Fotografo: CPB
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Da leitura à compreensão

Lição 1
28 de dezembro a 03 de janeiro
 
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Ap 18, 19
 
VERSO PARA MEMORIZAR: “Correndo Filipe, ouviu-o ler o profeta Isaías e perguntou: Compreendes o que vens lendo?” (At 8:30).
 
LEITURAS DA SEMANA: Lc 24:25-27; 2Pe 3:11-13; Jn 3:3-10; Nm 14:34; Dn 9:23; 10:11, 12.
 
Nossa igreja nasceu das páginas do livro de Daniel, nosso estudo para este trimestre. À medida que começamos, devemos manter os seguintes pontos em mente como um modelo para nos orientar em nosso estudo.
 
Primeiramente, é preciso sempre lembrar que, assim como em toda a Bíblia, Cristo é o centro do livro de Daniel.
 
Em segundo lugar, Daniel está organizado de uma forma que revela beleza literária e nos ajuda a compreender seu foco principal.
 
Terceiro, precisamos perceber a diferença entre profecias clássicas e apocalípticas. Isso nos ajudará a distinguir entre as profecias de Daniel
e as de outros livros como Isaías, Amós e Jeremias.
 
Quarto, ao estudarmos as profecias de tempo de Daniel, devemos entender que os esboços proféticos de Daniel se estendem por longos períodos e são medidos de acordo com o princípio do dia/ano.
 
Quinto, devemos enfatizar que o livro de Daniel não apenas comunica informações proféticas, mas é profundamente relevante para nossa vida pessoal e o desenvolvimento da comunhão com Deus.

Domingo, 29 de dezembro
Ano Bíblico: Ap 20-22
Cristo: o centro do livro de Daniel
 
1. Leia Lucas 24:25-27, João 5:39 e 2 Coríntios 1:19, 20. Em que aspectos ­Cristo é o centro das Escrituras?
 
 
Não há dúvida de que Cristo é central às Escrituras, e isso inclui o livro de Daniel. Por exemplo: o primeiro capítulo mostra, ainda que de maneira limitada e imperfeita, que a experiência de Daniel é análoga à de Cristo, que deixou o Céu para viver neste mundo pecaminoso e confrontar os poderes das trevas. Além disso, Daniel e seus companheiros foram dotados de sabedoria semelhante à de Jesus para enfrentar os desafios da cultura babilônica. O segundo capítulo descreve a figura da pedra do fim dos tempos (escatológica) para indicar que o reino de Cristo enfim substituirá todos os reinos do mundo. O capítulo 3 revela Cristo andando com Seus servos fiéis dentro de uma fornalha de fogo. O capítulo 4 apresenta Deus removendo Nabucodonosor de seu reino por um período, a fim de que ele pudesse entender “que o Céu domina” (Dn 4:26). A expressão “o Céu domina” nos lembra de que Cristo, como “o Filho do Homem” (Dn 7:13), recebe o domínio e o reino, conforme descrito em Daniel 7. O capítulo 5 mostra o fim do rei ­Belsazar e a queda de Babilônia diante dos persas durante uma noite de folia e devassidão. Isso é um prenúncio da derrota de Satanás e da destruição da Babilônia do tempo do fim por Cristo e Seus anjos. O capítulo 6 mostra a conspiração contra Daniel de maneiras que se assemelham às falsas acusações expressas contra Jesus pelos principais sacerdotes. Além disso, assim como o rei Dario tentou, em vão, poupar Daniel, Pilatos tentou, sem sucesso, poupar Jesus (Mt 27:17-24). O capítulo 7 descreve o Messias como o Filho do homem recebendo o reino e dominando sobre Seu povo. O capítulo 8 mostra Jesus como Sacerdote do santuário celestial. O capítulo 9 retrata Cristo como a vítima sacrifical cuja morte reconfirma a aliança entre Deus e Seu povo. E os capítulos 10 a 12 apresentam Jesus como Miguel, o Comandante-chefe que luta contra as forças do mal e resgata vitoriosamente o povo de Deus da opressão e até mesmo do poder da morte.
 
Portanto, tenhamos em mente que Jesus Cristo é central no texto de Daniel. Em cada capítulo do livro há alguma experiência ou ideia que aponta para Ele.

