Fotografo: CPB
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Do Norte e Sul à terra gloriosa

Lição 12
14 a 20 de março
 
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Jz 1-3
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Alguns dos sábios cairão para serem provados, purificados e embranquecidos, até ao tempo do fim, porque se dará ainda no tempo determinado” (Dn 11:35).
 
LEITURAS DA SEMANA: Dn 11; Dn 8:3-8, 20-22; Is 46:9, 10; Dn 8:9, 23; Mt 27:33-50
 
Ao estudarmos o capítulo 11 de Daniel, veremos que se trata de um texto desafiador. Alguns pontos devem ser apresentados no início. Primeiramente, esse capítulo está, em geral, em paralelo com os esboços proféticos anteriores do livro. Como nos capítulos 2, 7, 8 e 9, a mensagem profética se estende dos dias do profeta até o fim dos tempos. Em segundo lugar, uma sucessão de potências mundiais emerge; são poderes que muitas vezes oprimem o povo de Deus. Terceiro, cada esboço profético atinge o clímax com um final feliz. Em Daniel 2, a pedra destrói a estátua; em Daniel 7, o Filho do Homem recebe o reino; e em Daniel 8 e 9, o santuário celestial é purificado mediante a obra do Messias.
 
Em seguida, o capítulo 11 apresenta três pontos fundamentais. Primeiramente, ele apresenta os reis persas e discute o destino deles e o tempo do fim, quando o rei do Norte ataca o monte santo de Deus. Em segundo lugar, há a descrição de uma sucessão de batalhas entre o rei do Norte e o rei do Sul e como essas lutas afetam o povo de Deus. Em terceiro lugar, o capítulo conclui com um final feliz, quando o rei do Norte encara a sua ruína por meio do “glorioso monte santo” (Dn 11:45). Essa conclusão positiva sinaliza o fim do mal e o estabelecimento do reino eterno de Deus.

Domingo, 15 de março
Ano Bíblico: Jz 4, 5
Profecias sobre a Pérsia e a Grécia
 
1. Leia Daniel 11:1-4. Qual é a semelhança desses versos com algumas profecias anteriores apresentadas em Daniel?
 
 
Gabriel disse a Daniel que três reis ainda se levantariam da Pérsia. Eles seriam seguidos pelo quarto rei, que seria o mais rico de todos e provocaria os gregos. Depois de Ciro, três sucessivos reis exerceram domínio sobre a Pérsia: Cambises II (530-522 a.C.), o falso Esmérdis (522 a.C.) e Dario I (522-486 a.C.). O quarto rei é Xerxes, mencionado no livro de Ester como Assuero. Ele era muito rico (Et 1:1-7) e comandou um vasto exército para invadir a Grécia, como previsto na profecia. Mas, apesar de seu poder, ele foi repelido por uma força menor de valentes soldados gregos.
 
Não é difícil reconhecer Alexandre, o Grande, como o poderoso rei que surge em Daniel 11:3 e que se torna o governante absoluto do mundo antigo. Aos 32 anos, ele morreu sem deixar um herdeiro para governar o império. Por isso, o reino foi dividido entre seus quatro generais: Seleuco ficou com a Síria e a Mesopotâmia; Ptolomeu, com o Egito; Lisímaco, com a Trácia e partes da Ásia Menor; e Cassandro, com a Macedônia e a Grécia.
 
2.  Compare Daniel 11:2-4 com Daniel 8:3-8, 20-22. Como esses textos juntos ajudam-nos a identificar Alexandre como o poder representado nessas passagens?
 
 
O que podemos aprender com essa variedade de nomes, datas, lugares e eventos históricos? Primeiramente, aprendemos que a profecia foi cumprida como previsto pelo mensageiro divino. A Palavra de Deus nunca falha. Em segundo lugar, Deus é o Senhor da História. Podemos ter a impressão de que a sucessão de poderes políticos, líderes e reinos é impulsionada pela ambição de imperadores, ditadores e políticos de todos os tipos. No entanto, a Bíblia revela que Deus está no controle supremo e moverá a roda da História de acordo com Seu propósito divino, o que, em última análise, levará à erradicação do mal e ao estabelecimento do reino eterno de Deus.

