Fotografo: Divulgação
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Ex-comandante da Polícia Militar, Zaqueu Barbosa acusado por crime de espionagem em MT

 
 
 
MATO GROSSO - O desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso prorrogou por mais 20 dias as prisões do ex-comandante da Polícia Militar, Zaqueu Barbosa, e do cabo Gerson Ferreira Correia Júnior.
 
Os dois estão presos desde último dia 23 de março, acusados de participar de um suposto esquema de escutas telefônicas ilegais feitas pela PM, sob a conivência do Palácio Paiaguás. Zaque está detido no Bope e Gerson na Rotam.
 
A decisão do desembargador atende um pedido do coronel Jorge Catarino Morais Ribeiro, que preside o inquérito policial militar sobre o caso.
 
Conforme a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, a determinação consta no mesmo documento que decretou a prisão do chefe da Casa Militar do Estado, coronel PM Evandro Lesco, do tenente-coronel Januário Batista, do coronel Ronelson Barros e do cabo Euclides Torezan nesta sexta-feira (23). Eles também são suspeitos de atuar no esquema de escutas ilegais.
 
Os quatro foram ouvidos na noite de ontem pelo juiz Marcos Faleiros, no Fórum de Cuiabá. Em seguida, foram encaminhados para exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e levados para cumprir as prisões em quartéis distintos.
 
Além deles, o desembargador também determinou prisões administrativas de 30 dias contra o corregedor-geral da PM, coronel Alexandre Corrêa Mendes, e o diretor de Inteligência da Corporação, tenente-coronel Victor Paulo Fortes Pereira.
 
Os dois foram citados pelo governador Pedro Taques em um ofício enviado ao presidente do Tribunal de Justiça, Rui Ramos, por supostamente vazar uma operação com busca e apreensão e possíveis cumprimentos de mandados de prisão contra PMs investigados por escutas clandestinas ilegais.
 
Ainda de acordo com a nota do TJ, o coronel Jorge Catarino também já pediu a prisão preventiva de Mendes e Fortes. O pedido deve ser analisado por Perri na próxima semana. 
 
"Ainda há muitas diligências e testemunhas a serem ouvidas. Depois de concluído, o inquérito volta ao desembargador Orlando Perri, que encaminha ao Ministério Público Estadual (MPE) para análise", diz a nota do TJ.
 
Entenda o caso
 
A denúncia sobre a rede de grampos foi feita no início deste ano, ao Ministério Público Federal (MPF), pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, ex-secretário de Estado de Segurança Pública. 
 
Zaque disse que recebeu uma denúncia anônima, com documentos, que evidenciavam a prática ilegal.
 
Segundo ele, a denúncia foi levada ao conhecimento do governador Pedro Taques (PSDB) em setembro de 2015. O governador, por sua vez, negou ter conhecimento do caso e entrou com um processo contra Zaque.
 
O esquema funcionaria por meio da chamada "barriga de aluguel", quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.
 
No caso da denúncia, teria sido usado um inquérito que investigava uma quadrilha de traficantes de cocaína.
 
Ao pedir a quebra dos telefones dos supostos membros da quadrilha, teriam sido inseridos, ilegalmente, na lista encaminhada à Justiça, os telefones que interessariam ao grupo monitorar.
 
A decisão que autorizou as escutas contra a quadrilha seria da Comarca de Cáceres, na fronteira do Brasil com a Bolívia.
 
Entre os grampeados estariam a deputada Janaina Riva (PMDB); o advogado José do Patrocínio; o desembargador aposentado José Ferreira Leite; os médicos Sergio Dezanetti, Luciano Florisbelo da Silva, Paullineli Fraga Martins, Helio Ferreira de Lima Junior e Hugo Miguel Viegas Coelho.
 
O inquérito sobre o caso está na Procuradoria Geral da República, sob comando do procurador Rodrigo Janot.