Segunda-feira, 30 de dezembro
Ano Bíblico: Repassar o Novo Testamento
A estrutura do livro de Daniel
 
O livro de Daniel foi escrito em hebraico e aramaico. A seção em aramaico (capítulos 2-7) revela a seguinte estrutura, que reforça uma mensagem central dessa seção e do livro:
 
A. Visão de Nabucodonosor sobre quatro reinos (Dn 2)
 
     B. Deus livra os companheiros de Daniel da fornalha ardente (Dn 3)
 
        C. Juízo sobre Nabucodonosor (Dn 4)
 
        C’. Juízo sobre Belsazar (Dn 5)
 
    B’. Deus liberta Daniel da cova dos leões (Dn 6)
 
A’. Visão de Daniel sobre os quatro reinos (Dn 7)
 
Esse tipo de organização literária serve para destacar o ponto principal, colocando-o no centro da estrutura que, nesse caso, consiste em C e C’ (Dn 4 e 5): Deus remove o reino de Nabucodonosor (temporariamente) e de Belsazar (permanentemente). Portanto, a ênfase dos capítulos 2–7 está na soberania de Deus sobre os reis da Terra, visto que Ele os estabelece e os remove.
 
Uma técnica eficaz para transmitir uma mensagem e deixar claro um ponto é a repetição. Por exemplo, Deus deu ao faraó dois sonhos sobre o futuro do Egito (Gn 41:1-7). Sete vacas gordas foram devoradas por sete vacas magras, e sete espigas saudáveis foram devoradas por sete espigas secas. Ambos os sonhos apresentam a mesma ideia: sete anos de prosperidade seriam seguidos por sete anos de escassez.
 
No livro de Daniel, Deus também usou a repetição. Existem quatro ciclos proféticos, que são repetições de uma estrutura básica geral. No fim, essa estrutura mostra a suprema soberania de Deus. Embora cada grande esboço profético transmita uma perspectiva distinta, juntos eles abrangem o mesmo período histórico, estendendo-se desde o tempo do profeta até o fim, como mostra o diagrama a seguir:
 
Daniel 2
 
Daniel 7
 
Daniel 8, 9
 
Daniel 10-12
 
Babilônia
 
Babilônia
 
 
Média-Pérsia
 
Média-Pérsia
 
Média-Pérsia
 
Média-Pérsia
 
Grécia
 
Grécia
 
Grécia
 
Grécia
 
Roma
 
Roma
 
Roma
 
Roma
 
O reino de Deus é estabelecido 
 
O juízo celestial que conduz à Nova Terra 
 
Purificação do Santuário 
 
Miguel Se levanta 
 
2. Que grande esperança estes textos apresentam em relação às nossas perspectivas de longo prazo? Dn 2:44; Sl 9:7-12; 2Pe 3:11-13

 

 
Terça-feira, 31 de dezembro
Ano Bíblico: Repassar o Antigo Testamento
Profecias apocalípticas em Daniel
 
As visões de Daniel são de natureza diferente da maioria das mensagens proféticas do Antigo Testamento. As profecias de Daniel pertencem à categoria de profecias apocalípticas, enquanto a maioria das outras profecias pertencem à categoria de profecias clássicas. Uma compreensão da diferença básica entre esses gêneros proféticos é essencial para o entendimento correto das profecias bíblicas.
 
As profecias apocalípticas apresentam algumas características peculiares que as diferenciam das chamadas profecias clássicas:
 
Visões e sonhos. Nas profecias apocalípticas, Deus usa principalmente sonhos e visões para transmitir Sua mensagem ao profeta. Na profecia clássica, o profeta recebe “a Palavra do Senhor”, que pode incluir visões, uma expressão que ocorre com pequenas variações cerca de 1.600 vezes nos profetas clássicos.
 
Simbolismo composto. Enquanto na profecia clássica há uma quantidade limitada de simbolismo, principalmente envolvendo símbolos verdadeiros, na profecia apocalíptica Deus mostra símbolos e imagens além do mundo da realidade humana, como animais híbridos ou monstros com asas e chifres.
 
Soberania e incondicionalidade divinas. Enquanto o cumprimento das profecias clássicas depende da resposta humana no contexto da aliança de Deus com Israel, as profecias apocalípticas são incondicionais. Nelas, o Senhor revela a ascensão e a queda dos impérios desde os dias de Daniel até o fim. Essas profecias se baseiam na presciência e soberania de Deus, e se cumprirão independentemente das escolhas humanas.
 