Segunda-feira, 16 de março
Ano Bíblico: Jz 6-8
Profecias sobre a Síria e o Egito
 
3. Leia Daniel 11:5-14. O que foi descrito nesses versos e qual é o significado dessa narrativa?
 
 
Após a morte de Alexandre, o Grande (323 a.C.), o vasto império grego foi dividido entre seus quatro generais. Dois deles, Seleuco, na Síria (Norte), e Ptolomeu, no Egito (Sul), conseguiram estabelecer dinastias que lutariam entre si pelo controle da terra.
 
A maioria dos estudantes da Bíblia compreende as guerras entre o rei do Norte e o rei do Sul profetizadas em Daniel 11:5-14 como se referindo às muitas batalhas envolvendo essas duas dinastias. Segundo a profecia, seria feita uma tentativa de unir essas duas dinastias pelo casamento, mas essa aliança duraria pouco (Dn 11:6). Fontes históricas nos informam que Antíoco II Teos (261-246 a.C.), neto de Seleuco I, casou-se com Berenice, filha do rei egípcio Ptolomeu II Filadelfo. No entanto, esse acordo não durou, e o conflito que envolvia diretamente o povo de Deus logo foi retomado. Portanto, Daniel 11 trata de alguns eventos importantes que afetariam a vida do povo de Deus durante séculos após a morte do profeta Daniel.
 
Novamente, podemos perguntar por que o Senhor revelou antecipadamente todos esses detalhes sobre as guerras envolvendo reinos que lutariam entre si pela supremacia naquela parte do mundo. A razão é simples: essas guerras afetariam o povo de Deus. Então, o Senhor anunciou de antemão os muitos desafios que Seu povo enfrentaria nos anos futuros. Além disso, Deus é o Senhor da História e, ao compararmos o registro profético com os eventos históricos, podemos ver novamente que a palavra profética foi cumprida. O Deus que predisse as vicissitudes daqueles reinos helenísticos que lutaram entre si é o Senhor que conhece o futuro. Ele é digno de nossa confiança e fé. É um Deus grande, não um ídolo fabricado pela imaginação humana. Ele não apenas dirige o curso dos eventos históricos, mas também pode dirigir nossa vida se permitirmos que Ele assim o faça.

Terça-feira, 17 de março
Ano Bíblico: Jz 9, 10
Roma e o Príncipe da aliança
 
4. Leia Daniel 11:16-28. Embora o texto seja difícil, quais imagens encontramos nessa passagem que aparecem em outras partes de Daniel?
 
 
Uma transição no poder dos reis helenistas para Roma pagã parece ser descrita em Daniel 11:16: “O que, pois, vier contra ele fará o que bem quiser, e ninguém poderá resistir a ele; estará na terra gloriosa, e tudo estará em suas mãos”. A “terra gloriosa” é Jerusalém, região em que existiu o antigo Israel, e o novo poder que ocupou essa região foi Roma pagã. O mesmo evento também é representado na expansão horizontal do chifre pequeno, que atinge a “terra gloriosa” (Dn 8:9). Portanto, parece claro que o poder no comando do mundo naquele momento era Roma pagã.
 
Algumas pistas adicionais no texto bíblico reforçam essa percepção. Por exemplo, a expressão “um cobrador de impostos” (Dn 11:20, NVI) deve ser uma referência a César Augusto. Foi durante o seu reinado que Jesus nasceu, visto que Maria e José viajaram para Belém para a realização do censo (Dn 11:20). Além disso, de acordo com a profecia, esse governante seria sucedido por um “homem vil” (Dn 11:21). Como mostra a história, Augusto foi sucedido por Tibério, seu filho adotivo. Tibério é conhecido por ter sido um homem excêntrico e vil.
 
Um fato ainda mais importante é que, de acordo com o texto bíblico, durante o reinado de Tibério, o “príncipe da aliança” seria quebrado (Dn 11:22). Isso claramente se refere à crucificação de Cristo, também chamado de “Ungido” e “Príncipe” (Dn 9:25; veja também Mt 27:33-50), visto que Ele foi morto durante o reinado de Tibério. A referência a Jesus nessa passagem como “o Príncipe da aliança” é um indicador impressionante que mostra o fluxo de eventos históricos, dando novamente aos leitores uma evidência poderosa da surpreendente presciência de Deus. Se Ele teve razão a respeito de tudo o que ocorreu antes em cumprimento dessas profecias, podemos certamente confiar em Suas declarações quanto ao que ocorrerá no futuro.

