Fotografo: Visual Hunt
...
Dólar abre em alta e bate R$ 4,40 pela 1ª vez na história

O dólar abriu em alta nesta sexta-feira (21), batendo pela primeira vez na história o patamar de R$ 4,40.
 
Às 9h30, a moeda norte-americana era negociada a R$ 4,4031 na venda, em alta de 0,26%. Na máxima até o momento chegou a R$ 4,4061. Veja mais cotações.
 
Na sessão anterior, o dólar encerrou o dia vendida a R$ 4,3917, em alta de 0,61%, marcando novo recorde nominal (sem considerar a inflação) de fechamento. Na máxima do dia, chegou a R$ 4,3982 – maior cotação nominal intradia até então, segundo dados do ValorPro.
 
Na parcial do mês, o dólar acumulou até a véspera alta de 2,49%. No ano, o avanço chega a 9,52%.
 
O Banco Central ofertará neste pregão até 13 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em agosto, outubro e dezembro de 2020, para rolagem de contratos já existentes.
 
Na véspera, o ministro da Economia, Paulo Guedes, repetiu em evento mais cedo nesta quinta que o novo normal é um câmbio mais desvalorizado, em declaração feita na presença do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que dois dias atrás disse que o BC está "tranquilo" com o câmbio uma vez que não tem havido impactos sobre a inflação.
 
No exterior, a cautela continuava pautando os mercado, com investidores de olho no impacto econômico do surto de coronavírus da China e na economia global, apesar de sinais de desaceleração no número de novos casos.
 
O surto já matou mais de 2 mil pessoas até o momento e interrompeu a atividade industrial da China, causando perturbações para vários fabricantes no mundo.
 
O que explica as altas recentes
 
Além das preocupações sobre o impacto do coronavírus na economia global, o dólar mais valorizado nas últimas semanas tem refletido os juros em mínimas históricas no Brasil e as perspectivas sobre o ritmo de crescimento da economia brasileira e andamento das reformas.
 
Diversas instituições financeiras têm revisado para baixo suas perspectivas para o crescimento econômico em 2020 na esteira da disseminação do novo coronavírus e da percepção de uma lentidão um pouco maior que o esperado no ritmo de crescimento neste início de ano.
 
O mercado brasileiro reduziu para 2,23% a previsão a alta do PIB em 2020, segundo pesquisa Focus divulgada na segunda-feira, mas diversos bancos e consultorias já estimam um crescimento de, no máximo, 2%.
 
A redução sucessiva da Selic desde julho de 2019 também contribui para uma maior desvalorização do real ante o dólar. Isso porque diminuiu ainda mais o diferencial de juros entre Brasil e outros pares emergentes, o que pode tornar o investimento no país menos atrativo para estrangeiros e gerar um fluxo de saída de dólar. (G1)