3. Leia Jonas 3:3-10. Essa é uma profecia clássica ou apocalíptica? Justifique sua resposta. E quanto a Daniel 7:6?
 
Conhecer os gêneros das profecias clássicas e apocalípticas nos beneficia, por três razões: 1. Esses gêneros mostram que Deus usa diferentes abordagens para comunicar a verdade profética (Hb 1:1). 2. Esse conhecimento nos ajuda a apreciar mais a beleza e a complexidade da Bíblia. 3. Aprendemos também a interpretar as profecias de acordo com o testemunho bíblico e a explicar corretamente “a palavra da verdade” (2Tm 2:15).
 
4. Alguns esperam que os eventos finais da História ocorram no Oriente Médio. O que há de errado com essa interpretação? Como o conhecimento da diferença entre profecias apocalípticas e clássicas nos esclarece essa questão? Os 3:4, 5; Am 8:11; Zc 9:1

Quarta-feira, 01 de janeiro
Ano Bíblico: Gn 1-3
O calendário de Deus
 
Outro conceito importante que precisamos ter em mente ao estudarmos o livro de Daniel é a abordagem historicista das profecias apocalípticas. O historicismo pode ser compreendido melhor se comparado com as visões opostas do preterismo, futurismo e idealismo.
 
O preterismo tende a ver os eventos proféticos anunciados em Daniel como tendo ocorrido no passado. O futurismo afirma que as mesmas profecias ainda aguardam um cumprimento. O idealismo, por sua vez, sustenta que as profecias apocalípticas sejam símbolos de realidades espirituais gerais sem quaisquer referentes históricos específicos.
 
Em contrapartida, o historicismo defende que, nas profecias apocalípticas, Deus revela uma sequência histórica ininterrupta, desde a época do profeta até o tempo do fim. Ao estudarmos o livro de Daniel, observaremos que cada visão principal do livro (Dn 2; 7; 8; 11) repete esse esboço histórico a partir de diferentes perspectivas e com novos detalhes. Os pioneiros adventistas, incluindo Ellen G. White, entendiam as profecias bíblicas de Daniel e Apocalipse a partir de uma abordagem historicista.
 
5. Leia Números 14:34 e Ezequiel 4:5, 6. Em linguagem profética, o que um “dia” geralmente representa?
 
Ao estudarmos o livro de Daniel, também devemos ter em mente que o tempo profético é medido de acordo com o princípio do dia/ano. Ou seja, um dia na profecia geralmente equivale a um ano no tempo histórico real. Assim, por exemplo, a profecia das 2.300 tardes e manhãs deve ser entendida como se referindo a 2.300 anos (Dn 8:14). Semelhantemente, a profecia das 70 semanas deve ser entendida como sendo 490 anos (Dn 9:24-27).
 
Essa escala de tempo parece correta por algumas razões: (1) Já que as visões são simbólicas, os tempos indicados também devem ser simbólicos; (2) Visto que os eventos descritos nas visões se desdobram por longos períodos de tempo, e mesmo até o “tempo do fim” em alguns casos, os períodos relacionados a essas profecias devem ser interpretados da mesma forma; (3) O princípio do dia/ano é confirmado em Daniel. Um exemplo claro é a profecia das 70 semanas, que se estendeu dos dias do rei Artaxerxes até a vinda do Messias. Portanto, o modo mais evidente e correto de entender os períodos proféticos apresentados em Daniel é ­interpretá-los de acordo com o princípio do dia/ano.

Quinta-feira, 02 de janeiro
Ano Bíblico: Gn 4-7
A relevância contemporânea de Daniel
 
Embora tenha sido escrito há mais de 2.500 anos, o livro de Daniel continua sendo relevante para o povo de Deus no século 21. Observaremos três áreas em que Daniel pode ser importante para nós. O livro mostra que:
 
1. Deus continua sendo soberano em nossa vida. Mesmo quando as coisas dão errado, o Senhor atua por entre os caprichos humanos para beneficiar Seus filhos. A experiência de Daniel em Babilônia se parece com a de José no Egito e a de Ester na Pérsia. Esses três jovens estavam cativos em países estrangeiros e sob o poder esmagador de nações pagãs. Ainda que eles parecessem fracos e abandonados por Deus, o Senhor os fortaleceu e os usou de forma poderosa. Ao enfrentar provações, sofrimentos e oposição podemos lembrar do que o Criador fez por Daniel, José e Ester. O Senhor continua sendo nosso Deus, e Ele não nos abandona mesmo em meio às nossas provações e tentações.
 
