir a guarda da filha na Justiça. Ele ainda contou aos policiais que tinha um acordo com Laryssa para ela deixar a casa nesta quinta-feira (13) – quando aconteceu o crime.
 
Momento do crime
 
Segundo a Polícia Civil, o apartamento onde a família morava tinha apenas um quarto. Giuvan dormia em um colchonete no chão, e Laryssa com a criança em uma cama. A apuração preliminar aponta que a filha do casal teria sido morta na cozinha da casa. Peritos encontraram uma faca em cima da pia.
 
Ainda em depoimento na delegacia, Giuvan afirmou que foi atacado por Laryssa, mas conseguiu desarmá-la. Em seguida, ele disse que ligou para a PM.
 
Durante a ligação, a mulher teria arrastado o corpo da filha para o quarto. A intenção seria mentir para os policiais, afirmando que a casa havia sido invadida.
 
Mãe ao lado do corpo
 
A mulher estava ao lado do corpo da filha quando os militares chegaram na casa. Ela disse à PM que "não sabia por que tinha feito aquilo". Segundo os policiais, Laryssa confessou o crime enquanto conversava com a equipe do Samu.
 
No local, vizinhos disseram à reportagem que ouviram o choro da criança durante a noite e que a mãe da menina teria tido uma "crise de ciúmes". Já o pai da menina disse à Polícia Civil que não escutou qualquer barulho, e não comentou a versão de ciúme por parte da ex-namorada.
 
Aos policiais, o pai da criança disse ainda que a ex faz uso de drogas e de álcool, mas que na hora do crime ela não havia consumido nada. Uma equipe do Samu chegou a ir até o local e constatou o óbito da menina. (Carolina Cruz, G1)