Quarta-feira, 18 de março
Ano Bíblico: Jz 11, 12
O próximo poder
 
5. Leia Daniel 11:29-39. O que é esse poder que surge depois de Roma pagã? Assinale a alternativa correta:
 
A.(  ) Roma papal.
 
B.(  ) Islamismo.
 
Daniel 11:29-39 se refere a um novo sistema de poder. Embora esse sistema esteja em continuidade com o Império Romano pagão e tenha herdado algumas características de seu antecessor, parece ser diferente em alguns aspectos. O texto bíblico afirma: “Não será nesta última vez como foi na primeira” (Dn 11:29). Ao examinarmos com mais profundidade, descobrimos que ele atua como um poder religioso, mirando seu ataque principalmente em Deus e em Seu povo. Vejamos algumas ações perpetradas por esse rei.
 
Primeiro, ele se indignaria “contra a santa aliança” (Dn 11:30). Essa deve ser uma referência à aliança divina de salvação, à qual esse rei se opõe.
 
Em segundo lugar, esse rei produziria forças que profanariam o santuário [...] e tirariam “o sacrifício diário” (Dn 11:31). Observamos em Daniel 8 que o chifre pequeno derrubou o fundamento do “santuário” de Deus e “tirou o sacrifício diário” (Dn 8:11). Isso deve ser entendido como um ataque espiritual contra o ministério de Cristo no santuário celestial.
 
Em terceiro lugar, como consequência de seu ataque ao santuário, esse poder estabelece a “abominação desoladora” no templo de Deus (Dn 11:31). A expressão paralela, “transgressão assoladora”, aponta para os atos de apostasia e rebelião cometidos pelo chifre pequeno (Dn 8:13).
 
Em quarto lugar, esse poder persegue o povo de Deus: “Alguns dos sábios cairão para serem provados, purificados e embranquecidos, até ao tempo do fim” (Dn 11:35). Isso nos lembra do chifre pequeno, que lançou por terra uma parte do exército e das estrelas e os pisou (Dn 8:10; compare com Dn 7:25).
 
Em quinto lugar, esse rei se levantaria e se engrandeceria “sobre todo deus; contra o Deus dos deuses [falaria] coisas incríveis” (Dn 11:36). Foi previsto também que o chifre pequeno falaria “com insolência” (Dn 7:8), até mesmo contra Deus (Dn 7:25).

Quinta-feira, 19 de março
Ano Bíblico: Jz 13-16
Eventos finais
 
6. O que ocorre em Daniel 11:40-45? Assinale a alternativa correta:
 
A. (  ) No fim, o rei do Norte é derrotado e não há quem o socorra.
B. (  ) Os reis do Norte e do Sul declaram paz e vivem em harmonia para sempre.
 
As expressões a seguir nos ajudam a compreender o texto de hoje:
 
Tempo do fim: a expressão “tempo do fim” aparece apenas em Daniel (Dn 8:17; 11:35, 40; 12:4, 9). O exame das profecias de Daniel indica que o tempo do fim se estende da queda do papado, em 1798, até a ressurreição dos mortos (Dn 12:2).
 
Rei do Norte: esse nome primeiramente designa geograficamente a dinastia selêucida, mas depois se refere a Roma pagã e finalmente a Roma papal. Sendo assim, ele não descreve uma localização geográfica, mas o inimigo espiritual do povo de Deus. Além disso, devemos também observar que o rei do Norte representa uma contrafação do verdadeiro Deus, que na Bíblia está simbolicamente associada ao Norte (Is 14:13).
 
Rei do Sul: esse nome primeiramente designa a dinastia ptolomaica no Egito, ao sul da terra santa. Mas, à medida que a profecia se desenvolve, ele adquire uma dimensão teológica e é associado por alguns estudiosos ao ateísmo. Ellen G. White, comentando a referência ao Egito em Apocalipse 11:8, declarou: “Isto é ateísmo” (O Grande Conflito, p. 269).
 