2. Deus dirige o curso da História. Às vezes nos sentimos aflitos por este mundo confuso e sem propósito, repleto de pecado e violência. Mas a mensagem de Daniel é que Deus está no controle. Em cada capítulo do livro, a mensagem é enfatizada: o Senhor dirige o curso da História. Ellen G. White declarou: “Nos registros da história humana, o crescimento das nações e a ascensão e queda de impérios aparecem como dependendo da vontade e das façanhas do ser humano. O desenvolver dos acontecimentos parece, em grande parte, determinado por seu poder, capricho ou sua ambição. Na Palavra de Deus, porém, a cortina é afastada, e podemos ver por detrás e acima, e em toda a marcha e contramarcha das paixões, do poder e dos interesses humanos a força de um Ser misericordioso, que executa, de forma silenciosa e paciente, as determinações de Sua própria vontade” (Educação, p. 173).
 
3. Deus apresenta um exemplo para Seu povo do tempo do fim. Daniel e seus amigos servem como exemplos para nossa vida em uma sociedade que defende uma visão de mundo muitas vezes em desacordo com a da Bíblia. Quando pressionados a transigir com sua fé e fazer concessões para com o sistema babilônico em áreas que negariam seu compromisso com o Senhor, eles permaneceram fiéis à Palavra de Deus. Sua experiência de fidelidade e compromisso absoluto com o Senhor nos encoraja ao enfrentarmos oposição e até mesmo perseguição por causa do evangelho. Ao mesmo tempo, Daniel mostra que é possível oferecer uma contribuição ao estado e à sociedade e permanecer comprometido com o Senhor.
 
6. Qual é o interesse de Deus em nossas lutas? Dn 9:23; 10:11, 12; Mt 10:29-31

Sexta-feira, 03 de janeiro
Ano Bíblico: Gn 8-11
Estudo adicional
 
“A Bíblia foi destinada a ser guia a todos os que desejassem se familiarizar com a vontade de seu Criador. Deus deu aos homens a segura Palavra da profecia; os anjos e mesmo o próprio Cristo vieram para tornar conhecidas a Daniel e João as coisas que em breve deveriam acontecer. Os importantes assuntos que dizem respeito à nossa salvação não foram deixados envoltos em mistério. Não foram revelados de tal maneira a tornar perplexo e transviar o honesto pesquisador da verdade. Disse o Senhor pelo profeta Habacuque: ‘Escreve a visão, e torna-a bem legível [...] para que a possa ler o que correndo passa’ (Hc 2:2, ARC). A Palavra de Deus é clara a todos os que a estudam com coração devoto. Todo coração verdadeiramente sincero virá à luz da verdade. ‘A luz semeia-se para o justo’
(Sl 97:11, ARC). E nenhuma igreja poderá progredir na santificação a menos que seus membros estejam fervorosamente em busca da verdade, como um tesouro escondido” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 521, 522).
 
“Estude a história de Daniel e seus companheiros. Embora eles estivessem vivendo onde estavam, deparando-se por todos os lados com a tentação de satisfazer o próprio eu, eles honraram e glorificaram a Deus na vida diária. Decidiram evitar todo o mal. Recusaram-se a se colocar no caminho do inimigo. E Deus recompensou sua lealdade inabalável com ricas bênçãos” (Manuscript Releases, n. 224, v. 4; Ellen G. White Estate, 1990, p. 169, 170).
 
Perguntas para discussão
 
1. Deus não é apenas soberano sobre as nações, mas também está familiarizado com cada um de nós no nível mais profundo. Como vemos em Daniel 2, Ele deu um sonho a um rei pagão. O fato de poder entrar na mente de alguém enquanto essa pessoa dorme e colocar ali um sonho revela uma proximidade que não podemos sequer começar a compreender. Ao mesmo tempo, a natureza do sonho revela que Deus controla os grandes impérios do mundo e sabe como tudo vai acabar. Essas descrições da realidade nos confortam e nos trazem esperança? Como você se sente ao saber que o Senhor conhece seus pensamentos? Por que a mensagem da cruz de Cristo é tão importante?
 
2. Qual é a diferença entre profecias clássicas e apocalípticas? Cite exemplos bíblicos.
 
 
 
 
 
Repostas e atividades da semana: 1. O próprio Jesus afirmou que as Escrituras testificam Dele; de certa maneira, toda a Bíblia converge em um único ponto: Jesus Cristo. 2. Comente com a classe. 3. A profecia da destruição de Nínive é clássica, pois, dependendo do sucesso de Jonas em convencer os habitantes dessa cidade a se arrependerem, Deus voltaria atrás e não mais destruiria a cidade. Já Daniel 7:6 se caracteriza como uma profecia apocalíptica, pois  descreve um animal que não existe no mundo real. 4. Comente com a classe. 5. Um ano. 6. Comente com a classe.
 
 
Resumo da Lição 1
Da leitura à compreensão
ESBOÇO
 
TEXTO-CHAVE: Atos 8:30
 
FOCO DO ESTUDO: Lucas 24:25-27; 2 Pedro 3:11-13; Jonas 3:3-10; Números 14:34; Daniel 9:23; Daniel 10:11, 12
 
INTRODUÇÃO
 
Para melhor entender o livro de Daniel e se beneficiar dele, consideraremos três conceitos essenciais e inter-relacionados: Cristo, o historicismo e a literatura apocalíptica.
 
TEMAS DA LIÇÃO
 
1. Cristo
 
O que Jesus disse sobre as Escrituras do Antigo Testamento como um todo (Lc 24:44; Jo 5:39) se aplica especificamente ao livro de Daniel. Cristo é refletido tanto no tema geral quanto nas ocorrências específicas das narrativas e profecias de Daniel.
 
2. Literatura apocalíptica
 
A literatura apocalíptica visa encorajar o povo do Senhor em tempos de crise e perseguição, por meio da revelação dos abrangentes planos de Deus para a história. Esses planos culminam na libertação do povo de Deus, na erradicação do mal e no estabelecimento do Seu reino eterno.
 
3. Historicismo
 
O entendimento adventista das profecias de Daniel está fundamentado no princípio historicista, no qual se observa o cumprimento das profecias apocalípticas ao longo da história. Esse é o princípio que melhor explica as profecias de Daniel (e do Apocalipse).
 
Aplicação para a vida
 
Apesar da condição aparentemente irremediável do nosso mundo contemporâneo, Deus está no controle. A esperança brilha através das páginas de Daniel. Ali, Cristo foi entronizado como nosso supremo Comandante e Sumo Sacerdote no santuário celestial. E à medida que a história humana se desdobra, Deus atua para derrotar o mal e estabelecer Seu reino eterno. Como Ellen G. White escreveu: “Nada temos a recear no futuro, a não ser que nos esqueçamos do caminho pelo qual Deus nos tem conduzido” (Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 31). Portanto, estudemos o livro de Daniel com fé e discernimento.
 
COMENTÁRIO
 
1. Cristo
 
Um dos objetivos mais importantes do estudo da Bíblia é aprender sobre Jesus. Afinal, as Escrituras desde o Gênesis ao Apocalipse testificam Dele. No Novo Testamento existem cerca de 200 referências ao livro de Daniel. Proporcionalmente, Daniel é citado tanto quanto Isaías e Salmos, que são os livros mais citados, ou apresentados por meio de alusões, no Novo Testamento. Com certeza, o livro de Daniel tem muito a dizer sobre Jesus. A seguir, examinaremos seis princípios bíblicos que nos ajudarão a ter um foco melhor à medida que aprendemos sobre Cristo no livro de Daniel.
 
Primeiro, Jesus é revelado na progressão histórico-redentiva de Daniel. Ele é o alvo para o qual aponta a história da salvação descrita nas profecias de Daniel. Assim, Jesus é revelado em Daniel, na medida em que a trajetória histórica das relações de Deus com Seu povo e com o mundo culminam em Jesus.
 
Em segundo lugar, Jesus aparece no padrão de promessa-cumprimento apresentado nas profecias de Daniel. Por exemplo, Jesus é o Filho do homem e o Messias vindouro anunciado em Daniel 7 e 9, respectivamente.
 