O glorioso monte santo: nos tempos do Antigo Testamento, essa expressão se referia a Sião, capital e centro de Israel, geograficamente localizada na terra prometida. Depois da cruz, o povo de Deus não é mais definido segundo linhas étnicas e geográficas. Portanto, o monte santo deve ser uma designação simbólica do povo de Deus espalhado pelo mundo.
 
Assim, talvez possamos interpretar os acontecimentos dessa maneira:
 
(1) O rei do Sul ataca o rei do Norte: a Revolução Francesa tentou erradicar a religião e derrotar o papado, mas falhou. (2) O rei do Norte ataca e derrota o rei do Sul: as forças da religião lideradas pelo papado e seus aliados acabarão vencendo as forças do ateísmo e formarão uma coalizão com o inimigo derrotado. (3) Edom, Moabe e o notável povo de Amom escaparão: alguns dos que não são contados entre o povo verdadeiro de Deus se juntarão ao aprisco na última hora. (4) O rei do Norte se prepara para atacar o monte santo, mas chega ao fim: as forças do mal são destruídas, e o reino de Deus é estabelecido.

Sexta-feira, 20 de março
Ano Bíblico: Jz 17-19
Estudo adicional
 
É interessante que, pelo menos em relação a Daniel 11:29-39, Martinho Lutero tenha identificado a abominação desoladora em Daniel 11:31 com o papado e suas doutrinas e práticas. Portanto, a correlação de Daniel 11 com Daniel 7 e 8 reforça a visão de Lutero e de muitos outros comentaristas protestantes de que a instituição do papado e seus ensinamentos constituem o cumprimento dessas profecias na História. Nesse sentido, Ellen G. White declarou: “Nenhuma igreja dentro dos limites da jurisdição romana ficou muito tempo sem ser perturbada na experiência da liberdade de consciência. Mal o papado obteve poder, estendeu os braços para esmagar todos os que se recusassem a reconhecer-lhe o domínio; e, uma após outra, as igrejas se submeteram ao seu governo” (O Grande Conflito, p. 62).
 
Perguntas para discussão
 
1. Como podemos ser sensíveis aos sentimentos dos outros, sem comprometer o que a Bíblia ensina sobre a função de Roma nos últimos dias?
 
2. Daniel 11:33 afirma: “Os sábios entre o povo ensinarão a muitos; todavia, cairão pela espada e pelo fogo, pelo cativeiro e pelo roubo, por algum tempo.” O que esse texto revela sobre o destino de alguns fiéis de Deus? O que alguns deles estarão fazendo antes de ser martirizados? Qual é a mensagem desse texto para nós hoje?
 
3. Daniel 11:36 afirma: “Este rei fará segundo a sua vontade, e se levantará, e se engrandecerá sobre todo deus; contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis e será próspero, até que se cumpra a indignação; porque aquilo que está determinado será feito.” A quem se refere o texto? O que isso faz lembrar? (Veja Is 14:12-17; veja também 2Ts 2:1-4).
 
4. Em Daniel 11:27, 29 e 35, é usada a expressão lammo’ed ou “o tempo determinado”. O que isso nos revela, novamente, sobre o controle divino da História?
 
Respostas e atividades da semana: 1. O rei muito forte que se levantaria e faria tudo o que lhe aprouvesse, mas não completaria seu reinado, já que este lhe seria arrancado no auge do seu poder e repartido para os quatro ventos. Esses detalhes são uma repetição da profecia a respeito de Alexandre, o Grande, e seus quatro generais. 2. Em ambos os textos vemos a velocidade das conquistas do rei da Grécia (um bode vindo sem tocar o chão e sendo morto em seguida e quatro chifres que se levantam para os quatro ventos do Céu). Isso também pode ser visto em Daniel 11:2-4, já que o reino é tirado e dado àqueles que não eram seus descendentes. 3. É descrita uma guerra constante entre os reis do Sul e do Norte, embora, no início esses reinos tivessem tentado um acordo de paz por meio de casamento. 4. A “terra gloriosa” e o “príncipe da aliança”. 5. A. 6. A.