Em terceiro lugar, ao estudarmos a tipologia bíblica, aprendemos que Deus estabeleceu de antemão alguns eventos e instituições para prefigurar importantes aspectos do plano da salvação. Dessa forma, Jesus é revelado no santuário/sacerdócio/sacrifício mencionados no livro de Daniel.
 
Em quarto lugar, podemos perceber Jesus por analogia em alguns ensinamentos explícitos nos escritos de Daniel, que são paralelos às próprias experiências de Jesus. Por exemplo, a pressão exercida sobre os amigos de Daniel para que se prostrassem e adorassem “a imagem de ouro” (Dn 3:5) é refletida no episódio em que o diabo tentou Jesus: “E Lhe disse: Tudo isto Te darei se, prostrado, me adorares” (Mt 4:9). A fidelidade dos amigos de Daniel nos apresenta um tênue vislumbre da perfeita obediência de Jesus ao Pai.
 
Quinto, Jesus aparece nos temas longitudinais que apontam para Ele no Novo Testamento. Por exemplo, o amplo tema da salvação aponta para Jesus como o supremo Salvador de Seu povo.
 
Sexto, as referências ao livro de Daniel no Novo Testamento são outra perspectiva por meio da qual podemos encontrar Jesus. Por exemplo, Apocalipse 13:1-8 faz alusão a Daniel 7. Em Mateus 26:64 e Marcos 14:62, Jesus Se referiu a Daniel 7:13 e aplicou a Si mesmo o título de "Filho do homem" (Veja Sidney Greidanus, Pregando Cristo a Partir de Daniel, Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2012).
 
2. Literatura apocalíptica
 
Dois tipos primários (gêneros) de literatura profética são encontrados na Bíblia. A profecia clássica retrata Deus agindo dentro da história para restaurar o mundo de acordo com a estrutura geográfica e étnica da aliança estabelecida com Israel (veja, por exemplo, os livros de Isaías, Jeremias e Amós). A profecia apocalíptica apresenta Deus destruindo a antiga ordem de coisas antes de restaurar a Terra. É uma abordagem mais apropriada para os tempos de crise, em que o povo de Deus precisa de esperança e da certeza de que Deus está no pleno controle do curso da história e executará a consumação de todas as coisas. Na Bíblia, a profecia apocalíptica aparece principalmente em Daniel e no Apocalipse. As profecias apocalípticas têm algumas características distintivas que devemos considerar para melhor compreendê-las:
 
Cumprimento único
 
A profecia apocalíptica é incondicional e tem cumprimento único. Ela pode ter múltiplas aplicações espirituais ou teológicas, mas aponta para um só cumprimento profético. Esse cumprimento é uma consequência lógica da abordagem historicista, que vê a profecia apocalíptica retratando a história desde a época do profeta até o fim dos tempos (veja mais sobre o historicismo a seguir).
 
Recapitulação
 
Daniel (e também Apocalipse) usou o princípio da recapitulação ou repetição. Daniel 2 apresenta o esboço padrão da história do mundo desde a época do profeta até o tempo do fim. Depois, os capítulos 7, 8, e 10–12 recapitulam o assunto principal de Daniel 2 acrescentando outros detalhes e pontos de vista. Como disse determinado autor: “Daniel 2 descreve a restauração do reino; Daniel 7, a restauração do rei; Daniel 8, a restauração do santuário; e Daniel 10–12, a restauração do povo”. Uma compreensão clara do princípio de recapitulação oferece um controle interpretativo para o estudo das várias cadeias proféticas de Daniel, incluindo a desafiadora profecia de Daniel 11.
 
Princípio do dia/ano
 
A profecia apocalíptica utiliza o simbolismo que inclui certos períodos de tempo mencionados nessas profecias. Uma compreensão literal dos períodos de tempo não tem sentido, dada a magnitude dos eventos envolvidos e o contexto simbólico das profecias apocalípticas. Esses períodos de tempo precisam ser entendidos de acordo com o princípio de que um dia na profecia representa um ano na história real. Números 14:34 e Ezequiel 4:5, 6 são as passagens clássicas que fundamentam o princípio do dia/ano. No entanto, há uma série de passagens que apresentam a relação dia/ano na Bíblia (Gn 5; Gn 6:3; 1Sm 1:21; Jó 10:5, etc.). Finalmente, uma vez que o simbolismo das profecias apocalípticas utiliza símbolos mais simples para representar entidades mais amplas do que os próprios símbolos empregados, subentende-se dessa observação que os períodos de tempo são também “simbolizações em miniatura” de períodos de tempo maiores, isto é, um dia por um ano (Alberto Timm, Simbolização em Miniatura e o Princípio ‘Dia/Ano de Interpretação Profética, Unaspress: 2004, disponível em http://circle.adventist.org/files/unaspress/parousia2004023310.pdf; acessado em 17 de julho de 2019).
 
3. Historicismo
 
Em contraste com o preterismo e o futurismo, que compreendem o cumprimento das profecias de Daniel no passado e no futuro, respectivamente, o historicismo vê o cumprimento profético das profecias de Daniel se estendendo desde o tempo do profeta até o estabelecimento do reino de Deus na Terra. Assim, o historicismo não é apenas uma teoria de interpretação profética entre outras teorias existentes; na verdade, o historicismo é a abordagem que melhor se harmoniza com o texto bíblico. Os argumentos a seguir mostram a validade do historicismo.
 
Primeiro, o historicismo é o método sugerido pela própria Bíblia. Por exemplo, a sucessão de acontecimentos proféticos de Daniel 2, 7, 8, 9 é explicada a partir de uma perspectiva historicista. A sequência dos impérios mundiais que culminam no estabelecimento do reino de Deus compreende um período de tempo que se estende desde os tempos de Babilônia e Pérsia até o fim da história terrestre.
 
Segundo, os extensos períodos de tempo e o alcance universal das profecias apocalípticas (1260, 2300, 490 anos), que abrangem reinos e, finalmente, chegam até o reino de Deus, podem ser mais bem explicados de acordo com a abordagem historicista.
 
Terceiro, Jesus entendeu a futura destruição de Jerusalém em 70 d.C. (Mt 24:15-20; Lc 21:20-22) como o cumprimento de Daniel 9:26, 27. Paulo fez referência a vários eventos proféticos sucessivos que se cumprirão na história antes da segunda vinda de Cristo (2Ts 2:1-12).
 
Quarto, a abordagem historicista foi utilizada pelos primeiros Pais da Igreja e pelos reformadores. Agostinho iniciou uma mudança de perspectiva quando comparou o reino de Deus com a igreja cristã e o milênio com a era cristã.
 
Quinto, a abordagem historicista se fundamenta no pressuposto de que Deus trabalha ao longo dos séculos da história humana para concluir o plano da salvação. Não há lacunas nas atividades redentivas de Deus no cenário descrito nas profecias apocalípticas.
 
Conclusão: “Os Adventistas do Sétimo Dia acreditam que o historicismo seja o método apropriado de interpretação profética a ser utilizado na interpretação dos livros de Daniel e Apocalipse. Esse método é sustentado pelas próprias Escrituras e foi utilizado durante o período da igreja primitiva. Além disso, eles acreditam que, ao utilizar esse método, também estejam preservando um aspecto importante da obra de restauração dos reformadores (Don F. Neufeld, ed., Seventh-day Adventist Encyclopedia, Hagerstown, MD: Review and Herald, 1995, article entitled “Historicism” [Historicismo], p. 20).
 
Aplicação para a vida
 
“Há necessidade de mais íntimo estudo da Palavra de Deus; especialmente Daniel e Apocalipse devem merecer a atenção como nunca antes. [...] A luz que Daniel recebeu de Deus foi dada especialmente para estes últimos dias” (Ellen G. White, Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 112, 113).
 
1. Qual é a sua primeira impressão do livro de Daniel? É um livro sobre cronologia profética, sobre histórias com aplicação espiritual, ou sobre Cristo?
 
2. Como você integra esses três aspectos (cronologia profética, histórias com aplicação espiritual e centralidade de Cristo) segundo seu entendimento do livro de Daniel à luz da seguinte declaração de Ellen G. White? “O tema central da Bíblia, o tema em redor do qual giram todos os outros no livro, é o plano da redenção, a restauração da imagem de Deus no ser humano” (Educação, p. 125).
 
3. Que visão de Deus podemos obter a partir da definição de profecia apocalíptica apresentada anteriormente? Quão transformadora pode ser essa percepção para seu relacionamento com Ele?
 
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